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4 de dezembro de 2015

Globo Repórter: ENDIVIDADOS, 20/11/2015

Um episódio muito interessante do Globo Repórter explorando e expandindo alguns assuntos relacionados ao momento atual.

Vale a pena conferir: http://globoplay.globo.com/v/4624153/.


20 de junho de 2015

[VÍDEO] Precisa ser CHATO cuidar das finanças?

Tem muita gente que fala que não controla o seu dinheiro porque o processo é chato, que dá trabalho. Mas será que PRECISA ser chato mesmo?

Confira no vídeo da semana no canal da Criterion, com Phillip Souza.


2 de abril de 2015

E se você vivesse por 100 anos?

Você já parou para pensar que essa indagação pode estar muito mais próxima da realidade do que você pode supor? Talvez demore algumas décadas (ou muitas) para que você chegue a essa idade ou mesmo próximo à ela. Mesmo que não chegue aos 3 dígitos, é bem provável que chegue nos 8 ponto alguma coisa, 9 ponto alguma coisa (haja potência!). Para se ter ideia do cenário no Brasil: segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, existiam 3.906 centenários, em 1982; 7.325, em 1992; 9.140 em 2002; e (mais recentemente) 32.134 centenários em 2013 – a quantidade mais que TRIPLICOU em apenas UMA década.


Duvida que você pode chegar nessa idade? Eu não. Lógico que podem acontecer dezenas de coisas ao longo do caminho que podem te impossibilitar alcançar essa admirável idade: você pode morrer em um acidente, ter uma doença, sofrer um atentado contra sua vida – não vou ficar enumerando possibilidades macabras, mas podem acontecer, já que estamos de falando de futuro, lidando com o fator imprevisibilidade. Mas e se nada disso acontecer? E se você chegar lá, como será a sua vida? Como estarão as suas finanças?

Quando as pessoas pensam em aposentadoria têm em mente alguns estereótipos: momento de “pendurar a chuteira”; provável fase do tédio; sem energia e disposição por estar aposentado e coisas que relacionam velhice à total perda de produtividade e importância. Acredite, as coisas podem ser bem diferentes: pode ser que nesse momento, apesar de talvez não ter o mesmo super vigor físico da fase dos 2.0 ou 3.0, você descubra ou desenvolva novas habilidades. Tem pessoas que expressam seus dons artísticos quando chegam à melhor idade: descobrem a pintura, a música, a dança, as artes. Tem pessoas que continuam se dedicando à sua missão de vida: o trabalho nunca foi trabalho – continuam a se dedicar às suas atividades profissionais, pois é ali que se sentem realizadas, contribuindo para o mundo. A forma de usar esse novo tempo é escolhida usando a criatividade e explorando ainda mais seus dons, desde que a pessoa não desista da vida.

Mas e as finanças? Será que isso pesa em idades avançadas? Sim, pesa. E muito. Em países onde o idoso tem melhores condições que aqui no Brasil (leia-se países da Europa) a condição financeira é importante até certo ponto. Quando as condições necessárias são atendidas (cuidados, acompanhamento, médicos e tratamentos prontamente disponíveis) o que incomoda são os problemas de saúde que tendem a ser inevitáveis: o problema cardíaco que traz desconforto, a dor nas articulações, cansaço, e vários outros problemas decorrentes da idade. Porém, aqui no Brasil, apesar de uma quantidade já expressiva e com tendência a crescer bastante nas próximas décadas, o fator financeiro tem um peso ainda mais significativo. Educação financeira ainda é assunto para poucos – não porque não existe acesso, mas ainda temos muito a evoluir em termos de consciência, em termos de aprender a cuidar bem do dinheiro. Muitos adultos ainda não sabem lidar com as próprias finanças, pois esse é um assunto que não veio de berço. Mas isso, de forma alguma, é justificativa para deixar essa ponta solta.

Há décadas atrás, talvez na época de nossos avós, era muito comum encontrarmos famílias grandes com 5, 6 filhos ou mais. O peso para sustentar o vovô e a vovó era menor. Hoje a situação mudou: atualmente a taxa de natalidade está próxima de 2 herdeiros, fazendo com que o peso desses custos aumente bastante. Contar com os filhos pode não ser a melhor opção. De acordo com as estatísticas das operadoras de planos de saúde, após os 59 anos os custos com saúde são cerca de 6 vezes maiores que a primeira faixa de atuação (de 0 a 18 anos). Até para essas empresas o modelo terá que ser diferente (e, acredite: essas empresas já estão atentas à essa tendência).

Então, o que fazer? Mamãe sempre diz que “prevenir é melhor que remediar” – num cenário ruim, o remédio no futuro pode ser pouco efetivo. Qual é a prevenção? O primeiro passo fundamental é cuidar melhor de você mesmo, procurar ter melhor saúde. No acúmulo, ao longo de décadas de cuidados com a sua própria saúde, você tende a depender menos de medicamentos, a contrair menos doenças. Estou falando de se alimentar direito, deixar de comer certas coisas que, apesar de muito gostosas, nos fazem mais mal que bem; se exercitar todos os dias (essa coisa de “regularmente” não costuma funcionar: a prática de exercício físico tem que se tornar hábito diário, seu corpo tem que “pedir” para se mexer); cuidar das emoções; alimentar a mente (ler, aprender coisas novas – quem sabe um novo idioma? –, viajar). 

Tomadas as devidas precauções com os cuidados com a saúde, vem o cuidado com a saúde financeira. Sim, a fórmula é a mesma de sempre: gastar menos do que se recebe e investir BEM a diferença. Você deve controlar o seu dinheiro para poder gerenciá-lo adequadamente. Quanto mais tempo você tiver para realizar esse investimento de longuíssimo prazo, melhor. Mas não desanime e nem “chute o balde” se você já é um adulto maduro (40, 50 anos mais ou menos): sempre é tempo de fazer a coisa certa. Tem muito chão para percorrer e pode, sim, viver uma melhor idade. No meio do caminho também é essencial contratar um bom plano de saúde. E bons planos de saúde custam (um bom) dinheiro.

Quanto de dinheiro você vai precisar? Isso é assunto para outro artigo, mas considere que seus gastos mensais serão na casa de 70% a 80% do que consome em sua vida ativa – e, dependendo do seu padrão de vida, a aposentadoria da Previdência Social pode ser insuficiente (não dependa do Governo, por favor!). Detalharemos isso melhor no futuro.

Grande abraço e não se esqueça: cuide bem de você e de seu futuro!

8 de dezembro de 2014

Aprenda a diferenciar PIRÂMIDE FINANCEIRA de MARKETING MULTINÍVEL (MMN)

É muito natural que as pessoas (em sua maioria leigas) confundam oportunidades em Marketing Multinível com pirâmides financeiras. Chegam a ver uma oportunidade que é verdadeira, mas logo taxam tal coisa como errada. Não é para menos: vimos nos últimos anos casos de pirâmide financeira no Brasil que, infelizmente, trouxeram prejuízo para muita gente. Sempre sou a favor de verificar novos negócios, novas formas de trabalho que possam aumentar meus recebimentos: mas, até por crenças pessoais, tudo TEM QUE ESTAR alinhadinho, certo, dentro de tudo que é previsto na lei (ou até mais do que a lei exige) e tem que ser sustentável no longo prazo.

Um esquema em pirâmide conhecido também como pirâmide financeira, é um MODELO COMERCIAL PREVISIVELMENTE NÃO-SUSTENTÁVEL QUE DEPENDE BASICAMENTE DO RECRUTAMENTO PROGRESSIVO DE OUTRAS PESSOAS para o esquema, a níveis insustentáveis. Esse é o primeiro indício: só recrutar pessoas. As pirâmides financeiras (ou, como gosto de chamar, “esquema Faraó”) existem há pelo menos um século. Não é de hoje que muitos pensam e tentam (e alguns até conseguem, mas acabam se dando mal cedo ou tarde) em ganhar dinheiro fácil. Mas continuemos.

