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11 de dezembro de 2011

E ele foi lá e comprou a moto!

Há algumas semanas atrás, postei aqui que um amigo estava pensando em comprar uma moto financiada. Bem, essa semana ele efetuou a compra. Sim, financiada: mas uma compra muito mais bem feita e muito mais consciente. Só para recordar a situação inicial:

Valor do veículo: R$ 7.000,00
Entrada: R$ 2.000,00
Financiamento: R$ 5.000 em 36 parcelas de R$ 232,45 à taxa de 3,10% ao mês.
Valor dos juros: R$ 3.368,16 - 48,12% a mais do valor da moto.

Apesar de que financiamentos não são bons para o bolso, eu fiquei contente com a aquisição que ele efetuou. Primeiro: foi uma compra pensada, construída aos poucos, sem o ímpeto inicial que o emocional traz. Segundo: ele pagará menos juros, pois a entrada foi um pouco maior (R$ 2.500,00) e o prazo reduzido, possibilitando menor taxa de juros.

Veja a tabela abaixo:



Serve de recomendação que, sempre que possível e desde que não comprometa o orçamento mensal, deve-se quitar mais rapidamente o veículo, amortizando as últimas parcelas. Porém, observe que ao fazer isso, os juros DEVEM ser retirados da parcela. No caso acima, se ele for antecipar uma parcela, ele pagará, por exemplo, R$ 248,49 e não R$ 255,00 (considerando a antecipação da última parcela).

Ao meu amigo, bom proveito, sucesso e prudência! Que a Providência sempre o proteja no trânsito.

Até mais!


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8 de dezembro de 2011

Imóveis: Dúvidas e vontades.

Sempre me perguntam sobre o mercado imobiliário: será que continua subindo tão forte como aconteceu nos últimos 3 anos? Ou será que teremos uma queda nesse mercado? Será que vale a pena comprar um imóvel agora? Como está a oferta e facilidade de obtenção de crédito? Dentre tantas outras perguntas.

É fato que um brasileiro medianamente informado tem noção do que aconteceu nos últimos anos, desde 2008, aproximadamente: uma valorização imobiliária expressiva. Para se ter ideia, de acordo com um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) e pela Zap Imóveis, em 12 meses (novembro/2010 a novembro/2011) as seis capitais brasileiras objetos de estudo apresentaram a seguinte valorização imobiliária: 

Rio de Janeiro acumula alta de 37,4%;

Recife alta de 28,8%;

São Paulo alta de 27,9%;

Belo Horizonte alta de 25,2%;

Distrito Federal alta de 14,6%;

Salvador alta de 7,8%.

Valorizações bem expressivas, de fato. Porém, esse mercado começa a mostrar alguma desaceleração, tendendo, em um médio prazo (2 ou 3 anos), a uma queda – talvez não muito expressiva, mas algo em torno de uns 20%, aproximadamente. Não sei como é nas outras cidades brasileiras, mas aqui na Grande Belo Horizonte, atualmente, não é muito difícil ver placas de “Aluga-se” e “Vende-se” com maior quantidade do que há alguns meses atrás (operando-se a lei da Oferta e da Demanda, quando a oferta aumenta, os preços tendem a diminuir!). 

Apesar de uma perspectiva de queda, a oferta de crédito voltada às pessoas físicas, especialmente, tende a aumentar de 30% a 40% em 2012. É muito dinheiro, é muito estímulo que estará disponível para o brasileiro. Toda essa oferta tem um respaldo legal muito grande para as instituições financeiras que ofertam o dinheiro: a chamada alienação fiduciária. Você, meu caro leitor, “acha” que, ao financiar um imóvel (e, em realidade, qualquer bem) você é DONO dele? Pense direito. Não, você não é dono enquanto não pagar pelo bem completamente! É certo que, ao realizar um financiamento de bens de alto valor (imóveis, veículos) tem-se seguros que cobrem riscos no caso de falecimento, de impossibilidade de pagamento dentre outros itens (que, inclusive, recomendo imensamente a observação e a clarificação desses itens ANTES de contrair o financiamento). Porém, experimente parar de pagar (não faça isso!) por qualquer motivo que seja sua casa ou seu carro. Faça isso e tenha seu bem tomado de você! (isso não é um processo relâmpago, mas tende a ser rápido). Resumindo: enquanto você está pagando sua parcela (argh!), a instituição financeira te deixa calmo e tranquilo – te oferece ainda mais crédito, inclusive. Mas se acontecer algum percalço no meio do caminho... prepare-se. 

Além do mais, a compra de um bem de alto valor deve ser muito bem planejada e, se for necessário realizar o financiamento, que ele seja feito com grande parte do bem já quitado (realizando o pagamento de uma entrada maior), o que diminui enormemente o impacto dos juros pagos no período do financiamento. 

O que estou querendo dizer com tudo isso? Se você tem um imóvel, do qual não é o seu lar (pessoalmente tenho comigo que todas as famílias devem sim ter sua casa, seu lar), fique atento para as movimentações que JÁ estão ocorrendo no mercado imobiliário brasileiro. Se ainda não tem, mas pensa em adquirir, avalie o porquê dessa aquisição: tem gente que compra um imóvel, em que vai morar, mas com aquela forte intenção de vendê-lo para aproveitar a “alta dos imóveis” e sair lucrando. Não estão errados. Sempre, ao comprar um imóvel, devemos escolhê-lo na intenção de que se valorize. Porém, nas condições atuais, essa estratégia pode ser perigosa. 

Reflita, faça as contas, compreenda suas emoções, converse com mais pessoas e, sempre: tome SUAS decisões!

21 de novembro de 2011

Comprar ou financiar? Depende de cada caso!

Há algumas semanas, tenho conversado com um amigo sobre o desejo (e necessidade) dele comprar uma moto. Sabemos que a melhor opção sempre é comprar à vista: geralmente consegue-se descontos, às vezes acessórios adicionais e não tem a obrigação de carregar o custo de um financiamento, que, sabemos, é caro.

Qual é a situação dele hoje: o gasto com transporte mensal fica em torno de R$ 240,00. Com esse valor dá para pagar as parcelas da moto e, de certo modo, ficaria “elas por elas”. Porém, tem que se considerar outros itens: IPVA, manutenção, seguro do veículo dentre outros custos. Certos custos incidem de maneira que têm de ser pagos integralmente ou em um curto espaço de tempo (IPVA e seguro, por exemplo), o que gera um dispêndio financeiro imediato elevado. Além do mais, ele dispõe de uma moto (que é de um amigo) na qual poderia utilizá-la enquanto o dono do veículo tira a CNH, mesmo que por poucos meses.

Ajudando-o a refletir sobre o assunto, apontei alguns itens que merecem atenção, não só no caso dele, mas em qualquer aquisição de bens, especialmente os de alto valor.

Fiz uma simulação de financiamento de uma moto (no sistema PRICE – parcelas constantes) no valor de R$ 7.000,00 parcelada em 36 meses com juros de 3,10% a.m. com entrada de R$ 2.000,00. Veja no que deu na tabela abaixo:
 

Quais as vantagens de se financiar a moto?

· Teoricamente, você tem um bem que é seu (teoricamente porque enquanto não quita integralmente o bem está alienado [pertence] à instituição financeira intermediadora da compra);

· Conforto no deslocamento;

· Diminui-se o tempo no trânsito;

· No caso dele, cumprir sua meta de fim de ano, alimentando seu emocional com essa realização.


Quais são as desvantagens de se financiar a moto?

