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5 de março de 2012

Investimento pra elas!

Há algum tempo atrás, assuntos relacionados a investimentos eram coisas de homem: inflação, Selic, Bolsa de Valores, Petrobrás, Vale, CDB... um monte de financês e economês que até mesmo alguns dos próprios homens não sabiam do que se tratava...

Essa realidade mudou: a mulher hoje é bem mais independente - compartilha as tarefas domésticas caso tenha um companheiro ou assume tudo sozinha; cuida dos filhos; trabalha; lidera; estuda (e atualmente tem estudado muito mais que grande parte dos integrantes do Clube do Bolinha); investe; enfim... vem ganhando cada vez mais espaço e com muita rapidez.

Porém, mesmo assim (e penso que é um processo evolutivo), grande parte das mulheres investem na tradicionalíssima e "segura" Caderneta de Poupança. Usar a Caderneta de Poupança para criar um fundo de emergência ou poupar para comprar um bem à vista no curto prazo não tem problema algum - geralmente é a melhor estratégia, inclusive.

Mas, se é para garantir o seu futuro, sua aposentadoria, a tranquilidade que todos queremos ter, a caderneta de poupança pode não ser a melhor opção. Primeiro: atualmente a inflação está consumindo a rentabilidade mensal do produto financeiro. Por exemplo: se uma pessoa coloca R$ 1.000,00 na caderneta de poupança hoje, no mês que vem o valor do principal mais o rendimento (hoje na taxa de 0,6% a.m.) será de R$ 1.006,00. Só que se a inflação for de 0,5% nesse período, a rentabilidade real cai para R$ 1.001,00. "Onde foram parar os R$ 5,00 do meu investimento?" Calma, calma. O valor será de R$ 1.006,00, mas o seu poder de compra foi vigorosamente diminuído. No longo prazo (e, portanto, em um investimento importante) esse fator é crucial e determinante para que a mágica dos juros compostos funcione de forma muito favorável a você!

Certo. Entendemos que caderneta de poupança pode ser usada para fundo de emergência e para poupar para compras de curto prazo. Mas, então... onde investir?

Primeiramente, dinheiro tem que ter finalidade. Determine qual o seu objetivo: uma casa, um carro, um curso no exterior, aquela viagem dos sonhos, o intercâmbio... sonhe, defina o que você quer e coloque PREÇO.

Segundo: qual é o prazo, o horizonte de tempo que você quer ou imagina poder conquistar seu sonho? Seja realista. Sonhar faz bem e alimenta a motivação, mas trate de ser prática nesse momento de realidade.

Terceiro: qual o seu perfil como investidora? Responder essa pergunta já define o escopo dos investimentos que não vão tirar seu sono. Você é conservadora, é moderada, é arrojada? Existem testes na internet e, inclusive, nos bancos para determinar seu perfil. Além do mais, o resultado dos testes é muito relativo: você pode ser considerada conservadora, mas experimentar o ambiente de bolsa de valores!

Quarto: quanto de dinheiro você tem disponível para investir? Aqui começamos a desenhar melhor o plano de investimentos. A partir do montante mensal destinado ao investimento é que podemos ter ideia de quais produtos financeiros acessar. Por exemplo: com um pouco menos de R$ 200,00 você pode acessar os títulos do tesouro direto (em que você se torna credora do Governo Federal), dependendo de qual título você escolher. Acesse o post no blog do professor Elisson de Andrade e aprenda O que é Tesouro Direto. Ainda mais: com menos de R$ 200,00 (desconsiderando taxas) você consegue comprar ações! Isso mesmo: consegue ser investidora na bolsa de valores! E sabe o que é mais interessante sobre o público feminino e a bolsa? As mulheres sempre são mais conservadoras que os homens nesse ambiente. Além do mais, têm a família como preocupação principal - características positivas para quem pensa em investimentos de longo prazo. O público feminino não conta com o dinheiro imediatamente, têm um prazo de sete, dez anos. Além disso, querem dar melhores condições de vida aos filhos e, no futuro, abrirem o próprio negócio. Pensam na longevidade - querem viver mais e viverem bem.

Usando as palavras do amigo Eduardo Leitão: "a bolsa tem a obrigação de ter crescimento patrimonial acima das outras aplicações, pois ela é composta por empresas, e não por capital somente."

Por fim, seguem algumas orientações básicas:

Se informe. Leia muito a respeito, converse com as pessoas mais experientes antes de dar o primeiro passo.

Planeje. Se ainda não tem dinheiro para comprar ações, reserve uma quantia por mês e aplique em Fundos de Renda Fixa, que tem um rendimento maior que a poupança. Não fique achando que, por não ter dinheiro, não há como investir. É preciso começar de algum lugar. Tente reservar pelo menos 10% do seu salário.

Perca o medo. O medo diminui quando se está bem informado. Todo mundo sabe que existem riscos. Se tiver muito medo, não entre. Espere mais um pouco e se informe mais. É um investimento de risco, mas riscos nós passamos todos os dias das nossas vidas.

Cuidado ao escolher as ações. Num primeiro momento, é preferível escolher empresas mais estáveis como a Petrobrás e Vale, que são as mais procuradas. O rendimento é tão bom quanto as outras, porém os riscos de perda são bem menores.

Invista sempre. O retorno vem a longo prazo. Mais importante que investir muito é investir sempre.

Não compare rendimentos. Se você comprar ações de uma empresa X de manhã e outra pessoa comprar horas depois, os rendimentos serão diferentes. Não se paute no lucro dos outros. Investimento é único, não tem como comparar.

Tenha paciência. Quem investe pensando no futuro geralmente se sai melhor.


Caso tenha alguma dúvida, fique à vontade para deixar seu comentário.

Bons investimentos!

31 de janeiro de 2012

Procrastinação Financeira


Começo esse post com uma palavra pouco usual, que, talvez, alguns não tenham sequer o conhecimento do significado dela: Procrastinação. Portanto, vamos defini-la um pouco melhor. O verbo procrastinar significa: “Deixar para depois. Adiar, espaçar, delongar, protelar, postergar”. Infelizmente, esse hábito pode levar a situações muito delicadas quando se trata das nossas finanças, pois, muitas vezes, deixamos de assumir a responsabilidade sobre a nossa vida financeira, ficando para depois esse momento tão fundamental.

Alguns justificam que não têm tempo para criar um orçamento pessoal; alguns até o criam: mas na hora de colocar em prática... o momento da ação fica para semana que vem ou mês que vem, porque “aí eu posso me programar para isso” (lembra muito a ideia do regime alimentar: “na segunda eu começo”). Pura desculpa! As semanas passam, os meses passam, os anos passam e a pessoa mal saiu do lugar. Ou, então, quer começar a criar suas reservas para a aposentadoria ou independência financeira, mas nem o primeiro passo é dado para organizar esse plano tão importante de modo inteligente... e o tempo vai escoando... Lembre-se que esse recurso, o tempo, é igual para todos nós e ele é implacável: não volta jamais!

O hábito de procrastinar (sim, é um hábito!) acaba por se estender por toda a sua vida: é um amigo que você deixa para visitar depois (e acaba visitando-o uma vez por ano e olhe lá!); é a dívida que não se resolve e vai virando uma bola de neve viva; são os sonhos que vão sendo colocados de lado devido  “a correira do dia-a-dia”; é aquela oportunidade de trabalho ou negócio que faria com que você desse uma alavancada em sua carreira, mas, por medo, insegurança ou pelo simples hábito do “depois penso nisso”, o tempo passa, perde-se uma boa chance e muitas vezes nem se avalia – e vem a desculpa esfarrapada: “Ah... não era pra mim mesmo...” Não era mesmo... as oportunidades existem e estão aí para quem estiver preparado para agarrá-las. Não estou falando que se deva fazer as coisas de modo impensado, não mesmo. Porém é necessário que se tome uma atitude, mesmo que ela seja a de não se fazer nada (mas de caso pensado!).

