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8 de dezembro de 2011

Imóveis: Dúvidas e vontades.

Sempre me perguntam sobre o mercado imobiliário: será que continua subindo tão forte como aconteceu nos últimos 3 anos? Ou será que teremos uma queda nesse mercado? Será que vale a pena comprar um imóvel agora? Como está a oferta e facilidade de obtenção de crédito? Dentre tantas outras perguntas.

É fato que um brasileiro medianamente informado tem noção do que aconteceu nos últimos anos, desde 2008, aproximadamente: uma valorização imobiliária expressiva. Para se ter ideia, de acordo com um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) e pela Zap Imóveis, em 12 meses (novembro/2010 a novembro/2011) as seis capitais brasileiras objetos de estudo apresentaram a seguinte valorização imobiliária: 

Rio de Janeiro acumula alta de 37,4%;

Recife alta de 28,8%;

São Paulo alta de 27,9%;

Belo Horizonte alta de 25,2%;

Distrito Federal alta de 14,6%;

Salvador alta de 7,8%.

Valorizações bem expressivas, de fato. Porém, esse mercado começa a mostrar alguma desaceleração, tendendo, em um médio prazo (2 ou 3 anos), a uma queda – talvez não muito expressiva, mas algo em torno de uns 20%, aproximadamente. Não sei como é nas outras cidades brasileiras, mas aqui na Grande Belo Horizonte, atualmente, não é muito difícil ver placas de “Aluga-se” e “Vende-se” com maior quantidade do que há alguns meses atrás (operando-se a lei da Oferta e da Demanda, quando a oferta aumenta, os preços tendem a diminuir!). 

Apesar de uma perspectiva de queda, a oferta de crédito voltada às pessoas físicas, especialmente, tende a aumentar de 30% a 40% em 2012. É muito dinheiro, é muito estímulo que estará disponível para o brasileiro. Toda essa oferta tem um respaldo legal muito grande para as instituições financeiras que ofertam o dinheiro: a chamada alienação fiduciária. Você, meu caro leitor, “acha” que, ao financiar um imóvel (e, em realidade, qualquer bem) você é DONO dele? Pense direito. Não, você não é dono enquanto não pagar pelo bem completamente! É certo que, ao realizar um financiamento de bens de alto valor (imóveis, veículos) tem-se seguros que cobrem riscos no caso de falecimento, de impossibilidade de pagamento dentre outros itens (que, inclusive, recomendo imensamente a observação e a clarificação desses itens ANTES de contrair o financiamento). Porém, experimente parar de pagar (não faça isso!) por qualquer motivo que seja sua casa ou seu carro. Faça isso e tenha seu bem tomado de você! (isso não é um processo relâmpago, mas tende a ser rápido). Resumindo: enquanto você está pagando sua parcela (argh!), a instituição financeira te deixa calmo e tranquilo – te oferece ainda mais crédito, inclusive. Mas se acontecer algum percalço no meio do caminho... prepare-se. 

Além do mais, a compra de um bem de alto valor deve ser muito bem planejada e, se for necessário realizar o financiamento, que ele seja feito com grande parte do bem já quitado (realizando o pagamento de uma entrada maior), o que diminui enormemente o impacto dos juros pagos no período do financiamento. 

O que estou querendo dizer com tudo isso? Se você tem um imóvel, do qual não é o seu lar (pessoalmente tenho comigo que todas as famílias devem sim ter sua casa, seu lar), fique atento para as movimentações que JÁ estão ocorrendo no mercado imobiliário brasileiro. Se ainda não tem, mas pensa em adquirir, avalie o porquê dessa aquisição: tem gente que compra um imóvel, em que vai morar, mas com aquela forte intenção de vendê-lo para aproveitar a “alta dos imóveis” e sair lucrando. Não estão errados. Sempre, ao comprar um imóvel, devemos escolhê-lo na intenção de que se valorize. Porém, nas condições atuais, essa estratégia pode ser perigosa. 

Reflita, faça as contas, compreenda suas emoções, converse com mais pessoas e, sempre: tome SUAS decisões!

21 de novembro de 2011

Comprar ou financiar? Depende de cada caso!