· Pagamento de juros (nesse caso SÓ de juros serão R$ 3.368,16 nos 36 meses – 48,12% a mais que o valor real, os R$ 7.000,00);

· De acordo com o que conversamos, ele ficaria mais “apertado” por conta do valor da parcela e da manutenção do veículo (mesmo sendo baixa) – que seria no valor de uns R$ 300,00 por mês, aproximadamente;

· Falta de reserva de emergência para imprevistos: ficar com o orçamento pessoal muito comprometido é um grande risco, que pode gerar mais dívidas – muitas vezes mais caras...

· Nas palavras dele: “Tenho moto à disposição, tenho carteira, gastar dinheiro pra quê?” (risos).


Além disso, deve-se considerar outros fatores:

1º: a responsabilidade de se conduzir um bem que não é seu é bem elevada (afinal, a moto é do amigo);

2º: caso se decida comprar a moto, o melhor período é no início do ano, pois as concessionárias costumam fazer promoções que podem ajudar a não comprometer tanto o orçamento, pois, muitas vezes, seguro e IPVA são pagos por elas como forma de incentivo às vendas.


No caso dele, a solução mais coerente (de acordo com o que conversamos) seria em aumentar a receita. Isso é possível devido à atividade profissional da qual ele desempenha. Aumentando a receita, ele pode pagar o financiamento (não é o mais aceitável, mas pode ser necessário) e ainda poupar, tendo como objetivo inicial para uma reserva de emergência que ele não possui.


Agora, pensemos pelo outro lado da moeda...

Se ele pudesse, ao invés de financiar, poupar e aplicar o dinheiro. Além disso, fizesse um esforço extra para poupar, aplicando R$ 300,00 durante 12 meses com o objetivo de ter um capital acumulado em dezembro de 2012. Veja o resultado logo abaixo:


O montante ainda não seria de R$ 7.000,00, claro que não. Porém, ao se financiar o restante (R$ 1.278,00) as parcelas e os juros seriam bem menores, além, claro, do prazo de quitação do veículo. Veja:


É cruel, eu sei. Mas esse é um planejamento de uma compra razoavelmente bem feita.

Lembrem-se: primeiro, RESERVA DE EMERGÊNCIA (sua segurança imediata); depois, podemos pensar nos sonhos!

Recomendo que escutem o podcast do Mauro Halfeld sobre esse assunto: clique aqui

Até o próximo post
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15 de novembro de 2011

Tá pegando fogo no Velho Mundo!



É de conhecimento geral que as coisas na Europa estão bem complicadas: Grécia, Itália, Espanha, Irlanda, Alemanha e Inglaterra  têm sido os protagonistas (ou antagonistas, dependendo do ponto de vista) dessa história real. Estava lendo algumas notícias sobre finanças pessoais pela internet e me deparei com uma em especial que mereceu esse post. Um jornal eletrônico  português, chamado Diário Económico, publicou uma matéria intitulada “Erros que as famílias cometem nas finanças pessoais”.

Uma das coisas que me chamou a atenção nessa matéria foram os comentários dos leitores. Muitos criticam a consultoria que foi entrevistada pelo jornal: alguns a acusam de ter influenciado na compra de bens de alto valor, que facilitaram a aquisição de créditos pessoais, que não acompanharam as famílias... enfim, até onde acompanhei, os nossos irmãos portugueses estavam furiosos com a reportagem, com a empresa que fora entrevistada.

Mas esse não foi o único ponto que me chamou a atenção. Talvez não seja certo fazer isso, mas não julgando quem está certo ou errado sobre o caso da consultoria que acusam (eu particularmente não tenho conhecimento de causa para julgar isso), percebemos que a situação dos portugueses, senão da maioria dos europeus, é muito delicada. Quando se trata de finanças pessoais, apesar deles terem um melhor nível de educação financeira (como se aponta em alguns estudos), a grande massa está em enormes apuros. Alguns, de acordo com comentários, não conseguem mais pagar suas contas: se endividam ainda mais e, com a pressão emocional em patamares talvez nunca experimentados, chegam a cometer suicídio. O governo português, nos últimos anos (na última década), subsidiou inúmeros itens da vida do cidadão português: casa, carro, bens de consumo (soa familiar?). Enfim... por ter proporcionado um conforto exagerado à população, hoje o cidadão português sofre as consequências, bem como toda Europa (pois isso é um padrão comportamental na maioria dos outros países: o paternalismo).

Apesar de se ter diferenças culturais marcantes e uma situação sócio-político-econômica diferente, o brasileiro tem que tomar cuidado. Pode ser que não ocorra nada do que hoje ocorre na Europa, mas não custa nada prevenir. Temos muitos programas sociais e subsídios que têm a boa intenção de diminuir as diferenças sociais, e isso é louvável. Mas como bom mineiro, sou bem desconfiado – é como diz um antigo dito: “De boas intenções o inferno está cheio”.

Devo ter dito em outros artigos que os povos latinos são naturalmente imediatistas e indisciplinados. Infelizmente isso é verdade. MAS indisciplina e imediatismo são hábitos e todos os hábitos podem ser modificados: se as pessoas, primeiro, tomarem consciência deles; e, principalmente: FIZEREM UM ESFORÇO REAL, PERSISTENTE E CONSISTENTE PARA MUDÁ-LOS. Depender do governo não deve ser uma opção. Nunca! Devemos trabalhar fortemente naquilo que nos propusemos a fazer, construir aos poucos nossas vidas, sermos felizes com aquilo que temos e nos educarmos durante a caminhada tanto formalmente, quanto financeira, social, ambientalmente... Educação é a chave-mestra: sempre foi! Mas não falo simplesmente da educação ‘formal’, conseguida em instituições de ensino e nos livros. Esse tipo de conhecimento está disponível, reunido e organizado, em verdade, para quem quiser nas faculdades e bibliotecas espalhadas pelo País. Eu falo de uma educação diferente, da que realmente constrói o ser humano, suas relações e o mundo através da PRÁTICA: aquela que reúne o “saber como fazer” (teoria) e, especialmente, o “saber fazer” (prática). Mudar a vida das pessoas, mesmo que um pouquinho, simplesmente por ter prestado o seu melhor serviço.

Ah! Por fim, recomendo que leiam a reportagem (aqui) e, se possível, grande parte dos comentários dos portugueses: não queiram ser como eles daqui a 10 ou 20 anos. O que parecia ser a melhor coisa do mundo naquela época (década de 90), hoje, para eles, é o inferno na terra. Então, lembrem-se: pensamento crítico, razão e cuidado!

Bom feriado!



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13 de novembro de 2011

Quando se pensa em investir na bolsa de valores...

Bolsa de valores... que ambiente financeiro fantástico! Muitas oportunidades, forma de poupança no longo prazo, crescimento, lucratividade e valorização. Participação societária minoritária em grandes empresas, as empresas-referência no ramo de atuação. Todos esses benefícios são eternos? Não, claro que não. Uso com muito cuidado as palavras “sempre”, “nunca”, “jamais” ou qualquer outra com mesmo significado: apenas de uma coisa na vida teremos sempre certeza: nada está estático, tudo está em constante transformação. Incluindo ambientes de mercado, economia, bolsa de valores.

Cientes disso, não podemos simplesmente colocar nosso dinheiro em algumas companhias, deixar lá parado e “esquecer”, e, num futuro que sabe-se lá quando, retirar com uma rentabilidade milagrosa. Bolsa de valores não funciona assim; definitivamente não...

Se realmente queremos alguma coisa na vida, primeiro temos que defini-la em OBJETIVOS.