Mas, o que fazer? Aprendi que, essencialmente, existem dois tipos de hábito: o hábito de fazer e o hábito de não fazer. Parece óbvio demais... e é! As verdades, quando ditas, são simples, porém profundas. Então, se você deseja controlar o seu dinheiro, SAIA DA INÉRCIA MENTAL (faça alguma coisa!) e desenvolva um orçamento compatível com seu padrão de vida. Não se esqueça de colocar em primeiro lugar seus sonhos: a viagem, a casa, a independência financeira (acesse esse link e acompanhe um casal que está indo rumo à esse sonho), o carro, o curso de graduação, mestrado, doutorado ou qualquer outro, dentre vários sonhos. Você vai perceber que não dá para colocar todos os sonhos em ação ao mesmo tempo. Alguns não serão possíveis de se realizar: muitas vezes ou é um ou é outro – tem que se escolher, não tem jeito. Recomendo que anote todos eles, e especifique quanto custaria para realiza-lo em valores de hoje. Depois, defina dentre eles quais são as suas maiores prioridades, mas não escolha mais que dois ou três para focar. Trace um plano. Determine o prazo realista para a conquista desse sonho. Determine como e onde vai aplicar seu dinheiro para realiza-lo. Não se esqueça de considerar seu perfil de investidor além de outras questões como inflação, imposto de renda e os custos que incidem na aplicação. Dê um nome para seus sonhos: isso evita que se fique tentado a consumir coisas supérfluas durante a trajetória. Sonhos definidos. Sonhos planejados. Continue a construir seu orçamento. Não deixe para terminar depois - nada de procrastinação!

Existem, basicamente, sete áreas em que nós temos custos ao longo de nossas vidas. A saber: alimentação, moradia, saúde, transporte, lazer, vestuário e educação. Em algumas delas podemos ter gastos mais esporádicos (vestuário, por exemplo), enquanto noutras o gasto é necessário para a sobrevivência (sim, inclua o lazer – ele é importante para a saúde emocional e mental). Esse é o momento em que muita gente pode gritar: “Eu? Fazer um orçamento pessoal e ter que segui-lo? Eu não! Prefiro viver livremente!”. A maioria das pessoas que diz isso muito provavelmente está dura ou quase lá. Um orçamento, muito pelo contrário, traz liberdade: GARANTE que você realizará seus sonhos (primeiro os seus sonhos, não foi assim que se conduziu o processo?) e que estará controlando suas despesas pessoais assim como gastando bem seu dinheiro – afinal, você sabe para onde ele está indo! É só uma questão de mudança de ponto de vista: em vez de te acorrentar, o orçamento pessoal (se feito de maneira adequada) te liberta. Mas acaba por aqui? Não, não mesmo.

O último passo, e tão essencial quanto o planejamento, chama-se EXECUÇÃO. Não é porque estamos no meio da semana que você vai começar a aplicar seu orçamento pessoal na segunda que vem o que já era para ter sido colocado em prática no ano passado (ou antes!). A ação (e não a inação) é que vai determinar o seu sucesso. Planejar com o tempo se torna mais fácil, mais familiar – e recomendo duas coisas: revisão, no mínimo trimestral; e acompanhamento, no mínimo mensal. Mas o dia-a-dia é que fará com que você atinja ou não as suas metas: que faça dos seus sonhos realidade. E sabe o que mais? Não depende de ninguém: SÓ de você mesmo.

Muito provavelmente, se você é um procrastinador, ficará desconfortável em colocar todas essas resoluções em prática. Mas não deixe de fazer o planejamento. Não deixe de executar. O seu hábito de procrastinar pode ser mudado. A maneira mais prática de eliminar o hábito de não fazer é fazendo! É um dos caminhos mais simples! Mas como mudar um hábito? Vigilância constante, persistência, foco em seus sonhos, desejo e a simples EXECUÇÃO. Paro por aqui – por enquanto...

Mas, e você? Vai assumir a responsabilidade sobre suas finanças ou serão elas que mandarão em sua vida? 

22 de janeiro de 2012

Grupo de apoio: um conceito diferente para lidar com as suas finanças


Todo mundo sabe o quanto é trabalhoso mudar hábitos. Quando você se compromete definitivamente a mudar ou fazer alguma coisa a tendência é que consigamos realiza-la. Mas existe um caminho entre o compromisso e a realização – exige, sim, muito esforço, coragem, determinação e disciplina. E quando se trata de finanças pessoais, muitas vezes é necessário mudar e melhorar principalmente a forma como se consome.

É bem como fazer dieta para perder peso: no início, nas primeiras semanas e até os primeiros meses, é difícil resistir às tentações. O hábito negativo (ou vício) pode ressurgir várias vezes, e são nesses momentos que sua força de vontade e resiliência serão testados. Ninguém pode fazer as mudanças por você – ninguém além de você mesmo, claro...

Uma estratégia, que inclusive está sendo objeto de estudo nos Estados Unidos, é formar grupos de apoio, bem no estilo dos Alcoólicos Anônimos ou Vigilantes do Peso – de forma simplista, sabemos que nesses dois grupos as pessoas recebem orientações de algum especialista que assiste o grupo em questão, mas, principalmente, compartilham experiências positivas ou não sobre o que estão tratando. O foco é que as pessoas do grupo (re) construam suas vidas a partir de realizações semana após semana, atingindo, assim, seus objetivos: que no caso são, respectivamente, eliminar o vício do álcool e perder peso para melhorar a saúde. Acesse o link do artigo aqui.

A ideia poderia ser aplicada às finanças pessoais. O grupo de apoio tem o poder de modificar comportamentos e incentivar as pessoas a realizarem seus sonhos, a atingirem suas metas. Um estudo realizado por pesquisadores estadunidenses e chilenos realizaram um experimento com um grupo de empresários que se encontravam semanalmente para conversar e expor suas derrotas e sucessos relacionados à suas finanças; além disso, essas pessoas estabeleceram suas metas de poupança semanal com o propósito de atingirem seus objetivos. O resultado foi o seguinte: esse grupo de empresários poupou cerca de 11% de sua renda, duas vezes mais do que um grupo monitorado que não tinha essas reuniões semanais.

Por outro lado, existem os aspectos negativos. De acordo com Brigitte Madrian, economista e professora de Harvard que participou deste estudo, o efeito causado por esse tipo de grupo pode ser contrário. Mesmo quando a pressão é aplicada na direção certa, muitas vezes acontece um efeito bumerangue, fazendo com que as pessoas executem exatamente o oposto do que são incentivadas. Isso foi constatado a partir de outro estudo realizado com um grupo de funcionários de determinada empresa que relatou que os pares (colegas) que não receberam a mesma informação que eles conseguiram poupar mais ao contribuir com um plano de previdência empresarial, o 401(k) [espécie de plano de aposentadoria muito comum nos EUA]. Por outro lado, a eficácia da pressão pode também depender se as metas estão ao alcance de forma realista. Daí a importância de um acompanhamento profissional para esse tipo de grupo: um planejador financeiro, por natureza da profissão, deve ser a “voz da razão” quando seus clientes estão sonhando – muitas vezes ele é quem vai dizer se e quando dá ou não para atingir o que a indivíduo/família deseja com base na situação atual e, talvez, futura.

