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30 de dezembro de 2010

Os três maiores segredos do maior investidor do mundo, Warren Buffet

Último post da década. Espero que tenham tido um excelente Natal e, daqui a pouco, uma excelente virada de ano!

Bem, vamos lá!


No domingo passado (26/12/2010), no programa do Fantástico na Rede Globo, passou uma reportagem contando um pouco da história de Warren Buffet, dono de uma das 3 maiores fortunas do mundo (ele fica revesando o topo com Bill Gates, da Microsoft - que inclusive é seu amigo pessoal - e com Carlos Slim, do México, dono da Claro, Embratel e várias outras empresas). Para quem não sabe da história desse homem, vou contá-la de maneira breve, para se ter um panorama geral: (informações retiradas da Wikipedia com alguns adendos)

Warren Edward Buffett nasceu em Omaha, Estado de Nebraska, E.U.A.. É o segundo de três filhos e único filho de Leila (née Stahl) com Howard Buffett. Seu pai foi um corretor da bolsa e membro do Congresso dos Estados Unidos da América. Warren Buffett tem duas irmãs, Doris e Bertie. Seu avô era dono de uma loja de produtos alimentares em Omaha.

Desde criança Warren demonstrou interesse por fazer e guardar dinheiro. Ele ia de porta em porta para vender balas, Coca-Cola ou revistas semanais e também trabalhou na loja de doces de seu avô paterno. Ainda no ensino médio, ele era dono de várias ideias bem sucedidas para ganhar dinheiro, tais como: vender bolas de golfe remanufaturadas e customizar carros entre elas. Sua primeira declaração fiscal foi feita em 1944,alegando que sua bicicleta e relógio eram essenciais em seu trabalho teve uma dedução de $35. Em 1945 ele e um amigo da escola gastaram $25 para comprar uma maquina de pinball, colocando-a em uma barbearia local. Após algum tempo, eles eram donos de dezenas de máquinas em diferentes lojas - e ganhavam muito mais dinheiro que seus professores naquela época!

Os interesses em investir na bolsa de valores viam desde a infancia. Em uma viagem à Nova Iorque aos dez anos ele fez questão de visitar o New York Stock Exchange (NYSE). E nesse mesmo período ele comprou ações para ele e sua irmã. Na época do ensino médio ele já acumulara uma considerável quantia em dinheiro guardada, e investiu em uma empresa de seu pai e comprou uma fazenda, trabalhando de renda. No período em que terminou o colégio, Buffett já acumulava mais de US$90.000 (nessa época era uma quantia muito expressiva, especialmente porque praticamente não havia inflação).

Iniciou sua vida acadêmica universitária dentro da Universidade de Pensilvânia, em 1947, onde participava de uma fraternidade chamada Alpha Phi Alpha. Dois anos após ele se transferiu para a Universidade Nebraska-Lincoln, onde em 1950, aos dezenove anos, ele terminou seu curso, tornando-se um Bacharel em Economia.

Buffett ingressou na Escola de Negócios Columbia após aprender com Benjamin Graham e David Dodd, dois conhecidos analistas econômicos, autores dos livros "Security Analysis" e "O Investidor Inteligente". Ele recebeu a graduação de Mestre em Economia em 1951.

Benjamin Graham, como diz Buffett, depois de seu pai foi a pessoa que mais exerceu influência em sua vida. Isso porque a abordagem de investimentos usada por Buffett é baseada em Graham. Buffett gosta de comprar ações de empresas que estão sendo negociadas abaixo de seu valor intrínseco (valor real de uma ação).

Além de Graham, Philip Fisher foi outro investidor que influenciou as abordagens de Buffett. Para Fisher, comprar uma empresa barata não era tudo. Fisher acreditava que os investidores deviam comprar papéis de grandes empresas. Empresas líderes no setor, com alguma vantagem competitiva durável.

Nas palavras de Buffett: "Eu sou 15% Fisher e 85% Benjamin Graham".


Certo. Essas informações qualquer um consegue na internet. Mas o que me chamou a atenção na reportagem? Foi o seguinte:

Além de todas as referências aos grandes negócios que o mega-investidor realizou em sua vida, ressaltou-se três pontos interessantes:


1. Não faça dívidas

Warren Buffet, apesar de bilionário e tudo mais, é um cara bastante simples. Vive numa casa confortável, mas não é uma mansão. Vive no interior dos EUA, quando podia, se quisesse, viver esbanjando luxo e ostentação em Nova Iorque, Hollywood ou em qualquer outro canto badalado dos Estados Unidos (ou do mundo). Tem um carro que é usado e é muito difícil que o convençam de troca-lo (a filha dele, com muito custo, consegue). O que Buffet procura é simplesmente ter qualidade de vida - e ponto.

O que quero dizer com isso? Dívidas, se forem feitas, têm que ser, em último caso, "dívidas boas" e bem planejadas. O que quero dizer com "dívida boa"? Por exemplo: se você tiver condições e se não for te atrapalhar em planos já estabelecidos, uma pós-graduação pode dar a oportunidade de se aumentar a renda, depois que ela for concluída, certo? Porém, até chegar lá, se você não tem todo o dinheiro para pagar à vista (que seria o ideal), pode-se assumir o compromisso de pagar as mensalidades e, assim, ter um grau diferenciado em relação à grande massa de graduados que hoje se tem no Brasil - isso seria uma dívida boa.

Porém, observem: digamos que uma pós-graduação custasse R$ 13.500,00 à vista e o curso durasse 24 meses. Dentre as diversas formas de pagamento, uma pessoa escolhesse pagar R$ 600,00 por mês (mensalidade média de uma pós) durante os 24 meses que dura o curso. Considerando 24 parcelas de R$ 600,00 tem-se pago no final do período um montante de R$ R$ 14.400,00.

Só que... sem considerar custos operacionais, inflação do período e eventual imposto de renda, se uma pessoa quisesse fazer uma pós-graduação daqui a 24 meses, mas não tivesse urgência, ela poderia procurar uma aplicação que lhe rendesse 1,90% a.m. (relativamente conservador tratando-se de Brasil), durante 22 meses (para dar prazo para o resgate do investimento, matrícula, etc), aplicando R$ 500,00 por mês (16% menos de dinheiro que o pagamento da parcela do curso). No final de 22 meses, essa pessoa teria o montante de R$ 13.500,00 - o valor total do curso para ser pago à vista! Com uma aplicação conservadora, teve-se que juntar bem menos dinheiro (22 x R$ 500,00 = R$ 11.000,00), conseguiu-se rentabilidade de 22% no período e pagou-se bem menos que os R$ 14.400,00 - diferença de R$ 3.500,00!

Vivemos ainda, no Brasil, uma cultura de crédito e consumo. É relativamente fácil ter o que quiser, o crédito aqui é bem farto. Porém, da mesma forma, é muito fácil se endividar. O que temos de fazer e com que os juros trabalhe ao nosso favor e não contra nós. Pensem nisso.


2. Não se importe com a opinião dos outros

Pois bem, além de isso ser uma grande verdade no mundo dos investimentos (afinal, o dinheiro é seu e, no mínimo, você é quem tem que saber o que fazer com ele) é uma grande verdade na vida do dia-a-dia. Bem, estamos falando de uma pessoa de 80 anos de idade, certo? Pois bem, pasmem: em sua vida, Buffet viveu um triângulo amoroso - e público! Warren casou-se em 1952 com Susan Buffett Thompson, teve três filhos com ela e a partir de 1977, eles começaram a morar separados - mas continuaram casados. Nesse ínterim, a pedido de Susan, uma amiga, Astrid Menks, viveu com Buffet como companheira. Eles viveram assim até 2004, quando Susan veio a falecer e Buffet casou-se com Astrid. Para muitos hoje isso não é absurdo. Mas vamos tentar nos colocar na época, há 40 anos atrás: tratando-se de um triângulo amoroso (e os três se davam super bem) era algo abominável, ainda mais em cidade do interior!

O que quero dizer com isso: toda e qualquer decisão que tomar em sua vida é de sua responsabilidade - só sua. Não se importe muito com que os outros digam. Em um livro que eu li (Quem Pensa Enriquece - Napoleon Hill) tem uma passagem que fala bem disso: "Opiniões são as mercadorias mais baratas da Terra". É importante ouvir? Não sei, sinceramente não sei. Talvez sim, para ter um ponto de vista a mais e poder considerar alguma coisa que não se tenha visto. Mas, no final das contas, quem faz o quê com sua vida (ou com seu dinheiro) é só você.


3. Aprenda a lidar com as pessoas

Muitos vão estranhar esse último tópico: "aprender a lidar com pessoas?! Isso é brincadeira!?" Não, quem disse isso - e disse mesmo, não foi ninguém do Fantástico - foi o próprio Warren Buffet. Esse homem estudou e aprendeu a lidar com qualquer tipo de pessoa. Mas alguns vão gritar: "ah! Mas ele é o cara, não consigo fazer o que ele fez". Bem, com essa atitude não se conseguirá absolutamente nada... Porém, ele estudou essa particularidade em um best-seller que li, estudei e voltarei a estudar em 2011: "Como fazer amigos e influenciar pessoas - Dale Carnegie" (do inglês: "How to win friends and influence people"). A publicação dele é bem antiga, da capa vermelha, datilografada - só para constar: já existem livros impressos [risos]. Essa habilidade que desenvolveu através dos anos, foi a que proprocionou que fechasse um dos primeiros negócios: a compra de 80% da Nebraska Furniture Mart. Através de uma conversa informal, sem advogados, sem estresse, Warren Buffet fechou a compra com a Sra. Rose Blumkin por US$ 55 mihões, uma russa que não sabia nem ler ou escrever. Ou seja: ele soube lidar (e muito bem) com uma senhora de 95 anos que era dura na queda.

Se serve de recomendação, leiam o livro que o maior investidor do mundo disse que "mudou completamente a sua vida". Lidar com o ser humano é uma das maiores (se não a maior) habilidades que se pode ter. Saber elogiar sinceramente (não bajular), saber criticar (quando e como), saber os meandros que faz cada um de nós único, especial.

Que todos nós tenhamos um Excelente 2011 repleto de conquistas, prosperidade, realizações, abundância e muito dinheiro!

Até 2011!


Phillip Souza, o Investidor Milionário

25 de dezembro de 2010

Podando galhos e folhas secas

Feliz Natal! Hoje é dia 25 de dezembro, dia em que, na religião Cristã, comemora-se o nascimento de Jesus Cristo. Essa é uma época em que pessoas estão mais felizes, alegres, animadas. É um período de reflexão e até mesmo de preparo para o novo ano que logo já vem.

Quero compartilhar com vocês nesse post algumas coisas que aconteceram de ontem para hoje. Na virada da noite (de 24 para 25) estive na ceia de Natal na casa de uma prima, com parte da família reunida: ela, mais dois primos (irmãos dela), dois tios (sendo um deles o pai dela), o marido dela, seus dois filhos, o sogro dela, meu pai, minha mãe e minha irmã. Que eu me recorde dos meus Natais passados, nenhum deles, de uns cinco anos para cá, tinha acontecido uma reunião dessas por mais simples que fosse. Como bom observador e sempre reservado, observei silenciosamente as pessoas nessa noite e percebi que foi um momento especial. Quando da efetiva virada das datas (ou seja, após 00:00) todos se cumprimentaram e eu, se não me falha a memória, pela primeira vez consegui dar meu carinho para aquelas pessoas: abraços, beijos, apertos de mãos – me vi inundado de carinho, afeto e Amor. Sensação delicada, frágil e maravilhosa.

Chegando em casa, um pouco depois de meus pais – pois acompanhava um tio que mora conosco, já que anda mais devagar (lógico, pesado como ele é! rsrsrs) – eu tive algumas surpresas agradáveis e, como muitas coisas que acontecem em minha vida, intensas: minha irmã me entregou um cartão de Natal que ela mesmo fez, colorido à lápis de cor, escrito por ela mesma – enfim, algo bem simples, mas de uma dedicação tão genuína que toca o coração; e encontrei em cima de meu travesseiro um envelope, endereçado à mim, tendo como remetentes meus pais e minha irmã – imaginei que também fosse um cartão de Natal e estava feliz por isso.

