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21 de setembro de 2011

Não dê um tiro no próprio pé!

Nas últimas semanas, pra quem acompanha o mercado de ações brasileiro, tem-se observado uma recuperação do Ibovespa. Mas a "trancos e barrancos". Pra quem não sabe, o Ibovespa é o principal índice do mercado acionário brasileiro, reunindo as principais empresas em sua composição. Algumas ações têm peso significativo no índice, ou seja: se elas variarem de forma expressiva positiva ou negativamente tem-se como efeito a valorização ou desvalorização do índice. Mas lembre-se: a cesta de ações é que vai indicar a variação do índice.

Mas o que temos acompanhado ultimamente? O emocional exarcebado dos investidores. É fato que existem vários tipos de investidores: aqueles que lidam com análise técnica (que, dependendo do tempo operacional, podem ser day-traders, swing-traders ou position-traders), com análise fundamentalista, com notícias, com a dica do amigo que ganhou uma bolada com esse negócio de bolsa, com o horóscopo... o ponto é: calma. Sei que é difícil agir quando se está no prejuízo potencial (sim: enquanto não se executa a venda do ativo, o prejuízo existe virtualmente, nada foi de fato realizado), quando os ativos não estão caminhando da forma como deveriam e mil e um outros argumentos. Mas o mais difícil (e muitas vezes o melhor) é não fazer nada, só esperar - não se trata de inação: trata-se de decidir não agir. Porém, quando esse medo, essa angústia e incerteza estiverem em sua atmosfera, entre você e seu telefone ou homebroker lembre-se das motivações que te levaram a entrar na bolsa.

A sua intenção era investir para o longo prazo, formar patrimônio aos poucos e agora, por ficar vendo notícias ruins da Europa, o arrastar da economia dos Estados Unidos, FED, FOMC, Grécia, Itália e bla bla bla, sente-se pressionado a agir, a salvar o que ainda resta? Como disse: calma! Sim, não dá para ignorar que ainda estamos em uma fase turbulenta, de incertezas e muitas indefinições. Na realidade está se tentando encontrar uma solução que seja boa o suficiente pra todos; mas esse desafio, se ainda não percebeu, está longe de ser resolvido. Enquanto isso, o mercado (leia-se investidores) fica estressado, muito mais volátil. Às vezes, altas expressivas porque parece que as coisas voltarão a ser um mar-de-rosas; daí vem uma única notícia ruim e... BAM: desaba tudo! O emocional da massa é poderoso, sem dúvidas. Mas, se tivermos feito o dever de casa, planejando, estruturando os investimentos, colocando prazo, objetivos, definindo estratégias (não só em renda variável, mas também em renda fixa) nós saberemos com mais clareza para onde estamos indo. Muito provavelmente aconteçam tropeços ou, talvez, consigamos saltar um pouco mais a frente do que esperávamos. Porém, lembre-se: projeções trata do futuro, é pessoal e lida com um sentimento nada fácil de se administrar: EXPECTATIVAS.

Como consultor em finanças pessoais e investidor, eu sempre procuro trabalhar com expectativas de realistas para pessimistas. Não que eu seja pessimista, longe disso. O que eu procuro ser é conservador. Conservador em minhas projeções. Se o resultado for muito melhor do que eu projetei, excelente! Vou caminhar mais rápido para a realização de meus objetivos. Se não der, tenho de avaliar meus erros e ver se o erro foi meu mesmo: lembre-se que existem riscos que não estão sobre o meu controle, que é o que chamamos de Risco Sistemático. Sozinhos  temos o controle da inflação? Não. Com isso, quando o COPOM decide aumentar (ou diminuir) a taxa de juros, temos controle? Não. E por aí vai. Só de entrarmos no mercado financeiro, seja via caderneta de poupança ou em contratos de dólar futuro, corremos risco. Resumindo: o que temos que gerenciar são nossas expectativas - as que criamos e as que nos são bombardeadas pelas notícias e aceitamos como verdade (o que muitas vezes não são).

Para os grafistas, continuem estudando, praticando análise técnica, e boa sorte - já fui grafista (e ainda sou, mas jamais usei como tomada de decisão de compra ou venda)  e sei como é emocionante e gostoso operar pelo emocional dos outros a partir do comportamento de massa. Para os fundamentalistas, revejam seus estudos, suas projeções e, muito provavelmente, vão perceber que é só um momento bem turbulento: as empresas brasileiras podem até sofrer com um período longo de recessão ou "crise", mas os fundamentos da economia e das boas companhias do nosso mercado é inquestionável. Nem é tanto o preço cotado em bolsa, mas o real valor das nossas empresas (muita atenção a esse fato!). Para os outros ("noticistas" e cia limitada), procurem estudar e saber o que estão fazendo nesse mercado, senão o prejuízo é certo.

Enfim: calma! (e avalie bem as notícias!)

Um comentário:

  1. Pelos sites, blogs e fórum que acompanho sobre o mercado de ações, vejo com freqüência que algumas pessoas que investem vendem suas ações (mesmo em prejuízo) quando ouvem sobre uma crise financeira em algum lugar do mundo. Mas quando acontece o contrário, e as ações valorizam por alguma razão, elas nem se dão conta que se vendessem, elas teriam lucros. Vai entender... tem gente que gosta mesmo de "dar tiro no pé".

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