Com certeza essa é uma ideia arrojada, mas é um plano que pode ser melhor trabalhado e, com isso, possivelmente replicado e aplicado no Brasil.

8 de janeiro de 2012

Planejamento financeiro para atingir o bem-estar


Uma pessoa com problemas financeiros tende a ter problemas em várias outras áreas da vida, inclusive a profissional. É aquele dinheiro que faltou para pagar uma conta ou aquele passeio vai ter que ficar para o próximo fim de semana. No meio do mês o salário já se foi quase inteiro e ainda tem a fatura do cartão de crédito para pagar (de onde tirar mais dinheiro?). Além disso, tem o financiamento do carro ou da moto que tem que pagar, mas não se sabe mais como... e por aí vai! Pessoas que passam por situações como essas tendem a ficar estressadas, preocupadas, desmotivadas e infelizes (além de desatentas), pois existe uma relação direta entre dinheiro e qualidade de vida: o bem-estar financeiro.

Para que as pessoas se sintam seguras e também felizes devem se planejar financeiramente. Um planejamento norteia e determina o que se faz com o dinheiro. Nos mostra um cenário que se não existir o planejamento pode passar despercebido. Mas qualidade de vida depende do dinheiro? Em parte sim. Ter as finanças sob controle (e não ao contrário) possibilita certa tranquilidade e isso nos proporciona, dentre outras coisas, equilíbrio emocional.

Os apelos de marketing nos estimulam a consumir. E, infelizmente, acabamos cedendo às pressões tanto desses apelos quanto dos nossos meios sociais (família, amigos, status) que acabamos, quase que por inércia, nos endividando. O relacionamento que temos com o dinheiro, o real significado que damos a ele e as coisas que podemos comprar, fazem toda a diferença na vida financeira.

Além disso, as campanhas publicitárias procuram despertar nas pessoas uma insatisfação constante, especialmente a insatisfação do “não ter”. Sabemos, inclusive, que as crianças também são fortemente impactadas por tais campanhas – e as pequenas entram também nesse ciclo vicioso. Temos de compreender, e isso vem muito de uma reflexão profunda, que a nossa insatisfação com alguma coisa na vida não é compensada com a aquisição de algum bem. É um fator basicamente emocional. O trabalho que não lhe satisfaz, a falta de tempo para dedicar-se aos entes queridos e a própria insatisfação pessoal não são resolvidos com compras. Em realidade, ir às compras tomado por uma situação dessas trará um alívio temporário, alívio apenas dos sintomas. As verdadeiras causas devem ser descobertas e tratadas. Fácil? Não, não é. Mas esse é o nosso desafio. Uma das formas que pode ser usada para se conter diante de um impulso desses é olhar e contemplar por algum tempo para o objetivo que você estabeleceu para si. Se ele for realmente importante, é muito provável a consciência vai gritar e colocar ordem no impulso descontrolado do consumo. Dói na consciência sabermos que estamos nos afastando daquilo que é importante para nós mesmos. “Antes sentir a dor da disciplina do que a dor do arrependimento”.

Se o antigo dito popular “sobra mês no fim do salário” é verdade em suas finanças significa que elas não vão bem e o sinal de alerta (e até sinal vermelho) está acionado. Essa situação não é normal e não deve acontecer. Planejar e distribuir a renda de maneira que as despesas sejam menores que a receita, é indispensável. As pessoas devem ter consciência de que o planejamento financeiro é a ferramenta mais adequada para gestão da vida financeira. É a partir dele que você conseguirá caminhar em direção aos seus sonhos de acordo com suas possibilidades.

Mas, e os imprevistos que podem comprometer nosso dinheiro? Todos estamos sujeitos a eles, é verdade. Contudo, se houver planejamento, organização e disciplina, as pessoas estarão preparadas, inclusive para imprevistos, pois a prioridade número #1 deve ser a de formação de uma reserva de emergência exatamente por esse motivo.

21 de novembro de 2011

Comprar ou financiar? Depende de cada caso!

Há algumas semanas, tenho conversado com um amigo sobre o desejo (e necessidade) dele comprar uma moto. Sabemos que a melhor opção sempre é comprar à vista: geralmente consegue-se descontos, às vezes acessórios adicionais e não tem a obrigação de carregar o custo de um financiamento, que, sabemos, é caro.

Qual é a situação dele hoje: o gasto com transporte mensal fica em torno de R$ 240,00. Com esse valor dá para pagar as parcelas da moto e, de certo modo, ficaria “elas por elas”. Porém, tem que se considerar outros itens: IPVA, manutenção, seguro do veículo dentre outros custos. Certos custos incidem de maneira que têm de ser pagos integralmente ou em um curto espaço de tempo (IPVA e seguro, por exemplo), o que gera um dispêndio financeiro imediato elevado. Além do mais, ele dispõe de uma moto (que é de um amigo) na qual poderia utilizá-la enquanto o dono do veículo tira a CNH, mesmo que por poucos meses.

Ajudando-o a refletir sobre o assunto, apontei alguns itens que merecem atenção, não só no caso dele, mas em qualquer aquisição de bens, especialmente os de alto valor.

Fiz uma simulação de financiamento de uma moto (no sistema PRICE – parcelas constantes) no valor de R$ 7.000,00 parcelada em 36 meses com juros de 3,10% a.m. com entrada de R$ 2.000,00. Veja no que deu na tabela abaixo:
 

Quais as vantagens de se financiar a moto?

· Teoricamente, você tem um bem que é seu (teoricamente porque enquanto não quita integralmente o bem está alienado [pertence] à instituição financeira intermediadora da compra);

· Conforto no deslocamento;

· Diminui-se o tempo no trânsito;

· No caso dele, cumprir sua meta de fim de ano, alimentando seu emocional com essa realização.


Quais são as desvantagens de se financiar a moto?

· Pagamento de juros (nesse caso SÓ de juros serão R$ 3.368,16 nos 36 meses – 48,12% a mais que o valor real, os R$ 7.000,00);

· De acordo com o que conversamos, ele ficaria mais “apertado” por conta do valor da parcela e da manutenção do veículo (mesmo sendo baixa) – que seria no valor de uns R$ 300,00 por mês, aproximadamente;

· Falta de reserva de emergência para imprevistos: ficar com o orçamento pessoal muito comprometido é um grande risco, que pode gerar mais dívidas – muitas vezes mais caras...

· Nas palavras dele: “Tenho moto à disposição, tenho carteira, gastar dinheiro pra quê?” (risos).


Além disso, deve-se considerar outros fatores:

1º: a responsabilidade de se conduzir um bem que não é seu é bem elevada (afinal, a moto é do amigo);

2º: caso se decida comprar a moto, o melhor período é no início do ano, pois as concessionárias costumam fazer promoções que podem ajudar a não comprometer tanto o orçamento, pois, muitas vezes, seguro e IPVA são pagos por elas como forma de incentivo às vendas.


No caso dele, a solução mais coerente (de acordo com o que conversamos) seria em aumentar a receita. Isso é possível devido à atividade profissional da qual ele desempenha. Aumentando a receita, ele pode pagar o financiamento (não é o mais aceitável, mas pode ser necessário) e ainda poupar, tendo como objetivo inicial para uma reserva de emergência que ele não possui.


Agora, pensemos pelo outro lado da moeda...

Se ele pudesse, ao invés de financiar, poupar e aplicar o dinheiro. Além disso, fizesse um esforço extra para poupar, aplicando R$ 300,00 durante 12 meses com o objetivo de ter um capital acumulado em dezembro de 2012. Veja o resultado logo abaixo:


O montante ainda não seria de R$ 7.000,00, claro que não. Porém, ao se financiar o restante (R$ 1.278,00) as parcelas e os juros seriam bem menores, além, claro, do prazo de quitação do veículo. Veja:


É cruel, eu sei. Mas esse é um planejamento de uma compra razoavelmente bem feita.