O ESQUEMA DE PIRÂMIDE PODE SER MASCARADO COM O NOME DE OUTROS MODELOS COMERCIAIS QUE FAZEM VENDAS DIRETAS TAIS COMO O MARKETING MULTINÍVEL (MMN), QUE SÃO LEGAIS. A maioria dos esquemas em pirâmide tira vantagem da confusão entre negócios autênticos de marketing multinível e golpes complicados, mas convincentes, para fazer dinheiro fácil. A ideia básica por trás do golpe é que o indivíduo faz um único pagamento, mas recebe a promessa de que, de alguma forma, irá receber benefícios exponenciais de outras pessoas como recompensa. Um exemplo comum pode ser a oferta de que, por uma comissão, a vítima poderá fazer a mesma oferta a outras pessoas. Cada venda inclui uma comissão para o vendedor original. Já vamos detalhar um ponto importante: no mercado financeiro/empresarial, promessa? Se alguém te prometer alguma recompensa, ainda mais “exponencial” que remete a altos ganhos com facilidade, pule fora! Pode ser falcatrua! Para ser bem claro: no empreendedorismo e nos investimentos financeiros SEMPRE existem riscos. Existem formas de minimizá-lo ou mitiga-lo, mas sempre existem riscos. Vamos falar desses riscos mais adiante.

A falha fundamental é que não há benefício final; o dinheiro simplesmente percorre a cadeia, e somente o idealizador do golpe (ou, na melhor das hipóteses, umas poucas pessoas) ganham trapaceando os seus seguidores. As pessoas na pior situação são aquelas na base da pirâmide: aquelas que assinaram o plano, mas não são capazes de recrutar quaisquer outros seguidores – lembre-se: a base desse tipo de esquema é APENAS chamar mais gente, não existe ativo real.

Mas onde surgiu esse artifício que causa tantos danos? Vamos conhecer a história dessa engenharia financeira e também a história de uma das mais famosas pirâmides da história: o esquema Ponzi.

HISTÓRIA


Os esquemas em pirâmide ocorrem em muitas variações. Os primeiros esquemas envolviam uma corrente postal, distribuída com uma lista de 5–10 nomes e respectivos endereços. Ao destinatário era dito que enviasse uma pequena quantia de dinheiro (tipicamente US$ 1 ou 5) para a primeira pessoa da lista. O destinatário então removeria esta primeira pessoa da lista, moveria todos os nomes restantes para cima uma posição e acrescentaria o seu próprio nome (e possivelmente outros nomes) à parte de baixo da lista. Então, ele enviaria uma cópia da carta com a nova lista de nomes para os indivíduos listados. Esperava-se que este procedimento fosse repetido e repassado e então o destinatário original seria movido para o topo da lista e passaria a receber dinheiro de outros destinatários da corrente.

O sucesso de tal empreendimento apoia-se UNICAMENTE NO CRESCIMENTO EXPONENCIAL DE NOVOS MEMBROS. Daí o nome "pirâmide", indicando a população crescente em cada camada sucessiva. Infelizmente, uma análise simples revelará que com umas poucas iterações, a totalidade da população global precisaria entrar no esquema para que os membros preexistentes ganhassem alguma coisa. Isto é impossível, e a matemática garante que a vasta maioria daqueles que participarem de tais esquemas perderá o dinheiro investido.

Esquemas em pirâmide em larga escala foram iniciados em estados que constituíam a antiga União Soviética, onde as pessoas tinham pouca familiaridade com o mercado de ações e eram induzidas a acreditar que rendimentos de mais de 1000% eram possíveis (no mercado de ações 1000% de ganho é possível (apesar de muito raro), mas proporcionalmente a isso vem um risco imenso. Trata-se do mercado de opções, extremamente volátil e arriscado para quem não tem ideia de como usá-lo; mas isso é outro assunto).

Embora não seja um esquema em pirâmide no sentido estrito, o infame esquema Ponzi de Charles Ponzi merece menção aqui, devido a algumas semelhanças.

O esquema Ponzi é uma sofisticada operação fraudulenta de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos ("lucros") aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, EM VEZ DA RECEITA GERADA POR QUALQUER NEGÓCIO REAL. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro ítalo-americano Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi).


Embora esquemas semelhantes a este já existissem anteriormente, o ítalo-americano Charles Ponzi, na década de 1920, notabilizou-se como autor de uma gigantesca fraude.

Charles Ponzi era um emigrado italiano. Supõe-se que ele tenha chegado aos Estados Unidos na década de 1910. Indivíduo de poucos recursos, como a maior parte dos migrantes que então chegavam à América, "descobriu", pouco tempo depois da chegada e graças a uma correspondência que recebera de Espanha, que os selos de resposta do correio internacional podiam ser vendidos nos Estados Unidos por um preço mais alto do que no estrangeiro. Assim começou o rumor e muitas pessoas não quiseram ficar fora do negócio e entregaram capitais a Ponzi. Mas embora Ponzi estivesse a recolher somas astronômicas de dinheiro, e houvesse filas para lhe entregar mais, na realidade não comprou selos com o dinheiro recebido. Pagava rendimentos de até 100% em três meses, com o capital dos sucessivos novos investidores.

Ponzi convenceu amigos e parceiros do novo negócio a apoiarem o seu sistema no início, oferecendo um retorno de 50% num investimento a 45 dias. Algumas pessoas investiram e obtiveram o prometido no intervalo temporal combinado. O esquema alargou-se, e Ponzi contratou agentes, pagando generosas comissões por cada dólar que pudessem trazer. Em fevereiro de 1920, Ponzi obteve cerca de 5.000 dólares americanos, uma grande quantia naquele tempo. Em março, já tinha 30 mil dólares. A histeria coletiva cresceu e Ponzi começou a expandir o negócio para a Nova Inglaterra e Nova Jersey. Os que investiam obtinham grandes lucros e estimulavam outros a investir. Já em maio do mesmo ano, Ponzi tinha conseguido recolher 420 mil dólares. Começou a depositar o seu dinheiro no Hanover Trust Bank of Boston (um pequeno banco da Hanover Street, no bairro de North End, cuja população era majoritariamente italiana), esperando que, se sua conta se tornasse bastante grande, ele poderia influir sobre a administração banco ou até mesmo tornar-se seu presidente. De fato ele conseguiu assumir o controle acionário do banco.

Em julho de 1920 já tinha milhões de dólares. Muitas pessoas venderam ou hipotecaram as suas casas, na esperança de ganhar quantias maiores. Porém, no dia 26 de julho grande parte do esquema começou a colapsar, depois que o Boston Post começou a questionar as práticas da empresa de Ponzi. Finalmente a empresa sofreu intervenção pelo Estado que congelou todas as novas captações de dinheiro. Muitos dos investidores reclamaram furiosamente o seu dinheiro, e, nesse momento, Ponzi devolveu o capital a quem o solicitou, o que causou um aumento considerável da sua popularidade, havendo muitos que lhe pediam para se candidatar a um cargo político público. As promessas de Ponzi cresceram ainda mais já que planejava criar um novo tipo de banco, no qual os lucros se repartissem de igual modo entre os acionistas e aqueles que investissem dinheiro no banco. Até planejou reabrir a sua empresa sob o nome "Charles Ponzi Company", com o principal objetivo de investir em empresas em todo o mundo.

Graças ao seu esquema, Ponzi começou a viver uma vida cheia de luxos: comprou uma mansão com ar condicionado e aquecedor para a sua piscina, e trouxe a sua mãe de Itália em primeira classe. Rapidamente o imigrado pobre obteve não só uma grande quantidade de dinheiro como se cercou dos luxos mais extravagantes para a sua família e para si mesmo.

Em agosto de 1920 os bancos e os meios de comunicação declararam Ponzi em bancarrota. Ele confessou que, em 1908, havia participado de uma fraude muito parecida, no Canadá.

O governo federal dos Estados Unidos finalmente interveio e descobriu a megafraude. Ponzi foi detido, mas logo liberado mediante pagamento de fiança. Decidiu continuar com o seu sistema, convencido de que o poderia sustentar. Rapidamente o sistema caiu e os poupadores perderam o seu dinheiro. A maior parte das pessoas não obteve benefícios, e muitos haviam reinvestido os lucros no esquema fraudulento. Embora a fraude tivesse sido descoberta e apesar de Ponzi ter sido deportado para Itália, ele foi aclamado como um benfeitor por muitos.

***

Se você percebeu direitinho, devido ao “bom início” de Ponzi o seu esquema financeiro popularizou e atraiu a atenção de milhares de pessoas: em um semestre ter milhões de dólares disponíveis (lembrando que milhões de dólares naquela época era bastante dinheiro meeesmo)? Ou era um cara de muito, mas um talento MUITO diferenciado ou tinha coisa ali. E, como vimos, tinha.

