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13 de outubro de 2009

Viver na cidade ou no campo? (Esopo)



Particularmente, fábulas são uma excelente forma de transmissão de ideias.

Eu li em uma e-zine a fábula Viver na cidade ou no campo?, de Esopo, para tratar de um tema bastante comum: a mania que as pessoas têm de achar que a vida dos outros é sempre melhor que a sua, arrumando, até mesmo, alguns problemas com isso. Logo em seguida meus comentários. Primeiro, vamos à fábula:

Um camundongo que morava na cidade foi visitar o primo que vivia no campo. O do campo era um pouco arrogante, mas queria muito bem ao primo, de maneira que o recebeu com satisfação. Ofereceu-lhe o que tinha de melhor: feijão, toucinho, pão e queijo.

O camundongo da cidade torceu o nariz e disse:

— Não sei como você consegue viver com esses pobres alimentos. Venha comigo e eu lhe mostrarei como se vive na cidade. Depois de uma semana lá, você ficará admirado de ter suportado a vida aqui.

Então, os dois se puseram a caminho. Tarde da noite, chegaram à casa do camundongo da cidade, que disse ao primo:

— Depois dessa caminhada, certamente você quer um refresco. E conduziu-o à sala de jantar, onde encontraram os restos de uma grande festa. Puseram-se a comer geleias e bolos deliciosos. De repente, ouviram rosnados e latidos.

— O que é isso? – perguntou, assustado, o camundongo do campo.
— São simplesmente os cães da casa – respondeu o da cidade.
— Simplesmente? Não gosto dessa música durante o meu jantar!

Neste momento, a porta se abriu e apareceram dois cães enormes. Os camundongos fugiram às pressas.

— Adeus, primo – disse o camundongo do campo. Vou voltar para minha casa.
— Já vai tão cedo? – perguntou o da cidade.
— Sim, já vou e não pretendo voltar – concluiu.

Na vida real

Acredito que todos nós já deve ter desejado viver a vida de outra pessoa. Já se pegou pensando: “Fulano sim é feliz, ele tem a vida que eu pedi a Deus” ou “Beltrano não tem do que reclamar, pois ele possui o melhor cargo nesta empresa”. É aquele caso de que "a grama do vizinho é sempre mais verde"...

Basta observarmos que todos nós, sem exceção vive de bons e maus momentos na vida e, geralemente o que os determina é nosso ponto de vista em relação aos nossos pensamentos. Todo cargo ou profissão tem aspectos positivos e negativos; toda relação tem aspectos positivos e negativos - para quem ainda não acordou o mundo é repleto de dualidades. Ninguém vive na completa perfeição, mas muita gente demora a entender isso e passa anos sonhando com a vida dos outros enquanto faz da sua própria realidade um verdadeiro inferno.

Muitas pessoas até mudam de profissões, cidades e empresa porque acham que tudo será mais fácil baseadas somente nas experiências dos outros, como o personagem da fábula. Essas pessoas, e o camundongo do campo, só se esquecem de verificar antes se o melhor para os outros é realmente o melhor para elas. Então, antes de pensar que os outros têm uma vida ou algo melhor que você, analise todos os prós e contras, principalmente os contras, afinal, eles existem!

10 de outubro de 2009

Gestão das Finanças Pessoais

Por que algumas pessoas com bons salários vivem afogadas em dívidas no cartão de crédito e no cheque especial enquanto outras, que ganham menos, conseguem manter as contas em ordem e até poupar para realizar projetos futuros? A resposta está em uma ferramenta que vem ganhando cada vez mais adeptos: a gestão das finanças pessoais. Saber administrar com eficiência seus rendimentos, mantendo controle sobre o que se ganha e o que se gasta, é a fórmula para sair da angustiante situação de descontrole financeiro, que prejudica não apenas a vida pessoal, mas também o desempenho profissional.

