Busca

Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

11 de setembro de 2015

As novas regras do jogo tupiniquim: apertem os cintos – (mais) turbulências adiante!

Acredito que grande parte das pessoas conhecem a história do navio “inafundável” construído no início do século XX que, em sua primeira viagem teve como destino o fundo do oceano Atlântico: o Titanic. De acordo com o que se tem relatado da época, investidores e engenheiros diziam que era uma embarcação incapaz de afundar, que “nem Deus era capaz de fazer o navio sucumbir”... pois é... há mais de 100 anos (exatamente na madrugada de 15 de abril de 1912) o navio se chocou com um iceberg e em poucas horas foi para o fundo do mar. Mais de 1500 pessoas entre passageiros e tripulantes morreram nessa catástrofe marítima ao norte do gélido oceano Atlântico. Se você quiser assistir à uma versão hollywoodiana do acontecimento, pode encontra-la no filme Titanic de 1997 estreado por Leonardo DiCaprio e Kate Winlest, ganhador de 11 prêmios na noite de premiação do Oscar 1998.

Saiamos um pouco da história e do cinema e voltemos nossa atenção ao Titanic tupiniquim. Não se trata, obviamente, de um navio e sim da situação político-econômica em que o Brasil vive. Estamos presenciando momentos muito difíceis em termos de economia real: inflação alta (mesmo, mesmo!), taxas de juros bastante elevada, mais impostos à vista, especulações sobre impeachment da presidente do Brasil, dólar chegando e, em alguns lugares, até ultrapassando os R$ 4,00 e... dentre vários outros itens que posso citar, a última surpresa: a perda do Grau de Investimento (Investment Grade) por umas das três grandes agências de rating do mundo, a Standard & Poors (as outras duas são a Moody’s e a Fitch Ratings) – sendo que o principal motivo desse rebaixamento tem como justificativa a deterioração do cenário político nacional.

Vamos dividir o assunto em três partes: primeiro esclarecer um pouco sobre o que é rating, o que são e o que fazem essas agências e o que aconteceu com o Brasil; depois as prováveis implicações disso para nossa economia; e, por fim, como isso pode refletir na sua vida e o que você deve procurar fazer.

O que é rating, o que são e o que fazem as agências de risco?

O rating (também chamado, entre outros, de classificação de risco, avaliação de risco ou nota de risco) é uma nota relativa ao risco de emprestar dinheiro à um emissor de dívida (por “emprestar dinheiro” entenda-se “investir”) e leva em conta a capacidade desse emissor devolver o dinheiro tomado com os juros e nos vencimentos acordados. Pode-se dar uma nota de risco de crédito para uma pessoa física, uma empresa, um governo (município, estado ou país) ou de qualquer outro emissor de títulos de dívida – inclusive para alguns títulos dependendo de suas garantias, como as debêntures. O propósito de uma empresa ou instituição emitir títulos de dívida é o de financiar as operações e os investimentos (qualquer que seja o emissor).

Mas o que as agências de rating fazem? Elas avaliam, de acordo com vários critérios, o perfil daquele emissor emitindo um parecer técnico ou uma nota de crédito. Essas notas, conforme foi dito, são aplicadas principalmente a governos e empresas. Quanto melhor a nota, menor o risco de calote; quanto pior a nota, maior a probabilidade de calote. Até então, o Brasil detinha a nota BBB- para a agência de risco Standard & Poor’s (S&P) e passou a ter nota BB+. No caso desta mesma agência, no caso de dívidas de longo prazo, notas melhores ou iguais a BBB- classificam o emissor como capaz de honrar seus compromissos e, portanto, auferem-lhe o grau de investimento. Notas piores ou iguais a BB+ classificam a operação com o emissor como arriscada e auferem-lhe o grau especulativo ou, na linguagem do mercado, como junk (lixo, em inglês).



Resumindo: se a situação estava ruim isso pode ser um prenúncio de que ela pode piorar ainda mais, infelizmente.

Quais são as implicações para o Brasil?