No Brasil um dos fatos mais conhecidos é o "Boi Gordo" criado pelo empresário Paulo Roberto de Andrade deixando R$ 2,5 bilhões em dívidas e enganando mais de 30 mil pessoas. E mais recentemente a empresa Telexfree, que começou a ser investigada em junho de 2013. Poucos meses depois (em setembro/13) o Ministério Público Federal afirmou que a BBOM também fazia parte de um esquema de pirâmide financeira, apesar de que o produto que sustenta o negócio das empresas é um rastreador de veículo. Mas o negócio da BBOM (dentre outras coisas) foi bloqueado devido a operações interligadas com a TelexFree, de acordo com o Ministério Público.

Aqui em Minas mesmo tivemos o caso do "Madoff mineiro", o Thales Maioline. Ele foi acusado de ter operado esquema de pirâmide financeira e causar prejuízo de R$ 100 milhões a cerca de 2 mil investidores. Nada grande, né!? (acesse o link no jornal Estado de Minas).

AS CARACTERÍSTICAS DO ESQUEMA FARAÓ


Mas como diferenciar um esquema faraó de um legítimo marketing multinível?

A característica distintiva de um esquema de pirâmide financeira e um negócio de marketing multinível é que O PRODUTO VENDIDO TEM POUCO OU NENHUM VALOR INTRÍNSECO ou É VENDIDO POR UM PREÇO FORA DA REALIDADE DO SEU VALOR DE MERCADO. Os produtos podem ser baratinhos: brochuras, DVD's ou sistemas que pouco explicam ao comprador como convidar novos membros, ou a compra de listas de nomes e endereços de possíveis candidatos. Ou mesmo eles podem chegar a centenas ou milhares de reais. Uma versão comum na internet envolve a venda de documentos intitulados “How to make $1 million on the Internet” (“Como ganhar US$ 1 milhão na Internet”) e coisas do gênero. Outro exemplo é um produto (como um modem dial-up que pretensamente usa alta velocidade e/ou Voip), vendido por um valor acima do preço médio de mercado para produto igual ou similar, em qualquer parte. O resultado é que somente uma pessoa envolvida com o esquema seria capaz de comprá-lo e O ÚNICO MODO DE FAZER DINHEIRO É RECRUTAR MAIS E MAIS PESSOAS, que também pagarão mais do que deveriam. Este valor adicional pago é então usado para embasar o esquema da pirâmide. Efetivamente, o esquema é bancado muito mais pelas compras superfaturadas dos novos associados do que pela "taxa de adesão" inicial.

Os principais pontos que caracterizam uma pirâmide financeira incluem:


1. Vendas efetuadas num tom exagerado (e algumas vezes incluem brindes e promoções);
2. Pouca ou nenhuma informação dada sobre a empresa (a menos que se queira comprar os produtos e tornar-se um participante);
3. Promessas vagamente enunciadas sobre rendimentos potencialmente ilimitados;
4. NENHUM PRODUTO REAL ou um PRODUTO QUE É VENDIDO POR UM PREÇO RIDICULAMENTE ACIMA DO SEU REAL VALOR DE MERCADO. A descrição do produto feita pela empresa é bastante vaga;
5. UM FLUXO DE RENDA QUE DEPENDE PRIORITARIAMENTE da comissão recebida pelo RECRUTAMENTO DE NOVOS ASSOCIADOS OU PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA USO PRÓPRIO, em vez de vendas para consumidores que não são participantes do esquema.
6. A tendência de que só os inventores/primeiros associados tenham alguma renda real;
7. Garantias de que é perfeitamente legal participar.

Vou repassar os pontos acima, mas agora sobre o que caracteriza um marketing multinível real:

1. São realizadas vendas, como em qualquer outro negócio comercial, mas a venda do produto e de seus benefícios, sem exageros;
2. As informações da empresa têm que estar disponíveis para o público em geral: quem quiser ver de perto, quem quiser verificar como funciona está convidado a conhecer, e sem pagar nada por isso. Não é necessário se associar para entender como funciona o negócio;
3. Não se PROMETE absolutamente nada, ainda mais com rendimentos elevados. É possível alcança-los? Sim, é. Porém, antes de receber qualquer coisa deve-se lembrar que existe MUITO TRABALHO por trás desses rendimentos – meses, anos de construção de mercado;
4. O produto tem que ser a GARANTIA REAL do negócio. Um bom marketing multinível trabalha com produtos reais, em que o comissionamento das pessoas (sejam comissionamento pela venda ou pelo trabalho da equipe) só acontece quando o produto é FATURADO, sai do ESTOQUE DA EMPRESA E VAI PARA O CLIENTE. Além disso, deve ter valor similar ao que se encontra no mercado tradicional com produtos similares (um ou outro, claro, dependendo da estratégia da empresa, pode ter um preço diferenciado – muitas vezes menor –, mas isso porque tal produto deve ser o mais demandado, consequentemente acaba-se diminuindo seus custos de produção e seu preço também tende a cair). A descrição dos produtos deve ser bastante clara;
5. O fluxo de renda em marketing multinível DEVE VIR PRIORITARIAMENTE da venda de novos produtos a CONSUMIDORES QUE NÃO SÃO CADASTRADOS NA EMPRESA para realizar o negócio. É venda direta, para consumidor final. Pode existir consumo de produtos para uso próprio, dos próprios associados? Pode, mas eles não representam “o grosso” das receitas da empresa;
6. TODOS podem fazer dinheiro no marketing multinível desde que TRABALHEM para isso. TODOS podem criar equipes de trabalho com o foco de alcançar um mercado cada vez mais crescente, desde que TRABALHEM para isso;
7. Não há necessidade de ficar enfatizando o tempo todo que o negócio é legal. Se é legal para que uma pessoa vai ficar reforçando isso a todo momento, concorda?

Sendo até prolixo: a principal distinção entre as pirâmides e negócios legítimos de MMN é que no segundo caso, uma renda palpável pode ser obtida somente das vendas de produtos ou serviços associados aos consumidores que não estão associados ao negócio. Embora alguns destes negócios de MMN também ofereçam comissões pelo recrutamento de novos membros, isto não é essencial para a operação bem-sucedida do negócio por qualquer membro individual. 

O Marketing Multinível (MMN) funciona recrutando pessoas para vender, divulgar ou consumir um produto. Recebe comissão em forma de bônus quem recruta pessoas para vender ou representar seus produtos, como seus "downlines" (ou "parceiros de negócio"). Pode ser exigido dos novos associados que paguem pelo treinamento/material de propaganda, ou que comprem uma grande quantidade dos produtos para o sistema que irão vender. Um teste de legalidade utilizado é verificar se o MMN ou empresa em questão obtém pelo menos 70% de sua renda de VENDAS A VAREJO PARA NÃO-MEMBROS.

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA


No Brasil, a lei n. 1.521, de 26 de dezembro de 1951, que trata dos crimes contra a economia popular, dispõe em seu art. 2º, inciso IX, que constitui crime contra a economia popular, punível com 6 meses a 2 anos de detenção, “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes)”.

***

Para concluir: uma das coisas mais importantes é sempre desconfiar de qualquer oferta de dinheiro fácil e sem risco. A primeira pergunta que devemos fazer a nós mesmos é a seguinte: será que compraríamos aquele produto ou serviço por aquele preço se não fizéssemos parte do negócio? Se você e nem as pessoas a sua volta se interessam pelo produto ou pelo serviço nesse preço, é um forte sinal que é apenas uma fachada para um esquema faraó.

10 de junho de 2014

Quer gastar menos? Carregue notas grandes!

Um estudo de 2009, apresentado por Priya Raghubir e Joydeep Srivastava e publicado no Journal of Consumer Research, mostrou que o “efeito valor nominal” faz com que fiquemos menos propensos a gastar dinheiro quando estamos em posse de notas com alto valor (R$ 50,00, por exemplo) e ficamos bem mais propensos a gastar quando o dinheiro está em forma de notas de menor valor (R$ 5,00 ou R$ 2,00).

“The results suggest that the denomination effect occurs because large denominations are psychologically less fungible than smaller ones, allowing them to be used as a strategic device to control and regulate spending.”
Em tradução livre: “os resultados sugerem que o efeito valor nominal ocorre porque grandes valores monetários são psicologicamente menos fungíveis (ou difíceis de serem gastos) do que os pequenos valores monetários, permitindo ser utilizado como um dispositivo estratégico para controlar e regular os gastos”

Resumindo: as pessoas têm barreiras psicológicas quando têm que usar notas com valor nominal elevado (R$ 50,00 ou mesmo R$ 100,00). Você já deve ter experimentado uma “dorzinha” quando gastou aquela notinha azul, com a imagem de uma garoupa (é, aquele peixe na nota de cem reais é uma garoupa!), ou então teve que gastar alguma onça... estou errado? Pois bem, essa sensação desconfortável é chamada de “dor do pagamento”, quando gastar dinheiro traz uma sensação ruim, psicologicamente falando.