Lembrem-se: primeiro, RESERVA DE EMERGÊNCIA (sua segurança imediata); depois, podemos pensar nos sonhos!

Recomendo que escutem o podcast do Mauro Halfeld sobre esse assunto: clique aqui

Até o próximo post
Veja também:

13 de novembro de 2011

Quando se pensa em investir na bolsa de valores...

Bolsa de valores... que ambiente financeiro fantástico! Muitas oportunidades, forma de poupança no longo prazo, crescimento, lucratividade e valorização. Participação societária minoritária em grandes empresas, as empresas-referência no ramo de atuação. Todos esses benefícios são eternos? Não, claro que não. Uso com muito cuidado as palavras “sempre”, “nunca”, “jamais” ou qualquer outra com mesmo significado: apenas de uma coisa na vida teremos sempre certeza: nada está estático, tudo está em constante transformação. Incluindo ambientes de mercado, economia, bolsa de valores.

Cientes disso, não podemos simplesmente colocar nosso dinheiro em algumas companhias, deixar lá parado e “esquecer”, e, num futuro que sabe-se lá quando, retirar com uma rentabilidade milagrosa. Bolsa de valores não funciona assim; definitivamente não...

Se realmente queremos alguma coisa na vida, primeiro temos que defini-la em OBJETIVOS.

Portanto, o primeiro passo é: pense naquilo que gostaria de fazer com o dinheiro investido e quanto tempo vai precisar que ele renda. Escolha algo significativo pra você, algum motivo forte que faça com que se tenha disciplina e paciência para que ele mature. É interessante dar um nome para seu investimento (por exemplo: “meu carro novo”, “minha casa própria”, “viagem dos sonhos”), pois assim saberá exatamente o porquê de estar investindo e não se perderá com outros desejos.

O segundo passo trata-se da forma de se investir seu dinheiro, que podem ser:

- Compra direta de ações: você decide quais ações comprar e transmite essa ordem para a corretora e, assim, torna-se sócio das empresas que possui ações;

- Fundos de Índices – ETFs (Exchange Traded Funds): são fundos que buscam atingir o retorno de índices que representam determinados setores do mercado; é muito interessante porque com apenas uma ordem o investidor pode comprar uma cota do fundo e diversificar seus investimentos sem escolher uma ou outra empresa;

- Clubes de investimento: grupos de pessoas que se reúnem para investir em conjunto na bolsa de valores. Talvez seja uma das maneiras mais interessantes de se começar a investir, pois, além do aprendizado, ganhos, perdas e custos são compartilhados entre todos os membros do clube;

- Fundos de investimento em ações: o investidor compra cotas de um fundo de ações que é administrado por uma corretora ou um banco (ou seja: as instituições que decidem quais e quantas ações comprar).
 
Decidindo-se a forma de como investir seu dinheiro chegamos ao terceiro passo: escolha a melhor corretora para você.

O investidor deve ter em mente que a corretora é sua aliada. Ela ajuda em cada etapa do processo pré-investimento e conta com estudos e informações de especialistas de mercado. Isso não significa que o investidor deva seguir as recomendações: ele deve avaliar e, se assim estiver de acordo com o que pensa e com o que deseja, seguir a orientação dos especialistas. Lembrem-se: a decisão de executar qualquer operação é por conta e responsabilidade do investidor. As corretoras também oferecem serviços facilitadores de acesso ao mercado como o Home Broker (investimento via internet), além de relatórios de recomendações, informativos, entre outros. Encontre aqui sua corretora!

Estamos prontos para o quarto passo: conheça os custos e as taxas. Existem, basicamente, três taxas a serem conhecidas pelos investidores. São elas:

- Taxa de corretagem: valor cobrado pela CORRETORA para acessar o mercado. Dependendo da corretora pode ser uma percentagem sobre o volume financeiro operacionalizado ou um valor fixo;

- Taxa de custódia: valor mensal cobrado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA – CBLC para guardar as ações de todos os investidores. É como se fosse um “cofre” da Bolsa;

- Emolumentos: valor cobrado em relação ao volume financeiro a cada por operação que se é realizada na Bolsa. Esse custo é da BM&FBOVESPA.

Dentre as três taxas, o mais importante a ser observado é o da forma e valor da corretagem, porque, dependendo do volume financeiro a ser investido, ele pode ter um valor relativo elevado.

Conhecidas as taxas, chega o momento do quinto passo: abrir a conta na corretora escolhida. Basicamente é necessário que se preencha uma Ficha Cadastral gratuita, assinar o Termo de Adesão e o Contrato de Intermediação e enviar a cópia de alguns documentos (RG, CPF e comprovante de residência).

 
Por fim, o sexto passo é: escolha suas ações.
Procure conversar com sua corretora, com os especialistas que nela trabalham; [muito importante] aprenda o máximo sobre as empresas, conhecendo suas estratégias de mercado, a forma como atuam, que mercados que atendem, quais são suas perspectivas de crescimento, comportamento no setor em que atua; uma seu lado consumidor ao seu lado investidor: procure usar os serviços das empresas em que você é sócio!

Ufa! Mas ainda não terminei. Quero ressaltar mais algumas coisas:

  • Muitas pessoas (e, infelizmente, alguns sites) pensam que para se investir na bolsa é necessário muito dinheiro. Não é verdade! O mais importante é você estabelecer a disciplina de comprar ações de boas empresas com regularidade visando atingir seu objetivo que, recomendo, deva ser de longo prazo (entenda longo prazo como 5 anos para mais).
  • Jamais invista todo seu dinheiro em ações: no mínimo, antes de investir, constitua uma reserva de emergência em ativos menos voláteis e mais líquidos que equivalham de seis a doze vezes o valor de seu custo de vida mensal.
  • Não aja de acordo com as emoções, não vá com “a grande massa”: comprar e vender por impulso são um dos erros mais comuns e fatais ao sucesso em bolsa de valores – paciência e disciplina são fundamentais para o triunfo no mercado de ações.
  • Procure aprender uma metodologia que te dê um “norte” quanto às estratégias traçadas: isso impede que você se desespere e compre na alta e venda na baixa, dentre outros erros bastante comuns.
  • Comece com pequenos passos: conforme disse, os clubes de investimento e até os ETFs podem ser uma excelente forma de se aprender a investir na bolsa.
  • Jamais siga as dicas “infalíveis”: estude por conta própria, se necessário, e lembre-se de que não existem “atalhos” ou “segredos” nesse ambiente – existe paciência, disciplina e escolhas fundamentadas.

23 de agosto de 2011

Segure o boi pelo chifre!

Que mercado volátil, não?! O mercado de ações nas últimas semanas está muito, muito emocional. É natural: investidores até aceitam tomar risco, mas o que não aceitam é perder. Perder? Sim, todos somos avessos às perdas. Porém, com o mercado ainda do jeito que tá, dá para se fazer excelentes compras e, talvez, esse seja um grande momento de se fazer o "pé-de-meia". Por quê? Porque a economia brasileira, mesmo diante da interligação global, da alta inflação que estamos sentindo, queda no valor das exportações diante da valorização do Real e, consequentemente, menor lucro das empresas exportadoras (especialmente) de commodities, somos fortes e temos excelentes empresas. Empresas que estão lucrando absurdos, batendo recordes históricos de lucros (leia-se, pelo menos, ItauUnibanco e Petrobrás), mesmo diante do tsunami que atinge (de novo) as economias européias e estadunidense. Porém, após se conscientizar de que o Brasil está bem, pronto, preparado para o que vier, como decidir o que comprar na bolsa? Existem mais de 300 ações à disposição dos investidores... E aí?