Antes de abrir ou de ler o cartão de minha irmã, lembrei-me de meu finado avô e padrinho: sempre nessa data rezava em frente ao presépio que ele, sozinho, até seus 91 anos, construía anualmente, até seu último Natal conosco, ano passado. Senti (e ainda sinto) sua presença e a presença de minha avó – e também madrinha (esposa dele, que, agora estão juntos e com Deus) – quando comecei a fazer o que ele fazia: rezar em seu rosário. Que sensação divina! Desculpem, mas não conseguirei descrever com palavras e, sinceramente, espero que um dia possam experimentar, se já não experimentaram algo igual ou parecido. Cheguei a me emocionar, não pude me conter. Depois dessa experiência, fui ler e abrir meus presentes. O cartão de minha irmã fala do espírito de Natal e da bondade de Deus para que essa preencha nosso lar. O presente que estava em um envelope foi aberto logo em seguida – fiquei muito surpreso: tratava-se de dinheiro. Uma quantia importante, da qual fará a diferença para mim nas próximas semanas – confesso que pensei em devolver, mas tratando-se de presente tenho comigo um valor fundamental de minha reprogramação mental: “aprender a receber”. Recebi e me emocionei ainda mais... dormi chorando, se querem saber...



O dia 25 começou agradecendo meus pais pelo presente que me deram, mostrando a importância do que esse dinheiro representa. Ficaram felizes, pude perceber isso em seus olhos. O dia transcorreu como o esperado: eu e meu pai colocamos uma grande TV na sala, teve reunião da família (dessa vez mais gente!), e, depois de que todos se foram, aconteceu uma coisa diferente, inusitada, diria: eu e meu pai começamos a podar as folhas e galhos secos do chuchu que ele plantou a alguns meses na parte da frente de casa (como podem ver nas fotos). Expliquei para ele como as plantas se comportam com relação às podas: se cortarmos as gemas do caule, deixando somente a das pontas, a planta tende a crescer mais rápido; se fizermos o contrário, cortando a gema da ponta, a planta tende a crescer para os lados. Começamos a cortar as gemas dos caules, pois o objetivo é que o chuchu se espalhe, se alastre; portanto, tem que crescer. Em determinado momento, eu tive de continuar a tarefa sozinho, pois meu pai já estava cansado de tanto olhar para cima [risos]. Daí que me veio a idéia de escrever esse post.

Assim como as plantas precisam ser podadas de vez em quando, nós devemos nos podar para que possamos crescer mais rápido e nos tornarmos mais fortes. Dolorido, pode até ser, mas devemos tirar os galhos e folhas secas de nossa existência, pois, muitas vezes, eles tendem a nos atrapalhar, a nos impedir de fazer o que tem que ser feito. Devemos, portanto, vigiar constantemente nossas atitudes, pensamentos, hábitos com relação à tudo o que nos cerca – família, amigos, colegas, bens, dinheiro, experiências, ... tudo. Mas, assim como as plantas, também temos que saber exatamente o limite da poda – pois se retirar todas as folhas, não só as secas, mas também as verdes e as amareladas, a planta morre. Ou seja, o mínimo que temos que procurar é apenas ser melhor do que fomos ontem, mas sem exageros. Buscar acreditar em nossas capacidades, acreditar nos nossos sonhos e fazer com que sejam realidade, buscar fazer as outras pessoas felizes, nem que seja apenas com um olhar ou um sorriso sincero.

Ainda temos tempo para nos podar; mas, lembrem-se: o tempo é implacável – essa é uma das únicas coisas que (pelo menos até onde sei) não conseguimos renovar.

Espero ter passado o recado.

Comentem e, se quiserem, cadastrem-se para receber as atualizações do blog.


Feliz Natal!

12 de dezembro de 2010

Humanização e Dinheiro

Esse post foi desenvolvido à pedido de uma leitora. Penso que é altamente válido porque antes não tinha expresso e nem prestado atenção em relação àquilo que faço e acredito; bem, ela me convenceu a escrever sobre Humanização e Dinheiro.


Vamos começar com a tentativa de se definir Humanização.

Para o dicionário, humanização é o ato de humanizar, que por sua vez significa:
1. Tornar humano; dar condição humana a; humanar.
2. Tornar benévolo, afável, tratável; humanar.
3. Fazer adquirir hábitos sociais polidos; civilizar.
4. Bras., CE. Amansar (animais).
5. Tornar-se humano; humanar-se.

Esta primeira consulta semântica leva-nos à pergunta: o que é o humano? Será que podemos assumir que humano é o que é afável, benévolo, como diz o Aurélio? Ou o que é manso? Ou que ainda precisaríamos civilizar-nos?

O fato é que somos seres biológicos, sociais e subjetivos - tudo ao mesmo tempo. Sou ser biológico quando amo; social quando me enraiveço, sou tomado por ódio; subjetivo quando me revolto diante de injustiças... enfim, é tudo ao mesmo tempo.

Hoje em todas as áreas do encontramos uma visão marcante do positivismo. O Positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Assim sendo, desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Tudo aquilo que não puder ser provado pela ciência é considerado como pertencente ao domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs superstições. Para os Positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos, único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo além-túmulo (wikipedia). De forma simplista, resume-se à técnica.

Porém, eu discordo dessa visão. Excluir as nuances sociais - que não podem ser controladas, catalogadas e provadas com o nível de rigor que o meio científico exige - e colocá-las como "domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs supertições" é o mesmo que se tentar separar um ser humano das coisas que o tornam único, completo e global; somos muito mais que experimentos ambulantes. Humanizar é garantir a palavra sua dignidade ética. A linguagem, (seja verbal, corporal ou qualquer outra) que expressa os sentimentos de forma tão clara, devido o tom de voz, gestos, trejeitos, é o principal meio que nos permite fazer descobertas com nossos semelhantes. Sem ela, não existe o processo de humanização. A linguagem, no sentido humano de ser, especialmente pelas palavras, do ouvir, do falar, do diálogo, é que faz com que esse processo exista - é a partir dela que podemos expressar os sentimentos, o sofrimento e/ou alegria humanos, as percepções de dor e/ou prazer, etc; e é preciso que as palavras ditas por um sujeito sejam humanizadas pelo outro.

A ciência e a tecnologia não bastam para entender o outro; e isso em nenhuma área ou profissão. Quando esses são os únicos critérios a serem considerados ocorre exatamente o contrário: a desumanização, a não consideração do sentimento do outro.

Como profissional da área financeira e, no final das contas, por falar sobre dinheiro e como lidar com ele, acabo esbarrando em questões humanísticas, que, muitas vezes, nem se trata das finanças em si - mas do ser humano. Quantas vezes já encontrei situações em que as pessoas estão insatisfeitas com suas vidas e, para tentar preencher o vazio que as machucam, gastam feito loucas comprometendo posteriormente as relações sociais, familiares, profissionais. Quando encontro pessoas assim e escuto seus problemas, suas angústias, seus sonhos e desejos, seus objetivos, seus medos e inseguranças, só por escutar (e talvez conduzir para que encontrem a solução) elas por si só se sentem renovadas, revigoradas a continuar e melhorar, porque sentem que são seres com plenas capacidades de serem e fazerem o que quiserem - são livres para escolher o próprio caminho. Parece que ocorre um choque: começam a perceber que o dinheiro (o "vilão" da história) serve como uma forma de facilitar o planejamento e a realização dos sonhos antigos, talvez quase desacreditados e esquecidos. Simplesmente escuto, considero o que o outro está sentindo e procuro conduzir a pessoa para um foco pelo qual ela pode ter novas e boas perpectivas acerca de si mesma e dos outros.

É bem como eu sempre repito e espero sempre repetir nos cursos e palestras que ministro: o que importa não é o dinheiro e nem a quantidade que você tem hoje. O que importa é o que você é ou está se tornando. Mesmo uma pessoa mais simples - se ela CRIAR suas oportunidades, procurar vencer na vida, ir de encontro àquilo que acredita, estudando, procurando fazer o melhor de si sempre (daí ocorre o destaque, o brilho em meio à multidão e à mediocridade) - tem que se preparar para as coisas grandes porque, geralmente, quando elas acontecem, elas vem recheadas de dinheiro; e ele, não muda a pessoa: apenas AMPLIA aquilo que nós somos. Se você é uma pessoa mesquinha, quando tiver dinheiro (se tiver), será uma pessoa muito mais mesquinha; se é uma pessoa generosa, quando tiver mais dinheiro, será muito mais generosa; se é uma pessoa má, terá a oportunidade de ser pior ainda; se o trabalho, o sentido do trabalho, for mais importante que o dinheiro, muito provavelmente ele virá em grande quantidade, mas, no final das contas pouco importará - aliás, será importante para realizar seu trabalho em larga escala, com mais pessoas.

Falo por mim. Até pouco tempo estava disposto a fazer qualquer coisa pelo dinheiro e atingir minha audaciosícima meta de ser milionário até dezembro de 2015. Esse objetivo ainda existe e vou procurar atingi-lo. Porém, existe algo muito maior até, durante e depois de atingir essa meta: pretendo mudar a cultura de uma geração (ou de algumas). Dinheiro, acredito eu, não deixará de existir - é uma forma dinâmica e mensurável de troca-lo por aquilo que queremos ou precisamos. Porém, o hábito, o sentimento em relação a ele (negativo da maioria das pessoas) , ainda permanecem em nossa cultura. E vão persistir por muito tempo, talvez até depois do meu breve período nesse planeta. Contudo, o sentido de meu trabalho, assim espero, persistirá; e, quem sabe, se multiplicará. na medida que essas coisas forem acontecendo, terei que considerar muitos sentimentos, muitas vidas, muitas perpectivas e procurar encaminhar as pessoas da melhor forma possível para a realização de seus sonhos e objetivos; e querendo ou não, falar, ouvir, dialogar, ponderar inúmeras variáveis a fim de organizá-las em um plano pessoal será a minha tarefa. Dinheiro, na maioria dos casos (acredito eu) será mera consequencia. Riqueza é uma palavra que talvez remeta a dinheiro, mas é muito mais que isso: é conforto, qualidade de vida, satisfação de desejos - que em parte o dinheiro pode proporcionar -, mas também é ser rico com amizades, amores, a família, com o ser humano.

Respeito, carinho, atenção, dedicação, ética, solidariedade, transparência, competência, compreensão, justiça e amor - apenas valores, mas os mais ricos valores.

Comentem!

28 de novembro de 2010

DESAFIE-SE

Nas últimas semanas tem acontecido algumas coisas impressionantes e, além disso, muito, muito boas! Conheci algumas pessoas que podem fazer uma bela diferença em minha vida profissional nos próximos meses, tenho percebido que sou muito bom naquilo que faço (investir no mercado de capitais, educar e orientar financeiramente as pessoas); e ainda estou carregando/construindo uma sensação permamente de tranquilidade, sucesso, determinação e integridade.

Essa semana que se passou, especificamente, tomei uma decisão interessante em direção à alguns dos meus sonhos: falar, escrever, ler e entender mandarim. É, é isso mesmo: mandarim (vulgarmente chamado de chinês). É um idioma cheio de detalhes culturais: cada ideograma traz uma história, um desenvolvimento de uma idéia traduzida para a escrita. Além disso, o falar é muito sutil: existem 5 tons diferentes para cada simbolozinho que se vê por aí - e cada alteração na entonação pode significar uma coisa diferente. E o mais legal: depois que você pratica a escrita algumas vezes (umas 30 a 50 vezes, como se estivesse aprendendo as sílabas de nosso alfabeto na infância) fica muito fácil identificar (ler) os ideogramas espalhados pela internet. Além do mandarim, retomei meus estudos do inglês, que, infelizmente, não conseguirei obter a fluência que desejava até o fim deste ano.

Mas, e aí? O que isso tem a ver? Tem a ver com objetivos. No post anterior, eu disse que faltavam 41 dias para o fim do ano. Contando com o dia de hoje, agora faltam 34 dias. Estou reestabelecendo meus alvos e já praticando, o quanto antes. Para mim, pelo menos, 2011 não pode esperar. Profissionalmente, as coisas estão se delineando para acontecer um "boom": acredito que conseguirei unir as coisas que amo fazer ao trabalhar - investir, educar e orientar.

Daí, parece que o universo começa a conspirar a seu favor: no meu caso, estou conhecendo pessoas que se dispõem a me ajudar e indicar os melhores profissionais que podem fazer com que meu trabalho fique cada vez mais excelente. Gente que quer ser parceiro, sócio (sócia, vai!), que acredita, que confia... enfim, 2010 está começando a fechar de uma forma muito áurea.

O objetivo de hoje é: DESAFIE-SE!

Aprenda um novo idioma (se não quiser mandarim, não se esqueça que existe: japonês, tailandês, alemão, russo [risos], francês, espanhol, polonês, holandês, italiano, africâner, hindi, hebraico, o tão essencial inglês, e vários outros mais!); gostaria de ler mais? Desafie-se a ler ao menos um livro por mês; quer ter mais amigos? Determine ao menos um fim de semana para sair e conhecer gente; uma namorada (o) nova? Desafie-se e tenha coragem para conversar com a pessoa que você escolheu - mesmo que não dê certo, você foi lá e fez! Perder peso? Comece com uma coisa simples: acorde mais cedo e vá caminhar; tem muita coisa que podemos fazer - basta nos desafiarmos (de verdade) e, claro, termos a resiliência necessária para continuar.