Variadas implicações. As principais que podemos citar são:

Com a perda do rating soberano a saída de capital e de investidores é inevitável. Existem fundos mútuos e de pensão que só podem manter os ativos se o país tiver grau de investimento. O cenário fica ainda mais grave se vier a decisão similar de outras agências de risco, como Moody's e Fitch. Sim, podem ter bilhões de dólares saindo do Brasil “só” por conta desse rebaixamento.
Além do mais o capital tende a ficar ainda mais caro, especialmente para as empresas. O mercado, portanto, perde competitividade e se encolhe. E se intensifica o que já estamos percebendo: diminuição de postos de trabalho, aumento da inflação, encolhimento da indústria e da economia, do consumo, perdas e prejuízos sociais, aumento de impostos...

Como isso tudo pode te afetar e o que você deve procurar fazer?

Com um cenário desses é praticamente intuitivo imaginar que você e sua família podem ter mais dificuldades em assuntos que envolvam dinheiro.

Está pensando em fazer uma viagem? Pois bem, seja para o exterior ou mesmo dentro do Brasil o custo tende a ficar bem maior.

Está pensando em financiar algum bem com prazos longos – uma casa, um carro? Hum... o custo do financiamento também será maior (aliás, já está maior) e com os juros envolvidos na operação você poderia, quem sabe, comprar mais uns dois bens daquele que deseja financiar.

Reformar a casa? É bom repensar porque tudo tende a ficar mais caro.

Você deve estar se perguntando: “Poxa... então quer dizer que eu não vou poder fazer mais nada?”. Não, não é isso. O que ressalto é que se já era importante, agora é IMPRESCINDÍVEL você se planejar financeiramente. Fazer as coisas por impulso pode te levar a um cenário de extremo endividamento (caro) que pode se arrastar por anos para se resolver. Anos! Não ter controle sobre o seu dinheiro pode fazer com que você não perceba para onde ele está indo e ter a sensação e a posterior constatação de que está faltando dinheiro, quando medidas de correção poderiam ter sido tomadas se você vigiasse de perto suas finanças.

Esses tempos exigirão mais dedicação, cuidado e disciplina com sua vida financeira. Deixe de fazer isso e pagará preços mais caros pela sua irresponsabilidade e negligência. Aquele dinheiro pago em juros seria muito útil tanto para a manutenção de sua vida como, mesmo em tempos difíceis, realizar seus sonhos.

Não se iluda ou sofra o “Efeito Titanic”: aquela ideia de que sua vida (financeira) é infalível, que o que você tem é à prova de falhas – isso é pura ilusão. Pequenos erros furos acontecem e se percebidos com antecedência podem fazer com que você tenha uma viagem sem muitos percalços. Mas se não cuidar desses erros, eles se acumularão e afundarão o seu navio, a sua vida financeira pessoal. A agilidade é determinante para que você possa consertar, encontrar soluções e minimizar perdas. Já temos exemplos de sobra que essa forma de governar não funciona.

Faça o dever de casa: controle seu dinheiro, registre seus gastos e recebimentos, projete despesas e receitas para o futuro, e, se for realizar qualquer decisão de consumo, seja uma pequena compra ou aquisições maiores, avalie se é possível assumir o compromisso. Não faça contabilidade mental: coloque as projeções no papel ou, melhor (porque é mais fácil), numa planilha.

Apertemos o cinto. Fortes turbulências adiante!

(a data da publicação do post foi espontânea, apesar de sugestiva!)

6 de março de 2013

Brasileiro é sem educação



Ao final do ano passado a BM&F Bovespa encomendou uma pesquisa para avaliar o nível de conhecimento sobre investimentos da população brasileira. Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 100 diferentes cidades do País.

Resultados alarmantes: 27% dos entrevistados considera a caderneta de poupança o investimento mais arriscado. Vou repetir para enfatizar: 27% dos entrevistados considera a caderneta de poupança o investimento mais arriscado. Ao mesmo tempo, 44% considera a aplicação preferida. Bem paradoxal, não?! Diante disso, a pesquisa traz a ideia de que brasileiro não gosta de correr riscos; mas se a poupança é considerada arriscada por que continuam aplicando nela? Provavelmente por cultura de investimento além da sua simplicidade e facilidade de aplicação. Porém, essa preguiça mental pode trazer problemas gravíssimos no futuro.