Eu, particularmente, tenho adotado um método empiricamente testado, existente há mais de 40 anos nos Estados Unidos e adaptado à realidade brasileira pelo Instituto Nacional dos Investidores - INI.

Esse método proporciona ao investidor a aplicação de técnicas que permitem avaliar ações e as carteiras de ações de um modo bem simples e eficiente. Recomendo imensamente que leiam e estudem minuciosamente o Manual Técnico do INI (clique aqui para baixar), pois é impossível passar a gama de detalhes e nuances que estão contidos nele.

É claro que estou falando de investimento para o longo prazo, com a proposta de que, se o investidor fizer um bom trabalho, pode ser possível dobrar o seu capital em 5 anos (isso não é tão longo prazo assim, é!?).

Porém, devemos seguir cinco princípios importantíssimos para que o investidor possa se beneficiar do método de análise de ações. São eles (extraído do Manual Técnico do INI):

Princípio 1
Investir com regularidade, independentemente das perspectivas de mercado.

Quado você começa a investir, geralmente você fica inseguro quanto ao momento certo para entrar ou sair de uma empresa. O tempo e a experiência ajudarão a afastar e mitigar esses receios. As evidências (e os números!) mostram que o mercado acionário, no longo prazo, tem sido a aplicação de melhor retorno. Sendo criterioso e racional em seus investimentos, você aumentará consideravelmente suas chances de ganho.

Princípio 2
Reinvestir todos os lucros.

Reaplique no mercado todos os lucros de seus investimentos. Isto permitirá a você maximizar seus ganhos através da capitalização composta, ganhando mais do que mantivesse apenas o capital original empregado. É o "juros-sobre-juros" trabalhando a seu favor, não contra você!

Princípio 3
Investir em empresas com passado e potencial para crescimento.

Adquira ações de empresas cujas vendas e lucros estejam evoluindo em velocidade maior que o Produto Interno Bruto (PIB) e cujos históricos sugiram que elas estarão mais valorizadas nos cinco anos seguintes.

Princípio 4
Diversificar para reduzir o risco.

Algumas de suas escolhas serão muito bem sucedidas e outras terão resultados decepcionantes. Como é impossível prever ofuturo com exatidão, não se deve esperar que todos os resultados sejam satisfatórios. Através de diversificação, você precisará apenas de um crescimento médio que alcance sua meta; um eventual erro não provocará um grande desequilíbrio.

Princípio 5
Procure investir em empresas que desenvolvem bons princípio de Governança Corporativa (blog de minha professora de Governança Corporativa, Adriana Solé).

Dessa forma você estará lidando com empresas socialmente responsáveis, empresas que respeitam  o meio ambiente, a legislação e, principalmente, os direitos e a relação com os acionistas minoritários.


Gostou? Então, para quem ainda não sabe o que fazer, é hora de estudar, aprender um pouco mais em vez de ficar com medo do mercado em queda.

Como sou estudante de mandarim posso falar :-) : a ideia de crise é formada por dois ideogramas: perigo e oportunidade.


Em qual deles você quer se agarrar?

19 de julho de 2011

Protegendo investimentos em ações: Hedge com Mini-Índice Futuro


Há um pouco mais de um ano atrás escrevi um post sobre mini-índice intitulado "Operando Mini-Índice Futuro". Porém, naquela oportunidade dei ênfase em "especular" com mini-índice. Neste post, de maneira diferente, quero abordar o derivativo financeiro como forma de proteção, de hedge.

Mas antes disso, vamos repassar alguns conceitos e a mecânica de funcionamento do instrumento.

O mercado futuro é diferente do mercado de ações. Aqui não se negociam "papéis" e sim contratos. Você pode tanto vender quanto comprar um contrato. Se você vende, tem a expectativa que o derivativo venha a ter uma redução no seu preço; por outro lado, quando você compra tem a expectativa de que ele vá subir. Simples assim. Mas como se lucra? Comprando o derivativo com uma cotação mais baixa e vendendo em uma mais elevada ou ao contrário. Para fechar uma posição vendida tenho que recomprá-la; e vice-versa: para fechar uma posição comprada tenho que vendê-la.

Vamos a outro conceito. Diferentemente do mercado de ações, no mercado futuro não é necessário ter todo capital para se operar um contrato. Como assim? Veja o exemplo a seguir:

Se um investidor dispõe de R$ 2.000,00 em sua conta e quer comprar ações da Petrobrás, por exemplo, que estão cotadas no mercado a R$ 20,00, ele poderá ter, no máximo, 100 ações - no final das contas ele está movimentando R$ 2.000,00. Por outro lado, com o mercado futuro não funciona assim. Digamos que o investidor queira comprar um contrato de mini-índice futuro à cotação de 60.000 pontos. Hoje, a margem de garantia inicial necessária para se operar um contrato está em torno de R$ 2.000,00. Mas essa não é a movimentação financeira feita no mercado: é apenas o dinheiro que é necessário para se operar 1 contrato. Mas quanto que se movimenta no mercado? Vamos aos cálculos.

O volume financeiro de um contrato de mini-índice é negociado multiplicando-se sua cotação de mercado (60.000 pontos, por exemplo) pelo fator 1/5 (ou 0,2, se preferir). Cada ponto no mini-índice vale, portanto, R$ 0,20 (existem algumas informações sobre Índice Futuro -que algumas pessoas chamam de "Índice Futuro Cheio ou Grande"- das quais não vou detalhar nesse post, pois o foco dessa publicação é para o pequeno investidor, apesar de ter a mesma mecânica). Então a movimentação financeira de um contrato é de: 60.000 x R$ 0,20 = R$ 12.000,00. 

Então, se o investidor comprou um contrato de mini-índice futuro a 60.000 pontos e vendeu esse mesmo contrato a 60.500 pontos, ele ganhou nessa operação, sem considerar custos, R$ 100,00 (60.500 - 60.000 = 500 x R$ 0,20 = R$ 100,00). Qual foi o volume financeiro operado? R$ 12.000,00 inicialmente e, depois R$ 12.100,00, daí o lucro. De quanto se precisou, de dinheiro próprio, para essa operação? R$ 2.000,00, aproximadamente (depende da corretora): lucro de 5% sobre o valor da margem de garantia inicial!

Comparando: para que o investidor tivesse 5% de lucro com as ações, elas teriam que subir 5%; porém, em virtude da alavancagem (já que no mini-indice se está lidando, nesse caso, com R$ 12.000,00, ou seja, 5 vezes mais que os R$ 2.000,00 próprios), o índice teve que oscilar 0,83% para obter o mesmo resultado. É aqui que muitos investidores falam que "vão ganhar muito dinheiro com esse negócio, é melhor que ficar comprando ações, é só ficar expert em análise técnica e bla bla bla". A alavancagem é tentadora, sem dúvidas. Mas, se não souber usar, como em qualquer derivativo, como em qualquer instrumento de renda variável, dá para se perder muito, muito dinheiro. Dêem uma olhada no post do ano passado e vão perceber que é maravilhoso, mas perigoso se não souber o que se está fazendo e porquê.

Gostaria de ressaltar algumas particularidades sobre margem de garantia: dependendo da corretora, não é necessário ter dinheiro líquido para operar mini-índice. Você pode dar em garantia outros ativos tais como ações (de boas empresas), títulos públicos e algumas instituições também aceitam CDB. Verifique com sua corretora quais são suas opções.