Bem, eu já cravei dois desafios e estou bem animado com isso: o aprendizado dos idiomas (inglês e mandarim) e meu negócio que está se estruturando.

Pensem sobre isso e: comentem!

再见 (significa "tchau" em mandarim)

20 de novembro de 2010

Recomeçar e planejar

Antes de qualquer coisa, desculpem-me. Peço desculpas àqueles que assinaram a newsletter do Riquezas da Vida a fim de receber novidades e, também, às pessoas que lêem ou leram o blog. Confesso que eu não tinha visto que algumas pessoas têm interesse naquilo que eu escrevo. Sim, são poucas ainda, mas que valorizaram, de uma forma ou de outra, o conteúdo desses posts. O blog tem sido visto e recebido, inclusive, visitas internacionais, especialmente dos Estados Unidos e algumas da Europa. Recebi um grande e positivo feedback de uma leitora (e amiga) essa semana, que eu jamais imaginaria que fosse ler TODOS os posts. Ela me disse que, apesar de muitos serem voltados ao mercado de capitais, alguns fazem repensar, refletir sobre questões essenciais da vida, sob uma nova abordagem. Porém, também, recebi um belo "puxão de orelha": eu descontinuei muito as minhas publicações nesse ano de 2010. Enfim, vamos recomeçar.


Faltam 41 dias para o Ano Novo, 2011, Reveillon, roupas brancas, roupas íntimas amarelas (ai, ai...); faltam 35 dias para o Natal (se quiserem, roupas vermelhas! hahaha); ah! E 10 dias para que dezembro chegue. Quem não se deu conta ainda, estamos, definitivamente, na reta final, no fim do ano. Ainda se lembra dos projetos e promessas feitas na virada de 2009/2010 ou até mesmo no início deste ano? Compromisso de, sei lá: fazer academia, emagrecer, poupar x% dos rendimentos mensais e investi-los, sair das dívidas, zerar o cartão de crédito, conseguir um namorado(a), casar, fazer uma faculdade, comprar (ou trocar) um carro, fazer uma viagem digna de ser chamada de "viagem", mudar de casa, de trabalho, fazer (ou terminar) uma pós-graduação, ir mais à igreja, trabalhar mais, trocar de trabalho ou conseguir postos melhores dentro da companhia ao qual se trabalha, cuidar melhor da saúde, ter mais tempo para a família... enfim, qualquer coisa que foi promessa no passado, agora vem com aquela carga de "cobrança"; está na hora de se preparar para fazer um balanço, um balanço anual - e fazer isso com coragem, mesmo que já saiba que não se atingiu ou se desviou daquilo que foi proposto láááá atrás...

Mas por que pensar nisso com, praticamente, 40 dias do fim do ano? Alguns podem pensar: "farei isso mais tarde, quando o ano estiver terminando"; tudo bem, fique à vontade quem pensa assim. Porém, o que proponho é uma reflexão MUITO profunda: e isso leva tempo. Para quem é jovem, para quem já é adulto, para quem é, vamos dizer, maduro, para quem é experiente: sempre devemos ter a necessidade suprema de evoluir. Evolução no sentido mais amplo de sua palavra: socialmente, profissionalmente, afetivamente, espiritualmente, emocionalmente, fisicamente, mentalmente... tudo o que quiser que seja adjetivo terminado em "mente". "Nossa, mas aí é muita coisa pra se pensar", alguns pensarão. Sim, é. E é por isso que chamo a atenção pra isso agora. O ano novo no Brasil "começa" apenas depois do Carnaval (que em 2011 será em março); porém, até lá, existem vidas, pessoas, contas (e muitas!), planos, e sei lá mais o quê! Fazer essa revisão, esse balanço, começando por agora, faz com que 2011 comece em janeiro e dá mais tranquilidade e clareza em relação a qualquer ajuste que tenha de ser feito.

Eu já devo ter escrito isso em algum post anterior, mas vale ser repetitivo nesse caso e talvez com uma nova abordagem: antes de definir prazos, meios, defina primeiro O QUE quer no novo ano. Considere uma ou duas grandes metas, no máximo. Sabe o porquê disso? Simplesmente para dar foco. Tendo essas duas grandes metas claras e definidas, desenhadas e coloridas, pense em COMO atingi-las. Vai precisar de dinheiro para conseguir? Sim? QUANTO dinheiro? Não tem disponível? Como pode consegui-lo? Tem que se reeducar para consegui-lo? Sim? Então de que forma precisa fazer esse processo? Como vai pagar as dívidas para depois conseguir atingir a meta? Ah! Não tem dívidas. Então, como se planejar para alcançar o objetivo? QUANDO pretende ou precisa (em alguns casos) atingir esse objetivo? Enfim, seja um auto-inquisidor. Seja meticuloso, preciso, mas não deixe de ser flexível (eu não disse desleixado ou molenga, note bem!). Estabelecida a grande meta do ano (ou as grandes metas), faça o exercício que fizemos há pouco: quebre-a em pequenas metas, com prazos estabelecidos; revise-as constantemente, para saber se está indo em direção à sua realização e em uma velocidade adequada; foque, mas não fique cego. E tão importante quanto planejar: ESCREVA TODO SEU PLANO e COLOQUE EM ALGUM LUGAR EM QUE VOCÊ POSSA VÊ-LO E LÊ-LO TODOS OS DIAS.

Agora, percebam: eu NÃO propus 10 metas. Coisas e idéias novas vão surgir no meio do caminho? Claro que sim! E é bom que surjam, pois delas podem vir oportunidades e aprendizado. Porém, aos poucos, "no saldo", em vez de uma ou duas metas, conseguirão se concentrar em algumas mais, fazendo a roda da vida andar um pouco mais rápido, saindo do movimento gravitacional padrão: ficar parado. Com o tempo, vão se acostumando a tomar decisões importantes sobre todas aquelas áreas da vida anteriormente apontadas. Mas é preciso começar, ou melhor: é preciso recomeçar.


Muito obrigado, um bom fim de semana e: comentem!


PS.: Faz parte do meu planejamento ser mais assíduo com o meu blog, REcomeçando desde já!

16 de outubro de 2010

A história da vida de uma águia

Lembrei desse conto e considero que seja interessante compartilhar.


"A águia é a ave que possui maior longevidade da espécie. Chega a viver setenta anos.

Mas para chegar a essa idade, aos quarenta anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Aos quarenta ela está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!

Então a águia só tem duas alternativas: Morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar cento e cinquenta dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.

Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só cinco meses depois sai o formoso vôo de renovação e para viver então mais trinta anos.

Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes, velhos hábitos que nos causam dor.

Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz."


Estejamos prontos para sermos corajosos o suficiente para, sempre que necessário, renovar-nos.

15 de setembro de 2010

10 regras de ouro do analista técnico da bolsa de valores

Estas 10 regras de ouro do analista técnico da bolsa de valores que encontrei no site português Portal de Bolsa poderiam cada uma render artigos independentes. Mas para não perder o seu poder de síntese, analiso-as brevemente dentro, é claro, da experiência proporcionada como investidor.

1. Esqueça as notícias e lembre-se sempre dos gráficos.
Quando uma notícia foi parar nos jornais, lembre-se de que a fonte dos jornalistas, mesmo dos jornalistas realmente importantes, são os grandes investidores, gente com informações privilegiadas. Logo, essas pessoas já fizeram a notícia que você leu no jornal ou nos fóruns irem para o gráfico há muito tempo.

2. Compre no suporte, venda na resistência.
No suporte, há uma grande possibilidade de os preços voltarem a subir. Na resistência, de voltarem a cair. Claro que nem sempre isso vai se confirmar, mas com o uso de outros indicadores você pode reduzir perdas e aumentar lucros usando essa regra tão simples. Entenda mais sobre suportes e resistências.

3. Venda sempre que uma empresa bate pela segunda vez num máximo ou sempre que a empresa bate pela segunda vez no mínimo.
Sempre que um preço bate e volta duas vezes em um mesmo ponto isso constituiu um suporte ou uma resistência. E voltamos então para a regra número 2.

4. A tendência é sempre amiga.
O senso comum diz: compre na baixa e venda na alta. Errado. Você vai ter melhores resultados se pensar assim: em tendência de alta, opere na compra; em tendência de baixa, opere na venda. Aprenda a identificar a tendência predominante!

5. Os topos demoram menos tempo a formar que os fundos, já que ganância age mais depressa do que o medo.
A frase sintetiza o modo como o mercado é movido por fatores psicológicos. Se, por um lado os ansiosos podem vir a comprar loucamente em um momento em que se pode realizar grandes lucros, vão demorar mais a acreditar que problemas começaram a surgir.

6. A cotação tem memória. Lembre-se sempre da última vez que a empresa atingiu essa cotação, pois é provável que a cotação volte a ter o mesmo comportamento.
A memória é importante em diversos aspectos na bolsa de valores. Sobretudo na formação de topos e fundos. Lembre-se que a memória coletiva – caso da bolsa – é mais forte que a memória individual.

7. A tendência acaba sempre por testar a resistência ou o suporte.
Isso é inevitável. Em algum momento, a tendência terá de enfrentar um patamar em que foi difícil continuar comprando ou continuar vendendo. Mas se esse patamar é superado, a tendência se confirma e vai buscar novos patamares de suporte ou resistência.

8. Os touros (bulls) vivem acima da média móvel de 200 dias. Os ursos (bears) vivem abaixo.
Em uma tendência de alta, os preços ficam a maior parte do tempo acima da média de 200, e é na tendência de alta que os Touros (Bulls) devem operar. Nessa tendência os Ursos (Bears) atuam com menor intensidade e carregando um nível de risco muito maior de errarem suas operações: Concordam que em uma tendência de alta a maioria dos investidores estão otimistas? Assim, qualquer noticia (até sem relevância) é interpretada de forma positiva fazendo com que os preços voltem a subir? O contrário vale para a tendência de baixa.

9. A inversão de uma tendência nunca acontece de repente.
Isso é bacana. Significa que sempre haverá sinais de que é o momento de começar a operar na venda ou na compra antes que esses momentos se concretizem. Você deve aprender a análise técnica e acompanhar os gráficos diariamente para aprender mais e mais e antecipar esses momentos.

10. Não vá à procura do momento sem que saiba qual é a porta de saída.
Nunca entre em nenhum lugar sem saber a hora de sair e por onde vai sair. O mesmo vale para as ações na bolsa. E essa regra cresce em valor tanto mais em curto prazo você opere. Você precisa saber o momento certo de realizar um lucro, para não ser traído pela ganância, ou – quando o preço de uma posição comprada estiver em queda – cair fora, para não ser destruído por falsas esperanças. Um mecanismo que pode ajudar você nesse item são os stops.



Concluindo...

Não que os indicadores sejam ruins, na verdade são bons, mas para o fim que foram criados e isto inclui, perfil do Trader, prazo operacional, ou para atender a um set up específico. Assim penso que como todos os indicadores são derivados dos preços ou do volume, O ideal é concentrar as analises nestes dois fatores. Concentrem a maior parte de suas analises no preço/volume e possivelmente verão, com o passar do tempo, que uma boa análise destes dois itens dispensa a utilização de indicadores. Simplifique!

Contribuição de Fabiano Mariani

15 de agosto de 2010

Estratégia com opções: VENDA COBERTA

O Mercado de Opções é caracterizado por sua alta volatilidade diária (dependendo do momento, uma opção pode variar mais de 100%) e por características específicas (como a influência da taxa de juros, tempo para o exercício da opção, volatilidades e o ativo subjacente, já que as opções são derivativos destes) torna-se um mercado extremamente visado por investidores; principalmente para os amadores que, com pensamentos errados, imaginam que possam acertar sempre e dobrar seu capital em um curtíssimo espaço de tempo.

O que é uma opção: Uma opção de um ativo objeto ou subjacente será o direito (não uma obrigação) de comprar o ativo (opção de compra) ou o direito (não uma obrigação) de vender o ativo (opção de venda) a determinado preço e dentro de um determinado período de tempo no futuro.

Nessa estratégia trataremos apenas das opções de compra, que também são conhecidas no mercado como call.

