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5 de março de 2012

Investimento pra elas!

Há algum tempo atrás, assuntos relacionados a investimentos eram coisas de homem: inflação, Selic, Bolsa de Valores, Petrobrás, Vale, CDB... um monte de financês e economês que até mesmo alguns dos próprios homens não sabiam do que se tratava...

Essa realidade mudou: a mulher hoje é bem mais independente - compartilha as tarefas domésticas caso tenha um companheiro ou assume tudo sozinha; cuida dos filhos; trabalha; lidera; estuda (e atualmente tem estudado muito mais que grande parte dos integrantes do Clube do Bolinha); investe; enfim... vem ganhando cada vez mais espaço e com muita rapidez.

Porém, mesmo assim (e penso que é um processo evolutivo), grande parte das mulheres investem na tradicionalíssima e "segura" Caderneta de Poupança. Usar a Caderneta de Poupança para criar um fundo de emergência ou poupar para comprar um bem à vista no curto prazo não tem problema algum - geralmente é a melhor estratégia, inclusive.

Mas, se é para garantir o seu futuro, sua aposentadoria, a tranquilidade que todos queremos ter, a caderneta de poupança pode não ser a melhor opção. Primeiro: atualmente a inflação está consumindo a rentabilidade mensal do produto financeiro. Por exemplo: se uma pessoa coloca R$ 1.000,00 na caderneta de poupança hoje, no mês que vem o valor do principal mais o rendimento (hoje na taxa de 0,6% a.m.) será de R$ 1.006,00. Só que se a inflação for de 0,5% nesse período, a rentabilidade real cai para R$ 1.001,00. "Onde foram parar os R$ 5,00 do meu investimento?" Calma, calma. O valor será de R$ 1.006,00, mas o seu poder de compra foi vigorosamente diminuído. No longo prazo (e, portanto, em um investimento importante) esse fator é crucial e determinante para que a mágica dos juros compostos funcione de forma muito favorável a você!

Certo. Entendemos que caderneta de poupança pode ser usada para fundo de emergência e para poupar para compras de curto prazo. Mas, então... onde investir?

Primeiramente, dinheiro tem que ter finalidade. Determine qual o seu objetivo: uma casa, um carro, um curso no exterior, aquela viagem dos sonhos, o intercâmbio... sonhe, defina o que você quer e coloque PREÇO.

Segundo: qual é o prazo, o horizonte de tempo que você quer ou imagina poder conquistar seu sonho? Seja realista. Sonhar faz bem e alimenta a motivação, mas trate de ser prática nesse momento de realidade.

Terceiro: qual o seu perfil como investidora? Responder essa pergunta já define o escopo dos investimentos que não vão tirar seu sono. Você é conservadora, é moderada, é arrojada? Existem testes na internet e, inclusive, nos bancos para determinar seu perfil. Além do mais, o resultado dos testes é muito relativo: você pode ser considerada conservadora, mas experimentar o ambiente de bolsa de valores!

Quarto: quanto de dinheiro você tem disponível para investir? Aqui começamos a desenhar melhor o plano de investimentos. A partir do montante mensal destinado ao investimento é que podemos ter ideia de quais produtos financeiros acessar. Por exemplo: com um pouco menos de R$ 200,00 você pode acessar os títulos do tesouro direto (em que você se torna credora do Governo Federal), dependendo de qual título você escolher. Acesse o post no blog do professor Elisson de Andrade e aprenda O que é Tesouro Direto. Ainda mais: com menos de R$ 200,00 (desconsiderando taxas) você consegue comprar ações! Isso mesmo: consegue ser investidora na bolsa de valores! E sabe o que é mais interessante sobre o público feminino e a bolsa? As mulheres sempre são mais conservadoras que os homens nesse ambiente. Além do mais, têm a família como preocupação principal - características positivas para quem pensa em investimentos de longo prazo. O público feminino não conta com o dinheiro imediatamente, têm um prazo de sete, dez anos. Além disso, querem dar melhores condições de vida aos filhos e, no futuro, abrirem o próprio negócio. Pensam na longevidade - querem viver mais e viverem bem.

Usando as palavras do amigo Eduardo Leitão: "a bolsa tem a obrigação de ter crescimento patrimonial acima das outras aplicações, pois ela é composta por empresas, e não por capital somente."