Os autores do estudo concluíram que algumas pessoas escolhem intencionalmente receber dinheiro em cédulas de alto valor nominal exatamente com o intuito de não gastarem ou, pelo menos, dificultarem tal decisão. As pessoas consideradas poupadoras (em inglês “tightwads”, que na verdade traz a ideia de “pão-duro” [risos]) preferem notas com valor nominal elevado quando precisam se autocontrolar e notas com valor nominal mais baixo quando esse autocontrole não é tão exigindo. As pessoas consideradas gastadoras (ou, em inglês, “spendthrifts”) não têm uma preferência específica.

“Tightwads may be tightwads because they fear spending even though they are aware that they spend less than they would like to, and spendthrifts may be spendthrifts because they do not fear spending even though they are aware that they spend more than they would like to.”
Em tradução livre: “poupadores podem ser poupadores porque têm medo de gastar mesmo se são conscientes de que gastam menos do que gostariam, e gastadores podem ser gastadores porque não sentem medo de gastar mesmo estando conscientes de que gastam mais do que gostariam”.

É interessante os efeitos que tal coisa pode causar em nossas vidas. Eu adotei várias pequenas práticas psicológicas que me fazem manter a atenção na importância de cuidar bem e saber usar bem o dinheiro que faço. Vou citar duas:
  • A primeira foi justamente a impressão que você teve ao ler “o dinheiro que faço”: não, não tenho máquina de impressão de dinheiro, mas essa forma de falar – “fazer dinheiro” ao invés de “ganhar dinheiro” – é uma das práticas psicológicas que utilizo em meu dia a dia para moldar a minha linguagem e meu pensamento.
  • A segunda é que mantenho comigo uma 'nota-escoteira': uma cédula de cem reais (de verdade, nada de cópia) na carteira para me lembrar constantemente de meus objetivos, para me lembrar se aquele gasto que estou realizando tem sentido, se posso realiza-lo ou não.


Sim, são coisas pequenas, mas que fazem muita diferença ao longo do tempo.

E você? Quais são as suas estratégias psicológicas para gastar menos dinheiro?


1 de junho de 2014

Leve a Lista às Compras

Geralmente formulamos uma lista de compras quando vamos ao supermercado comprar alimentos ou material de limpeza, mas, quase nunca criamos uma lista quando vamos comprar roupas, e aí podemos cometer grandes erros. Saímos em descontrole achando tudo que vemos nas vitrines lindo e maravilhoso. Mas será que tudo que está exposto nas lojas fica bem em você? Será que precisa de mais uma bolsa? E o seu orçamento suporta mais um gasto?

Pois é, quando saímos às compras temos que levar em consideração muitos aspectos. Na realidade, deveríamos comprar roupas somente duas vezes ao ano, que seria na mudança de estação e em ocasiões especiais, como por exemplo, uma festa muito importante, caso você não tenha uma roupa adequada para o evento. Pois repetir roupa não é proibido, este é um grave defeito da nossa cultura, o que é bom e bonito deve ser repetido.

O que você deve levar em consideração para efetuar uma compra de roupas e acessórios acertada?

Primeiramente conhecendo-se. Eu não canso de repetir: o auto conhecimento é uma ferramenta capaz de nos levar a viver uma vida plena e feliz. No caso de moda, o que seria muito importante saber para acertar na hora de adquirir peças para seu guarda-roupa?

1- As cores que mais harmonizam com sua coloração pessoal.

2- Formato de corpo, para que você compre as peças que vestem melhor em você.

3- Estilo de vida.

4- Objetivos sejam eles profissionais ou pessoais.

5- Qualidade do que está se comprando.

6- Número possível de vezes que você vestirá a peça.

7- Orçamento.

8- Se a nova peça que será adquirida combina com pelo menos duas ou três outras já existentes no seu guarda-roupa.

9- Criar um capsule wardrobe, que seria um guarda-roupa básico, que proporciona uma grande variedade de looks utilizando peças básicas e de qualidade.

Veja algumas peças versáteis e básicas que não podem faltar no seu guarda-roupa.

As peças básicas femininas são:
  • calça preta
  • camisa branca
  • leggings preto
  • camiseta branca
  • vestido preto básico
  • sapatilha tipo bailarina
  • cardigan preto
  • scarpin clássico
  • jeans escuro

Elas podem alterar conforme o estilo de vida e até mesmo profissão.

Obs.:  Mais abaixo temos a lista para os homens.









As peças básicas do guarda-roupa masculino são:

  • terno em cor neutra (cinza, preto ou marinho)
  • gravata
  • camisa social
  • blazer
  • calça em sarja
  • jeans
  • camisa pólo
  • camiseta básica em cores neutras
  • suéter
  • sapato social
  • tênis ou sapatênis










Pois é, antes de sair às compras no shopping, não se esqueça de levar sua lista de compras levando em consideração nossas dicas, assim você fica elegante, sem estourar seu orçamento.

Fotos: Blog Tudo Para Homens, Estilo Knit

Andrea Fraguas é graduada em Consultoria de Imagem pelo FIT/NY (Fashion Institute of Technology Nova York/EUA) e tem formação em Consultoria de Imagem pelo SENAC/Belo Horizonte. Acesse seu blog Tips e Tricks para mais informações.

25 de março de 2014

Guarda-Roupa em época de Crise




É público e notório que o mundo está em crise. Crise de valores, crises pessoais e também uma crise econômica mundial. E como fica o nosso guarda-roupa em meio a tanta confusão? Na minha opinião, momentos de crise podem ser momentos de mudanças, revisão de valores  e muita criatividade. Um dia uma pessoa me disse: "em épocas de crise, uns choram, outros vendem lenço".

A primeira coisa é focar naquilo que é realmente importante na vida. Como eu gosto de falar, investir em coisas eternas, que a Terra não come, como amigos, bons relacionamentos, família, auto-conhecimento, crescimento espiritual, conhecimento acadêmico e cultural são alguns bons exemplos.

Hoje em dia, ostentação é algo totalmente OUT. Em compensação, educação com o próximo, honestidade e ecologia estão totalmente IN. Mas quer queira, quer não queira,é hora de apertar os cintos. Não é uma questão de privação, mas sim de priorização.

Lembre-se sempre: compra inteligente, te deixa chic e tem durabilidade. Use isso como um mantra, você só tem a ganhar. E como eu coloco isso em prática? Pois é, aí vão algumas dicas:

  • Invista nas peças atemporais e básicas, ou seja, é aquela roupa que não está na moda, é a peça que entra ano, sai ano, ela não te deixa na mão, bons exemplos são a calça preta e uma bela camisa branca.
  • Invista na qualidade. A roupa de qualidade além de durar muito mais tempo , ela te veste melhor, assim você está sempre arrasando. Existe um cálculo que é feito, onde você divide o valor de uma roupa pelo número de vezes que você a usa, aí você descobrirá que muitas vezes a  "roupinha baratinha"que você veste e na primeira lavagem acaba destruída é mais cara que um bom blazer em tom neutro que você usa anos a fio.
  • Quebre o preconceito de repetir roupa. Peças de qualidade foram feitas para repetir.
  • Outro preconceito a ser quebrado, principalmente no Brasil, é usar roupas de segunda-mão, vintage ou roupas de brechó. Encontramos peças de altíssimo nível, de grandes designers por preços vantajosos para seu bolso. Nos EUA o "consigment" é um grande  e lucrativo negócio.
  • Não compre por impulso. Analise a necessidade daquela peça, Não se esqueça também de se recordar, se aquela nova peça combina com pelo menos 2 ou 3 itens já existentes na sua coleção. Lembre-se também, se você está comprando a roupa porque realmente precisa, ou, você está com "deprê"e só está querendo preencher o seu vazio existencial.
  • Conheça a você mesmo. Tenha na sua cabeça qual é seu lifestyle, suas proporções e as melhores cores para o seu corpo. Não se esqueça também seus objetivos. Tudo isso faz você economizar dinheiro e evita de comprar uma peça de roupa, que no final das contas, você jamais usará. Se você não tem conhecimento, contrate um profissional, um consultor de imagem ou personal stylist, pois ele te ajudará economizar dinheiro.
  • Faça alterações ou customizações em roupas que estão no seu armário. Além de divertido, é uma maneira de renovar, sem gastar.