Vamos ao cerne do assunto de hoje: Hedge. Hedge significa proteção. Mas, como usar mini-índice futuro para proteger minha carteira de ações? É simples.

Vamos a outro exemplo.

Um investidor tem em sua carteira R$ 4.000,00 em Petrobras PN (PETR4), R$ 7.000,00 em Vale PNA (VALE5), R$ 8.000,00 em Banco do Brasil ON (BBAS3), R$ 1.000,00 em Localiza ON (RENT3), R$ 1.000,00 em Inepar PN (INEP4). Volume financeiro total de R$ 21.000,00. Nessa carteira existem 3 ações que pertencem ao Índice Bovespa (VALE5, PETR4 e BBAS3) e duas que não pertencem (RENT3 e INEP4). Se o mini-índice futuro segue o movimento do Ibovespa, como me proteger para uma queda do mercado, como tem acontecido nesse ano de 2011? E mais: os cálculos valem para ações que não estão listadas no Ibovespa? Depende do volume financeiro que essas ações representam em sua carteira.

Continuemos. Nessa carteira (PETR4, VALE5, BBAS3,INEP4, RENT3 de volume financeiro R$ 21,000) daria para vender até dois mini-índices. Dessa forma você fica comprado nas ações (que elas, inclusive podem ser dadas como margem de garantia para a operação, conforme já relatei) e vendido em mini-índice. Nesse caso não é (e raramente vai ser) um hedge perfeito. Qual o resultado dessa proteção? Se o Ibovespa despencar mais, muito provavelmente você perderá valor em sua carteira devido a redução da cotação das suas ações. Por outro lado, enquanto o Ibovespa estiver caindo, você estará ganhando dinheiro com mini-índice, compensando as perdas de sua carteira e, nesse cenário, como as ações estarão depreciadas e interesantes (!) você poderá, quando quiser, desfazer a operação embolsar o dinheiro do índice e aumentar seu patrimônio em ações. Perde com as ações, ganha com o mini-índice. Ou seja, protege o seu financeiro na bolsa.

Porém, por fim, é importante ressaltar uma característica importante de qualquer contrato futuro: os ajustes diários. Além da margem de garantia, é importante e fundamental que o investidor tenha dinheiro líquido em sua conta para que se ocorram os débitos e créditos diários. Como assim? Diariamente a Bolsa de Mercadoria e Futuros (BMF) "zera" a sua posição. Exemplo:

Hoje vendi um contrato de mini-índice a 58.000 pontos, então estou esperando que o Ibovespa desvalorize. No final do dia, por exemplo, aconteceu de o mini-índice fechar em 57.500 pontos. O que vai acontecer? Vai ser depositado, na virada do dia, R$ 100,00 em minha conta, em dinheiro. O mercado abre amanhã aos 57.500 pontos e no final do dia chega a 58.500 pontos. O que acontece? Sai da minha conta R$ 200,00: os R$ 100,00 que tinha ganhado mais R$ 100,00 de resultado negativo. Mas, no outro dia, a coisa fica vermelha: o mercado abre em 58.500 pontos e despenca fechando em 57.500 pontos. Ganho R$ 200,00 e volto a ficar com lucro de R$ 100,00.

Resumindo: esse vai-e-vem é constante. E, em minha opinião, do jeito que a coisa está se mostrando, além de bons descontos nas ações (liquidação, adoro liquidação na bolsa!), o Ibovespa tende a desvalorizar: e os índices futuros vão junto!

Antes de tomar qualquer atitude concreta, experimentem sem gastar: acessem e façam o cadastro no Simulador da BMF para poder experimentar o funcionamento tanto do mini-índice quanto dos outros derivativos (mini-dólar, café, milho, boi gordo, soja).

Por fim gosto sempre de ressaltar e enfatizar: Como tudo no mercado financeiro e de capitais, não recomendo que façam essa operação a menos que já estejam familiarizados, bem assessorados ou que saibam exatamente o que pode ocorrer.

No mais, bons investimentos!

16 de julho de 2011

Dúvida: qual a melhor alternativa para aplicar R$ 10 mil por três meses?

Recebi uma dúvida de uma amiga e gostaria de compartilhá-la com vocês.

A dúvida é a seguinte: "Tenho um colega que está trabalhando no exterior. Ele quer aplicar R$ 10 mil em algo mais rentável que a poupança, mas durante o prazo que vai ficar no exterior (3 meses). O que seria melhor para ele? Deixar na poupança ou existe algum investimento que renda mais que a poupança  neste curto prazo?".

Nesse caso é melhor que o colega deixe o dinheiro na poupança. Três meses é muito pouco tempo para outros investimentos renderem melhor e na poupança não há incidência de imposto de renda, enquanto na maioria dos outros investimentos, com esse valor de aporte terá incidência de 15% a 22,5% sobre o rendimento e mais alguma taxa, caso exista. Esse ano, mais do que 2010, estamos sofrendo pressão inflacionária, o que faz com que o custo de todas as coisas se elevem para acompanhar o consumo interno e outras variáveis. Mesmo que a inflação mensal seja maior que a rentabilidade da poupança, é preferível que, no curtíssimo prazo que ele tem (3 meses), deixe o dinheiro lá.

30 de março de 2011

A Maria não "mariou" quando ganhou R$ 1,5 Mi

Não sou fã de BBB. Que isso já fique claro desde o início. Mas uma soma desse porte deve ser alvo de comentários, inclusive dos meus.

Não que quantias menores que um milhão de reais sejam menos importantes - em realidade, dependendo de seu padrão de vida com metade disso (R$ 500 mil) pode-se atingir a independência financeira.

Vamos lá. Como a Maria poderia não "mariar" com o prêmio recebido através do Reality Show?

Digamos que ela "torre" R$ 100 mil. Isso para satisfazer suas vontades e as dos outros, curtir parte do prêmio; enfim, fazer o que a maioria faria: aproveitar! E o restante seja aplicado de modo que ela queira uma renda perpétua mensal.

A primeira coisa a se fazer é determinar qual o perfil de investimento dela e uma meta de rentabilidade anual. Consideremos que ela não tenha experiência com investimentos (o que pode ser provável, afinal, grande parte dos brasileiros não têm) e que espere rentabilidade acima do CDI. No exemplo não consideraremos inflação, pois ela deve ser apurada de período a período, fazendo-se os ajustes necessários nos investimentos.

Para o cenário atual temos: Taxa Selic a 11,75%; nos últimos anos os imóveis subiram, em média, 20%; e nos últimos 10 anos a bolsa subiu 17% em média. No ano passado, o CDI teve variação de 9,75%; portanto, a meta de rentabilidade poderia ser de 10,71% bruto ao ano ou 8,57% ao ano (descontando o Imposto de Renda que consideraremos de 20%). Isso proporcionaria à Maria uma renda vitalícia líquida anual de R$ 120 mil ou R$ 10 mil por mês. Nada mal, não!?

Pois bem. Em quais cestas colocar os ovos? Digamos que Maria seja conservadora; pensando em uma carteira diversificada, relativamente estável e com componentes que possam turbinar os rendimentos alocaria-se 64% em Renda Fixa (R$ 900 mil) e 36% em Renda variável (R$ 500 mil), distribuindo, portanto, todo o capital restante (R$ 1,4 Mi).

1) Renda Fixa: R$ 900 mil

Títulos pré-fixados
-> R$ 225 mil em Letras Financeiras de banco de primeira linha com prazo de 2 anos - 13,1% ao ano;
-> R$ 225 mil em Letras do Tesouro Nacional com vencimento para 2015 - 13,1% ao ano;

Títulos Pós-fixados
-> R$ 225 mil em CDB de banco de primeira linha com 100% do CDI;
-> R$ 225 mil em NOtas do Tesouro Nacional Série B com vencimento em 2024 - 6,18% ao ano + IPCA.