Sabe-se que inflação é a perda do poder aquisitivo ao longo do tempo. Ter inflação não é ruim, muito pelo contrário. Porém, esse indicador deve estar sob controle para que não ocorra alta generalizada em demasia, provocando a hiperinflação (calma, o Brasil está muito mais evoluído e muito mais sólido: é provável que não tenhamos os problemas que o País sofreu na década de 80 e início da de 90, então calma). A captação de recursos em 2012 para a caderneta de poupança bateu recordes (mais uma vez), porém a “nova” poupança teve o menor rendimento da história, perdendo inclusive para a inflação.

Pensemos em um exemplo prático: imagine que a primeiro de janeiro de 20XX você pudesse comprar sua cesta básica a R$ 100,00. Então uma nota de cem reais bastava, certo? Porém, ao longo do ano, os preços variam. Digamos que a inflação nesse ano foi de 5%. Você acha que a mesma nota de cem compra a sua cesta básica? Certamente não. Você precisará de R$ 105,00 para comprar os mesmos produtos que em janeiro do ano anterior. Lógico que não funciona “redondinho”, mas a ideia é basicamente essa.

A nova poupança teve rentabilidade acumulada de 2,7464% no período de julho a dezembro de 2012. (fonte: Portal Brasil). Fazendo o mesmo processo de acúmulo com o IPCA, de julho a dezembro de 2012, o índice teve o resultado de 3,4378%. Resumindo: quem tem investimentos na nova poupança perdeu dinheiro, pois ela rendeu menos que a inflação.

Pouquíssimas pessoas conhecem outras formas de aplicação, muitas vezes mais rentáveis: menos de 10% dos entrevistados sabem o que é um fundo DI; cerca de 17% sabem o básico de investimentos compreendendo, por exemplo, o funcionamento de um fundo de investimentos. É alarmante!

A história econômica nem tão recente assim do Brasil faz com que as pessoas se mantenham acomodadas: tivemos hiperinflação em que se deixasse o dinheiro parado para comprar bens reais (imóveis e até mesmo carros (!!) ) seria mais seguro que aplicar; outros ganhavam muito dinheiro do dia para noite com aplicações em fundos conservadores de renda fixa – marcas históricas existem, mas temos que atentar e lidar com a realidade, não com o passado.

A economia brasileira mudou muito: hoje temos uma moeda estável, a taxa básica de juros encontra-se em patamares históricos super baixos, temos um sistema bancário forte, acesso a diversos produtos de investimento que também são simples e mais rentáveis que a própria caderneta de poupança (ex. Tesouro Direto).

Para quem tem acesso e conhece o mínimo de internet é comodismo e pura negligência não pensar e estudar sobre educação financeira, investimentos, economia. Alguns vão falar que são assuntos complexos, chatos, o que não é verdade. Na medida em que você vai tendo contato regular com o assunto, as percepções ficam mais rápidas e vai-se construindo pensamento crítico-investigativo. Não é necessário se tornar um especialista, mas é importante estar bem informado e atento às mudanças que esse contexto causa numa parte muito delicada de todas as pessoas: no bolso.

Falta de educação financeira, ignorância sobre esses assuntos, com certeza, é prejuízo real!

Boa semana e bons investimentos!

15 de novembro de 2011

Tá pegando fogo no Velho Mundo!



É de conhecimento geral que as coisas na Europa estão bem complicadas: Grécia, Itália, Espanha, Irlanda, Alemanha e Inglaterra  têm sido os protagonistas (ou antagonistas, dependendo do ponto de vista) dessa história real. Estava lendo algumas notícias sobre finanças pessoais pela internet e me deparei com uma em especial que mereceu esse post. Um jornal eletrônico  português, chamado Diário Económico, publicou uma matéria intitulada “Erros que as famílias cometem nas finanças pessoais”.

Uma das coisas que me chamou a atenção nessa matéria foram os comentários dos leitores. Muitos criticam a consultoria que foi entrevistada pelo jornal: alguns a acusam de ter influenciado na compra de bens de alto valor, que facilitaram a aquisição de créditos pessoais, que não acompanharam as famílias... enfim, até onde acompanhei, os nossos irmãos portugueses estavam furiosos com a reportagem, com a empresa que fora entrevistada.