É isso aí, minha gente, espero que tenham gostado dessas dicas. 

A melhor coisa é estar de bem com a vida e também com a conta bancária.

Andrea Fraguas é graduada em Consultoria de Imagem pelo FIT/NY (Fashion Institute of Technology Nova York/EUA) e tem formação em Consultoria de Imagem pelo SENAC/Belo Horizonte. Acesse seu blog Tips e Tricks para mais informações.

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24 de janeiro de 2014

Suas Roupas Falam

O blog Riquezas da Vida agora terá a contribuição da Consultora de Imagem, Andrea Fraguas (acesse o blog Tips e Tricks para mais informações), que vai falar sobre assuntos de sua especialidade para refletirmos acerca do uso das roupas e acessórios de forma consciente, elegante e, principalmente, inteligente! Afinal, suas finanças pessoais e sua autoestima agradecem (e muito!)


Suas Roupas Falam


Recentemente a psicóloga clínica, Dra. Jennifer Baumgartner, escreveu o livro, You Are What You Wear: What Your Clothes Reveal About You (Você é o que você veste: O que suas roupas revelam sobre você).


Na verdade, isso não é nenhuma novidade, pois nossas atitudes em geral, inclusive a maneira como nos vestimos, está sempre revelando algo mais profundo. Uma vez que o próprio Einstein disse não existir diferença entre a nossa realidade interna e externa, uma coisa é reflexo da outra. Mas a Dra. Baumgartner escreve de uma maneira mais clara e específica.

Nós mesmos observamos que quando uma pessoa está bem, ela irradia beleza e bem estar. O mesmo não acontece quando você se sente mal. Mas muitas das vezes cometemos erros, principalmente no ambiente de trabalho, por apenas uma questão de falta de conhecimento, passamos através da nossa imagem a nos comunicar de maneira errônea, e aquela promoção que achamos ser merecedores por nossa competência nunca chega, o aumento de salário fica mais distante, seu chefe não te valoriza e te trata como um cachorro. O que pode estar acontecendo? Entre outras coisas, a sua imagem não condiz com seu trabalho.

Mas voltando ao livro da Dra. Jennifer Baumgartner: ela fez relações a determinados comportamentos em relação ao seu guarda-roupa ou seu modo de vestir que são bem interessantes. Vamos pouco a pouco discutindo no nosso blog.

E o que a psicóloga descobriu sobre aquelas pessoas que não se desfazem de maneira alguma de suas roupas, tendo o guarda-roupa cada dia mais entulhado de peças, muitas vezes já sem uso? Bem, esse indivíduo pode estar preso ao passado, e ao valor sentimental de suas roupas e acessórios. E o que ela sugere? Ela aconselha a criar o hábito de a cada 3 peças novas que você adquire, 2 outras devem ser doadas ou retiradas de seu armário. Essa é uma atitude que já incorporei na minha vida já a algum tempo, é uma forma de agradecer ao Universo o que ele me deu, então, se eu compro uma coisa nova, pelo menos uma  peça é retirada do meu guarda-roupa, geralmente eu faço uma doação.

Andrea Fraguas é graduada em Consultoria de Imagem pelo FIT/NY (Fashion Institute of Technology Nova York/EUA) e tem formação em Consultoria de Imagem pelo SENAC/Belo Horizonte. Acesse seu blog Tips e Tricks para mais informações.


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14 de outubro de 2013

Tornando seus objetivos em metas (parte 3)

Chegamos ao último post para fazer com que seus objetivos saiam do plano das ideias, cheguem ao papel e, definitivamente, manifestem-se no mundo real através das ações.

Nesse post, falaremos sobre os últimos dois passos para tornar seus objetivos reais: a ideia de linha do tempo e sobre manter-se na estrada.

Antes de começar, quero me solidarizar com você e dizer que compreendo que definir objetivos, esmiuçar cada passa, cada meta, dá um trabalhão! Eu mesmo fiquei quase 3 dias (cerca de 30 horas) para passar e repassar meus objetivos e metas, definir, detalhar o que tinha de fazer – e sei que ainda podem ser ainda mais detalhados. Porém, como existem as etapas de Avaliar (Evaluate) e Reavaliar (Reevaluate), preferi trabalhar mais nisso daqui algum tempo – daqui algumas poucas semanas ou alguns pouquíssimos meses. Porém, mesmo que eu não consiga ver todos os degraus que levam até meu objetivo, permaneço em contato com todos eles – desenvolvi uma animação em PREZI que reúne todos eles, facilitando meu acompanhamento geral – você pode fazer isso, se quiser, numa apresentação em seu computador, ou mesmo em PREZI, em PowerPoint ou pegar uma cartolina e montar o seu “mural de objetivos e metas”. Tanto faz: desde que você veja regularmente pra não se perder.

Mas vamos lá! Vamos para o próximo passo. (Se você ainda não viu acesse aqui o primeiro post e aqui o segundo post)


Passo 5: Linha do Tempo


Digamos que em suas promessas de Ano Novo você tenha decidido pensar sobre o que realmente quer fazer com sua vida.

Depois de refletir, você chega à conclusão que, pelo menos por enquanto, as metas de sua vida são as seguintes:

  • Carreira – “Ser Analista Judiciário do Tribunal de Justiça”.
  • Lazer – “Viajar para Paris, França”
  • Saúde – “Correr 10km por dia”.


Depois de definir os objetivos de sua vida, deve-se quebrar cada um deles em metas, mais palpáveis e factíveis. Como você poderia fazer isso? Vamos exemplificar:


E, dessa forma, você vai detalhando cada degrau, cada passo, cada meta e vai cumprindo cada etapa, não esquecendo de se recompensar quando cumpri-las, partindo depois para a seguinte. É claro que esse exemplo é bastante simplificado e que cada meta é e deve ser muito mais detalhada (se seguir a técnica S.M.A.R.T.E.R. terá muitos detalhes de prazo, importância, execução, etc). Porém, consegue-se ter uma ideia clara do que fazer ao longo de todo caminho a ser percorrido. Vale lembrar: nas revisões, devido às experiências e acontecimentos que surgem ao longo do caminho, pode ser que algum objetivo se cumpra mais rapidamente ou precise de um pouco mais de tempo. Por isso que avaliar e reavaliar (Evaluate e Reevaluate) são passos tão fundamentais quanto a definição de suas metas e objetivos.

A partir deste exemplo, podemos observar que quebrar objetivos grandes em pedaços menores, as metas, faz com que consigamos gerenciar melhor o resultado e fica muito mais fácil visualizar o objetivo final cumprido. Se a meta ainda for grande, quebre-a em pedaços ainda menores até que você consiga enxergar que seja possível realiza-la.

O planejamento dá trabalho, mas todo trabalho bem feito proporciona uma recompensa ainda maior: a realização!


Passo 6: Mantenha-se na estrada


Assim que tiver decidido o seu primeiro conjunto de metas, mantenha o processo em andamento, revendo e atualizando sua listagem periodicamente.

Reveja também periodicamente os planos de longo prazo e os adéque para refletir sua mudança de prioridades e experiências. Uma boa maneira de fazer isto é agendar revisões regulares como uma planilha em um computador (rever os planos a cada três meses é o suficiente).

Por exemplo, em vez de ter como objetivo “Navegar ao redor do mundo”, é mais poderoso dizer “Ter completado minha viagem ao redor do mundo até 31 de dezembro de 2015”. Claro que isso só será possível se muitos detalhes (as metas) forem concluídos com antecedência!

Quero atentar aqui para alguns detalhes importantes. Não acredite em conto de fadas nem veja sua vida como um filme Hollywoodiano: se o fizer, vai se frustrar! Como assim? Como muito bem colocado em um texto do site Mude.nu “Como os filmes de superação nos enganam na parte mais difícil”, o roteiro de um filme de superação divide-se, basicamente, em três partes:


  • A dificuldade é detalhadamente apresentada
  • O protagonista decide vencer a dificuldade e treina duro para isso
  • O protagonista vence a barreira e triunfa na vida


A primeira parte toma grande parte do filme; a terceira parte é o “grand finale”. E a segunda parte passa assim:



Com um “fast forward” (avançar rápido) cria-se a falsa impressão de que em dois minutos a fase do treinamento, da persistência, da disciplina é rápida, desde que nós aceitemos em cumpri-lo – por uma semana. Ledo engano. Filmes têm seu aspecto fantasioso, têm que contar uma história, inspirar, comover e vender! Mas no mundo real, você vai deparar com uma longa segunda parte do filme da vida. E se seu objetivo for importante, valer a pena, mesmo que demore, mesmo que você tenha que dar “sangue, suor e lágrimas” para alcança-lo, quando chegar lá, tenha certeza, todo esforço terá valido a pena – cada fração de energia gasta para alcançar seu objetivo. Daí reforço a importância de definir BEM o que se deseja e de vez em quando verificar sua rota, revisando todo seu plano, se necessário.