Vamos a algumas reflexões:

Por que tantas pessoas têm problemas em administrar seu orçamento pessoal?
Porque, de uma forma geral, elas não se preocupam em controlar ou acompanhar suas finanças pessoais. Nós funcionamos como uma empresa, que tem valores a receber, contas a pagar, despesas fixas e variáveis. Você consegue imaginar uma empresa que não se preocupa com o seu orçamento? Não, pois todo empresário sabe que uma boa gestão financeira é absolutamente essencial para que seu negócio seja bem-sucedido. Com pessoas, é exatamente a mesma coisa.

Qual o melhor momento para adotar a gestão das finanças pessoais?
Muita gente acha que só deve cuidar da gestão de suas finanças pessoais em momentos de crise. Esse é um conceito equivocado. Deve-se cuidar desse tema o mais cedo possível. Cuidar de seu orçamento pessoal é uma atitude básica para quem deseja ter um orçamento equilibrado, gastar corretamente, não contrair dívidas desnecessárias, conseguir poupar para realizar projetos como a compra de um carro, de um apartamento ou realizar uma viagem.

Em que consiste a gestão das finanças pessoais?
Assim como em uma empresa, o primeiro passo é fazer um orçamento realista. É preciso montar uma boa planilha para se ter visibilidade dos seus ganhos e das suas despesas. A partir daí, é preciso avaliar as variáveis e particularidades de cada caso, se há dívidas a serem renegociadas ou despesas que podem ser cortadas. O conceito básico é que não se pode gastar mais do que se ganha. É preciso adotar alguns ajustes, traçar um plano realista, com objetivos possíveis, e cumpri-lo com acompanhamento e disciplina. Uma sugestão interessante de planilha de orçamento familiar (pessoal) está no site www.maisdinheiro.com.br de Gustavo Cerbasi. Clique aqui para baixá-la.

Quais os erros mais comuns nessa área?
São muitas ciladas. Contar com o cheque especial como se fosse salário e rolar dívidas, fazendo sempre o pagamento mínimo do cartão de crédito, por exemplo, são dois erros muito freqüentes que costumam bagunçar todo o orçamento doméstico. Com planejamento e algumas ferramentas específicas, é possível sair dessa “bola de neve”.

Que outras medidas podem ser adotadas?
É importante registrar todas as despesas, inclusive as pequenas, para ter visibilidade de seus gastos e montar um orçamento real. Programar e tentar levantar o pagamento de dívidas, priorizando as que têm menor taxa de juros. Evitar comprar a prazo, pois você perde a visibilidade do seu gasto. Evitar usar cartão de crédito para despesas pequenas. É importante também evitar a compra por impulso, pensar, deixar o emocional de lado (difícil, mas essencial) na hora de gastar. São várias pequenas mudanças de comportamento que, ao lado de uma estratégia consistente, permitem que a pessoa volte a ter controle sobre seu orçamento e possa, inclusive, gerar uma folga para criar uma poupança ou aplicar em outros investimentos.


“A economia freqüentemente nada tem a ver com o montante de dinheiro investido, mas com a sabedoria com que se gasta.”
Henry Ford

1 de outubro de 2009

Derivativos - Mercado de Opções

Em um post anterior, escrevi sobre o Mercado a Termo e o que seu alto nível de alavancagem pode proporcionar (clique aqui para ler). Hoje discorreremos sobre o Mercado de Opções até onde meus conhecimentos permitirem.

Primeiro vamos definir algumas coisas.

O que são contratos de opções? São acordos nos quais, por intermédio de um único pagamento (inicial), uma das partes tem o direito (e NÃO a obrigação) de comprar ou vender o ativo-objeto em uma certa data a um preço pré-estabelecido. A outra parte da operação recebe esse pagamento como remuneração por sua exposição ao risco, que pode chegar a ser ilimitado. As opções também podem ser negociadas em mercado de balcão, no caso das opções flexíveis. Mas hoje vamos nos limitar às opções negociadas em bolsa, que são padronizadas em seus itens contratuais da mesma forma que os contratos futuros.