Mas esse não foi o único ponto que me chamou a atenção. Talvez não seja certo fazer isso, mas não julgando quem está certo ou errado sobre o caso da consultoria que acusam (eu particularmente não tenho conhecimento de causa para julgar isso), percebemos que a situação dos portugueses, senão da maioria dos europeus, é muito delicada. Quando se trata de finanças pessoais, apesar deles terem um melhor nível de educação financeira (como se aponta em alguns estudos), a grande massa está em enormes apuros. Alguns, de acordo com comentários, não conseguem mais pagar suas contas: se endividam ainda mais e, com a pressão emocional em patamares talvez nunca experimentados, chegam a cometer suicídio. O governo português, nos últimos anos (na última década), subsidiou inúmeros itens da vida do cidadão português: casa, carro, bens de consumo (soa familiar?). Enfim... por ter proporcionado um conforto exagerado à população, hoje o cidadão português sofre as consequências, bem como toda Europa (pois isso é um padrão comportamental na maioria dos outros países: o paternalismo).

Apesar de se ter diferenças culturais marcantes e uma situação sócio-político-econômica diferente, o brasileiro tem que tomar cuidado. Pode ser que não ocorra nada do que hoje ocorre na Europa, mas não custa nada prevenir. Temos muitos programas sociais e subsídios que têm a boa intenção de diminuir as diferenças sociais, e isso é louvável. Mas como bom mineiro, sou bem desconfiado – é como diz um antigo dito: “De boas intenções o inferno está cheio”.

Devo ter dito em outros artigos que os povos latinos são naturalmente imediatistas e indisciplinados. Infelizmente isso é verdade. MAS indisciplina e imediatismo são hábitos e todos os hábitos podem ser modificados: se as pessoas, primeiro, tomarem consciência deles; e, principalmente: FIZEREM UM ESFORÇO REAL, PERSISTENTE E CONSISTENTE PARA MUDÁ-LOS. Depender do governo não deve ser uma opção. Nunca! Devemos trabalhar fortemente naquilo que nos propusemos a fazer, construir aos poucos nossas vidas, sermos felizes com aquilo que temos e nos educarmos durante a caminhada tanto formalmente, quanto financeira, social, ambientalmente... Educação é a chave-mestra: sempre foi! Mas não falo simplesmente da educação ‘formal’, conseguida em instituições de ensino e nos livros. Esse tipo de conhecimento está disponível, reunido e organizado, em verdade, para quem quiser nas faculdades e bibliotecas espalhadas pelo País. Eu falo de uma educação diferente, da que realmente constrói o ser humano, suas relações e o mundo através da PRÁTICA: aquela que reúne o “saber como fazer” (teoria) e, especialmente, o “saber fazer” (prática). Mudar a vida das pessoas, mesmo que um pouquinho, simplesmente por ter prestado o seu melhor serviço.

Ah! Por fim, recomendo que leiam a reportagem (aqui) e, se possível, grande parte dos comentários dos portugueses: não queiram ser como eles daqui a 10 ou 20 anos. O que parecia ser a melhor coisa do mundo naquela época (década de 90), hoje, para eles, é o inferno na terra. Então, lembrem-se: pensamento crítico, razão e cuidado!

Bom feriado!



Leu? Gostou? Não deixe de se cadastrar para receber nossas atualizações!

Confira também:

13 de novembro de 2011

Quando se pensa em investir na bolsa de valores...

Bolsa de valores... que ambiente financeiro fantástico! Muitas oportunidades, forma de poupança no longo prazo, crescimento, lucratividade e valorização. Participação societária minoritária em grandes empresas, as empresas-referência no ramo de atuação. Todos esses benefícios são eternos? Não, claro que não. Uso com muito cuidado as palavras “sempre”, “nunca”, “jamais” ou qualquer outra com mesmo significado: apenas de uma coisa na vida teremos sempre certeza: nada está estático, tudo está em constante transformação. Incluindo ambientes de mercado, economia, bolsa de valores.

Cientes disso, não podemos simplesmente colocar nosso dinheiro em algumas companhias, deixar lá parado e “esquecer”, e, num futuro que sabe-se lá quando, retirar com uma rentabilidade milagrosa. Bolsa de valores não funciona assim; definitivamente não...

Se realmente queremos alguma coisa na vida, primeiro temos que defini-la em OBJETIVOS.