Por fim, seguem algumas orientações básicas:

Se informe. Leia muito a respeito, converse com as pessoas mais experientes antes de dar o primeiro passo.

Planeje. Se ainda não tem dinheiro para comprar ações, reserve uma quantia por mês e aplique em Fundos de Renda Fixa, que tem um rendimento maior que a poupança. Não fique achando que, por não ter dinheiro, não há como investir. É preciso começar de algum lugar. Tente reservar pelo menos 10% do seu salário.

Perca o medo. O medo diminui quando se está bem informado. Todo mundo sabe que existem riscos. Se tiver muito medo, não entre. Espere mais um pouco e se informe mais. É um investimento de risco, mas riscos nós passamos todos os dias das nossas vidas.

Cuidado ao escolher as ações. Num primeiro momento, é preferível escolher empresas mais estáveis como a Petrobrás e Vale, que são as mais procuradas. O rendimento é tão bom quanto as outras, porém os riscos de perda são bem menores.

Invista sempre. O retorno vem a longo prazo. Mais importante que investir muito é investir sempre.

Não compare rendimentos. Se você comprar ações de uma empresa X de manhã e outra pessoa comprar horas depois, os rendimentos serão diferentes. Não se paute no lucro dos outros. Investimento é único, não tem como comparar.

Tenha paciência. Quem investe pensando no futuro geralmente se sai melhor.


Caso tenha alguma dúvida, fique à vontade para deixar seu comentário.

Bons investimentos!

20 de fevereiro de 2012

Feliz Ano Novo! (pós-Carnaval)

Eu sei que já estamos a quase 60 dias desde que 2012 começou. Mas, sabemos também, que o Brasil começa a andar agora, depois desse recesso de Carnaval. Sei que não são todas as pessoas que são assim, não quero ser injusto. Mas a ressaca mental começa a se desfazer por completo nessa época - pelo menos é o que se espera.

Costumo voltar com certa frequência àquilo que eu desejei ao dar "os três pulinhos nas ondas da praia": às metas e objetivos para 2012. É sempre interessante namorarmos de tempos em tempos nossos sonhos: seja para ver se vale a pena manter o namoro e (por que não?) aumentar e reforçar o desejo, o compromisso.

Nesses quase 60 dias de 2012, quais iniciativas você já tomou para mudar sua vida? É comum lembrarmos das metas de melhorar a alimentação, perder peso, trabalhar menos (ou de forma mais eficiente), ficar mais com a família, e, pensando em dinheiro: cuidar das finanças, livrar-se das dívidas, começar a investir. Ainda é tempo de fazer acontecer, colocar em prática. Só não espere demais, porque o ano pode (e vai) passar e você pode ficar com a "sensação de que esse ano não fez nada, mas que ano que vem vai ser diferente!".

Um dos primeiros passos para atingir seus objetivos financeiros, senão o passo fundamental, é fazer e estruturar um orçamento pessoal/familiar. Muitos podem considerar esse exercício algo "muito chato". Mas só essa predisposição a ser "chato" já se cria um desânimo e falta de compromisso com seus desejos. Além do mais, devemos sempre lembrar que um orçamento pessoal não existe para te limitar, criar correntes, prender. Não, não... existe para GARANTIR que você realize seus sonhos, os sonhos que exigem dispêndio ou acúmulo de recursos financeiros. Não podemos contar com a sorte de ganhar na loteria...  nada de contar com a  deusa da boa sorte! Aliás, um antigo ditado, que enxergo ser bem verdadeiro, aborda essa questão de sorte de um ponto de vista peculiar: "A sorte é o encontro da oportunidade com a preparação". Resumindo: faça a sua parte; se o acaso (a sorte) acontecer ele fará a parte dele.

Outro ponto importante a se pensar e a se ajustar é que você, ao fazer o planejamento, não deve focar TOTALMENTE em suas despesas para depois sonhar e colocar no orçamento os recursos destinados ao que você quer. Procure fazer ao contrário: sonhe primeiro, defina quanto custa, em quanto tempo quer e pode alcançar (de forma bem realista, tendendo a ser conservador) e daí ajuste as suas despesas. "Ah, tenho que me mexer com minhas despesas?" Sim, tem. Muitas delas podem ser modificadas (até para melhor) para que você adeque seu padrão de vida e conquiste seus sonhos. É uma questão de escolha. Aliás, o tempo todo trata-se de escolhas. Não precisamos viver somente o futuro e muito menos somente o presente. Um dos significados de se planejar é viver bem hoje, de acordo com suas posses, mas jamais esquecer do amanhã que, provavelmente, chegará! Pelo sim ou pelo não, é preferível se precaver.