Podemos ser dois "personagens" diante da mesma opção:
  • o titular, ou comprador da opção, que é o investidor que paga para ter o direito sobre o ativo objeto;
  • ou o lançador, ou vendedor da opção, que é o investidor que recebe o prêmio (ou o valor da opção) que assume o compromisso de entregar o ativo na data futura determinada se o titular assim quiser.
A estratégia de venda coberta, portanto, consite em:
  • Lançar uma CALL (ou seja, o investidor será o vendedor da opção) para cada ativo que se tenha na carteira, ou que se compre no mercado;
  • A premissa desta operação é “abrir mão” de parte dos lucros na alta em troca de remuneração imediata no mercado “de lado” ou “em queda”;
  • Para investimento de longo prazo, o importante é a solidez da empresa, o preço médio não tem importância.
Essa estratégia, para a maioria dos investidores, é considerada a mais conservadora em bolsa e, dependendo do momento em que é realizada, pode facilmente superar as taxas do mercado de renda fixa que tem como referencial o CDI, por exemplo.

Quais são seus objetivos? São dois: rentabilizar suas ações e proteger suas ações para uma eventual queda.

A estratégia é executa da seguinte maneira, por exemplo:

  1. Compramos o ativo no mercado à vista: 1000 VALE5 a R$ 38,00
  2. Vendemos (lançamos) no mercado de opções: 1000 VALEK36 a R$ 4,00 (opção de compra)
  3. Seu custo da operação passa de: R$ 38.000,00 para R$ 34.000,00

Veja o exemplo da operação abaixo:
Você fica protegido até uma eventual queda no preço das ações para R$ 34,00, já que esse é seu novo preço de compra.

Sendo exercido na operação você já sabe quanto ganhará (no caso, R$ 4,00).


Cenários
Preço da ação sobe para mais de R$ 36,00:
Você é exercido, vende cada ação por R$36,00

Preço da ação fica entre 34,00 e 36,00:
Você fica com o prêmio das opções e não é exercido

Preço da ação cai para 30,00:
Você não é exercido, seu prejuízo começa apenas quando o preço vai abaixo de R$ 34,00, diferente da compra a vista, que lhe daria prejuízo quando o preço fosse abaixo ou igual de R$ 38,00

Concluindo: no mercado de ações podemos, tranquilamente, obter rentabilidades melhores que no mercado de renda fixa com um nível de segurança relativamente alto.

Se essa operação for feita todos os meses, pode-se dizer que, aos poucos, o investidor vai aumentando seu patrimônio por agregar os prêmios recebidos ao montante.

15 de julho de 2010

Especificação de Objetivos

Muitas pessoas pagam fortunas para aprender a administrar o tempo. Tempo é, com certeza, o recurso mais bem distribuído em toda a face da Terra para todas as pessoas, pois todas as pessoas têm 24 horas todos os dias.

Precisamos de OBJETIVO. Então, vamos à uma fórmula muito conhecida para especificar um objetivo denominada SMART.

S–Speficific (Especificar): um objetivo tem que ser específico, claro e bem entendido. Algumas pessoas decidem poupar algum dinheiro pensando: meu objetivo é poupar! Errado. Meu objetivo é poupar R$20.000,00 em 12 meses. Aí sim, começamos a especificar o objetivo.

M–Measurable (Mensurável): um objetivo tem que ser mensurável para que você acompanhe sua evolução dentro do que você espera. Para poupar R$20.000,00 em 12 meses são R$1.666,67 por mês ou R$416,67 pode semana ou R$59,52 por dia ou R$2,48 por hora!!!!!

A–Achievable (Atingível): muitas pessoas se desestimulam por estabelecer objetivos muito ambiciosos que acabam por sabotar a intenção de atingi-lo. Seres humanos precisam de estímulo e atingir um objetivo é algo altamente estimulante.

R–Relevant (Relavante): um objetivo tem que ser relevante pois só assim ele fará sentido em sua vida. Muitas pessoas estabelecem objetivos sem definir claramente quão relevante ele é. Há uma enorme diferença entre poupar R$20.000,00 em 12 meses e poupar R$20.000,00 em 12 meses para obter tranqüilidade, segurança, realizar um sonho, etc.

T–Time (Tempo): todo objetivo tem que ter prazo para ser atingido. Sem definição de prazo nada será concluído de forma razoável, pois assim como o dinheiro, o tempo também é um recurso escasso.

30 de junho de 2010

A TEORIA DE DOW

A Teoria de Dow é uma teoria que aborda a movimentação dos preços de ações e fornece uma base técnica para sua análise.

Charles Henry Dow (um dos fundadores da editora financeira internacional Dow Jones & Company, junto com outros dois jornalistas: Edward Jones e Charles Bergstresser; daí o nome de um dos principais índices de ações dos EUA, o índice “Dow Jones Industrial Average” ou simplesmente “Dow-Jones”) formulou em 1884 esta teoria que é a base da Análise Técnica moderna, também é conhecida como chartismo.

Os pontos básicos da Teoria de Dow são:


* 1. Os índices descontam tudo. Todos os possíveis fatores que afetam a cotação dos preços dos ativos (ações) são descontados por esses índices que consideram todas as notícias, resultados contábeis e financeiros, acidentes e etc.

Os índices representam a ação conjunta de inúmeros investidores, desde os mais bem informados (que contam com as melhores informações e previsões) até os muito inexperientes. As variações diárias dos preços de um índice, portanto, já têm incluídas (descontadas) no seu valor os eventos que irão acontecer e que são desconhecidos pela maioria dos investidores.Dessa forma, todo o fator que afeta a relação de oferta/demanda está refletida no preço do mercado. Entretanto, existem os eventos que são imprevisíveis e que as pessoas não têm como saber, como calamidades naturais (tsunami, erupções vulcânicas, entre outros). Esses são os chamados "atos divinos", quando acontecem podem gerar fortes oscilações iniciais, mas acabam sendo absorvidos pelo mercado. Mas alguns podem pensar: “E as Torres Gêmeas (o World Trade Center)?”. Nesse caso, alguns poucos com certeza sabiam que aquela catástrofe ocorreria; então, não poderia ser classificado como um evento imprevisível.

Resumo do Princípio:

• Todo o fator que afeta a oferta x demanda está refletido no índice.

• O Índice já possui em seu valor (já descontou) eventos futuros que a imensa maioria não conhece.

• Acontecimentos completamente inesperados são rapidamente avaliados e seus possíveis efeitos absorvidos.


* 2. Os mercados se movem em tendências. As tendências podem ser de alta ou de baixa. Por sua vez, as tendências podem ser primárias, secundárias e terciárias, segundo sua duração.

O segundo princípio de Dow afirma que o mercado possui três tendências de movimento: primária, secundária e terciária.

A tendência primária é a tendência principal de um mercado. É um movimento longo que pode ser de alta ou de baixa e que leva a uma grande valorização ou desvalorização dos ativos. Não existem regras matemáticas exatas para definir o tempo de duração das tendências, entretanto, as tendências primárias duram aproximadamente de 1 a 2 anos. Na figura abaixo, as linhas verticais estão fazendo uma separação entre três tendências primárias no índice Bovespa.


Uma tendência primária não se movimenta em linha reta. Ao observarmos o mercado (como no gráfico acima) percebermos que o movimento acontece como um ziguezague. Em um mercado de alta, após um impulso para cima que forma um novo topo (mais alto que o anterior), temos uma correção que forma um novo fundo (também mais alto que o fundo anterior). Em uma tendência de baixa o oposto acontece, após uma queda que forma um fundo mais baixo, acontece uma reação que cria um topo mais baixo. O conjunto desses impulsos e correções dentro de uma tendência primária são as chamadas tendências secundárias. Uma tendência secundária dura de 3 semanas a alguns meses e pode corrigir até dois terços da tendência primária que ela faz parte.

As tendências terciárias fazem parte das secundárias. São movimentos menores de, em média, até 3 semanas. Elas se comportam em relação às tendências secundárias da mesma maneira que as secundárias em relação às primárias.

Quando estamos analisando o mercado é interessante classificar as tendências do movimento atual, assim, podemos avaliar melhor as ações a serem tomadas dentro de nossa estratégia operacional.

Resumo do Princípio:

• Tendência Primária: duração de 1 a 2 anos

• Tendência Secundária: 3 semanas a alguns meses

• Tendência Terciária: até 3 semanas


* 3. As Três Fases dos Movimentos

Dow fez uma série de observações sobre os movimentos de preços, tanto de alta como de baixa, caracterizando aspectos psicológicos marcantes de cada fase:

Fases do Mercado de Alta

• Fase 1, a Acumulação: No início da alta o mercado começa a ser propulsionado por investidores mais qualificados, que percebem logo que novos ventos estão soprando. Enquanto isso, a maioria ainda acredita que o pior ainda está por vir, o que permite aos investidores de elite comprarem papéis muito baratos. As notícias apresentadas pela mídia refletem as expectativas negativas da maioria.
• Fase 2, a Alta Sensível: A segunda parte é uma aceleração mais acentuada do movimento. A pressão compradora aumenta bastante.
• Fase 3, a Euforia: A terceira fase é marcada por grandes altas. Os participantes do mercado, de maneira geral, estão cada vez mais seguros de seus lucros e os investidores mais bem preparados começam a vender suas posições. A grande massa de investidores está em clima de euforia que se realimenta diariamente nos noticiários. Está aberta a possibilidade para a fase 1 do mercado de baixa.

Fases do Mercado de Baixa

• Fase 1, a Distribuição: Nesta fase os profissionais e investidores de elite vendem seus ativos, iniciando a retração.
• Fase 2, o Pânico: É uma etapa marcada por um grande nervosismo, os investidores percebem o equívoco e tentam se desfazer de suas posições.
• Fase 3, a Baixa Lenta: Com as grandes perdas e ativos muito desvalorizados a pressão vendedora se dissipa, oportunidades para uma nova alta começam a surgir.


* 4. Princípio de confirmação. Para confirmar uma tendência é necessário que os índices coincidam com a tendência.

O princípio da confirmação afirma que para uma reversão de tendência ou rompimento de nível de suporte/resistência serem válidos, o fato deve ocorrer em dois índices de composições distintas. Assim, um índice confirma o outro, demonstrando que não se trata de uma oscilação temporária do movimento.


Para ilustrar o princípio da confirmação suponha dois índices (A e B) de composições diferentes, mas que se comportam de maneira semelhante. O índice A, durante uma alta, vence a zona de pressão vendedora (a linha de resistência) e parece seguir com força em sua tendência. O índice B, entretanto, ao chegar pela primeira vez na linha de resistência não consegue o rompimento da mesma forma que A. Um investidor que analisa o mercado apenas a partir do ponto de vista do índice A pode concluir que existem boas oportunidade de compra logo após o rompimento. Contudo, o que acontece é uma retração, pois o mercado não estava tão forte como demonstrou a falha de rompimento por parte de B.

Essa é a essência do princípio da confirmação. Dois índices são usados para que um pronuncie uma "segunda opinião" sobre o outro, de modo a validar o que está acontecendo ou indicar uma armadilha. No caso brasileiro, esses dois índices poderiam ser, por exemplo, o índice Bovespa e o IBRX.


* 5. O volume deve confirmar a tendência. Se o mercado está em uma tendência de alta o volume aumentará, se em tendência de baixa o volume diminuirá.

Este princípio é bastante simples, na teoria de Dow o volume está relacionado com as tendências da seguinte maneira:

Tendência de Alta: Em uma tendência principal de alta é esperado que o volume aumente com a valorização dos ativos e diminua nas reações de desvalorização.

Tendência de Baixa: Em uma tendência principal de baixa é esperado que o volume aumente com a desvalorização dos ativos e diminua nas reações de valorização.


* 6. A tendência é vigente até que seja substituída por outra oposta. Até que os índices se confirmem, considera-se que a tendência antiga segue em vigor, apesar dos sinais aparentes de mudança. Este princípio procura evitar a prematura troca de posição (comprada ou vendida).

Embora pareça óbvio, este princípio é importante. O mercado não vai cair apenas porque atingiu um nível "alto demais" ou subir porque "já caiu demais". Uma das técnicas mais simples utilizadas é a identificação de falhas ao formar um topo mais alto (em uma tendência de alta) ou um fundo mais baixo (em uma tendência de baixa). O investidor deve possuir uma metodologia de identificação de pontos de entrada e saída; existem uma série de ferramentas de análise técnica que ajudam nessas decisões. Aqui entram ferramentas mais elaboradas da análise gráfica, tais como: padrões clássicos, candles, indicadores e muitas outras armas da escola gráfica.

15 de junho de 2010

Dicas de Economia

1) Crie um cenário de longo prazo e faça revisões periódicas. A única forma de ganhar dinheiro no mercado financeiro (como em qualquer outro) é ter uma opinião clara sobre o que está acontecendo. Sua convicção vale ouro, não deixe que outros façam isso para você.