2) Renda Variável

Fundos Imobiliários
-> R$ 100 mil CSHG Real State - 9,08% + variação da cota;
-> R$ 100 mil Shopping Parque Dom Pedro - 8,66% ao ano + variação da cota;
-> R$ 100 mil BB Fundo de Investimento Imobiliário Progressivo - 8,39% ao ano + variação da cota.

Fundos de Índice
-> R$ 50 mil CSMO11 - rentabilidade em 2010 de 27,24%
-> R$ 50 mil BRAX11 - rentabilidade em 2010 de 5,82%


Observem o seguinte: só com a renda fixa e os fundos imobiliários já seria o suficiente para se ter uma renda de R$ 10 mil por mês. Os IShares (fundos de índice) compõem a carteira para aproveitar os momentos em que a bolsa de valores sobe: o BRAX11 acompanha o desempenho do IBRX-100 e o CSMO11 acompanha o ICON.


Que a Maria não "marie" e saiba administrar bem esse presente!

24 de fevereiro de 2011

10 orientações de um bilionário brasileiro

Lírio Parisotto
Lirio Parisotto, com 55 anos, começou 2009 com R$ 1,123 bilhão, avançando para R$ 2,186 bilhões em outubro. Tudo aplicado em ações. Enquanto o Ibovespa subiu 72,79% em 12 meses até 9 de outubro, o fundo do bilionário registrou 122,18% de alta no mesmo período.

A maneira como Parisotto olha o próprio investimento é muito particular. Na carteira de ações dele há 12 papéis, não mais do que isso. Quando uma nova ação entra, alguma sai. A carteira só é movimentada quando ocorrem fatos excepcionais. “Não invisto em empresa que dá problema. Deu prejuízo, vai embora. A Braskem me deu dissabor e não está mais na carteira”, disse Lirio Parisotto durante palestra aos clientes da corretora Geração Futuro, em 9 de outubro.

Capas de variadas revistas, abordando a bem sucedida experiência dele no mercado de ações, Lirio Parisotto afirma gostar da exibição, com o objetivo de mostrar aos leitores que, a exemplo dele, não se deve perder a cabeça quando o Ibovespa despenca.

O empresário, entre 1986 e 1987, perdeu 300 mil dólares ao investir em um momento de pico da bolsa, quando o índice estava no topo. Outro erro cometido, na mesma aplicação, foi ter usado dinheiro do capital de giro, que mais tarde fundaria a empresa Videolar, hoje líder na fabricação e distribuição de DVDs, CDs, fitas VHS e mídia virgem no Brasil. Parisotto não está no comando da Videolar; mas integra o conselho de administração da empresa.

Os erros cometidos no passado serviram de aprendizado. No decorrer dos anos seguintes, o empresário multiplicou várias vezes sua fortuna com a renda variável. “Sempre digo que a queda do mercado é uma promoção. Na liquidação das lojas, a pessoa vai às compras para pegar descontos de 15%, 20%, 30% nas peças. O mercado de ações faz isso regularmente, só que as pessoas, em vez de aproveitar a promoção, vão lá e vendem mais”, diz o investidor.

O meu critério de investimento, hoje, são três segmentos: bancos, energia elétrica, siderurgia e mineração. Eu não tenho nada fora disso. Para não dizer que tenho nada, tenho 2% ou 3% de coisas exóticas”, afirma Lírio.

"Se eu tivesse Petrobras, a minha performance este ano estaria abaixo do Ibovespa. Acho a Petrobras uma excelente empresa como negócio, o problema é a gestão da companhia. Enquanto o preço do barril, no mercado internacional, sobe ou desce, o combustível destinado ao consumidor continua inalterado”, explica.

O bilionário também tem uma opinião formada sobre o setor de construção, com mais de 20 empresas com capital aberto. “Nenhum País do mundo tem esta quantidade de empresas. Além disso, as tentações são muito grandes neste segmento, como a compra de um terreno subavaliado, venda de um imóvel abaixo do preço, subfaturamento. Eu prefiro trabalhar com segmentos mais protegidos a correr outros riscos”, diz.

Dentre os critérios usados na escolha das ações, Parisotto afirma que um dos mais importantes é o Preço/Lucro (P/L). O segundo critério é o Dividend Yield que as empresas oferecem de remuneração. O dividend yield é visto por Parisotto como dinheiro novo que entra para a compra de mais ações.

Outro critério relevante, para a eleição das 12 empresas que entram na carteira dele, é a liquidez seca, ou seja, a situação de solvência da companhia, que seria o seguinte: de cada R$ 1,00 devido pela empresa, quantos outros reais a companhia tem em caixa ou em contas a receber. Não vale conta estoque.

O experiente investidor também diz que é bom ficar de olhos bem abertos nas atitudes dos empresários que estão no comando de empresas negociadas na bolsa. “Quer saber se o executivo trabalha de verdade? Veja se ele contrata auditor ou consultor. Se há o costume de trazer consultores, caia fora da empresa porque o executivo não está fazendo o dever de casa. Fique longe de empresas que contratam muita consultoria”, afirma.

Abaixo, estão os 10 mandamentos do investidor bilionário, Lírio Parisotto:

1) NÃO PERCA TEMPO COM IPO, VOCÊ PAGA A CONTA LITERALMENTE
Eu aviso que IPO é aventura de capital. É feito “road show”, festa, contratação de bancos, impressão de materiais de primeira qualidade, anúncios em jornais. Sabe quem paga a conta? Adivinhe? Você que aplica nas ações! Quem subscreve as ações paga literalmente a conta. Não vou dizer que 100% dos IPOs são maus negócios. Em toda regra, há uma exceção. Mas, é duro ganhar a vida com IPO. Na prática, se você comprar as ações, vai pagar as contas dos envolvidos no IPO. Não deveria ser feito dessa forma. É necessário um controle maior do mercado sobre esta prática.

2) POUCA DIVERSIFICAÇÃO! UMA AÇÃO POR MÊS É MAIS QUE SUFICIENTE
Quanto mais empresa você colocar na sua carteira, maior é a prova que você não acredita naquilo que está comprando. Tenho 12 ações em minha carteira porque, com 55 anos, já não tenho a coragem e a personalidade de escolher só dois papéis. No final do ano, quem vai fazer a diferença de rentabilidade são duas ou três ações apenas. É importante ter poucas ações em carteira para acompanhar bem cada uma das companhias. Devem ser analisados os balanços, balancetes, evolução dos produtos no mercado, atitude dos executivos das empresas, por exemplo.

3) NUNCA COMPRE COISA QUE VOA, NEM QUE FABRICA O OBJETO VOADOR, COMÉRCIO VAREJISTA IDEM

Este é o meu conceito. Vou mencionar várias empresas varejistas que quebraram nos últimos anos. Talvez, você nem se lembre mais: Mesbla, Mappin, Arapuã, Casas Centro, Lojas Hermes Macedo, Rede de eletrodomésticos Brastel, G. Aronson, Lojas Brasileiras. Mencione uma siderúrgica que quebrou? Se souber de uma companhia elétrica que quebrou, apesar do racionamento em 2000, me avise. Não pode quebrar empresa de energia elétrica. No entanto, no setor aéreo, três grandes companhias quebraram em um instante: Varig (sobrevivendo com nome de terceirizada), Transbrasil e Vasp.