Não se esqueça de colocar tudo o que vai comprometer sua renda durante o ano e até no ano seguinte, se possível: presentes, IPVA, IPTU, as parcelas de bens já adquiridos, gastos com as despesas mensais... enfim... tudo o que vai sair. E: adeque sua vida financeira. Se puder ganhar mais dinheiro, ganhe. Mas não precisa se matar de trabalhar para conquistar seus sonhos: aprenda a administrar melhor as suas finanças.

Faça um orçamento, execute-o, monitore-o, faça os ajustes necessários e continue nesse ciclo. O hábito será formado aos poucos, mantenha-se firme e persistente. Continue a aprender sobre finanças, investimentos, orçamento doméstico. E, se precisar de ajuda, consulte um consultor financeiro seja para ajudar a fazer o planejamento, seja para ajudar na mudança comportamental durante esse processo - muitas vezes esse profissional assume o papel de um "Personal Finance".

E, mais uma vez: Feliz Ano Novo!

12 de fevereiro de 2012

Carnaval: divirta-se com consciência!

O ano já começou, mas alguns dizem que o Brasil só começa mesmo depois do Carnaval. Sendo ou não verdade, o fato é que devemos ser cuidadosos com nossas finanças que nessa época podem fugir ao controle. São muitas tentações: curtição, viagens, abadás, Salvador, trio elétrico, cidades históricas, feriado prolongado e muitas outras. O mais importante, em todo caso, é se programar antecipadamente. Isso proporciona a diversão em lugares bacanas e com menor dispêndio financeiro.

Mas e para as pessoas que não se programaram, aliás, estão fazendo as coisas "de última hora"? Calma, ainda existem alternativas. Porém, é provável que se tenha de abrir mão dos lugares badalados. Uma alternativa interessante é procurar por lugares onde não pertencem a rota do Carnaval. Algumas cidades do interior oferecem grande diversão e têm um custo muito mais baixo do que, por exemplo, o Rio de Janeiro. 

Outra dica importante é revirar a internet: existem locais (pousadas, hotéis, dentre outros) que estimavam receber certo público e que, na medida em que o carnaval se aproxima, oferecem bons descontos baixando seus custos. Mas tem que se pesquisar, claro. Vale lembrar que também é interessante acionar sua rede de contatos: pode acontecer de algum amigo ter alugado um lugar bacana e ainda ter vaga disponível da qual você pode usufruir.

Por outro lado, se você não tem condições de viajar, não tem ideia de como curtir seu Carnaval, vai uma dica interessante: aproveite o que sua cidade tem de melhor! Não se esqueça que existem teatros, museus, zoológicos, parques, cinemas, aquários... enfim, várias opções de lazer.

Não se esqueça: pesquise, pesquise, pesquise! E divirta-se!

31 de janeiro de 2012

Procrastinação Financeira


Começo esse post com uma palavra pouco usual, que, talvez, alguns não tenham sequer o conhecimento do significado dela: Procrastinação. Portanto, vamos defini-la um pouco melhor. O verbo procrastinar significa: “Deixar para depois. Adiar, espaçar, delongar, protelar, postergar”. Infelizmente, esse hábito pode levar a situações muito delicadas quando se trata das nossas finanças, pois, muitas vezes, deixamos de assumir a responsabilidade sobre a nossa vida financeira, ficando para depois esse momento tão fundamental.

Alguns justificam que não têm tempo para criar um orçamento pessoal; alguns até o criam: mas na hora de colocar em prática... o momento da ação fica para semana que vem ou mês que vem, porque “aí eu posso me programar para isso” (lembra muito a ideia do regime alimentar: “na segunda eu começo”). Pura desculpa! As semanas passam, os meses passam, os anos passam e a pessoa mal saiu do lugar. Ou, então, quer começar a criar suas reservas para a aposentadoria ou independência financeira, mas nem o primeiro passo é dado para organizar esse plano tão importante de modo inteligente... e o tempo vai escoando... Lembre-se que esse recurso, o tempo, é igual para todos nós e ele é implacável: não volta jamais!