Portanto, o primeiro passo é: pense naquilo que gostaria de fazer com o dinheiro investido e quanto tempo vai precisar que ele renda. Escolha algo significativo pra você, algum motivo forte que faça com que se tenha disciplina e paciência para que ele mature. É interessante dar um nome para seu investimento (por exemplo: “meu carro novo”, “minha casa própria”, “viagem dos sonhos”), pois assim saberá exatamente o porquê de estar investindo e não se perderá com outros desejos.

O segundo passo trata-se da forma de se investir seu dinheiro, que podem ser:

- Compra direta de ações: você decide quais ações comprar e transmite essa ordem para a corretora e, assim, torna-se sócio das empresas que possui ações;

- Fundos de Índices – ETFs (Exchange Traded Funds): são fundos que buscam atingir o retorno de índices que representam determinados setores do mercado; é muito interessante porque com apenas uma ordem o investidor pode comprar uma cota do fundo e diversificar seus investimentos sem escolher uma ou outra empresa;

- Clubes de investimento: grupos de pessoas que se reúnem para investir em conjunto na bolsa de valores. Talvez seja uma das maneiras mais interessantes de se começar a investir, pois, além do aprendizado, ganhos, perdas e custos são compartilhados entre todos os membros do clube;

- Fundos de investimento em ações: o investidor compra cotas de um fundo de ações que é administrado por uma corretora ou um banco (ou seja: as instituições que decidem quais e quantas ações comprar).
 
Decidindo-se a forma de como investir seu dinheiro chegamos ao terceiro passo: escolha a melhor corretora para você.

O investidor deve ter em mente que a corretora é sua aliada. Ela ajuda em cada etapa do processo pré-investimento e conta com estudos e informações de especialistas de mercado. Isso não significa que o investidor deva seguir as recomendações: ele deve avaliar e, se assim estiver de acordo com o que pensa e com o que deseja, seguir a orientação dos especialistas. Lembrem-se: a decisão de executar qualquer operação é por conta e responsabilidade do investidor. As corretoras também oferecem serviços facilitadores de acesso ao mercado como o Home Broker (investimento via internet), além de relatórios de recomendações, informativos, entre outros. Encontre aqui sua corretora!

Estamos prontos para o quarto passo: conheça os custos e as taxas. Existem, basicamente, três taxas a serem conhecidas pelos investidores. São elas:

- Taxa de corretagem: valor cobrado pela CORRETORA para acessar o mercado. Dependendo da corretora pode ser uma percentagem sobre o volume financeiro operacionalizado ou um valor fixo;

- Taxa de custódia: valor mensal cobrado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA – CBLC para guardar as ações de todos os investidores. É como se fosse um “cofre” da Bolsa;

- Emolumentos: valor cobrado em relação ao volume financeiro a cada por operação que se é realizada na Bolsa. Esse custo é da BM&FBOVESPA.

Dentre as três taxas, o mais importante a ser observado é o da forma e valor da corretagem, porque, dependendo do volume financeiro a ser investido, ele pode ter um valor relativo elevado.

Conhecidas as taxas, chega o momento do quinto passo: abrir a conta na corretora escolhida. Basicamente é necessário que se preencha uma Ficha Cadastral gratuita, assinar o Termo de Adesão e o Contrato de Intermediação e enviar a cópia de alguns documentos (RG, CPF e comprovante de residência).

 
Por fim, o sexto passo é: escolha suas ações.
Procure conversar com sua corretora, com os especialistas que nela trabalham; [muito importante] aprenda o máximo sobre as empresas, conhecendo suas estratégias de mercado, a forma como atuam, que mercados que atendem, quais são suas perspectivas de crescimento, comportamento no setor em que atua; uma seu lado consumidor ao seu lado investidor: procure usar os serviços das empresas em que você é sócio!