Portanto, o primeiro passo é: pense naquilo que gostaria de fazer com o dinheiro investido e quanto tempo vai precisar que ele renda. Escolha algo significativo pra você, algum motivo forte que faça com que se tenha disciplina e paciência para que ele mature. É interessante dar um nome para seu investimento (por exemplo: “meu carro novo”, “minha casa própria”, “viagem dos sonhos”), pois assim saberá exatamente o porquê de estar investindo e não se perderá com outros desejos.

O segundo passo trata-se da forma de se investir seu dinheiro, que podem ser:

- Compra direta de ações: você decide quais ações comprar e transmite essa ordem para a corretora e, assim, torna-se sócio das empresas que possui ações;

- Fundos de Índices – ETFs (Exchange Traded Funds): são fundos que buscam atingir o retorno de índices que representam determinados setores do mercado; é muito interessante porque com apenas uma ordem o investidor pode comprar uma cota do fundo e diversificar seus investimentos sem escolher uma ou outra empresa;

- Clubes de investimento: grupos de pessoas que se reúnem para investir em conjunto na bolsa de valores. Talvez seja uma das maneiras mais interessantes de se começar a investir, pois, além do aprendizado, ganhos, perdas e custos são compartilhados entre todos os membros do clube;

- Fundos de investimento em ações: o investidor compra cotas de um fundo de ações que é administrado por uma corretora ou um banco (ou seja: as instituições que decidem quais e quantas ações comprar).
 
Decidindo-se a forma de como investir seu dinheiro chegamos ao terceiro passo: escolha a melhor corretora para você.

O investidor deve ter em mente que a corretora é sua aliada. Ela ajuda em cada etapa do processo pré-investimento e conta com estudos e informações de especialistas de mercado. Isso não significa que o investidor deva seguir as recomendações: ele deve avaliar e, se assim estiver de acordo com o que pensa e com o que deseja, seguir a orientação dos especialistas. Lembrem-se: a decisão de executar qualquer operação é por conta e responsabilidade do investidor. As corretoras também oferecem serviços facilitadores de acesso ao mercado como o Home Broker (investimento via internet), além de relatórios de recomendações, informativos, entre outros. Encontre aqui sua corretora!

Estamos prontos para o quarto passo: conheça os custos e as taxas. Existem, basicamente, três taxas a serem conhecidas pelos investidores. São elas:

- Taxa de corretagem: valor cobrado pela CORRETORA para acessar o mercado. Dependendo da corretora pode ser uma percentagem sobre o volume financeiro operacionalizado ou um valor fixo;

- Taxa de custódia: valor mensal cobrado pela COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA – CBLC para guardar as ações de todos os investidores. É como se fosse um “cofre” da Bolsa;

- Emolumentos: valor cobrado em relação ao volume financeiro a cada por operação que se é realizada na Bolsa. Esse custo é da BM&FBOVESPA.

Dentre as três taxas, o mais importante a ser observado é o da forma e valor da corretagem, porque, dependendo do volume financeiro a ser investido, ele pode ter um valor relativo elevado.

Conhecidas as taxas, chega o momento do quinto passo: abrir a conta na corretora escolhida. Basicamente é necessário que se preencha uma Ficha Cadastral gratuita, assinar o Termo de Adesão e o Contrato de Intermediação e enviar a cópia de alguns documentos (RG, CPF e comprovante de residência).

 
Por fim, o sexto passo é: escolha suas ações.
Procure conversar com sua corretora, com os especialistas que nela trabalham; [muito importante] aprenda o máximo sobre as empresas, conhecendo suas estratégias de mercado, a forma como atuam, que mercados que atendem, quais são suas perspectivas de crescimento, comportamento no setor em que atua; uma seu lado consumidor ao seu lado investidor: procure usar os serviços das empresas em que você é sócio!

Ufa! Mas ainda não terminei. Quero ressaltar mais algumas coisas:

  • Muitas pessoas (e, infelizmente, alguns sites) pensam que para se investir na bolsa é necessário muito dinheiro. Não é verdade! O mais importante é você estabelecer a disciplina de comprar ações de boas empresas com regularidade visando atingir seu objetivo que, recomendo, deva ser de longo prazo (entenda longo prazo como 5 anos para mais).
  • Jamais invista todo seu dinheiro em ações: no mínimo, antes de investir, constitua uma reserva de emergência em ativos menos voláteis e mais líquidos que equivalham de seis a doze vezes o valor de seu custo de vida mensal.
  • Não aja de acordo com as emoções, não vá com “a grande massa”: comprar e vender por impulso são um dos erros mais comuns e fatais ao sucesso em bolsa de valores – paciência e disciplina são fundamentais para o triunfo no mercado de ações.
  • Procure aprender uma metodologia que te dê um “norte” quanto às estratégias traçadas: isso impede que você se desespere e compre na alta e venda na baixa, dentre outros erros bastante comuns.
  • Comece com pequenos passos: conforme disse, os clubes de investimento e até os ETFs podem ser uma excelente forma de se aprender a investir na bolsa.
  • Jamais siga as dicas “infalíveis”: estude por conta própria, se necessário, e lembre-se de que não existem “atalhos” ou “segredos” nesse ambiente – existe paciência, disciplina e escolhas fundamentadas.

8 de novembro de 2011

Afiando os machados... de novo!


Estou estudando, nas últimas semanas, uma filosofia que tenho certeza de que hoje faz parte de mim e de muitas pessoas espalhadas pelo mundo: a filosofia do triunfo e do sucesso descrita e detalhada por Napoleon Hill durante mais de vinte anos de sua vida.

Há algum tempo atrás, quando trabalhava como representante comercial, aprendi, através de uma história, que devo parar para “afiar os machados” de tempos em tempos. Reproduzo essa história logo abaixo e depois retomo o raciocínio.


“Conta-se a história de um jovem lenhador, forte, ambicioso, ansioso para mostrar sua grande habilidade em derrubar árvores.  Certo dia desafiou o campeão da firma, um senhor bem mais velho, a um concurso para ver quem derrubava mais árvores em um dia de trabalho.

O jovem cortador começou atacando árvore após árvore com uma fúria jamais vista entre lenhadores.  O velho cortador também se aplicava à sua tarefa com toda a perícia que os anos de experiência haviam lhe concedido.  Mas o jovem deu risada quando lhe contaram que o velho lenhador parava para descansar de tempo em tempos debaixo de uma árvore na floresta.  “É vitória certa para mim” pensou o jovem lenhador.

Qual foi a surpresa quando, no final do dia, o jovem ofegante encontrou o velho lenhador tranqüilo, e com 2 vezes mais árvores cortadas que ele. Foi então que descobriu que em cada período de “descanso”, o velho e experiente lenhador estava afiando machado.

Moral da história: de tempos em tempos temos que parar e afiar nossos machados, rever como melhorar nossa vida, ver o que podemos fazer melhor e diferente das tentativas anteriores.”


Essa história basicamente mostra o que tenho feito nas últimas semanas e dias: revendo missão pessoal, o que eu desejo pra minha vida, como vou conseguir tais coisas de forma que eu me sinta mais feliz, próspero e realizado, dentre outros inúmeros aspectos.

E não posso deixar de ressaltar que, felizmente, minha missão pessoal não mudou, apenas ficou mais bem definida, muito mais clara. Vou relatar o processo que ocorreu comigo.