2) Caso você tenha um perfil mais arrojado e faça Day-Trade, observe com atenção a Agenda Econômica da semana, em especial os indicadores norte-americanos. É naquele mercado onde se formam os preços em escala global.

3) Se é verdade que tempo é dinheiro, o melhor conselho é paciência e constância. O mercado tende a remunerar quem possui estas qualidades e do ponto de vista econômico o cenário longo é persistente e pode trazer ganhos.

4) As previsões econométricas possuem – geralmente – grande margem de erro. Não acredite que existam modelos matemáticos perfeitos, no geral os modelos só nos mostram o que nós colocamos dentro deles. Fique atento, as variáveis chaves podem mudar a qualquer instante.

5) No mais a maioria dos problemas econômicos de hoje foram as soluções econômicas de ontem. Não se iluda, o sistema econômico é por natureza instável.

6) Antes de comprar uma ação, pergunte: porque devo comprar esta e não outra? Você deve ter em mente o que o motivou a investir numa empresa que trabalha em dado mercado. Dessa forma poderá entender com maior clareza as oscilações nos preços e não se apavorar quando há alguma queda.

7) Não aposte no fim do mundo. Muita gente se desfez das suas posições na bolsa no auge da crise financeira porque acreditava, erroneamente, que as economias iriam derreter frente a crise sub-prime. Comportamentos desse tipo acontecem em pessoas que não possuem cenários de longo prazo, e que não sabem ao certo o porquê de estarem comprados em dado ativo.

8) Se não sabe de algo, pergunte. Ninguém tem obrigação de saber tudo, e neste caso, estamos falando do seu dinheiro. Logo, vá em frente e tire todas as suas dúvidas.

9) Não existem gênios, gurus ou coisa que o valha. O que existe no mercado financeiro é trabalho sério e duro. Cair no canto da sereia neste caso pode ser potencialmente perigoso.

10) Existem profissionais que podem auxiliar nesta tarefa. Procure uma corretora de títulos e valores mobiliários, veja se ela te traz confiabilidade e tire suas dúvidas.

15 de maio de 2010

Dicas de Planejamento Financeiro

por Fernanda de Lima, CEO da Gradual Investimentos

1) Procure entender seu padrão de renda. Para conseguir realizar um planejamento eficaz, é preciso considerar apenas o valor real que será recebido em cada mês, e a partir desse valor estabelecer quais gastos poderão ser realizados.

2) Analise para onde está indo seu dinheiro. Antes de fazer uma compra o ideal é se questionar para ter a certeza de que o seu dinheiro está sendo bem gasto.

3) Reflita sobre a qualidade dos seus gastos e reveja hábitos.

4) Faça seguros. Apesar de muitas pessoas considerarem o seguro um gasto desnecessário, ele é a garantia de não ter de desembolsar um grande valor não previsto caso aconteça algo inesperado.

5) Use crédito de forma consciente. É preciso que as pessoas tenham consciência de que o crédito é um produto financeiro e, portanto, tem custos. Isso não significa que ele seja ruim, e sim que ele deve ser utilizado com responsabilidade.

6) Faça um plano de ação e siga-o à risca. Se você está fechando todos os meses no vermelho, pare, reveja seus gastos e mude alguns hábitos. Determine quais gastos devem ser eliminados e quais serão mantidos até que a situação se equilibre.

7) Comece a poupar e monte reserva de emergência. O ideal é que todas as pessoas possuam um fundo de reserva, ou seja, tenham guardado seis vezes o valor das despesas correntes mensais.

8) É sempre mais fácil guardar dinheiro se você tem um objetivo em mente, como comprar um carro ou fazer uma reserva de emergência, por exemplo. Também é ideal determinar o valor e um período para ele ser alcançado. Só assim você saberá quanto deve guardar por mês e se policiar para atingir sua meta.

9) Mantenha-se informado e invista continuamente no seu aprimoramento. Educação Financeira é fundamental para conseguir ter um planejamento eficaz. Saber onde gastar, como poupar e qual a melhor forma de investir são fatores que poderão mudar significativamente sua vida financeira.

8 de maio de 2010

O dia em que a terra parou

Tarde de quinta-feira, dia 06 de maio de 2010: o dia do caos. Nesse dia algumas notícias estavam impactando negativamente os principais índices das bolsas em todo o mundo. Era sobre reforma financeira nos EUA, um mau humor generalizado por conta das questões de crédito e endividamento na Europa, enfim, fatos que estão deixando o mercado, até então, com um péssimo humor ultimamente. Só para relembrar, algumas recentes quedas expressivas foram causadas por questões de rebaixamento de crédito em alguns países europeus: Portugal, Grécia (duas vezes, inclusive), Espanha - todos eles pertencentes à sigla que foi cunhada em sua, digamos, "homenagem": PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, traduzindo do inglês). Nesse dia também o dólar começou a disparar, uma elelvação acima de 5% no dia, o que parecia muito estranho.

Mas, por volta das 15h30min às 16h aproximadamente, o mercado global "sangrou" de uma forma como nunca tinha acontecido antes: o índice Dow-Jones chegou a mais de 10% de queda, o Ibovespa a um pouco mais de 8% de queda; todos imaginávamos que aconteceria um Circuit Brake e que uma nova crise já se confirmava com todas as letras.

Porém, o mais impressionante também aconteceu: da mesma forma que caiu, subiu: em aproximadamente 5 minutos o DJIA (Dow-Jones Industrial Average ou simplesmente Dow-Jones) recuperou quase 8% de queda, dando um susto muito forte no mercado - fechando o dia com 3,20% de queda. A bolsa brasileira refez o mesmo caminho, voltando e fechando o dia com 2,31% de queda. Um momento histórico que, bem provavelmente, eu jamais voltarei a ver - acho.

Esse caos todo foi causado por, até onde sei, uma série de 19 ordens erradas em um intervalo de 7 segundos: uma delas era para ser ordem de venda de índice do S&P500 de 15 milhões de contratos - uma ordem expressiva, mas que o mercado "aguenta"; porém o operador lançou uma ordem de 15 BILHÕES de contratos - 3 "zeros" a mais derrubaram TODOS os mercados mundiais. Todas as ações do DJIA e do Ibovespa sofreram desvalorizações repentinas, rápidas. Uma das ações de uma empresa americana, por exemplo, a Accenture (NYSE:ACN) saiu de um pouco mais de US$ 42,00 para US$ 0,01 e voltou para o patamar anterior em uma fração de 2 minutos.

Um fato marcante que muitos especialistas, chefes de análise, operadores, investidores jamais viram em toda sua história.

O que podemos concluir com isso? Que todos, sem exceção, estamos sujeitos ao comportamento de massa e, dependendo de nosso estado emocional e preparação, podemos ganhar muito dinheiro ou perder na mesma proporção - ou até mais.

O Mercado de Capitais não é simplesmente dinheiro; é muito mais que isso: é psicologia e controle emocional.

15 de abril de 2010

10 segredos dos milionários

Esqueça tudo o que você acha que sabe sobre os milionários. Ninguém melhor que eles para revelar o que pensam e fazem. A revista norte-americana Smart Money pesquisou a fundo o universo dos endinheirados para elaborar um perfil dessa gente tão invejada. Saiba o que você pode aprender com eles:

1 - ‘Não sou rico’
Em uma pesquisa feita pela Fidelity (empresa especializada em serviços financeiros e investimentos de recursos nos Estados Unidos), apenas 8% dos milionários entrevistados se consideravam ricos ou extremamente ricos, enquanto 19% não se julgavam ricos;

2 - Liquidação
Entre os milionários norte-americanos, 80% afirmam consumir com a cabeça de uma pessoa de classe média. A maioria compra itens de luxo em liquidações, busca ofertas e até coleciona cupons de descontos (prática comum nos EUA, mas não muito popular no Brasil);

3 - Aposentadoria e saúde
Como ocorre com quase todo mundo, os milionários também se preocupam com questões como aposentadoria e saúde;

4 - Nada de ser bonzinho
Os milionários têm os seus valores morais e éticos, mas não enriqueceram sendo bonzinhos. A revista enumera alguns casos de empresários que tiveram de ser duros para chegar ao topo. Afinal, negócios são negócios;

5 - Contas em dia
O conselho é de quem tem muito dinheiro: bons contadores são caros, mas valem cada centavo;

6 - O alto custo do bem-estar
Um estudo da Wharton Business School, uma das principais escolas de negócio dos EUA, diz que as taxas de depressão são menores entre os ricos: eles têm menos preocupações, são tratados com mais respeito, alimentam-se melhor e têm acesso ao que a medicina pode oferecer de mais moderno;

7 - Boas notas só no bolso
Está enganado quem pensa que aquele colega bom de notas na escola agora desfila em uma reluzente Mercedes. De acordo com o livro A Mente Milionária, 59% dos ricos eram alunos medianos na escola;

8 - Alugue, não compre
Já viu o meu superapartamento em Nova York? É alugado. Em vez de gastar US$ 3 mil numa bolsa de grife, posso alugá-la por US$ 175 ao mês. É assim que pensam os milionários. Mais de 50% dos ricos pretendem alugar produtos de luxo dentro dos próximos 12 meses;

9 - Segredo é trabalhar
É possível ficar rico herdando dinheiro ou jogando em Las Vegas. Mas a maioria dos milionários ganhou dinheiro com muito trabalho, por meio do próprio negócio. Um terço deles ganhou com a prática profissional (profissionais liberais). Apenas 3% herdaram sua fortuna;

10 - Sempre mais
Milionários são pessoas insatisfeitas. Afinal, a grama (e a mansão) do vizinho é sempre mais verde. Eles se comparam com outros ricos. E, claro, fazem de tudo para elevar o padrão de vida.
Portanto, planeje-se para chegar lá. Acesse o simulador de renda da Icatu Hartford e descubra quanto precisa poupar para se tornar um milionário.

Fonte: revista Smart Money.

15 de março de 2010

Operando Mini-Índice Futuro

Com a bolsa brasileira em queda, eu ganhando dinheiro com isso (e com operações em dólar também, mas é outra história...), resolvi mostrar como as pessoas podem ganhar também!

Como tudo no mercado financeiro e de capitais, não recomendo que façam essa operação a menos que já estejam familiarizados, bem assessorados ou que saibam exatamente o que pode ocorrer.

O mercado de derivativos é bem elaborado e sofisticado, então, como sempre digo: estude primeiro, entenda e, se for de seu interresse, entre.

Para mim, este é o melhor mercado para operar com derivativos. É claro que como qualquer instrumento de alavancagem, deve-se ter um bom controle de risco e gerenciamento de dinheiro. Operar excessivamente alavancado, um dia não termina bem e todo lucro e rentabilidade podem ir embora apenas com um trade errado (experiência própria).

Bem, passando essas ressalvas, vamos ao aprendizados. Hoje vou mostrar um pouco como funciona o contrato de mini-índice da BOVESPA.

Primeiro ponto, poucas corretoras permitem operar mini-índice pelo Home Broker. Bem provável que vai operar pela plataforma WebTrading (WTr), que a maioria das corretoras já devem oferecer aos seus clientes.

Esses contratos de mini-índice são negociados com vencimentos nos meses pares e cada contrato possui o tamanho de R$0,20 do índice normal. Se, por exemplo, o índice BOVESPA está cotado a 50.000 pontos, pelo mini-índice um contrato equivale a 50.000 x 0,20 = 10.000 pontos.

A maior atração de operar índice futuro é a facilidade em abrir contrato com venda para ganhar na baixa. Praticamente não existe diferença se você opera comprado ou vendido no mini-índice. O controle de risco e pedido de margens são bens próximos.

Neste mercado, temos os ajustes diários na qual no final do dia a sua posição é fechada e a diferença entre o fechamento de hoje e o fechamento do dia anterior é creditado ou debitado na sua conta, de acordo com sua posição e fechamento do índice. Por isso, é importante que carregue uma baixa posição e tenha sempre alguns recursos em dinheiro para esses ajustes diários.

As margens podem ser a margem inicial, que geralmente fica próxima de 15% do valor dos contratos assumido; e algumas margens adicionais de acordo com o critério das corretoras ou ajustes pelo novo comportamento do mercado, como volatilidade.

Vamos aos exemplos práticos:

O índice BOVESPA está cotado nesse momento em que escrevo a 65.062 e o mini-índice com vencimento em fevereiro – WING10 está cotado a 64.955.