4) FIQUE LONGE DAS EMPRESAS COM SEDE EM PAÍSES EXÓTICOS
Nós temos de olhar as leis brasileiras que já são difíceis de serem interpretadas e seguidas corretamente. Imagine a dificuldade para analisar uma empresa criada em outro país. Ou de uma empresa que se transfere para o exterior para depois abrir capital aqui. Não são muitas, mas existem alguns casos a serem evitados.

5) NÃO COMPRE EMPRESA QUE DÊ PREJUÍZO, EMPRESA COM LUCRO NÃO QUEBRA
Parece óbvio, mas as pessoas ainda seguem dicas. Todo mundo tem uma dica quente. Deixo a dica para você usar da melhor forma possível, porque eu não quero saber de nada quente.

6) LIQUIDEZ É FUNDAMENTAL, PRECISAMOS SEMPRE DA PORTA DE ENTRADA E DE SAÍDA
Há por volta de 500 empresas de capital aberto. Do total, na bolsa, apenas 300 são negociadas duramente. Destas, umas 10 devem ser responsáveis por 80% das negociações registradas. Quando você aplica em empresas que ficam dias sem negociar, terá entraves. Se quiser gastar R$ 1 milhão, não conseguirá comprar. Imagine a dificuldade na hora de vender os papéis! Basta uma quantia ínfima para a ação apresentar valores que não são reais, gerando informação manipulada.

7) PROCURE COISA BOA E BARATA, BOM TEM BASTANTE, BARATO IDEM. AS DUAS JUNTAS SÃO DIFÍCEIS
Cuidado com o Preço/Lucro (P/L) absurdo que algumas companhias apresentam. Não adianta dizer que a empresa é boa, precisando esperar 50 anos de lucro para se chegar ao preço dela no mercado. Fuja destas. Em média, o P/L no Brasil está em torno de 15. Nos países de primeiro mundo, Japão, Estados Unidos e da Europa, O P/L está em torno de 30. No Brasil, tem muita empresa boa e barata.

8) NUNCA DÊ OUVIDOS A ESPÍRITOS SANTOS DE ORELHA, FAÇA O DEVER DECASA: ANALISE E AVALIE
Até meados de 2008, todos eram o gênio da bolsa. Era fácil ganhar dinheiro com o mercado de capitais em alta, subindo há cinco anos direto. A única diferença é que um ganhava muito e ou outro, menos. No movimento de queda da bolsa, não há motivo para vender as ações se for feita a análise e a avaliação correta dos números da companhia. O dinheiro tem de ser aplicado almejando o longo prazo. Não venda o papel da companhia por causa do mercado. Tenha bastante cuidado em quem vai investir, pois aí mora o perigo. Os gráficos sempre buscam o maior do passado.

9) TENHA CORAGEM E PERSONALIDADE DE ENFRENTAR A MARÉ CONTRÁRIA, CONTROLE O MEDO NA QUEDA E A GANÂNCIA NA ALTA
Quando o mercado cair, com os preços das ações já reduzidos, não saque o que continua aplicado. Controle seu medo e coloque mais dinheiro. No movimento de alta, também é difícil saber a hora exata de sair. Às vezes, após o saque do dinheiro, o mercado continua andando mais 10%, mais 20% e você fica se martirizando por estar perdendo a oportunidade. Também não faça nada. Não vai comprar novamente as ações dois meses após a venda. É difícil de controlar o impulso.

10) APOSTE NUM AZARÃO, SÓ PARA TER MOTIVO DE SE DESAFIAR E DIVERTIR-SE
Investir é divertimento. Divirta-se e aproveite a vida. Não fique estressado, mal humorado, tenso e preocupado a ponto de perder o sono, deixar de estar com a família, prejudicando o trabalho… tudo porque a bolsa subiu ou caiu. O fato de sobrar dinheiro para você aplicar em ações, já sinaliza que você é uma pessoa diferenciada. Dentre as 12 ações presentes em minha carteira, sempre tive um azarão. Para mim, azarão não é subir 100%, mas trabalhar para a ação valer de 3 a 4 vezes mais. Já foi o azarão da minha carteira o papel da Randon, quando custava R$ 0,20 ou R$ 0,30 centavos em 2002 ou 2003. Depois, chegou a valer R$ 20,00.

15 de agosto de 2010

Estratégia com opções: VENDA COBERTA

O Mercado de Opções é caracterizado por sua alta volatilidade diária (dependendo do momento, uma opção pode variar mais de 100%) e por características específicas (como a influência da taxa de juros, tempo para o exercício da opção, volatilidades e o ativo subjacente, já que as opções são derivativos destes) torna-se um mercado extremamente visado por investidores; principalmente para os amadores que, com pensamentos errados, imaginam que possam acertar sempre e dobrar seu capital em um curtíssimo espaço de tempo.

O que é uma opção: Uma opção de um ativo objeto ou subjacente será o direito (não uma obrigação) de comprar o ativo (opção de compra) ou o direito (não uma obrigação) de vender o ativo (opção de venda) a determinado preço e dentro de um determinado período de tempo no futuro.

Nessa estratégia trataremos apenas das opções de compra, que também são conhecidas no mercado como call.

Podemos ser dois "personagens" diante da mesma opção:
  • o titular, ou comprador da opção, que é o investidor que paga para ter o direito sobre o ativo objeto;
  • ou o lançador, ou vendedor da opção, que é o investidor que recebe o prêmio (ou o valor da opção) que assume o compromisso de entregar o ativo na data futura determinada se o titular assim quiser.
A estratégia de venda coberta, portanto, consite em:
  • Lançar uma CALL (ou seja, o investidor será o vendedor da opção) para cada ativo que se tenha na carteira, ou que se compre no mercado;
  • A premissa desta operação é “abrir mão” de parte dos lucros na alta em troca de remuneração imediata no mercado “de lado” ou “em queda”;
  • Para investimento de longo prazo, o importante é a solidez da empresa, o preço médio não tem importância.
Essa estratégia, para a maioria dos investidores, é considerada a mais conservadora em bolsa e, dependendo do momento em que é realizada, pode facilmente superar as taxas do mercado de renda fixa que tem como referencial o CDI, por exemplo.

Quais são seus objetivos? São dois: rentabilizar suas ações e proteger suas ações para uma eventual queda.

A estratégia é executa da seguinte maneira, por exemplo:

  1. Compramos o ativo no mercado à vista: 1000 VALE5 a R$ 38,00
  2. Vendemos (lançamos) no mercado de opções: 1000 VALEK36 a R$ 4,00 (opção de compra)
  3. Seu custo da operação passa de: R$ 38.000,00 para R$ 34.000,00

Veja o exemplo da operação abaixo:
Você fica protegido até uma eventual queda no preço das ações para R$ 34,00, já que esse é seu novo preço de compra.

Sendo exercido na operação você já sabe quanto ganhará (no caso, R$ 4,00).


Cenários
Preço da ação sobe para mais de R$ 36,00:
Você é exercido, vende cada ação por R$36,00

Preço da ação fica entre 34,00 e 36,00:
Você fica com o prêmio das opções e não é exercido

Preço da ação cai para 30,00:
Você não é exercido, seu prejuízo começa apenas quando o preço vai abaixo de R$ 34,00, diferente da compra a vista, que lhe daria prejuízo quando o preço fosse abaixo ou igual de R$ 38,00

Concluindo: no mercado de ações podemos, tranquilamente, obter rentabilidades melhores que no mercado de renda fixa com um nível de segurança relativamente alto.

Se essa operação for feita todos os meses, pode-se dizer que, aos poucos, o investidor vai aumentando seu patrimônio por agregar os prêmios recebidos ao montante.