Comecei a me questionar sobre o que eu mais desejava na vida. Inicialmente, veio a ideia de que eu desejava ser rico. Mas o que é ser rico? Pra mim, além de ter dinheiro em abundância de modo que não seja necessário se preocupar mais com ele (ou seja, atingir a independência financeira), ser rico é ter experiências pessoais variadas tais como conhecer terras distantes e diferentes, realizar os sonhos, conhecer pessoas novas, enfim: viver e experimentar mais. Depois disso surgiu outro desejo: o de ser mais próspero. E, em seguida, uma nova pergunta: o que é prosperidade? A resposta: prosperidade é gozar de um estado de espírito de bem-estar e riqueza; é sentir-se feliz, bem-sucedido e tranquilo. Bom... diante dessa resposta comecei a desenhar o que eu preciso fazer para ser mais rico e próspero. Daí surge um raciocínio interessante: se prosperidade é a realização de experiências e essas traduzem em um estilo de vida de riqueza, bem-estar e abundância, então trabalhando naquilo que amo poderei realizar mais e ser mais feliz. E qual o meu trabalho, minha contribuição, minha missão? Sou educador financeiro e consultor em finanças pessoais e amo meu trabalho. Minha missão é EDUCAR PARA MUDAR VIDAS. Educar (do latim “educo”, desenvolver de dentro) em salas de aula, em empresas, em associações de classe, dentro dos lares: ‘simplesmente’ educar financeiramente as pessoas.

Outra pergunta que veio em minha mente foi: o que é sucesso para você? Vamos à resposta que me ocorreu: “sucesso não pode ser mensurado e sim sentido; é um estado de espírito, irmão da prosperidade”. Depois disso, escrevi algumas definições para alguns diferentes tipos de sucesso:
  • Sucesso profissional: pode ser definido através da contribuição realizada pelo trabalho na vida das pessoas; 
  • Sucesso financeiro: é quanto de resultado, de dinheiro que é gerado a partir do nível de contribuição realizada para as pessoas (tanto em quantidade como em qualidade); 
  • Sucesso social: é o quanto e o como você faz com que as pessoas de seu convívio sintam-se bem; 
  • Sucesso pessoal: trata-se daquilo que você alcança para si, seus objetivos pessoais, sonhos, metas, etc.

Por fim, ficou claro (de novo) uma coisa interessante que chega á conclusão desse post: no final das contas, as pessoas desejam ter sucesso pessoal traduzido em felicidade, prosperidade, tranquilidade e realização de sonhos e experiências. E ele é construído, além do sucesso social e outras coisas mais, pelo sucesso financeiro que tem como base o sucesso profissional através da contribuição realizada pelo trabalho na vida das pessoas.

Fica a reflexão: você tem contribuído com o seu melhor para a vida dos outros?

31 de outubro de 2011

34 por cento... de quanto?‏



Esse artigo foi desenvolvido por um amigo, estudante de economia, muitíssimo inteligente e com um pensamento crítico afiadíssimo, Leonardo Falabella.

Reproduzido na íntegra.



"
Tem sido cada vez mais comum ouvirmos da imprensa reclamações sobre o peso da carga tributária brasileira, que seria alta demais. É comum ouvir alguns economistas dizerem que o Brasil tem uma carga tributária superior às de países desenvolvidos, sem que se ofereça serviços públicos à altura. É "Chega de tanto imposto" pra lá, "Impostômetro" pra lá, gente argumentando que a carga tributária brasileira seria suficiente para oferecer serviços básicos tão bons quanto os do primeiro mundo. Um tipo de dado que é frequentemente apresentado para sustentar este argumento é o seguinte:


O brasileiro paga mais impostos do que o espanhol, o australiano, o suíço, o japonês, e recebe de volta serviços muito inferiores. Pagamos mais e levamos menos: tudo culpa do Estado brasileiro, corrupto e ineficiente. Já que o Estado não é capaz de fornecer serviços de qualidade, devemos diminuir a carga tributária e deixar que o setor privado tome conta de mais setores, desonerando o "cidadão de bem".

Tudo na mais perfeita lógica... exceto por uma variável que está sendo omitida.

Pagamos 34% do nosso PIB em impostos. Os suíços, 29%. De um modo geral, separamos mais do nosso bolso para o Leão. Mas e os governos, arrecadam quanto? Em outras palavras: o governo brasileiro arrecada 34% de quê? E o suíço, 29% de quê?

Aí introduzimos uma variável nova: o PIB per capita em dólares, ajustado pela paridade do poder de compra. Com esse dado e a carga tributária em relação ao PIB, temos a seguinte informação: qual é o montante de dólares que cada país arrecada por habitante?


Bom senso é reconhecer que, de fato, o governo brasileiro tem muito menos para investir, por habitante, do que qualquer país desenvolvido. Não que o Estado brasileiro seja um primor de eficiência e isento de ladroagem, todos concordamos que isto está longe de ser verdade. Mas será mesmo que, não fosse por estes fatores nefastos da nossa classe política, teríamos condições de oferecer investimentos sociais tão bons quanto os do Japão, da Austrália ou da Suíça? Todos estes cidadãos trabalham menos para pagar impostos do que o brasileiro, mas seus governos arrecadam mais que o dobro ou até mais que o triplo em relação ao nosso.

Seja por ingenuidade ou desonestidade, alguns tentam nos vender a ideia de que o Estado brasileiro tem por obrigação proporcionar serviços de primeiro mundo, porque supostamente pagamos impostos como cidadãos de primeiro mundo. Prestar atenção aos fatos e questionar esta linha argumentativa com alguma dose de realidade é fundamental para o amadurecimento da discussão.

Quem sabe, caso o brasileiro ficasse mais atento a esse ponto, passaríamos a discutir o verdadeiro absurdo na nossa tributação: a regressividade. O Brasil é único o país da lista em que o pobre trabalha mais para pagar imposto do que o rico. Mas parece que isso não preocupa tanto aos que vivem bradando por menos impostos, não é mesmo?
"
Por Leonardo Falabella, inspirado pelo professor Ario Zimmermann (UFRGS).

21 de setembro de 2011

Não dê um tiro no próprio pé!

Nas últimas semanas, pra quem acompanha o mercado de ações brasileiro, tem-se observado uma recuperação do Ibovespa. Mas a "trancos e barrancos". Pra quem não sabe, o Ibovespa é o principal índice do mercado acionário brasileiro, reunindo as principais empresas em sua composição. Algumas ações têm peso significativo no índice, ou seja: se elas variarem de forma expressiva positiva ou negativamente tem-se como efeito a valorização ou desvalorização do índice. Mas lembre-se: a cesta de ações é que vai indicar a variação do índice.

Mas o que temos acompanhado ultimamente? O emocional exarcebado dos investidores. É fato que existem vários tipos de investidores: aqueles que lidam com análise técnica (que, dependendo do tempo operacional, podem ser day-traders, swing-traders ou position-traders), com análise fundamentalista, com notícias, com a dica do amigo que ganhou uma bolada com esse negócio de bolsa, com o horóscopo... o ponto é: calma. Sei que é difícil agir quando se está no prejuízo potencial (sim: enquanto não se executa a venda do ativo, o prejuízo existe virtualmente, nada foi de fato realizado), quando os ativos não estão caminhando da forma como deveriam e mil e um outros argumentos. Mas o mais difícil (e muitas vezes o melhor) é não fazer nada, só esperar - não se trata de inação: trata-se de decidir não agir. Porém, quando esse medo, essa angústia e incerteza estiverem em sua atmosfera, entre você e seu telefone ou homebroker lembre-se das motivações que te levaram a entrar na bolsa.