Tenha CERTEZA que aquela vozinha negativa virá e falará um monte na sua cabeça “Você não pode”. Ignore-a. Ignore e concentre na execução e conclusão da tarefa. Quando terminar, volte àquele seu ‘eu-negativo’ e diga: “Sim, eu posso. Tanto que eu fiz”. Você não imagina o quanto isso é prazeroso. Experimente e comprove!

Como disse no post anterior, caso não entenda alguma coisa, deixe seu comentário abaixo ou entre em contato comigo. Na medida do possível vou procurar te ajudar, esclarecendo aquilo que ainda pode ter ficado nebuloso. Talvez você precise de uma segunda opinião. Se quiser, estou à disposição para ajudar!

Então, diante desse tanto de informação, só posso desejar que você tenha uma excelente reflexão, que consiga esmiuçar seus objetivos e metas e, principalmente: realiza-los, gerando resultado no mundo real.

Grande abraço e até!

7 de outubro de 2013

Tornando seus objetivos em metas (parte 2)

No último post começamos a conversar sobre como definir objetivos, o porquê de defini-los, as grandes áreas que temos que refletir para entendermos melhor quais são nossas prioridades para os próximos anos (Passo1) e também mostrei uma forma de priorizar (Passo 2), já que o poder de realização está no foco.

Você conseguiu definir seus "objetivos-mor"? Como foi sua experiência com a definição das prioridades? Quais áreas se mostraram mais importantes em suas vidas, nesse momento? Se ainda não realizou os passos 1 e 2 esse post talvez fique um pouco "solto". Recomendo que o faça e, se quiser, compartilhe conosco lá nos comentários! (Se tiver dúvidas de como fazer, inclusive, posso tentar te ajudar na medida do possível, ok?!)

Bom, vamos lá!

Nesse post, como prometido, vou mostrar os dois passos seguintes: o que é e como aplicar a técnica S.M.A.R.T.E.R. e como que definimos metas menores. Vamos por partes.


Passo 3: usando a técnica S.M.A.R.T.E.R. para estabelecer os objetivos e metas de forma mais inteligente


Smart é uma palavra em inglês que significa inteligente. O primeiro uso conhecido do termo aconteceu na edição de novembro de 1981 da Management Review por George T. Doran. S.M.A.R.T. é uma palavra usada como uma sigla de fácil memorização para os itens imprescindíveis na definição de objetivos. Cada letra tem um significado que determina o passo a passo da técnica:

  • Specific (Específico)
  • Measurable (Mensurável)
  • Attainable (Alcançável)
  • Relevant (Relevante)
  • Time-bound (definido no Tempo)


O conceito da técnica evoluiu e criou-se mais duas etapas, ficando a sigla S.M.A.R.T.E.R. (tradução livre: mais inteligente):

  • Evaluate (Avaliar)
  • Reevaluate (Reavaliar)


Digamos que você tenha como objetivo “construir uma casa”. Essa forma de definição de objetivos é muito genérica, muito “solta” e provavelmente não se realizará. A chance, inclusive, de você se frustrar é bem grande – basta lembrar das promessas de fim de ano: mal construídas, sem definições, sem sentimento de urgência, sem prazo, sem a devida importância, o devido envolvimento.

Mas, como já se pode imaginar, existe a técnica S.M.A.R.T.E.R. para nos ajudar a delinear os nossos objetivos em todos os detalhes. Vamos definir letra por letra, passo por passo, para que se clareie o método e a técnica.

Paul J. Meyer descreve as características dos objetivos S.M.A.R.T. em seu livro Attitude is Everything (2003):

Specific (Específico)

O primeiro critério realça a necessidade de um alvo específico, em vez de um objetivo genérico. Isso significa que o objetivo é claro e inequívoco; sem caprichos e banalidades: o objetivo é direto. Para construir objetivos específicos, é necessário descrever exatamente o que se espera, porque é importante, quem está envolvido, onde é que vai acontecer e quais atributos são importantes. “Conseguir um emprego” pode ser começar a trabalhar em qualquer coisa, mas "conseguir um cargo de gerente de projeto em uma multinacional ganhando pelo menos R$ 8.000,00 por mês" já mostra exatamente o que você pode estar buscando.

Um objetivo ESPECÍFICO responde às cinco perguntas "W", que vêm do inglês: What (o que), Why (por quê), Who (quem), Where (onde), Which (quais):

  • (what) O QUE: O que eu quero realizar?
  • (why) POR QUÊ: Quais são os motivos específicos, a finalidade ou benefícios de realizar o objetivo.
  • (who) QUEM: Quem está envolvido?
  • (where) ONDE: Identificar uma localização.
  • (which) QUAIS: Identificar os requisitos e restrições.


Measurable (Mensurável)

O segundo critério enfatiza a necessidade de critérios concretos para medir o progresso em direção à realização do objetivo. A ideia por trás disso é que, se o objetivo não é mensurável, não é possível determinar se está existindo progresso em direção a conclusão bem-sucedida daquilo que se deseja.

Medir o progresso é importante para te ajudar a continuar caminhando em direção àquilo que se deseja, atingir os seus prazos, e experimentar a alegria da conquista que o estimula a um esforço contínuo necessário para atingir o objetivo final. Digamos que seu objetivo é “ser feliz”. Como você sabe quando já é feliz? Quando alcançou o que você precisa? Por isso seu objetivo deve ter uma medida – assim você terá como comparar o desempenho tido com o esperado e também quando chegou lá.

Um objetivo MENSURÁVEL responde a perguntas como:

  • Quanto vai custar?
  • Quanto (de determinada coisa) vou precisar?
  • Como saberei quando ele é alcançado?



Attainable (Alcançável)

O terceiro critério reforça a importância de objetivos que sejam realistas e alcançáveis. Um objetivo alcançável te estimula a se esforçar a fim de alcançá-lo, portanto ele não deve ser nem tão fácil e nem tão difícil: um desafio mediano é suficiente. Ou seja, os objetivos não são nem fora do alcance nem abaixo do seu padrão de desempenho, senão correm o risco de perderem sentido.

Quando você identifica os objetivos que são mais importantes em sua vida, você começa a descobrir maneiras pelas quais pode torná-los realidade. Com isso desenvolverá atitudes, habilidades, competências e capacidade financeira necessárias para alcançá-los. Que fique claro: sonhar é preciso – mas esse não é o ponto. Realizar uma viagem para Vênus daqui a 2 anos pode não ser um bom exemplo de objetivo alcançável.

Um objetivo ALCANÇÁVEL responde à seguinte pergunta:

  • Como o objetivo pode ser cumprido?


Geralmente é nessa etapa da técnica S.M.A.R.T.E.R. é que você descobre que existem vários outros pequenos degraus, as metas, para alcançar seu objetivo. E com cada uma delas você deve aplicar a técnica descrita, chegando ao momento em que você tenha apenas “metas operacionais”. Vou detalhar isso mais adiante.

Relevant (Relevante)

O quarto critério salienta a importância da escolha de objetivos que tenham significado. O objetivo de um gerente de banco "Fazer 50 sanduíches de geleia e de manteiga de amendoim até às 14h" pode ser específico, mensurável, alcançável, e definido no tempo, mas não tem relevância alguma! Melhor traduzido: o objetivo tem que “fazer sentido”. Muitas vezes você vai precisar de apoio para realizar um objetivo: recursos, alguém que te estimule, alguém que derrube obstáculos. Objetivos que são relevantes para você e sua família, por exemplo, provavelmente receberão o apoio necessário para serem realizados.

Objetivos relevantes (quando conhecidos) te motivam a continuar, a seguir em frente. Um objetivo que apoia ou está alinhado a outros objetivos pode ser considerado como um objetivo relevante.