Há algumas semanas, tenho conversado com um amigo sobre o desejo (e necessidade) dele comprar uma moto. Sabemos que a melhor opção sempre é comprar à vista: geralmente consegue-se descontos, às vezes acessórios adicionais e não tem a obrigação de carregar o custo de um financiamento, que, sabemos, é caro.

Qual é a situação dele hoje: o gasto com transporte mensal fica em torno de R$ 240,00. Com esse valor dá para pagar as parcelas da moto e, de certo modo, ficaria “elas por elas”. Porém, tem que se considerar outros itens: IPVA, manutenção, seguro do veículo dentre outros custos. Certos custos incidem de maneira que têm de ser pagos integralmente ou em um curto espaço de tempo (IPVA e seguro, por exemplo), o que gera um dispêndio financeiro imediato elevado. Além do mais, ele dispõe de uma moto (que é de um amigo) na qual poderia utilizá-la enquanto o dono do veículo tira a CNH, mesmo que por poucos meses.

Ajudando-o a refletir sobre o assunto, apontei alguns itens que merecem atenção, não só no caso dele, mas em qualquer aquisição de bens, especialmente os de alto valor.

Fiz uma simulação de financiamento de uma moto (no sistema PRICE – parcelas constantes) no valor de R$ 7.000,00 parcelada em 36 meses com juros de 3,10% a.m. com entrada de R$ 2.000,00. Veja no que deu na tabela abaixo:
 

Quais as vantagens de se financiar a moto?

· Teoricamente, você tem um bem que é seu (teoricamente porque enquanto não quita integralmente o bem está alienado [pertence] à instituição financeira intermediadora da compra);

· Conforto no deslocamento;

· Diminui-se o tempo no trânsito;

· No caso dele, cumprir sua meta de fim de ano, alimentando seu emocional com essa realização.


Quais são as desvantagens de se financiar a moto?

· Pagamento de juros (nesse caso SÓ de juros serão R$ 3.368,16 nos 36 meses – 48,12% a mais que o valor real, os R$ 7.000,00);

· De acordo com o que conversamos, ele ficaria mais “apertado” por conta do valor da parcela e da manutenção do veículo (mesmo sendo baixa) – que seria no valor de uns R$ 300,00 por mês, aproximadamente;

· Falta de reserva de emergência para imprevistos: ficar com o orçamento pessoal muito comprometido é um grande risco, que pode gerar mais dívidas – muitas vezes mais caras...

· Nas palavras dele: “Tenho moto à disposição, tenho carteira, gastar dinheiro pra quê?” (risos).


Além disso, deve-se considerar outros fatores:

1º: a responsabilidade de se conduzir um bem que não é seu é bem elevada (afinal, a moto é do amigo);

2º: caso se decida comprar a moto, o melhor período é no início do ano, pois as concessionárias costumam fazer promoções que podem ajudar a não comprometer tanto o orçamento, pois, muitas vezes, seguro e IPVA são pagos por elas como forma de incentivo às vendas.


No caso dele, a solução mais coerente (de acordo com o que conversamos) seria em aumentar a receita. Isso é possível devido à atividade profissional da qual ele desempenha. Aumentando a receita, ele pode pagar o financiamento (não é o mais aceitável, mas pode ser necessário) e ainda poupar, tendo como objetivo inicial para uma reserva de emergência que ele não possui.


Agora, pensemos pelo outro lado da moeda...

Se ele pudesse, ao invés de financiar, poupar e aplicar o dinheiro. Além disso, fizesse um esforço extra para poupar, aplicando R$ 300,00 durante 12 meses com o objetivo de ter um capital acumulado em dezembro de 2012. Veja o resultado logo abaixo:


O montante ainda não seria de R$ 7.000,00, claro que não. Porém, ao se financiar o restante (R$ 1.278,00) as parcelas e os juros seriam bem menores, além, claro, do prazo de quitação do veículo. Veja:


É cruel, eu sei. Mas esse é um planejamento de uma compra razoavelmente bem feita.

Lembrem-se: primeiro, RESERVA DE EMERGÊNCIA (sua segurança imediata); depois, podemos pensar nos sonhos!

Recomendo que escutem o podcast do Mauro Halfeld sobre esse assunto: clique aqui

Até o próximo post
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15 de novembro de 2011

Tá pegando fogo no Velho Mundo!