Se você acredita que o mercado vai recuar (como vem acontecendo nos últimos pregões), você pode especular com mini-índice e abrir uma posição de venda. Cada contrato vale 64.955 x 0,20 = 12.991. Portanto, fique atento ao tamanho de um contrato com o valor do seu capital para não alavancar demais.

Vamos vender três contratos de mini-índice futuro da BOVESPA:

3 contratos = 38.973

A margem inicial para abrir essa posição, no momento está quase 16,29% de acordo com o sistema. Então, para abrir essa posição de venda a corretora vai “bloquear” cerca de R$6.349,98 para garantia.

Ou seja, apenas com R$6.349,98 já estou carregando uma posição de R$38.973.

Se o índice cair 10% durante o período, passará a ser cotado em 58.459. Então cada contrato do mini passou a valer 11.691. Como temos 3 contratos, o valor final será 35.075.

Ou seja, vendemos por 38.973 e recompramos por 35.075, isso significa um lucro de R$ 3.898 na operação. Veja onde está a alavancagem, apesar de 10% de queda do mini-índice, esse lucro de R$3.898 equivale a uma rentabilidade de 62,90% sobre o valor da margem inicial, que era de R$6.349,98.

Embora a operação fosse de 3 contratos que equivaleriam a 38.973, na verdade só bastou disponibilizar uma margem de R$6.349,98.

Para a compra do mini-índice, vale o mesmo raciocínio.

Atenção!!

Da mesma forma que poderia ter um lucro de quase 63% com apenas uma variação de 10%. Se o mercado fosse na direção inversa você teria um prejuízo de quase 63% na operação e correria o risco de perder todo o valor disponível na margem inicial.

Quando o mercado vai na direção inversa, começam a ter os ajustes diários e os pedidos de margens adicionais levam o investidor a sufocar com falta de recursos adicionais. Se o investidor não tiver mais recursos para margens adicionais, a corretora fecha sua posição independente do tamanho da sua perda.

Por isso, esteja alerta mais uma vez. Cuidado com a alavancagem.

(19:05)PS.: hoje perdi 6,3% do que vinha acumulando... vamos ver amanhã!

Dicas para o Mercado de Ações

1) Tenha disciplina. Quando adotar uma estratégia, não seja vulnerável a opiniões de pessoas que não são profissionais ou a oscilações do mercado.

2) Pratique a diversificação. Jamais coloque todos os ovos no mesmo cesto. No mercado de ações, é importante não ter uma só e não investir 100% do capital em uma só.

3) Não invista todo o dinheiro disponível. Antes de diversificar, analise também o quanto você pode e deve investir.

4) Procure manter-se informado de tudo o que acontece com mercado. Esteja atento aos acontecimentos. Leia relatórios diários sobre o mercado, participe de palestras e cursos sobre os diversos temas do mercado.

5) Estude e pesquise. Até para comprar uma geladeira é preciso comparar modelos e preços. É a análise que vai diferenciar um bom investidor de um mau investidor.

6) Seja seletivo. Aprender a separar o joio do trigo é fundamental. Escolha empresas que sejam diferenciadas no mercado de trabalho, pela transparência e sustentabilidade.

7) Tenha constância, pois é impossível operar milagres a curto prazo. Portanto, paciência! E tenha em mente de forma clara quais são os seus objetivos e metas.

25 de fevereiro de 2010

Valuation - parte 3

Avaliação baseada em Renda

O dividend yield é o percentual do preço da ação da companhia que é pago na forma de dividendos durante o ano. Por exemplo, se uma companhia paga $1,00 em dividendos por trimestre e está sendo comercializada a $100, ela possui um “dividend yield” de 4%. Quatro trimestre pagando $1 dão $4, dividido por $100 resulta em 4%.

O “Yield” produz um efeito curioso sobre as ações de uma companhia. Muitos investidores que desejam renda começam a comprar determinado papel quando ele atinge patamares acima de um determinado número mágico. A performance histórica da Abordagem de dividendos do Dow foi confirmada pelo trabalho de Jim O'Shaugnessey que mostra que uma carteira constituída de ações de grande capitalização, com dividendos acima da média supera o mercado através dos tempos.

Algumas pessoas como Geraldine Weiss, investem em ações baseados no yields que elas deveriam ter. Weiss mede o Yield médio histórico e aconselha investir em ações de companhias quando seu Yield atingir a faixa subavaliada. Por exemplo, se uma companhia possui um dividend Yield histórico de 2,5% e está pagando atualmente $4 em dividendos, a ação deveria estar sendo comercializada em torno dos $160. Qualquer um interessado em aprender mais sobre o método de investimento de Weiss orientado para a avaliação de dividendos deveria ler o livro “Dividends Don't Lie”. A forma mais simples de tirar vantagem de ações que estejam subavaliadas em termos de dividendos é empregando o Dow Dividend Approach (que é uma estratégia de investimento baseada na compra das ações que pagam os mais altos dividen yields no índice Dow-Jones - DJIA).


Avaliação baseada em assinantes


Às vezes uma companhia pode ser avaliada pelo número de assinantes, ou pela conta de seus clientes. A avaliação baseada em assinantes é mais comum nas companhias de comunicação e mídia, que gerem renda mensal regular – como celulares, TV à cabo e outras companhias on-line. Normalmente, numa companhia que é avaliada pelo número de assinantes, os analistas calculam a média de suas receitas por assinante durante toda a vida da empresa e depois avaliam a companhia toda baseado nesse método. Se a AMERICA ONLINE [NYSE: AOL] possuísse hoje seis milhões de membros e cada um deles mantivesse sua assinatura por 30 meses, em média, gastando $20 por mês, a companhia valeria seis milhões vezes $20 vezes 30, ou seja, $3,6 bilhões. Esse tipo de avaliação é também empregado para TVs à cabo e companhias de telefonia celular. Por exemplo, a Continental Cablevision foi comprada por $2000 por assinante.

Outra forma de avaliar uma companhia em relação aos seus membros é baseada nas suas contas. Nos setores de saúde e informática, as companhias são adquiridas baseado nas contas que possuem. Essas aquisições normalmente ignoram lucros e vendas passadas da companhia, focando-se, ao invés disso, nos receitas adicionais que podem ser geradas através dessas novas contas. Embora avaliações baseadas em membros pareçam bastante confusas, sua mecânica é única dentro de cada indústria. Estudando a história das últimas maiores aquisições um investidor pode dizer como o modelo de avaliação por membros funcionou nas últimas fusões e poderá sugerir como elas poderão funcionar no futuro.




Enfim, recomendo muito a todos que queiram investir que estudem Valuation. Os três posts só servem para dar uma idéia e, além do mais, é com o tempo e a prática (bem como a sensibilidade individual) que se aprende a fazer boas e consistentes Valuations. Então pratiquem! E estudem, claro!


Veja também:

Valuation - parte 1
Valuation - parte 2

20 de fevereiro de 2010

Valuation - parte 2

Avaliação baseada no Fluxo de Caixa

Fluxo de caixa (EBITDA) e despesas não financeiras
Apesar da maioria dos investidores individuais nunca terem ouvido falar em fluxo de caixa, essa é a forma de medida mais usual feita por bancos de investimento para avaliar uma companhia pública e/ou privada. Fluxo de caixa é literalmente o caixa que flui através de uma companhia naquele trimestre ou ano depois de subtraídas todas as despesas fixas. O Fluxo de Caixa é normalmente definido como Lucros Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA ou LAJIDA) (O Fluxo de Caixa dentro desse conceito não deve ser confundido com o Fluxo de Caixa Livre, que é uma medida importante para os investidores “Rule Maker”)

Por que olhar para os lucros antes dos juros, impostos depreciação e amortização? Porque, da mesma forma que os impostos, as despesas e receitas financeiras, são colocadas de lado, o fluxo de caixa foi criado para olhar para o negócio sob o ponto de vista operacional e não das despesas ou receitas secundárias. Principalmente os Impostos que dependem de detalhes tributários em um ano específico e podem causar oscilações muito grandes na capacidade lucrativa de uma empresa. Por exemplo, a CYBEROPTICS [Nasdaq: CYBE] - indústria de sensores ópticos e sistemas de controle para o mercado de equipamentos eletrônicos de montagem - usufruiu de uma alíquota de 15% em 1996, mas, em 1997, a alíquota mais do que dobrou. Essa situação superdimensionou o lucro da CyberOptics' no primeiro ano e subestimou no segundo, mascarando a verdadeira situação operacional da companhia. Assim, um analista cuidadoso poderia empregar também os lucros antes dos juros e impostos (EBIT) ao invés de empregar o lucro líquido para avaliar o crescimento da companhia. O EBIT é também ajustado de despesas ou receitas excepcionais que só venham ocorrem uma vez.

A depreciação e a amortização são chamadas de despesas não financeiras, porquê a companhia não gasta realmente nenhum centavo com elas. A depreciação é uma convenção contábil para fins fiscais que permite que a empresa desconte do imposto de renda as despesas de capital sobre plantas e equipamentos quando eles vão ficando mais velhos e menos úteis. A amortização acontece normalmente quando uma companhia adquire outra, pagando um prêmio extra em cima de seu Patrimônio Líquido. Um número que ela contabiliza no seu balanço patrimonial como “goodwill”, sendo forçada a amortizá-lo em um determinado período de tempo, de acordo com as convenções contábeis. Quando formos olhar para o fluxo de caixa de uma empresa faz sentido colocarmos de lado algumas convenções contábeis que possam mascarar sua capacidade financeira.

Como e Quando usar o Fluxo de Caixa
O Fluxo de Caixa é mais empregado para avaliar empresas que possuam altas despesas de capital e companhias que possuam muita amortização para baixar. Companhias de TV à cabo como a TIME-WARNER [NYSE: TWX] e a TELECOMMUNICATIONS INC. [Nasdaq: TCOMA] apresentaram lucros negativos por vários anos devido as grandes despesas de capital necessárias para construir suas redes de cabo, embora seus fluxos de caixa estivessem na realidade crescendo. Isso porquê um valor muito alto de amortização e depreciação estava mascarando sua habilidade de gerar caixa. Compradores sofisticados desse tipo de empresa empregam o fluxo de caixa como forma de avaliar uma aquisição, dessa forma faz sentido para os investidores empregá-lo também em suas avaliações.

A forma mais comum de se avaliar o EBITDA, é através do Fluxo de Caixa Descontado, que é uma aplicação em forma de planilha que não conseguiríamos explicar aqui sucintamente. O Valor Econômico Adicionado (EVA) é outra vertente sofisticada do fluxo de caixa que olha para o custo do capital e para o retorno que a empresa consegue produzir acima do custo de capital como forma de separar aqueles negócios que geram dinheiro de verdade daqueles que apenas consomem dinheiro. Uma forma mais direta do investidor individual empregar o fluxo de caixa é entender como os múltiplos do fluxo de caixa funcionam.

Em uma aquisição ao mercado, seja ela pública ou privada, o múltiplo preço-fluxo-de-caixa fica normalmente em torno de 6 a 7. Quando esse múltiplo atinge a faixa de 8 a 9, normalmente a aquisição é considerada cara. Alguns aconselham a venda da companhia quando esse múltiplo ultrapassar os 10. Numa aquisição alavancada (LBO), o comprador procura não pagar mais do que 5 vezes o fluxo de caixa porque grande parte da aquisição está sendo financiada por endividamento. A companhia compradora tenta efetuar o pagamento de todo dinheiro empregado para fazer a aquisição em 6 anos, procurando limitar-se a companhias que possuam um EBITDA do dobro ou superior aos juros do financiamento, e possuam um valor de financiamento total de no máximo de 4,5 a 5,0 vezes o EBITDA.

Os investidores interessados em estudos mais aprofundados sobre EBITDA, Fluxo de Caixa Descontado e EVA aconselho a compra de um livro especializado; de qualquer forma, em outra oportunidade detalharei melhor esses itens. Como esses são os métodos empregados por companhias interessadas em aquisição, faz todo sentido familiarizar-se com a lógica por trás deles, porquê podem ser úteis para identificar barganhas antes da multidão.


Avaliação baseada em Patrimônio Líquido

O que é Patrimônio Líquido?
Patrimônio Líquido é uma forma engraçada de dizer “tudo que está lá”. Não importa se são coisas tangíveis como caixa, ativos circulantes, capital de giro, dinheiro dos acionistas, ou qualidades intangíveis como administração, marca; Patrimônio Líquido é tudo que uma companhia possui caso ela parasse de vender seus produtos e saísse do negócio amanhã.