O hábito de procrastinar (sim, é um hábito!) acaba por se estender por toda a sua vida: é um amigo que você deixa para visitar depois (e acaba visitando-o uma vez por ano e olhe lá!); é a dívida que não se resolve e vai virando uma bola de neve viva; são os sonhos que vão sendo colocados de lado devido  “a correira do dia-a-dia”; é aquela oportunidade de trabalho ou negócio que faria com que você desse uma alavancada em sua carreira, mas, por medo, insegurança ou pelo simples hábito do “depois penso nisso”, o tempo passa, perde-se uma boa chance e muitas vezes nem se avalia – e vem a desculpa esfarrapada: “Ah... não era pra mim mesmo...” Não era mesmo... as oportunidades existem e estão aí para quem estiver preparado para agarrá-las. Não estou falando que se deva fazer as coisas de modo impensado, não mesmo. Porém é necessário que se tome uma atitude, mesmo que ela seja a de não se fazer nada (mas de caso pensado!).

Mas, o que fazer? Aprendi que, essencialmente, existem dois tipos de hábito: o hábito de fazer e o hábito de não fazer. Parece óbvio demais... e é! As verdades, quando ditas, são simples, porém profundas. Então, se você deseja controlar o seu dinheiro, SAIA DA INÉRCIA MENTAL (faça alguma coisa!) e desenvolva um orçamento compatível com seu padrão de vida. Não se esqueça de colocar em primeiro lugar seus sonhos: a viagem, a casa, a independência financeira (acesse esse link e acompanhe um casal que está indo rumo à esse sonho), o carro, o curso de graduação, mestrado, doutorado ou qualquer outro, dentre vários sonhos. Você vai perceber que não dá para colocar todos os sonhos em ação ao mesmo tempo. Alguns não serão possíveis de se realizar: muitas vezes ou é um ou é outro – tem que se escolher, não tem jeito. Recomendo que anote todos eles, e especifique quanto custaria para realiza-lo em valores de hoje. Depois, defina dentre eles quais são as suas maiores prioridades, mas não escolha mais que dois ou três para focar. Trace um plano. Determine o prazo realista para a conquista desse sonho. Determine como e onde vai aplicar seu dinheiro para realiza-lo. Não se esqueça de considerar seu perfil de investidor além de outras questões como inflação, imposto de renda e os custos que incidem na aplicação. Dê um nome para seus sonhos: isso evita que se fique tentado a consumir coisas supérfluas durante a trajetória. Sonhos definidos. Sonhos planejados. Continue a construir seu orçamento. Não deixe para terminar depois - nada de procrastinação!

Existem, basicamente, sete áreas em que nós temos custos ao longo de nossas vidas. A saber: alimentação, moradia, saúde, transporte, lazer, vestuário e educação. Em algumas delas podemos ter gastos mais esporádicos (vestuário, por exemplo), enquanto noutras o gasto é necessário para a sobrevivência (sim, inclua o lazer – ele é importante para a saúde emocional e mental). Esse é o momento em que muita gente pode gritar: “Eu? Fazer um orçamento pessoal e ter que segui-lo? Eu não! Prefiro viver livremente!”. A maioria das pessoas que diz isso muito provavelmente está dura ou quase lá. Um orçamento, muito pelo contrário, traz liberdade: GARANTE que você realizará seus sonhos (primeiro os seus sonhos, não foi assim que se conduziu o processo?) e que estará controlando suas despesas pessoais assim como gastando bem seu dinheiro – afinal, você sabe para onde ele está indo! É só uma questão de mudança de ponto de vista: em vez de te acorrentar, o orçamento pessoal (se feito de maneira adequada) te liberta. Mas acaba por aqui? Não, não mesmo.

O último passo, e tão essencial quanto o planejamento, chama-se EXECUÇÃO. Não é porque estamos no meio da semana que você vai começar a aplicar seu orçamento pessoal na segunda que vem o que já era para ter sido colocado em prática no ano passado (ou antes!). A ação (e não a inação) é que vai determinar o seu sucesso. Planejar com o tempo se torna mais fácil, mais familiar – e recomendo duas coisas: revisão, no mínimo trimestral; e acompanhamento, no mínimo mensal. Mas o dia-a-dia é que fará com que você atinja ou não as suas metas: que faça dos seus sonhos realidade. E sabe o que mais? Não depende de ninguém: SÓ de você mesmo.