É de conhecimento geral que as coisas na Europa estão bem complicadas: Grécia, Itália, Espanha, Irlanda, Alemanha e Inglaterra  têm sido os protagonistas (ou antagonistas, dependendo do ponto de vista) dessa história real. Estava lendo algumas notícias sobre finanças pessoais pela internet e me deparei com uma em especial que mereceu esse post. Um jornal eletrônico  português, chamado Diário Económico, publicou uma matéria intitulada “Erros que as famílias cometem nas finanças pessoais”.

Uma das coisas que me chamou a atenção nessa matéria foram os comentários dos leitores. Muitos criticam a consultoria que foi entrevistada pelo jornal: alguns a acusam de ter influenciado na compra de bens de alto valor, que facilitaram a aquisição de créditos pessoais, que não acompanharam as famílias... enfim, até onde acompanhei, os nossos irmãos portugueses estavam furiosos com a reportagem, com a empresa que fora entrevistada.

Mas esse não foi o único ponto que me chamou a atenção. Talvez não seja certo fazer isso, mas não julgando quem está certo ou errado sobre o caso da consultoria que acusam (eu particularmente não tenho conhecimento de causa para julgar isso), percebemos que a situação dos portugueses, senão da maioria dos europeus, é muito delicada. Quando se trata de finanças pessoais, apesar deles terem um melhor nível de educação financeira (como se aponta em alguns estudos), a grande massa está em enormes apuros. Alguns, de acordo com comentários, não conseguem mais pagar suas contas: se endividam ainda mais e, com a pressão emocional em patamares talvez nunca experimentados, chegam a cometer suicídio. O governo português, nos últimos anos (na última década), subsidiou inúmeros itens da vida do cidadão português: casa, carro, bens de consumo (soa familiar?). Enfim... por ter proporcionado um conforto exagerado à população, hoje o cidadão português sofre as consequências, bem como toda Europa (pois isso é um padrão comportamental na maioria dos outros países: o paternalismo).

Apesar de se ter diferenças culturais marcantes e uma situação sócio-político-econômica diferente, o brasileiro tem que tomar cuidado. Pode ser que não ocorra nada do que hoje ocorre na Europa, mas não custa nada prevenir. Temos muitos programas sociais e subsídios que têm a boa intenção de diminuir as diferenças sociais, e isso é louvável. Mas como bom mineiro, sou bem desconfiado – é como diz um antigo dito: “De boas intenções o inferno está cheio”.

Devo ter dito em outros artigos que os povos latinos são naturalmente imediatistas e indisciplinados. Infelizmente isso é verdade. MAS indisciplina e imediatismo são hábitos e todos os hábitos podem ser modificados: se as pessoas, primeiro, tomarem consciência deles; e, principalmente: FIZEREM UM ESFORÇO REAL, PERSISTENTE E CONSISTENTE PARA MUDÁ-LOS. Depender do governo não deve ser uma opção. Nunca! Devemos trabalhar fortemente naquilo que nos propusemos a fazer, construir aos poucos nossas vidas, sermos felizes com aquilo que temos e nos educarmos durante a caminhada tanto formalmente, quanto financeira, social, ambientalmente... Educação é a chave-mestra: sempre foi! Mas não falo simplesmente da educação ‘formal’, conseguida em instituições de ensino e nos livros. Esse tipo de conhecimento está disponível, reunido e organizado, em verdade, para quem quiser nas faculdades e bibliotecas espalhadas pelo País. Eu falo de uma educação diferente, da que realmente constrói o ser humano, suas relações e o mundo através da PRÁTICA: aquela que reúne o “saber como fazer” (teoria) e, especialmente, o “saber fazer” (prática). Mudar a vida das pessoas, mesmo que um pouquinho, simplesmente por ter prestado o seu melhor serviço.

Ah! Por fim, recomendo que leiam a reportagem (aqui) e, se possível, grande parte dos comentários dos portugueses: não queiram ser como eles daqui a 10 ou 20 anos. O que parecia ser a melhor coisa do mundo naquela época (década de 90), hoje, para eles, é o inferno na terra. Então, lembrem-se: pensamento crítico, razão e cuidado!

Bom feriado!



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