Existem no mercado dois tipos de opção:
  • Opção de compra (também chamada de call) que concedem ao investidor o DIREITO DE COMPRAR um ativo-objeto por um preço predeterminado até o dia do vencimento; e
  • Opção de venda (também chamada de put) que concede ao investidor o DIREITO DE VENDER um ativo-objeto por um preço determinado no dia do vencimento.
Outra coisa:
  • Quem COMPRA uma opção tem o DIREITO (não a obrigação) de exercer a compra ou venda do ativo-objeto;
  • Quem LANÇA uma opção (essa pessoa se chama Lançador) tem o DEVER, a OBRIGAÇÃO de comprar ou vender o ativo-objeto, caso a outra parte assim queira.

Mas como é que se ganha dinheiro numa ou noutra operação? É o seguinte:

Suponhamos que um investidor compra uma opção de compra (ou seja, o DIREITO DE COMPRAR) de PETR4 a R$ 30,00 (redundante, mas é isso mesmo!).

Em determinado momento o ativo de PETR4 no mercado à vista chegou a uma valorização de R$ 35,00. Nesse momento ele pode exercer o DIREITO de comprar esse ativo da parte vendedora. Lembrando que se pode exercer o direito de compra a qualquer momento até a data do vencimento da opção. Ou seja, o investidor comprou mais barato e tem um ativo mais valioso. Mas e se acontecer o contrário: no dia do vencimento PETR4 estiver a R$ 25,00? O investidor provavelmente desistirá de comprar, porque no mercado à vista o ativo está mais barato, portanto, não sendo interessante comprá-lo mais caro.

Agora e se um investidor compra uma opção de venda (ou seja, o DIREITO DE VENDER) de PETR4 a R$ 31,00?

As opções de venda são exercidas somente no dia do vencimento, certo? Então, digamos que nesse dia as ações de PETR4 no mercado à vista despencaram para R$ 28,00. O investidor provavelmente exercerá sua opção de venda, vendendo seus ativos por R$ 31,00 cada e ganhando R$ 3,00 a cada ativo-objeto. Se ocorrer o contrário (PETR4 se valorizar e chegar, por exemplo, a R$ 35,00) o investidor não exercerá seu direito, pois para ele não é interessante.


Normalmente, uma opção é um valor bem pequeno em relação ao ativo-objeto. Uma opção de compra ou venda de PETR4, por exemplo, pode ser de R$ 0,50 como de R$ 2,00 (varia muito), dependendo somente da oferta do Lançador.

Existem muitas particularidades e possibilidades com opções, inclusive de poder operar com ações, índices, commodities, moedas estrangeiras, contratos futuros.

Mas quais as vantagens?
  • alto potencial de rentabilidade;
  • ótima ferramenta de proteção das oscilações de preços;
  • possibilidades de operar em mercados de alta, baixa ou "de lado";
  • diversas estratégias de operação;
  • possibilita realizar hedge (proteção) das operações;
  • alavancagem de seus investimentos.

Código e Vencimento


Exemplo: O que é uma PETR4W32? É uma opção de venda de Petrobrás PN no valor de R$ 32,00 com vencimento em novembro de algum ano.

O que é uma VALE5A20? É uma opção de compra de Vale PN no valor de R$ 20,00 com vencimento em janeiro de algum ano.

Com relação aos vencimentos: as opções (sejam de venda ou de compra) vencem na terceira segunda-feira de cada mês. Usando os exemplos anteriores com base na data de hoje (01/10/2009), a PETR4W32 venceria em novembro de 2009, no dia 16/11/2009. A VALE5A20 venceria no ano que vem (2010), no dia 18/01/2010.


Considerações: sempre é bom lembrar que não estou recomendando nenhuma operação, apenas tentando expor de modo mais claro o que é transmitido pelos profissionais de mercado, em salas de aula ou até mesmo em revistas especializadas. Opções é um assunto um pouco mais complexo para se entender, mas depois que "a ficha cai" as coisas ficam bem mais claras.

Lembrem-se do seguinte: é importantíssimo aprender seja por cursos, aulas, livros, palestras, DVD's, etc; é importante ter a experiência de operar; é importante ter controle emocional. Mas o mais importante de tudo é ter os três ao mesmo tempo.