Muito provavelmente, se você é um procrastinador, ficará desconfortável em colocar todas essas resoluções em prática. Mas não deixe de fazer o planejamento. Não deixe de executar. O seu hábito de procrastinar pode ser mudado. A maneira mais prática de eliminar o hábito de não fazer é fazendo! É um dos caminhos mais simples! Mas como mudar um hábito? Vigilância constante, persistência, foco em seus sonhos, desejo e a simples EXECUÇÃO. Paro por aqui – por enquanto...

Mas, e você? Vai assumir a responsabilidade sobre suas finanças ou serão elas que mandarão em sua vida? 

22 de janeiro de 2012

Grupo de apoio: um conceito diferente para lidar com as suas finanças


Todo mundo sabe o quanto é trabalhoso mudar hábitos. Quando você se compromete definitivamente a mudar ou fazer alguma coisa a tendência é que consigamos realiza-la. Mas existe um caminho entre o compromisso e a realização – exige, sim, muito esforço, coragem, determinação e disciplina. E quando se trata de finanças pessoais, muitas vezes é necessário mudar e melhorar principalmente a forma como se consome.

É bem como fazer dieta para perder peso: no início, nas primeiras semanas e até os primeiros meses, é difícil resistir às tentações. O hábito negativo (ou vício) pode ressurgir várias vezes, e são nesses momentos que sua força de vontade e resiliência serão testados. Ninguém pode fazer as mudanças por você – ninguém além de você mesmo, claro...

Uma estratégia, que inclusive está sendo objeto de estudo nos Estados Unidos, é formar grupos de apoio, bem no estilo dos Alcoólicos Anônimos ou Vigilantes do Peso – de forma simplista, sabemos que nesses dois grupos as pessoas recebem orientações de algum especialista que assiste o grupo em questão, mas, principalmente, compartilham experiências positivas ou não sobre o que estão tratando. O foco é que as pessoas do grupo (re) construam suas vidas a partir de realizações semana após semana, atingindo, assim, seus objetivos: que no caso são, respectivamente, eliminar o vício do álcool e perder peso para melhorar a saúde. Acesse o link do artigo aqui.

A ideia poderia ser aplicada às finanças pessoais. O grupo de apoio tem o poder de modificar comportamentos e incentivar as pessoas a realizarem seus sonhos, a atingirem suas metas. Um estudo realizado por pesquisadores estadunidenses e chilenos realizaram um experimento com um grupo de empresários que se encontravam semanalmente para conversar e expor suas derrotas e sucessos relacionados à suas finanças; além disso, essas pessoas estabeleceram suas metas de poupança semanal com o propósito de atingirem seus objetivos. O resultado foi o seguinte: esse grupo de empresários poupou cerca de 11% de sua renda, duas vezes mais do que um grupo monitorado que não tinha essas reuniões semanais.

Por outro lado, existem os aspectos negativos. De acordo com Brigitte Madrian, economista e professora de Harvard que participou deste estudo, o efeito causado por esse tipo de grupo pode ser contrário. Mesmo quando a pressão é aplicada na direção certa, muitas vezes acontece um efeito bumerangue, fazendo com que as pessoas executem exatamente o oposto do que são incentivadas. Isso foi constatado a partir de outro estudo realizado com um grupo de funcionários de determinada empresa que relatou que os pares (colegas) que não receberam a mesma informação que eles conseguiram poupar mais ao contribuir com um plano de previdência empresarial, o 401(k) [espécie de plano de aposentadoria muito comum nos EUA]. Por outro lado, a eficácia da pressão pode também depender se as metas estão ao alcance de forma realista. Daí a importância de um acompanhamento profissional para esse tipo de grupo: um planejador financeiro, por natureza da profissão, deve ser a “voz da razão” quando seus clientes estão sonhando – muitas vezes ele é quem vai dizer se e quando dá ou não para atingir o que a indivíduo/família deseja com base na situação atual e, talvez, futura.

Com certeza essa é uma ideia arrojada, mas é um plano que pode ser melhor trabalhado e, com isso, possivelmente replicado e aplicado no Brasil.