A sua intenção era investir para o longo prazo, formar patrimônio aos poucos e agora, por ficar vendo notícias ruins da Europa, o arrastar da economia dos Estados Unidos, FED, FOMC, Grécia, Itália e bla bla bla, sente-se pressionado a agir, a salvar o que ainda resta? Como disse: calma! Sim, não dá para ignorar que ainda estamos em uma fase turbulenta, de incertezas e muitas indefinições. Na realidade está se tentando encontrar uma solução que seja boa o suficiente pra todos; mas esse desafio, se ainda não percebeu, está longe de ser resolvido. Enquanto isso, o mercado (leia-se investidores) fica estressado, muito mais volátil. Às vezes, altas expressivas porque parece que as coisas voltarão a ser um mar-de-rosas; daí vem uma única notícia ruim e... BAM: desaba tudo! O emocional da massa é poderoso, sem dúvidas. Mas, se tivermos feito o dever de casa, planejando, estruturando os investimentos, colocando prazo, objetivos, definindo estratégias (não só em renda variável, mas também em renda fixa) nós saberemos com mais clareza para onde estamos indo. Muito provavelmente aconteçam tropeços ou, talvez, consigamos saltar um pouco mais a frente do que esperávamos. Porém, lembre-se: projeções trata do futuro, é pessoal e lida com um sentimento nada fácil de se administrar: EXPECTATIVAS.

Como consultor em finanças pessoais e investidor, eu sempre procuro trabalhar com expectativas de realistas para pessimistas. Não que eu seja pessimista, longe disso. O que eu procuro ser é conservador. Conservador em minhas projeções. Se o resultado for muito melhor do que eu projetei, excelente! Vou caminhar mais rápido para a realização de meus objetivos. Se não der, tenho de avaliar meus erros e ver se o erro foi meu mesmo: lembre-se que existem riscos que não estão sobre o meu controle, que é o que chamamos de Risco Sistemático. Sozinhos  temos o controle da inflação? Não. Com isso, quando o COPOM decide aumentar (ou diminuir) a taxa de juros, temos controle? Não. E por aí vai. Só de entrarmos no mercado financeiro, seja via caderneta de poupança ou em contratos de dólar futuro, corremos risco. Resumindo: o que temos que gerenciar são nossas expectativas - as que criamos e as que nos são bombardeadas pelas notícias e aceitamos como verdade (o que muitas vezes não são).

Para os grafistas, continuem estudando, praticando análise técnica, e boa sorte - já fui grafista (e ainda sou, mas jamais usei como tomada de decisão de compra ou venda)  e sei como é emocionante e gostoso operar pelo emocional dos outros a partir do comportamento de massa. Para os fundamentalistas, revejam seus estudos, suas projeções e, muito provavelmente, vão perceber que é só um momento bem turbulento: as empresas brasileiras podem até sofrer com um período longo de recessão ou "crise", mas os fundamentos da economia e das boas companhias do nosso mercado é inquestionável. Nem é tanto o preço cotado em bolsa, mas o real valor das nossas empresas (muita atenção a esse fato!). Para os outros ("noticistas" e cia limitada), procurem estudar e saber o que estão fazendo nesse mercado, senão o prejuízo é certo.

Enfim: calma! (e avalie bem as notícias!)

23 de agosto de 2011

Segure o boi pelo chifre!

Que mercado volátil, não?! O mercado de ações nas últimas semanas está muito, muito emocional. É natural: investidores até aceitam tomar risco, mas o que não aceitam é perder. Perder? Sim, todos somos avessos às perdas. Porém, com o mercado ainda do jeito que tá, dá para se fazer excelentes compras e, talvez, esse seja um grande momento de se fazer o "pé-de-meia". Por quê? Porque a economia brasileira, mesmo diante da interligação global, da alta inflação que estamos sentindo, queda no valor das exportações diante da valorização do Real e, consequentemente, menor lucro das empresas exportadoras (especialmente) de commodities, somos fortes e temos excelentes empresas. Empresas que estão lucrando absurdos, batendo recordes históricos de lucros (leia-se, pelo menos, ItauUnibanco e Petrobrás), mesmo diante do tsunami que atinge (de novo) as economias européias e estadunidense. Porém, após se conscientizar de que o Brasil está bem, pronto, preparado para o que vier, como decidir o que comprar na bolsa? Existem mais de 300 ações à disposição dos investidores... E aí?

Eu, particularmente, tenho adotado um método empiricamente testado, existente há mais de 40 anos nos Estados Unidos e adaptado à realidade brasileira pelo Instituto Nacional dos Investidores - INI.

Esse método proporciona ao investidor a aplicação de técnicas que permitem avaliar ações e as carteiras de ações de um modo bem simples e eficiente. Recomendo imensamente que leiam e estudem minuciosamente o Manual Técnico do INI (clique aqui para baixar), pois é impossível passar a gama de detalhes e nuances que estão contidos nele.

É claro que estou falando de investimento para o longo prazo, com a proposta de que, se o investidor fizer um bom trabalho, pode ser possível dobrar o seu capital em 5 anos (isso não é tão longo prazo assim, é!?).

Porém, devemos seguir cinco princípios importantíssimos para que o investidor possa se beneficiar do método de análise de ações. São eles (extraído do Manual Técnico do INI):

Princípio 1
Investir com regularidade, independentemente das perspectivas de mercado.

Quado você começa a investir, geralmente você fica inseguro quanto ao momento certo para entrar ou sair de uma empresa. O tempo e a experiência ajudarão a afastar e mitigar esses receios. As evidências (e os números!) mostram que o mercado acionário, no longo prazo, tem sido a aplicação de melhor retorno. Sendo criterioso e racional em seus investimentos, você aumentará consideravelmente suas chances de ganho.

Princípio 2
Reinvestir todos os lucros.

Reaplique no mercado todos os lucros de seus investimentos. Isto permitirá a você maximizar seus ganhos através da capitalização composta, ganhando mais do que mantivesse apenas o capital original empregado. É o "juros-sobre-juros" trabalhando a seu favor, não contra você!

Princípio 3
Investir em empresas com passado e potencial para crescimento.

Adquira ações de empresas cujas vendas e lucros estejam evoluindo em velocidade maior que o Produto Interno Bruto (PIB) e cujos históricos sugiram que elas estarão mais valorizadas nos cinco anos seguintes.

Princípio 4
Diversificar para reduzir o risco.

Algumas de suas escolhas serão muito bem sucedidas e outras terão resultados decepcionantes. Como é impossível prever ofuturo com exatidão, não se deve esperar que todos os resultados sejam satisfatórios. Através de diversificação, você precisará apenas de um crescimento médio que alcance sua meta; um eventual erro não provocará um grande desequilíbrio.

Princípio 5
Procure investir em empresas que desenvolvem bons princípio de Governança Corporativa (blog de minha professora de Governança Corporativa, Adriana Solé).

Dessa forma você estará lidando com empresas socialmente responsáveis, empresas que respeitam  o meio ambiente, a legislação e, principalmente, os direitos e a relação com os acionistas minoritários.


Gostou? Então, para quem ainda não sabe o que fazer, é hora de estudar, aprender um pouco mais em vez de ficar com medo do mercado em queda.

Como sou estudante de mandarim posso falar :-) : a ideia de crise é formada por dois ideogramas: perigo e oportunidade.


Em qual deles você quer se agarrar?

2 de agosto de 2011

O drama dos irmãos do norte

Recebi um e-mail muito bacana de uma postagem no blog do Marcelo Tas com um infográfico que gostaria de compartilhar na íntegra. Fiquei muitíssimo impressionado com o que os EUA estão mexendo... constatem na leitura.