Um objetivo RELEVANTE pode responde SIM a estas perguntas:

  • Isto parece que vale a pena?
  • Este é o momento certo?
  • Será que esse objetivo vai/pode combinar com outros esforços/necessidades?
  • O objetivo é aplicável no atual ambiente sócio-econômico-técnico?
  • Uma pergunta extra que combina com primeiro passo da técnica S.M.A.R.T.E.R., Specific, e que pode, nesse momento, trazer um significado emocional é a seguinte: Por que essa meta é importante para você?


Time-bound (definido no Tempo)

O quinto critério enaltece a importância da definição dos objetivos dentro de um prazo determinado, dando-lhes uma data-alvo. Um compromisso com prazo definido te ajuda a concentrar seus esforços na conclusão da meta antes ou na data de vencimento.
Você já ouviu a história de que o noivado é para ganhar mais tempo para poder casar? Ou então o clássico “passa lá em casa qualquer dia!”. Objetivos sem prazo definido ficam perdidos no tempo, pois nosso cérebro não reconhece a urgência de uma atividade até saber quando ela deve ser completada.

Além disso, para saber se você está indo bem, precisa ter metas para seu objetivo principal que serão cumpridas em determinados prazos. Aprender um novo idioma, por exemplo, pode ser dividido em “procurar e escolher uma escola”, com o prazo de 1 mês; “assistir todas as aulas” com o prazo de 6 meses letivos; “começar a comprar revistas neste idioma” com prazo de 4 meses… e assim você cria “marcos” que vão permitir que você se auto avalie e analise seu progresso. A definição de prazos para o objetivo final com base nas pequenas metas faz com que o objetivo final se torne mais palpável.

Essa parte dos critérios da técnica S.M.A.R.T.E.R. se destina a impedir que seu objetivo seja atropelado pelo caos que existe no dia-a-dia; se destina a estabelecer um senso de urgência.

Um objetivo DEFINIDO NO TEMPO geralmente responde às seguintes perguntas:

  • Qual é a data-alvo, o prazo máximo?
  • O que posso fazer nos próximos seis meses?
  • O que posso fazer nas próximas seis semanas?
  • O que posso fazer hoje?


Evaluate (Avaliar) e Reevaluate (Reavaliar)

Os dois últimos critérios relacionam-se entre si e têm a função de assegurar que os objetivos serão periodicamente revisados (para avaliar, inclusive, sua evolução e até a necessidade de alguma correção de rumo ou mesmo se ainda o objetivo é válido) e garantir que eles não serão esquecidos.

Perguntas que se encaixam nessa etapa são as como se seguem:

  • De quanto em quanto tempo vou rever meus objetivos?
  • Estou caminhando na direção certa?
  • Estou conseguindo cumprir os prazos estabelecidos?
  • Minhas aspirações mudaram?
  • Posso melhorar alguma coisa no planejamento?


Logo abaixo segue uma animação em PREZI para que você possa sempre ter em mente, de uma maneira lúdica, a técnica S.M.A.R.T.E.R. e seus devidos questionamentos:





Passo 4: Defina metas menores


Depois de ter definido os seus objetivos de vida e de aprender como definir esmiuçadamente cada meta, cada objetivo, é hora de determinar um plano de metas menores para cada cinco anos, um plano que mostre o que você precisa concluir se quiser alcançar seu plano de vida. Dê atenção especial às áreas prioritárias, pois elas provavelmente ajudarão a desenvolver as que não pertencem ao foco principal.

Em seguida, crie um plano de um ano, um plano de seis meses e um plano de um mês de metas progressivamente menores (use a técnica S.M.A.R.T.E.R. para esmiuçar os detalhes de cada meta menor). Cada um destes planos deve ter como base o plano anterior, o plano maior. Uma sugestão interessante é criar um diário fazendo uma listagem de coisas que você deve fazer hoje para trabalhar para seus objetivos.

Foi dito na etapa do “Attainable” (alcançável, realizável) que muitas novas metas podem surgir, como de fato surgem após a pergunta “como eu posso alcançar isso?” Nesse momento você começa a estruturar sua estratégia, a enxergar os passos que devem ser dados para alcançar seu objetivo maior: é exatamente nesse ponto que você começa a determinar as suas metas menores, as metas operacionais -  as pequenas coisas que precisam ser feitas. É fundamental, reitero, estar sempre munido de um caderninho ou mesmo só papel e caneta para as anotações e inspirações, pois certamente você enxergará muitos passos – anote todos! Cada passo, cada etapa que você enxergar deve passar pela técnica S.M.A.R.T.E.R., pois assim conseguirá defini-lo de forma bastante clara.

No princípio, suas metas menores poderiam ser as de realizar a leitura de livros e reunir informações sobre a realização de seus objetivos de nível superior. Isso te ajudará a melhorar a qualidade das ideias e trazer para a realidade suas definições.

Finalmente reveja seus planos e se certifique de que eles se encaixam na maneira pela qual você quer viver sua vida.

Eu prometi que falaria de alguns de meus objetivos. Decidi selecionar o objetivo de SAÚDE para exemplificar. Você pode, se quiser, usar a estrutura circular como demonstrada na animação para facilitar o desenvolvimento da definição de suas metas. Fique à vontade.


Por enquanto é só. Agora você tem mais dever de casa.

Ah sim! Antes que me esqueça: não ache que conseguirá definir e estruturar todos os objetivos e esmiuçar todas as metas de uma só vez. Não que seja impossível, mas na medida em que você vai executando, você vai enxergando novas etapas a serem concluídas antes de alcançar seu objetivo final.

Como brinquei com meu amigo professor Elisson de Andrade (inclusive ele tem um blog de finanças pessoais bem bacana, clique aqui): mesmo quando estamos correndo temos que dar um passo depois do outro.


No próximo post falaremos sobre as duas últimas etapas para a transformação dos seus objetivos em metas: colocar todos seus objetivos numa linha do tempo (uma ideia de sequência de execução) e sobre a parte mais desafiadora do processo: manter-se na estrada.

Até lá!

30 de setembro de 2013

Tornando seus objetivos em metas (parte 1)


Nas últimas semanas tenho trabalhado na conclusão de um material para oficinas de educação financeira que tenho desenvolvido. Na segunda parte da primeira oficina, eu discorro sobre três assuntos: dois deles são ferramentas de controle financeiro (falo sobre fluxo de caixa pessoal e sobre balanço patrimonial pessoal) e o outro é sobre objetivos. A definição de objetivos, para ser mais exato.

Muitos de nós, vez ou outra, nos sentimos à deriva do mundo: trabalhamos pra caramba, mas parece que não saímos do lugar. Talvez, uma das principais razões seja porque você não investiu tempo suficiente no processo de definição de seus objetivos. Objetivos formais, bem estruturados, com sentido, com formas de mensurar sua evolução, palpáveis.

Certamente você já ouviu uma famosa frase de Shakespeare: “Se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve” (inclusive tem essa excelente performance, O Menestrel, que vale a pena conferir. Clique aqui). Pois bem, vamos determinar, definir e criar um lugar pra gente, só nosso. Afinal, se soubermos exatamente o que desejamos conseguir, poderemos concentrar os nossos esforços.


Por que definir objetivos?


Mas antes de começarmos, quero te lançar uma pergunta: por que definirmos objetivos? Não é mais fácil deixarmos a vida nos levar? Pode até ser... mas a vida pode nos levar a lugares que não gostaríamos. Além do mais, temos recursos limitados. Sim, todos temos 24 horas e o tempo é um recurso valiosíssimo que temos de aprender a aproveitá-lo muito bem, de preferência desde cedo (se ainda não se deu conta, sua passagem aqui na Terra é bastante rápida e quase não é notada no ‘todo’); outra recurso que é limitado é a nossa energia: um artigo da Fast Company mostrou, dentre outras coisas interessantes sobre nosso cérebro, que é impossível sermos multitarefas (acesse o link para a leitura do artigo completo, em inglês: clique aqui). Então aprume as velas e defina, por conta própria, seu rumo!

As metas são os degraus para que se alcancem os objetivos


Uma forma bastante eficaz de determinar seus objetivos é fazê-lo em níveis (eu mesmo fiz e vou dar exemplos pessoais logo adiante):
  • Primeiro você cria a sua “grande visão”, ou seja: aquilo que você quer fazer com sua vida (ou, digamos, nos próximos 5 ou 10 anos), e identifica os objetivos em grande escala que pretende alcançar;
  • Daí subdivide esses padrões em os alvos menores – que são as METAS – dos quais você deverá cumprir para alcançar seus objetivos;
  • Finalmente, depois de ter seu plano, você começa a trabalhar nele para alcançar as metas estabelecidas.