Ufa! Mas ainda não terminei. Quero ressaltar mais algumas coisas:

  • Muitas pessoas (e, infelizmente, alguns sites) pensam que para se investir na bolsa é necessário muito dinheiro. Não é verdade! O mais importante é você estabelecer a disciplina de comprar ações de boas empresas com regularidade visando atingir seu objetivo que, recomendo, deva ser de longo prazo (entenda longo prazo como 5 anos para mais).
  • Jamais invista todo seu dinheiro em ações: no mínimo, antes de investir, constitua uma reserva de emergência em ativos menos voláteis e mais líquidos que equivalham de seis a doze vezes o valor de seu custo de vida mensal.
  • Não aja de acordo com as emoções, não vá com “a grande massa”: comprar e vender por impulso são um dos erros mais comuns e fatais ao sucesso em bolsa de valores – paciência e disciplina são fundamentais para o triunfo no mercado de ações.
  • Procure aprender uma metodologia que te dê um “norte” quanto às estratégias traçadas: isso impede que você se desespere e compre na alta e venda na baixa, dentre outros erros bastante comuns.
  • Comece com pequenos passos: conforme disse, os clubes de investimento e até os ETFs podem ser uma excelente forma de se aprender a investir na bolsa.
  • Jamais siga as dicas “infalíveis”: estude por conta própria, se necessário, e lembre-se de que não existem “atalhos” ou “segredos” nesse ambiente – existe paciência, disciplina e escolhas fundamentadas.

31 de outubro de 2011

34 por cento... de quanto?‏



Esse artigo foi desenvolvido por um amigo, estudante de economia, muitíssimo inteligente e com um pensamento crítico afiadíssimo, Leonardo Falabella.

Reproduzido na íntegra.



"
Tem sido cada vez mais comum ouvirmos da imprensa reclamações sobre o peso da carga tributária brasileira, que seria alta demais. É comum ouvir alguns economistas dizerem que o Brasil tem uma carga tributária superior às de países desenvolvidos, sem que se ofereça serviços públicos à altura. É "Chega de tanto imposto" pra lá, "Impostômetro" pra lá, gente argumentando que a carga tributária brasileira seria suficiente para oferecer serviços básicos tão bons quanto os do primeiro mundo. Um tipo de dado que é frequentemente apresentado para sustentar este argumento é o seguinte:


O brasileiro paga mais impostos do que o espanhol, o australiano, o suíço, o japonês, e recebe de volta serviços muito inferiores. Pagamos mais e levamos menos: tudo culpa do Estado brasileiro, corrupto e ineficiente. Já que o Estado não é capaz de fornecer serviços de qualidade, devemos diminuir a carga tributária e deixar que o setor privado tome conta de mais setores, desonerando o "cidadão de bem".

Tudo na mais perfeita lógica... exceto por uma variável que está sendo omitida.

Pagamos 34% do nosso PIB em impostos. Os suíços, 29%. De um modo geral, separamos mais do nosso bolso para o Leão. Mas e os governos, arrecadam quanto? Em outras palavras: o governo brasileiro arrecada 34% de quê? E o suíço, 29% de quê?

Aí introduzimos uma variável nova: o PIB per capita em dólares, ajustado pela paridade do poder de compra. Com esse dado e a carga tributária em relação ao PIB, temos a seguinte informação: qual é o montante de dólares que cada país arrecada por habitante?


Bom senso é reconhecer que, de fato, o governo brasileiro tem muito menos para investir, por habitante, do que qualquer país desenvolvido. Não que o Estado brasileiro seja um primor de eficiência e isento de ladroagem, todos concordamos que isto está longe de ser verdade. Mas será mesmo que, não fosse por estes fatores nefastos da nossa classe política, teríamos condições de oferecer investimentos sociais tão bons quanto os do Japão, da Austrália ou da Suíça? Todos estes cidadãos trabalham menos para pagar impostos do que o brasileiro, mas seus governos arrecadam mais que o dobro ou até mais que o triplo em relação ao nosso.

Seja por ingenuidade ou desonestidade, alguns tentam nos vender a ideia de que o Estado brasileiro tem por obrigação proporcionar serviços de primeiro mundo, porque supostamente pagamos impostos como cidadãos de primeiro mundo. Prestar atenção aos fatos e questionar esta linha argumentativa com alguma dose de realidade é fundamental para o amadurecimento da discussão.

Quem sabe, caso o brasileiro ficasse mais atento a esse ponto, passaríamos a discutir o verdadeiro absurdo na nossa tributação: a regressividade. O Brasil é único o país da lista em que o pobre trabalha mais para pagar imposto do que o rico. Mas parece que isso não preocupa tanto aos que vivem bradando por menos impostos, não é mesmo?
"
Por Leonardo Falabella, inspirado pelo professor Ario Zimmermann (UFRGS).