Dívida dos EUA: o tamanho da encrenca

26 DE JULHO DE 2011, 15:31

ESCRITO POR MARCELO TAS

Dívida norte-americana: muito se fala, pouco se entende. Vai abaixo um infográfico para tentar te ajudar a entender e visualizar o tamanho da encrenca. Não tenha dúvida, meu caro amigo, minha cara amiga: não é porque vivemos no país do PAC, do bolsa família, da prosperidade Antonio Palocciana… Se os EUA dançam, o mundo inteiro vai atrás deles até o fundo do buraco. Nunca antes na história desse planeta valeu tanto aquela expressão… No mundo globalizado com economia on-line, estamos todos no mesmo barco.
Agora, vamos enxergar o tamanho do buraco dos nossos irmãos do norte através de um infográfico criado pelo WFTnoway com dados do US Debt Clock, o reloginho que marca em tempo real o tamanho da dívida do estado norte-americano.

100 dólares: nota de dinheiro mais conhecida do mundo.

10 mil dólares: grana suficiente para torrar numas férias caprichadas ou num carro usado. É o valor médio equivalente a um ano de trabalho de um cidadão no planeta Terra.

1 milhão de dólares: prêmio de reality show brasileiro. É o valor equivalente a cerca de 92 anos de trabalho de um humano médio no planeta Terra.

100 milhões de dólares: opa, já dá para arrumar a vida de qualquer bom gastador. Ladrão que botar a mão numa bolada dessa já vai precisar de uma empilhadeira para levar o tutu para casa.

1 bilhão de dólares: agora a coisa ficou séria. Brincadeira de cachorro grande, o clube do bilhão é só para pesos pesados.

1 trilhão de dólares: Se você gastasse 1 milhão de dólares desde o dia 1 do ano que Jesus nasceu, não teria gasto até hoje a soma de 1 trilhão de dólares, mas apenas cerca de 700 bilhões.

Quando o governo dos EUA reconhece um déficit de U$ 1,7 trilhão, isto representa apenas o valor que ele tomou emprestado em 2010 para manter a máquina do estado em movimento.
Repare: vemos aí uma pilha dupla, em unidades encaixadas de 100 milhões de dólares.

Para facilitar sua visualização do tamanho da encrenca: o trilhão de dólares comparado a um jato ou um campo de futebol.

15 trilhões de dólares: Se o governo americano não resolver o deficit, a dívida alcançará 15 trilhões de dólares até o natal de 2011. Estoura o teto máximo permitido por lei, hoje fixado em U$ 14,3 trilhões. Um volume capaz de assustar a Estátua da Liberdade.

114,5 trilhões de dólares: é o endividamento sem garantias. Representa o valor necessário para os EUA financiarem previdência social, serviços médicos e remédios, fundo de desemprego, despesas militares e pensões para os civis… Enquanto isso, eles continuam acelerando nos gastos. Só a guerrinha no Afeganistão custa a bagatela de U$ 2 bilhõezinhos por semana!

Entendeu o drama?
Então responda o que você faria se fosse o Obama: como resolver uma dívida dessas?

19 de julho de 2011

Protegendo investimentos em ações: Hedge com Mini-Índice Futuro


Há um pouco mais de um ano atrás escrevi um post sobre mini-índice intitulado "Operando Mini-Índice Futuro". Porém, naquela oportunidade dei ênfase em "especular" com mini-índice. Neste post, de maneira diferente, quero abordar o derivativo financeiro como forma de proteção, de hedge.

Mas antes disso, vamos repassar alguns conceitos e a mecânica de funcionamento do instrumento.

O mercado futuro é diferente do mercado de ações. Aqui não se negociam "papéis" e sim contratos. Você pode tanto vender quanto comprar um contrato. Se você vende, tem a expectativa que o derivativo venha a ter uma redução no seu preço; por outro lado, quando você compra tem a expectativa de que ele vá subir. Simples assim. Mas como se lucra? Comprando o derivativo com uma cotação mais baixa e vendendo em uma mais elevada ou ao contrário. Para fechar uma posição vendida tenho que recomprá-la; e vice-versa: para fechar uma posição comprada tenho que vendê-la.

Vamos a outro conceito. Diferentemente do mercado de ações, no mercado futuro não é necessário ter todo capital para se operar um contrato. Como assim? Veja o exemplo a seguir:

Se um investidor dispõe de R$ 2.000,00 em sua conta e quer comprar ações da Petrobrás, por exemplo, que estão cotadas no mercado a R$ 20,00, ele poderá ter, no máximo, 100 ações - no final das contas ele está movimentando R$ 2.000,00. Por outro lado, com o mercado futuro não funciona assim. Digamos que o investidor queira comprar um contrato de mini-índice futuro à cotação de 60.000 pontos. Hoje, a margem de garantia inicial necessária para se operar um contrato está em torno de R$ 2.000,00. Mas essa não é a movimentação financeira feita no mercado: é apenas o dinheiro que é necessário para se operar 1 contrato. Mas quanto que se movimenta no mercado? Vamos aos cálculos.

O volume financeiro de um contrato de mini-índice é negociado multiplicando-se sua cotação de mercado (60.000 pontos, por exemplo) pelo fator 1/5 (ou 0,2, se preferir). Cada ponto no mini-índice vale, portanto, R$ 0,20 (existem algumas informações sobre Índice Futuro -que algumas pessoas chamam de "Índice Futuro Cheio ou Grande"- das quais não vou detalhar nesse post, pois o foco dessa publicação é para o pequeno investidor, apesar de ter a mesma mecânica). Então a movimentação financeira de um contrato é de: 60.000 x R$ 0,20 = R$ 12.000,00. 

Então, se o investidor comprou um contrato de mini-índice futuro a 60.000 pontos e vendeu esse mesmo contrato a 60.500 pontos, ele ganhou nessa operação, sem considerar custos, R$ 100,00 (60.500 - 60.000 = 500 x R$ 0,20 = R$ 100,00). Qual foi o volume financeiro operado? R$ 12.000,00 inicialmente e, depois R$ 12.100,00, daí o lucro. De quanto se precisou, de dinheiro próprio, para essa operação? R$ 2.000,00, aproximadamente (depende da corretora): lucro de 5% sobre o valor da margem de garantia inicial!

Comparando: para que o investidor tivesse 5% de lucro com as ações, elas teriam que subir 5%; porém, em virtude da alavancagem (já que no mini-indice se está lidando, nesse caso, com R$ 12.000,00, ou seja, 5 vezes mais que os R$ 2.000,00 próprios), o índice teve que oscilar 0,83% para obter o mesmo resultado. É aqui que muitos investidores falam que "vão ganhar muito dinheiro com esse negócio, é melhor que ficar comprando ações, é só ficar expert em análise técnica e bla bla bla". A alavancagem é tentadora, sem dúvidas. Mas, se não souber usar, como em qualquer derivativo, como em qualquer instrumento de renda variável, dá para se perder muito, muito dinheiro. Dêem uma olhada no post do ano passado e vão perceber que é maravilhoso, mas perigoso se não souber o que se está fazendo e porquê.

Gostaria de ressaltar algumas particularidades sobre margem de garantia: dependendo da corretora, não é necessário ter dinheiro líquido para operar mini-índice. Você pode dar em garantia outros ativos tais como ações (de boas empresas), títulos públicos e algumas instituições também aceitam CDB. Verifique com sua corretora quais são suas opções.