Parece ser simples e realmente é. Mas não significa que não dê trabalho para fazer.

Começamos a definir nossas metas olhando para nossos objetivos. Vamos por partes.


Passo 1: Definindo objetivos


O primeiro passo na definição das metas é considerar o que você deseja alcançar em sua vida – ou pelo menos, em um tempo significativo no futuro.

A definição de objetivos oferece a perspectiva global que molda todos os outros aspectos da sua tomada de decisão.

Para dar uma cobertura ampla e equilibrada de todas as áreas importantes em sua vida, tente estabelecer metas em algumas das seguintes categorias (ou em outras próprias que sejam importantes para você):

  • Carreira – Qual o nível que você deseja alcançar em sua carreira? O que você quer alcançar?
  • Financeiro – Quanto você quer ganhar, por quanto tempo? Como isso está relacionado com seus objetivos de carreira?
  • Educação – Existe algum conhecimento que você deseja adquirir em particular? Quais informações e habilidades você precisa ter para alcançar outros objetivos?
  • Familiar – Você quer ser pai? Se sim, como você vai ser um bom pai? Como você quer ser visto por um parceiro ou por membros de sua família?
  • Atitude – Há qualquer parte do seu modo de pensar que está te prendendo? Existe alguma etapa do caminho que seu comportamento lhe perturba? (Se sim, defina uma meta para melhorar o seu comportamento ou encontrar uma solução para o problema)
  • Saúde – Existe algum objetivo físico que você deseja alcançar? Você quer uma boa saúde na velhice? Quais os passos que você vai fazer para conseguir isso?
  • Lazer – Como você quer se divertir? Você deve garantir que alguns momentos de sua vida são para você!
  • Serviço voluntário – Você quer fazer do mundo um lugar melhor? Caso afirmativo, como?


Passe algum tempo refletindo sobre essas questões: tire uma tarde, um dia, vá para um parque calmo, crie seu momento para pensar sobre cada um desses aspectos deixando seus sonhos, suas vontades e anseios virem à tona. Em seguida, selecione um ou mais objetivos em cada categoria que melhor refletem o que você quer fazer. Depois, considere refinar sua seleção, cortando novamente para que você tenha um número pequeno de objetivos para que possa se concentrar, se for o caso. O poder de realização está em focar! (E convenhamos: não conseguimos ser eficientes e multifocais ao mesmo tempo). Ao fazer isso, certifique-se de que os objetivos definidos são aqueles que realmente deseja alcançar e não aquelas que os seus pais, familiares ou empregadores desejam que você alcance. Se você tem um parceiro (a), provavelmente você vai considerar o que ele ou ela deseja – porém, lembre-se: permaneça fiel a si mesmo – sempre!

Eu fiz isso. Tá certo que não fui a um parque, mas costumo caminhar e, de acordo com minha experiência pessoal, costumo pensar sobre diversas coisas enquanto caminho – parece que a mente trata de se tornar criativa e encontrar meios para solucionar meus problemas. Defini vários campos que considero, pelo menos no atual momento, importantes em minha vida: financeiro, carreira, educação, saúde, lazer, relacionamento íntimo, família, bens materiais – você pode imaginar que foi aquele tanto de coisa! Normal. Inclusive, recomendo que nesse momento só seu leve uma caneta e um caderninho para anotar suas ideias e inspirações. Essas informações são muito valiosas, pois refletem aquilo que você deseja fazer com sua vida de acordo com seu momento atual. Não vou falar sobre cada uma delas individualmente ou talvez nem aprofundar demais, porque tem coisa que é muito pessoal, mas vou selecionar algumas áreas para exemplificar o processo, ok?! Continuemos.

Mas, diante de tantas coisas importantes, como é que vou realizar tudo? Já disse e repito: O poder de realização está em focar! E quando falo isso significa que, mesmo diante de muitos objetivos importantes, é necessário priorizar.


Passo 2: Priorização


A maneira pela qual eu priorizei meus objetivos foi totalmente empírica e subjetiva. Porém, existe um método. E essa subjetividade não atrapalha? Não, claro que não. Na realidade ela é que vai ditar aquilo que você quer em sua vida. Bem isso.

Como disse, é necessário priorizar para poder forcar: esse processo tem o objetivo de definir aquilo que vai fazer a diferença não só nas áreas-foco, mas também nas outras, pois, querendo ou não, somos seres holísticos: não dá para mexer numa área sem afetar outra.
Mas como fazer isso? Uma maneira é relacionar cada área pensando como uma afeta a outra. Esse relacionamento, como disse, é totalmente subjetivo, mas com a descrição seguinte ficará mais claro como proceder.



Nossa, essa imagem está uma bagunça, cheia de setas” alguém deve ter pensado! Calma, calma que eu vou explicar.

Como disse, você deve fazer uma relação de como tal área afeta outra (nesse ponto você já tem que ter definido ao menos a ideia geral do que você quer em cada área, senão esse processo se perde, fica sem sentido). Por exemplo, vamos pegar o aspecto financeiro. Eu ganhar mais dinheiro afeta a forma como eu posso desenvolver minha carreira, pois posso ter acesso a melhores oportunidades, desenvolver/abrir algum negócio, dentre outras coisas; o financeiro também afeta minha educação, pois poderei custear cursos, eventos, aprimorar algum aspecto pessoal ou profissional em minha vida; também afeta meu relacionamento íntimo, pois com dinheiro posso ter acesso a novas e diferentes oportunidades de lazer, além de poder fazer coisas diferentes para meu companheiro com mais facilidade (não necessariamente precisa-se de dinheiro nessa área, mas não sou hipócrita em dizer que o dinheiro não ajuda); além disso, afeta a minha saúde: com minha situação financeira melhorada poderei fazer exercícios físicos com profissionais da área (por exemplo: musculação com personal trainer ou sessões de pilates, etc), poderei ter acesso a melhores médicos, e ter todo um aparato esportivo (bicicleta, por exemplo) que promovam a melhora de minha saúde; o financeiro, obviamente, afeta a aquisição de bens materiais; comprar um carro, uma casa, ou qualquer outro bem que desejar; e, também, afeta meu lazer: por exemplo, se valorizo fazer viagens para lugares diferentes, essas viagens provavelmente terão algum custo. Perceba que, nessa linha de raciocínio, o aspecto financeiro afetou diretamente seis áreas: carreira, educação, relacionamento íntimo, saúde, bens materiais e lazer. PROVAVELMENTE é uma área importante em minha vida, no atual momento.

Na medida em que você vai fazendo essas relações você vai criando áreas que afetam e áreas que são afetadas em sua vida. Nesse exemplo, perceba que, na minha avaliação subjetiva, a área de aquisição de bens materiais só é afetada pelo financeiro e não afeta nenhuma outra área (da mesma forma que família só é afetada pela área de relacionamento íntimo e não afeta outra).


De acordo com a imagem-exemplo, temos o seguinte panorama:


Definidas as relações, é chegada a hora de priorizar, determinando o peso da prioridade, conforme demonstrado a seguir:


Observe que do lado de quem afeta, a categoria FINANCEIRO ficou em primeiro lugar (azul), seguido de EDUCAÇÃO (verde); do lado de quem é afetado, o LAZER ficou em primeiro lugar (azul), seguido de CARREIRA e RELACIONAMENTO ÍNTIMO (verdes). Ou seja: temos um impasse. Daí segue-se a subjetividade, a reflexão de compreender o que é importante para você em sua vida, de acordo com o que determinou e definiu de forma mais geral no Passo 1. Nesse caso, optou-se por CARREIRA.

Diante disso, temos 4 áreas de atenção: FINANCEIRO, EDUCAÇÃO, CARREIRA e LAZER. Vale atentar que as três primeiras estão bastante correlacionadas, praticamente uma afetando a outra e gerando consequências positivas para as outras áreas, mesmo aquelas que não foram selecionadas como foco principal. Observe que as outras áreas também são importantes e também têm objetivos a serem cumpridos. Porém, serão, de certo modo, secundários perante as quatro áreas definidas pela seleção de prioridade.

Vou parar por aqui. Vocês já têm muita coisa pra pensar. Mas ainda não acabou: temos mais 4 passos (é, eu sei, tem muito mais coisa) para serem definidos e explicados, mas por enquanto já se tem muito “dever de casa”. No próximo post vamos falar de mais dois passos: definição e aplicação da técnica SMARTER e como definir metas menores, para que o objetivo principal fique mais palpável.

Até lá!