Tradicionalmente os investidores que procuram comprar companhias com uma quantidade expressiva de Patrimônio Líquido como garantia de valor são um grupo de paranóicos que estão procurando ter algo para receber caso a companhia vier a ser liquidada. Na era do consumo em massa dominado pela televisão ajudaram aos intangíveis como nomes e marcas criarem fossas quase impenetráveis ao redor do negócio, os investidores contemporâneos começaram a esticar os limites do Patrimônio Líquido enfatizando as qualidades dos valores não tangíveis e concretos, mas que são absolutamente vitais para o futuro da companhia.

O Balanço Patrimonial: Caixa e Capital de Giro
Você gostaria de compra um dólar de ativos por um dólar de valor de mercado? Ben Graham gostava. Ele desenvolveu um dos filtros mais famosos para procurar por companhias que tinham mais dinheiro na mão do que valor de mercado. Primeiramente, Graham procurava pelo caixa, equivalentes e investimentos de curto-prazo da companhia. Dividindo esse número pelo número de ações fornecia a ele uma idéia de quanto do preço da ação é constituído de dinheiro que a companhia possuía nas mãos. Comprar uma companhia com bastante dinheiro em caixa pode trazer uma série de benefícios – dinheiro pode desenvolver produtos, fazer aquisições estratégicas e pagar executivos de grosso calibre. Mesmo uma companhia que pareça ter perspectivas futuras limitadas pode ser bastante promissora se tiver bastante dinheiro nas mãos.

Outra medida de valor é o Capital de Giro que a companhia possui em relação a sua capitalização de mercado. Capital de Giro é o que sobra depois que você subtrai os Passivos Circulantes dos Ativos Circulantes. Capital de Giro são os fundos que uma companhia possui para conduzir seus negócios do dia-a-dia. Se você conseguir comprar uma companhia por um preço próximo do seu capital de giro, você terá comprado um dólar de ativos por um dólar de preço de mercado – não é um mau negócio também. Assim como dinheiro pode comprar várias coisas boas, o Capital de Giro também pode.

Patrimônio Líquido e Valor Patrimonial
O Patrimônio Líquido é uma convenção contábil que inclui os ativos líquidos (NT – Ativos livre de Passivos) de uma companhia como dinheiro, ativos permanentes como imóveis, e também os lucros retidos. Isso é uma medida global de quanto valeriam os ativos da companhia caso ela fosse liquidada. Não importa se esses ativos são prédios, escrivaninhas, camisetas velhas no estoque ou descargas de vaso sanitário no almoxarifado.

O Patrimônio Líquido ajuda a avaliar uma companhia quando você descobre seu valor patrimonial. O valor patrimonial de uma companhia pode ser encontrado na sua contabilidade. Para calcular o valor patrimonial por ação, pegue o Patrimônio Líquido da companhia e divida-o pelo número de ações existentes. Se agora você dividir o preço da ação pelo seu valor patrimonial por ação, encontrará o Índice Preço/Valor Patrimonial (P/VP).

Valor Patrimonial é um conceito claro. Quanto mais próximo você comprar alguma coisa do seu valor patrimonial, melhor para você. Nos dias de hoje, o valor patrimonial é uma coisa que deve ser vista com cuidado, porque a maioria das companhias avaliam seus estoques e os efeitos da inflação e deflação sobre suas propriedades de acordo com as deduções que pretendem obter no imposto de renda; embora para companhias financeiras como bancos, financeiras, corretoras, empresas de cartões de crédito, o valor patrimonial ainda seja bastante relevante. Por exemplo, no setor bancário as aquisições são sempre efetuadas em cima de valor patrimonial, com os depósitos e empréstimos sendo tomados sobre algo entre 1,7 a 2,0 do valor patrimonial.

Outro uso do Patrimônio Líquido é para determinarmos o Retorno sobre o Patrimônio Líquido, ou ROE. Retorno sobre o Patrimônio Líquido é uma medida de quanto, em termos de lucro, uma companhia consegue gerar em quatro trimestres comparado com seu Patrimônio Líquido. O ROE é medido em termos percentuais. Por exemplo, se a companhia XYZ fez um milhão de dólares de lucro no ano passado e possui um Patrimônio Líquido de dez milhões, então ela possui um ROE de 10%. Alguns empregam o ROE como um filtro para encontrar companhias que podem gerar grandes lucros sem muito investimento de capital. A COCA-COLA [NYSE: KO], por exemplo, não precisa de muito investimento para atualizar seu equipamento - o processo para fabricar o seu xarope não se modifica muito com o avanço tecnológico. Na verdade, companhias com altos ROEs são tão atrativas para alguns investidores que alguns deles farão uma média do ROE e com o crescimento esperado dos lucros para encontrar um múltiplo justo. É esse motivo pelo qual companhias farmacêuticas como a MERCK [NYSE: MRK] conseguem crescer 10% ou mais a cada ano e mesmo assim são comercializadas consistentemente acima de 20x seus lucros.

Intangíveis
A marca é o elemento mais intangível dentro de uma companhia, mas talvez seja um dos mais importantes para sua a sobrevivência no futuro. Se todos os MCDONALD'S [NYSE:MCD] do mundo desaparecessem amanhã, a companhia poderia simplesmente pegar alguns empréstimos e reconstruir seu império e voltar a ser uma potência mundial em alguns meses. O que permitiria ao McDonald's fazer isso? É a sua presença na nossa mente coletiva – o fato é que se dez pessoas fossem obrigadas a dizer o nome de uma lanchonete “fast food”, nove iriam dizer McDonald's, sem hesitar. A companhia possui uma marca muito conhecida e isso agrega um tremendo valor a ela, apesar de não poder ser quantificado.

Alguns investidores se preocupam com marcas, particularmente em indústrias emergentes que tradicionalmente sobreviveram sem elas. A genialidade da INTEL [Nasdaq: INTC] e da MICROSOFT [Nasdaq: MSFT] é que conseguiram transformar o nome de suas companhias em marcas que dão a elas uma tremenda vantagem sobre a concorrência. A marca é também transferível para outros produtos – a razão pela qual a Microsoft pode se tornar uma potência em “online banking”, por exemplo, é porque tem um enorme patrimônio em marcas de aplicativos e sistema operacional. É como se o Leite Moça fosse entrar no mercado de doce de leite. Seria necessária muito pouca propaganda para o produto crescer.

As marcas necessitam de uma administração competente para poder liberar valor. Se uma marca sofre por causa de incompetência administrativa, como foi o caso da AMERICAN EXPRESS [NYSE: AXP] no começo da década de 90, ou da Coca-Cola no início da década de 80, então muitas pessoas começam a duvidar se o valor da marca se mantém intacto. Ironicamente, as maiores oportunidades de compra de marcas ocorrem quando as pessoas param de acreditar nelas por alguns momentos. Marcas esquecidas normalmente conseguem sobreviver aos traumas de curto-prazo.

Os intangíveis podem significar também que as ações de uma determinada companhia conseguem ser comercializadas a um prêmio extra sobre a sua taxa de crescimento. Uma companhia com margens gordas, com um “market share” dominante, batendo consistentemente as previsões dos analistas e um balanço patrimonial sem dívidas pode comercializar a um múltiplo mais alto que a sua taxa de crescimento poderia sugerir. Embora os intangíveis sejam difíceis de quantificar, não quer dizer que eles não tenham um grande efeito sobre o preço da ação da companhia. O único problema com companhias que possuam muitos ativos intangíveis é que qualquer sinal de problemas poderá fazer com que todo o prêmio venha a desaparecer.

A Companhia em pedaços
Finalmente uma companhia pode valer mais aos pedaços do que inteira. Isso pode acontecer porque existem ativos escondidos que a maioria das pessoas desconhece, como a aquisição de terrenos antes de 1980, que foram mantidos nos livros a preço de custo, apesar da dramática avaliação dos terrenos da vizinhança, ou simplesmente porque uma companhia está muito diversificada e não consegue produzir qualquer sinergia. A SEARS [NYSE: S], a DEAN WITTER DISCOVER [NYSE: DWD] e a ALLSTATE [NYSE: ALL] valem muito mais como companhias independentes do que quando estiveram juntas. Mantendo um olhar clínico em companhias que podem ser divididas e que valem mais separadas do que juntas faz sentido, principalmente nos dias de hoje em que vários conglomerados da década de 70 estão sendo partilhados.

Veja também:

Valuation - parte 1
Valuation - parte 3

15 de fevereiro de 2010

Valuation - parte 1

Encontrei este texto imenso na internet e decidi compartilhar. É longo, por isso o dividi em três partes. Vale a pena conferir!
Traduzido e adaptado do site www.fool.com


“Valuation” é o primeiro passo para se fazer um investimento inteligente. Quando um investidor procura saber o valor de suas ações baseado em fundamentos, poderá tomar decisões mais acertadas de quais ações comprar e vender. Sem um “valor fundamental”, um investidor fica a deriva na maré aleatória de preços do curto-prazo e, conseqüentemente, de sentimentos ruins.

As instituições financeiras têm dito que a “valuation” deve ser efetuada apenas por “pessoal especializado”. Supostamente, apenas os analistas das corretoras, que estão operando no lado da venda, possuem experiência e habilidades necessárias para comprar e vender num mercado confuso e fazer previsões sobre preços futuros. A “valuation” não é uma ciência obscura, que só pode ser praticada por pessoas com MBA e analistas credenciados. Ela requer apenas noções básicas de matemática e capacidade de discernimento, qualquer pessoa pode estimar valores com a mesma qualidade que os melhores analistas.

Antes, precisamos ter noção do que é uma ação. Uma ação não é uma entidade mágica que sobe e desce ao sabor da maré; ao contrário, ela representa um título de propriedade de uma companhia negociada publicamente. Se a companhia XYZ possui um milhão de ações e você possui uma, significa que você é dono de um milionésimo da companhia.

Por quê razão alguém iria querer pagar um preço por esse milionésimo? Na verdade, existem algumas razões para isso. Sempre haverá alguém que quer seu milionésimo porquê deseja ter um milionésimo dos votos na assembléia dos acionistas da empresa. (NT- Para ações ordinárias). Pode parecer pouco, mas se você conseguir juntar uns cinco milhões de amigos, de uma hora para outra, passa a ter o controle sobre a companhia e pode fazer várias coisas, como pagar dividendos gordos ou efetuar fusões com outras companhias.

Companhias compram ações de outras companhias por várias razões. Pode ser para fazer um “takeover”, em que uma companhia compra todas as ações da outra, ou uma “joint venture”, em que uma companhia compra apenas as ações suficientes para ganhar um assento na diretoria. Seja qual for o motivo, as ações estão sempre à venda. O preço de uma ação indica o preço de toda uma companhia a venda durante sete horas e meia ao dia, cinco dias por semana. São essas informações que permitem que outras companhias, públicas ou privadas, tomem decisões inteligentes em relação ao negócio com informações claras e concisas de quanto custaria para eles adquirir ações de outras companhias.

Uma ação é um passaporte para as vendas, lucros, fluxo de caixa, Patrimônio Líquido – e todos outros ingredientes da salada que compõem uma companhia. Mas, para o investidor individual isso significa apenas preocupar-se de que maneira esses números poderão se traduzir em dividendos. Uma ação é um título de propriedade que permite a você receber uma parcela dos dividendos para sempre. Mesmo que a companhia não pague dividendos, sempre existirá a possibilidade de pagar algum no futuro. (NT - no Brasil, por lei, as companhias são obrigadas a pagar 25% do lucro na forma de dividendos).

Finalmente, a companhia pode recomprar suas próprias ações usando seu excesso de caixa ao invés de pagar dividendos para os acionistas. Isso faz com que o preço do papel suba efetivamente já que a própria empresa atua como compradora (aumentando a demanda) e aumenta o lucro por ação (EPS) sobre as ações remanescentes, já que diminui o número de ações em circulação. Companhias maduras, com fluxo de caixa positivo tendem a ser mais liberais nos dias de hoje na recompra de ações do que com dividendos, porquê com dividendos os acionistas serão taxados duas vezes.

A seguir você será imerso nas principais categorias de avaliação. Discutiremos as avaliações baseadas em: lucros, vendas (artigo 1), fluxo de caixa, patrimônio líquido (artigo 2), dividendos e em número de assinantes (artigo 3).


Avaliação baseada no Lucro

Lucros por ação e o Índice P/L
A forma mais comum de se avaliar uma companhia é através dos lucros. O lucro, ou lucro líquido, é o dinheiro em potencial que sobra depois da companhia pagar toda suas contas. Para comparar “maçãs-com-maçãs”, a maiorias das pessoas que procuram por lucros os avaliam na forma de lucro por ação (Equity Per Stock - EPS, ou, Lucro Por Ação - LPA).