Vamos ao cerne do assunto de hoje: Hedge. Hedge significa proteção. Mas, como usar mini-índice futuro para proteger minha carteira de ações? É simples.

Vamos a outro exemplo.

Um investidor tem em sua carteira R$ 4.000,00 em Petrobras PN (PETR4), R$ 7.000,00 em Vale PNA (VALE5), R$ 8.000,00 em Banco do Brasil ON (BBAS3), R$ 1.000,00 em Localiza ON (RENT3), R$ 1.000,00 em Inepar PN (INEP4). Volume financeiro total de R$ 21.000,00. Nessa carteira existem 3 ações que pertencem ao Índice Bovespa (VALE5, PETR4 e BBAS3) e duas que não pertencem (RENT3 e INEP4). Se o mini-índice futuro segue o movimento do Ibovespa, como me proteger para uma queda do mercado, como tem acontecido nesse ano de 2011? E mais: os cálculos valem para ações que não estão listadas no Ibovespa? Depende do volume financeiro que essas ações representam em sua carteira.

Continuemos. Nessa carteira (PETR4, VALE5, BBAS3,INEP4, RENT3 de volume financeiro R$ 21,000) daria para vender até dois mini-índices. Dessa forma você fica comprado nas ações (que elas, inclusive podem ser dadas como margem de garantia para a operação, conforme já relatei) e vendido em mini-índice. Nesse caso não é (e raramente vai ser) um hedge perfeito. Qual o resultado dessa proteção? Se o Ibovespa despencar mais, muito provavelmente você perderá valor em sua carteira devido a redução da cotação das suas ações. Por outro lado, enquanto o Ibovespa estiver caindo, você estará ganhando dinheiro com mini-índice, compensando as perdas de sua carteira e, nesse cenário, como as ações estarão depreciadas e interesantes (!) você poderá, quando quiser, desfazer a operação embolsar o dinheiro do índice e aumentar seu patrimônio em ações. Perde com as ações, ganha com o mini-índice. Ou seja, protege o seu financeiro na bolsa.

Porém, por fim, é importante ressaltar uma característica importante de qualquer contrato futuro: os ajustes diários. Além da margem de garantia, é importante e fundamental que o investidor tenha dinheiro líquido em sua conta para que se ocorram os débitos e créditos diários. Como assim? Diariamente a Bolsa de Mercadoria e Futuros (BMF) "zera" a sua posição. Exemplo:

Hoje vendi um contrato de mini-índice a 58.000 pontos, então estou esperando que o Ibovespa desvalorize. No final do dia, por exemplo, aconteceu de o mini-índice fechar em 57.500 pontos. O que vai acontecer? Vai ser depositado, na virada do dia, R$ 100,00 em minha conta, em dinheiro. O mercado abre amanhã aos 57.500 pontos e no final do dia chega a 58.500 pontos. O que acontece? Sai da minha conta R$ 200,00: os R$ 100,00 que tinha ganhado mais R$ 100,00 de resultado negativo. Mas, no outro dia, a coisa fica vermelha: o mercado abre em 58.500 pontos e despenca fechando em 57.500 pontos. Ganho R$ 200,00 e volto a ficar com lucro de R$ 100,00.

Resumindo: esse vai-e-vem é constante. E, em minha opinião, do jeito que a coisa está se mostrando, além de bons descontos nas ações (liquidação, adoro liquidação na bolsa!), o Ibovespa tende a desvalorizar: e os índices futuros vão junto!

Antes de tomar qualquer atitude concreta, experimentem sem gastar: acessem e façam o cadastro no Simulador da BMF para poder experimentar o funcionamento tanto do mini-índice quanto dos outros derivativos (mini-dólar, café, milho, boi gordo, soja).

Por fim gosto sempre de ressaltar e enfatizar: Como tudo no mercado financeiro e de capitais, não recomendo que façam essa operação a menos que já estejam familiarizados, bem assessorados ou que saibam exatamente o que pode ocorrer.

No mais, bons investimentos!

16 de julho de 2011

Dúvida: qual a melhor alternativa para aplicar R$ 10 mil por três meses?

Recebi uma dúvida de uma amiga e gostaria de compartilhá-la com vocês.

A dúvida é a seguinte: "Tenho um colega que está trabalhando no exterior. Ele quer aplicar R$ 10 mil em algo mais rentável que a poupança, mas durante o prazo que vai ficar no exterior (3 meses). O que seria melhor para ele? Deixar na poupança ou existe algum investimento que renda mais que a poupança  neste curto prazo?".

Nesse caso é melhor que o colega deixe o dinheiro na poupança. Três meses é muito pouco tempo para outros investimentos renderem melhor e na poupança não há incidência de imposto de renda, enquanto na maioria dos outros investimentos, com esse valor de aporte terá incidência de 15% a 22,5% sobre o rendimento e mais alguma taxa, caso exista. Esse ano, mais do que 2010, estamos sofrendo pressão inflacionária, o que faz com que o custo de todas as coisas se elevem para acompanhar o consumo interno e outras variáveis. Mesmo que a inflação mensal seja maior que a rentabilidade da poupança, é preferível que, no curtíssimo prazo que ele tem (3 meses), deixe o dinheiro lá.

11 de julho de 2011

Casal: aprenda a investir de forma conjunta!

É redundante e inevitável, mas as primeiras e mais simples regras das finanças pessoais são:


Gaste menos do que se ganha

e

Invista (bem) a diferença.


Certo. Até então nenhuma novidade. Mas o ponto é: e quando se "junta as escovas de dente"? A regra ainda continua valendo, e deve-se observar alguns pontos importantes para não gerar fortes conflitos entre o casal e ganhar em tempo e eficiência quando se trata de investimentos. Com o casamento (além das escovas de dente) passa-se a ter dois salários, duas cabeças pensando, duas formas -muitas vezes- diferentes de lidar com o dinheiro: o que chamo de "modelo mental". Alguns têm o dinheiro como símbolo de liberdade, outros de status, outros sinônimo de prazer ou ainda aqueles com o sentimento de segurança. Significados diferentes e, em alguns casos, conflitantes.

Então, o que fazer se meu companheiro(a) lida de forma diferente num aspecto tão importante da vida? Penso que a resposta é criar um modelo para o casal. Por exemplo: digamos que em um casal, o marido carregue com ele o sentimento de que dinheiro deve ser acumulado para proporcionar liberdade: de escolha, de tempo, de consumo, etc; e a mulher, carregue com ela o sentimento de que dinheiro deve proporcionar prazer: prazer da compra, do impulso, de ajudar alguém, etc. São dois comportamentos conflitantes que, se mal entendidos, podem esquentar a relação: se a mulher gasta, o marido pode sentir que ela está minando a liberdade dele; por outro lado, se ele deixa de consumir e poupa, a mulher pode entender que é ele quem está tirando o direito dela viver. Complicado, não!? Mas é assim (e até pra pior) o princípio das ásperas brigas sobre dinheiro - mas o problema não é o dinheiro, mas a forma diferente com que cada um lida com ele.

Certo. Como resolver? O caminho começa pelo diálogo e compreensão do outro. O entendimento maduro do porquê da outra parte se comportar daquela forma. Não significa apontar os erros do outro em tom de acusação, NÃO! Muitas dessas atitudes estão relacionadas à vivência , ao aprendizado e às experiências passadas que cada um teve. Envolve, sim, reflexão e exposição de fatos e acontecimentos de ambos os lados. Depois de entendido, de assimilado o que ocorre do outro lado, pode-se estabelecer um modelo de conduta que seria interessante, importante e conveniente para o casal POR ESCRITO. Por que por escrito? Porque se o modelo for definido, e não for documentado, vai se perder nuances e detalhes importantes com decorrer do tempo. "Ah... mas isso não impede que se tenha brigas por conta de dinheiro". Não, acredito que não impeça. Mas, a partir do momento em que se decidiram "juntar as trouxas", uma "terceira entidade", o "nós", foi estabelecido e, como todo relacionamento, deve-se aprender com o outro e construir pontes, não barreiras. Quando acontecerem as brigas, pode-se recorrer à esse acordo mutuamente estabelecido em um momento em que ambos estavam de cabeça fria e redirecionar para a solução do(s) problema(s).

Após esse momento psicológico, vamos para a parte financeira. No livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos de Gustavo Cerbasi (Ed. Gente, 2004), o autor usa uma frase interessante: "Planos comuns jamais serão construídos de modo eficiente se tudo no relacionamento for dividido. Perde-se em eficiência, em organização e em resultados". Quero chegar à parte dos resultados, mas vamos discorrer um pouco sobre os outros aspectos.

Provavelmente, no casal, existe uma pessoa que é mais organizada em relação às finanças. Deve-se procurar unificar os orçamentos para simplificar e otimizar a gestão das contas. Inicialmente, não apontem ou critiquem determinado padrão de consumo, apenas registrem. Após levantarem as despesas, avaliem se sobra dinheiro (muitas vezes podem existir exageros ou "esquecimentos", o que é natural) e, se não sobrar o suficiente para seus planos de investimento (independência financeira, carro novo, casa nova, pós-graduação, viagem, etc), discutam e façam JUNTOS os ajustes necessários. Volto a lembrar que o casal deve planejar seu futuro, não somente o futuro individual. Preferencialmente, unifiquem os cartões de crédito avaliando quais deles oferecem mais vantagens - e acabem por economizar também em anuidades. E as contas bancárias, devem ser unificadas? Depende. O ideal é que isso aconteça e deve-se avaliar o melhor relacionamento bancário, as melhores condições, taxas e serviços; porém, o casal pode preferir manter contas separadas - só não se esqueçam que se tiverem mais de uma conta pagarão mais taxas, terão que administra-la (um pouco mais de trabalho), mas, às vezes, pode ser importante que cada um tenha a sua. De qualquer forma, façam esse processo de modo gradativo, dando espaço para que cada um aprenda com o outro - inclusive aprendendo novos hábitos e melhorando aqueles que são prejudiciais.

Chego, portanto, onde queria: resultados. As metas devem ser estabelecidas a dois. Porém, é muito provável que cada um tenha sonhos a serem realizados, realizações que ainda não puderam ser conquistadas. O parceiro gostaria de fazer aquela pós-graduação que teve de adiar para casar ou aperfeiçoar o francês para obter melhores oportunidades. Além dos sonhos conjuntos, cada um tem os próprios sonhos. E aí!? Separar os investimentos? Não, especialmente porque o dinheiro pode perder em eficiência quado está em menor quantia. Vamos exemplificar.

Digamos que o marido queira fazer uma pós-graduação que custe R$ 15.000,00 e que a parcela custe R$ 750,00/mês durante 24 meses à taxa de 1,5% a.m. Mas, ao mesmo tempo, a mulher queira fazer uma reforma na casa que foi orçada em R$ 8.000,00 e que tenha previsão de ser concluída em 3 meses. E, ao mesmo tempo, o casal decidiu poupar R$ 500,00/mês para sua aposentadoria daqui 25 anos. Deve-se colocar cada plano em um investimento diferente? Geralmente não. Nesse caso, apesar de se ter três objetivos diferentes, para não se perder eficiência, deve-se colocar o dinheiro num bolo só - respeitando, claro, o príncípio da diversificação e do perfil do casal (se quiserem dêem uma olhada no post do colega blogueiro Henrique Carvalho sobre Alocação de Ativos).

A maioria das pessoas, especialmente por falta de informação e imediatismo, fariam tais coisas "na raça": faz primeiro e depois vê como se paga. Mas ao adotarem essa atitude, pode-se pagar mais caro. Só para exemplificar: se se optar por fazer a pós-graduação financiada, o valor pago será de R$ 18.000,00 - 20% a mais do que o valor à vista. Além do mais, se a reforma for financeiramente mal planejada, pode vir a comprometer as contas domésticas ou, também, tanto a pós-graduação e (pior) o plano de aposentadoria (que gosto de chamar de plano para a independência financeira): e, normalmente, esse último pode ser o primeiro alvo. E mais: reformas levam somas vultosas de dinheiro em pouquíssimo tempo.

Mas como fazer as três coisas acontecerem? Primeiro: o casal deve entrar em acordo e decidir não abrir mão do seu plano de independência financeira - ele é muito importante, pois garante o futuro dos dois. Mas como atingir as outras duas metas? Uma sugestão seria definirem um prazo para a realização dos dois objetivos ao mesmo tempo. A reforma pode esperar? Se não for nada urgente, é provável que sim. A pós-graduação pode esperar? Muito provavelmente sim: os efeitos na carreira de uma pós-graduação -salvo algumas exceções- pode demorar a aparecer; as decisões financeiras impensadas não esperam. Então, digamos que ambos entrem em acordo e decidam adiar o consumo por 24 meses.

Simplificadamente, deveriam poupar R$ 960,00/mês durante esse período para atingir os dois objetivos (R$ 960,00 x 24 = R$ 23.040 (R$ 8.000,00 + R$ 15.000,00). Parte dessa parcela seria para a pós-graduação (R$ 626,09) e parte seria para a reforma (R$ 333,91). Observe o valor mais perceptível: a curso estará saindo mais de R$ 100,00/mês mais barato, se pensarmos em termos de parcela. Mas, e se usarmos o poder do investimento? Vamos considerar que a parcela de R$ 500,00 esteja em um investimento que renda 0,70% a.m. líquidos de inflação e Imposto de Renda. Se esse é o investimento adequado ao risco do casal, pode-se "potencializar" a parcela de R$ 500,00 com os R$ 960,00 a mais da pós e da reforma. Daí, não se perde em eficiência - pelo contrário: ganha-se bem mais. Uma maior quantidade de dinheiro concentrada tende a gerar mais dinheiro por conta do poder dos juros compostos e, dependendo do perfil do casal, pode-se ter acesso à investimentos mais rentáveis devido o maior volume financeiro aplicado.

Vamos aos cálculos: Parcelas de R$ 1.460,00 durante 24 meses à taxa líquida de 0,70%. Resultado: R$ 38.010,99. Tira-se R$ 23.000,00 e fica-se com R$ 15.010,99 do plano de independência financeira.

Comparemos resultados: se o casal fizesse a opção por financiar a pós-graduação, teriam gasto R$ 3.000,00 além do preço à vista; além disso, se também fizessem a opção de arcar com as despesas da reforma, muito provavelmente, o plano de independência financeira poderia ser comprometido (sabemos que quando se trata de reformas e/ou construção, acaba-se gastando um pouco mais do que o previsto). Com o planejamento financeiro, ganhou-se eficiência, pagamentos à vista, mais juros (R$ 1993,53 a mais) e realizações satisfatórias sem dor de cabeça.

Ah! Só para terminar: quando concluir alguma coisa importante bem planejada que atinja sucesso, não se esqueça de COMEMORAR! Afinal, o esforço sempre vale a pena!