Para chegar ao valor de lucro por ação simplesmente divida o lucro da companhia pelo número de ações existentes; assim, se a companhia XYZ possui um milhão de ações e conseguiu lucrar um milhão de dólares nos últimos 12 meses, ela possui um lucro por ação passado (“trailing” EPS) de $1,00. (É chamado de “trailing” EPS porquê considera os últimos quatro trimestres publicados – os três trimestres anteriores ao trimestre mais recentemente publicado).


$1.000.000 / 1.000.000 ações = $1,00 em lucros por ação (LPA)


Os lucros por ação sozinhos não têm qualquer significado. A maioria dos investidores procura olhar para o lucro por ação em relação ao seu preço, empregando o Índice Preço/Lucro (P/L). O índice P/L pega o preço da ação e o divide pelo lucro por ação dos quarto últimos trimestres. Por exemplo, se a nossa companhia XYZ estivesse sendo vendida por $15 por ação teria um P/L de 15.


Preço por ação de $15 / $ 1,00 em LPA = P/L 15


O P/L é o Cálice Sagrado?
Existe uma grande quantidade de investidores que param de analisar um papel depois de descobrir seu índice P/L. Sem nem sequer olhar para qualquer outra forma de “valuation”, esse tipo de investidor pula fora cegamente, armados apenas com um único índice, ignorando totalmente a vastidão de formas que constituem a análise fundamentalista. Popularizado por Ben Graham (que usa uma série de outras técnicas além do P/L baixo para encontrar valor), o índice P/L tem sido simplificado demais por aqueles que olham apenas para esse número. Esse tipo de investidor procura por ações de “baixo P/L”, que são companhias que possuem um preço muito baixo em relação aos seus lucros passados.

Também chamado de “múltiplo”, o P/L tem sido mais comumente empregado em comparação com a taxa de crescimento de lucros por ação. Assumimos que uma companhia está próxima de seu preço justo quando o índice P/L é igual à taxa de crescimento de lucros por ação.

No exemplo da Companhia XYZ, descobrimos que a companhia tem conseguido fazer crescer seus lucros a uma taxa de 13% ao ano, sugerindo que a um P/L de 15, a companhia esteja muito próxima de seu preço justo. Bons investidores acreditam que o Índice P/L só faz sentido quando empregado comparativamente com a taxa de crescimento de lucros. Se uma companhia perdeu dinheiro no ultimo ano, ou sofreu um decréscimo em lucros por ação nos últimos 12 meses, o P/L se torna menos útil do que outros métodos de avaliação que falaremos mais tarde nessa série. No final, o índice P/L não deve ser visto isoladamente, mas sim dentro do contexto do crescimento para evitar que venhamos incorrer em erros.

Ações com baixo P/L são realmente baratas?
Com o advento de filtros computadorizados (“screening”) e de bancos de dados de ações, encontrar ações com P/L baixo tem sido cada vez mais difícil. Quando Ben Graham formulou muitos dos seus princípios de investimento, as pessoas tinham que procurar manualmente por centenas de tabelas de ações para localizar papéis com P/Ls baixos. Hoje em dia, tudo que você tem que fazer é apertar alguns botões de um banco de dados on-line para obter uma lista do tamanho dos seus braços.

Os filtros aumentaram a eficiência do Mercado. Hoje em dia, quando você vê uma ação com P/L baixo, mais do que nunca, elas devem estar merecendo um P/L baixo porquê suas perspectivas futuras são questionáveis. Um investidor inteligente avalia uma companhia baseado nas suas perspectivas futuras e não na sua performance passada; ações com baixos P/Ls normalmente possuem nuvens negras circulando seu futuro. Isso não quer dizer que você não consiga encontrar ações espetaculares com P/L baixo que o Mercado não reconheceu ainda – você pode, e acontece toda hora. O que você necessita é confirmar o valor existente nessas companhias aplicando outras técnicas de avaliação.

O PEG e o YPEG
O uso mais comum do P/L é o PEG, (P/E and growth ratio – P/L dividido pela taxa de crescimento de lucros) e o YPEG, (o P/L estimado para o próximo período dividido pela taxa de crescimento de lucros). Ao invés de tentarmos reinventar a roda, como existe uma série de artigos maravilhosos no reino de Fool, apenas direcionarei vocês para eles passando rapidamente sobre o assunto. O artigo completo sobre o e o YPEG, foi chamado de”Índice Fool."

O PEG simplesmente pega a taxa estimada de crescimento de lucro ao ano e compara com o preço da ação no mercado. Uma vez que é o lucro futuro que faz uma companhia ter valor para um comprador ou acionista, procurando por dividendos ou fluxo de caixa livre para recompra de ações no mercado, o resultado acaba sendo intuitivo. Olhar apenas para o P/L passado é como dirigir olhando para o retrovisor.

Se é esperado que uma companhia venha a crescer 10% ao ano pelos próximos 2 anos e ela possui um P/L de 10, então terá um PEG de 1,0.


P/L de 10 / Crescimento de 10% em LPA = PEG 1,0


Um PEG de 1,0 sugere que a companhia esteja avaliada justamente. Se a companhia no exemplo acima apresentasse um P/L de 5, mas fosse esperada crescer 10% ao ano, teria um PEG de 0,5 – indicando que estaria sendo vendida pela metade (50%) do seu preço justo. Se a companhia apresentasse um PEG de 2,0, estaria sendo vendida pelo dobro do que vale, considerando-se que o P/L deva ser igual a taxa de crescimento de lucro por ação (LPA).

Enquanto o PEG é mais empregado em companhias de crescimento (“growth companies”), o YPEG é mais utilizado para avaliar companhias grandes, e bem estabelecidas. O YPEG utiliza as mesmas premissas do PEG, mas procura em números diferentes. Como a maioria das corretoras estima a taxa de crescimento para 5 anos, ele é uma estima do múltiplo justo para uma companhia no futuro. Assim, se o P/L atual de uma companhia é de 10, mas os analistas esperam que a companhia cresça 20% nos próximos 5 anos, YPEG é igual a 0.5 e a companhia parece estar barata de acordo com essa medida. Como de praxe, devemos olhar o PEG e o YPEG juntos de outras medidas de valor e não considerá-lo como uma máquina mágica de fazer dinheiro.

Múltiplos
Embora o PEG e o YPEG sejam úteis, ambos supõem que o P/L deva se igualar à taxa de crescimento de lucros por ação. Infelizmente, no mundo real não é sempre assim que as coisas acontecem. Muitos apenas olham para a projeção de lucros futuros e estimam que múltiplo justo alguém estaria disposto a pagar pelo papel. Por exemplo, se a companhia XYZ fosse vendida historicamente a 10x seus lucros e estivesse sendo vendida atualmente por 7x porquê ficou abaixo das estimativas dos analistas naquele único trimestre, seria razoável comprar a ação com a expectativa que ela voltasse ao seu múltiplo histórico de 10x, se a sua queda de lucros naquele trimestre fosse apenas uma anomalia de curto prazo.

Quando projetamos múltiplos justos para uma companhia baseado em lucros futuros estimados, começamos a fazer previsões daquilo que pode acontecer no futuro. Embora possamos pesquisar extensamente, de modo a que o risco de estarmos errados seja mínimo, ele sempre existirá. Se apenas uma das hipóteses que fizermos estiver errada, o papel acabará não indo para o lugar que esperávamos que ele fosse. Dito isso, se a maioria dos investidores e companhias lá fora estiverem empregando a mesma estratégia, fazendo suas próprias estimativas também, na pior das hipóteses não estaremos sozinhos.

Uma modificação na abordagem do múltiplo é determinarmos a relação entre o P/L da companhia e o P/L médio do Ibovespa. Se a companhia XYZ tem sido comercializada e 150% do Ibovespa, e o Ibovespa está atualmente em 10, muitos investidores acreditam que a companhia deveria estar sendo comercializada a um P/L justo de 15, assumindo que nada mudou. Essa relação histórica requer alguns bancos de dados e planilhas sofisticadas que não são largamente utilizadas por investidores individuais, embora muitos administradores de recursos empreguem essa abordagem.


Avaliação baseada em Vendas

Valuation: O Índice Preço/Vendas (PSR)
Toda vez que uma companhia vende alguma coisa aos seus clientes está gerando receitas. Receitas são as vendas recebidas pela companhia pelo fornecimento de bens ou serviços. Não importa se a companhia conseguiu ou não fazer dinheiro ano passado, sempre haverá receitas. Mesmo as companhias que estão perdendo dinheiro temporariamente, ou possuem lucros deprimidos devido a circunstâncias de curto-prazo (como o desenvolvimento de produtos ou aumento de impostos), ou que sejam relativamente novas em um segmento de alto crescimento, serão normalmente avaliadas por suas vendas e não pelos seus lucros. As avaliações baseadas em receitas são efetuadas por intermédio do índice Preço/Vendas, ou simplesmente PSR (Price Sales Ratio). (NT - O Site Economática apresenta o PSR das ações em suas páginas)

O PSR pega a capitalização de Mercado da companhia e divide pelas receitas dos 12 últimos meses. A capitalização de Mercado é o valor atual da companhia obtido multiplicando-se o preço da ação no mercado pelo número de ações existentes. Esse é o preço pelo qual o mercado está avaliando a companhia. Por exemplo, se a Companhia XYZ possui dez milhões de ações, que custam $10 a ação, então sua capitalização de mercado é de $100 milhões.

Alguns investidores são ainda mais conservadores e somam as dívidas de longo prazo da companhia ao valor de mercado para chegar a capitalização de mercado. A lógica aqui é que se você for adquirir a companhia, assumirá também suas dívidas, pagando, por conseqüência, esse valor a mais. Isso evita comparar PSR de duas companhias em que uma tem uma dívida enorme empregada no sentido de aumentar suas vendas e outra com vendas menores mas que, em compensação, não assumiu nenhum a dívida perigosa.


Capitalização de Mercado = (Nº de Ações * Preço da Ação) + Dívidas de Longo Prazo


O próximo passo para calcular o PSR é somar as receitas dos últimos quatro trimestres, e dividir esse número pela capitalização de mercado. Digamos que a Companhia XYZ tenha conseguido $200 milhões em vendas nos últimos quatro trimestres e atualmente não possua qualquer dívida de longo prazo. O PSR será de:


(10.000.000 ações * $10/ação) + $0 dívidas / $200 milhões de Receitas = Preço/Vendas ou PSR= 0.5


Uma companhia sempre considera o PSR antes de fazer uma aquisição. Se você já viu um negócio ser fechado em cima do "múltiplo de vendas”, já viu o PSR em uso. Como essa é uma forma legítima de uma companhia avaliar uma aquisição, muitos simplesmente extrapolam esse conceito para o Mercado acionário e o empregam para avaliar uma empresa .

Usos do PSR
Da mesma forma que o PEG e o YPEG, quanto menor o resultado da relação Preço/Vendas, melhor. Ken Fisher, que é mais conhecido pelo emprego do PSR para avaliar ações, procura por companhias com PSR inferiores a 1,0 para encontrar ações que o mercado esteja sub-avaliando. Essa é a aplicação mais comum do PSR e é realmente um excelente indicador de valor, de acordo com o trabalho efetuado por James O'Shaughnessey em cima do banco de dados do S&P's CompuStat .

O PSR é também uma excelente ferramenta para se utilizar quando uma companhia não conseguiu fazer dinheiro em determinado ano. A menos que a companhia venha a falir, o PSR pode nos informar se as vendas estão sendo feitas com desconto em relação a seus concorrentes. Se a Companhia XYZ perdeu dinheiro ano passado, mas possui um PSR de 0,5 enquanto as outras companhias da mesma indústria possuem um PSR de 2,0 ou maior, você pode assumir que se ela conseguir dar a volta por cima e começar a fazer dinheiro de novo, terá uma maior tendência de alta elevando seu PSR para ficar em linha com de seus concorrentes. Existem, por exemplo, alguns anos de recessão em que nenhuma das montadoras de automóveis fez dinheiro. Isso quer dizer que nenhuma delas tem valor, e que não é possível fazer comparações entre elas? Não, você só precisa empregar o PSR ao invés do índice P/L para saber quanto você estaria pagando por um real de vendas, ao invés de um real de lucro.

Outro uso comum do PSR é para comparar companhias dentro de um mesmo setor, empregando o PSR junto com o índice P/L para confirmar valor. Se uma companhia possui baixo P/L, mas alto PSR pode ser um alerta para o investidor que existiu uma anomalia de lucros nos últimos trimestres que está elevando o lucro por ação excepcionalmente. Finalmente, as companhias novas em indústrias da moda são sempre precificadas baseadas no múltiplo de vendas e não no múltiplo de lucros.

Veja também:

Valuation - parte 2
Valuation - parte 3