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3 de setembro de 2013

A teoria do controle contra ativo

Artigo originalmente postado em Gestor FP.

No último post sobre autocontrole, discorremos sobre a importância de distinguirmos os conceitos dos efeitos de curto e longo prazos. Para ler o último post, clique aqui.

Neste post falaremos sobre a Teoria do Controle Contra ativo (Counteractive Control Theory ou CCT).

De acordo com a CCT, se intensificarmos a importância dos resultados de curto prazo poderemos aumentar a capacidade de escolher que decisão tomar de acordo com as metas de longo prazo, o que faz com que nos comprometamos com as atividades de curto prazo: ao reforçar a importância de se fazer um exame de sangue pensando na saúde no longo prazo, tanto uma pessoa que espera que o teste seja doloroso (e provavelmente será, pois psicologicamente ela considera o checkup aversivo) quanto outra que espera que o mesmo procedimento seja agradável o farão. Contudo, ao reforçar tal importância antes do teste impede que a pessoa que tem aversão recue de sua decisão.

A Teoria do Controle Contra Ativo (CCT) assume que as pessoas devem assumir os esforços pró-autocontrole de modo que eles sirvam de meios para alcançar as metas de longo prazo. Primeiro, esse esforço depende do valor dos resultados que se deseja a longo prazo. Quando tais objetivos de longo prazo não têm muito valor a motivação para se comprometer com eles é reduzida, fazendo com que os esforços para se controlar também se reduzam. Por isso se torna fundamental criar objetivos desafiadores, mas que também sejam relevantes em sua vida.

Em segundo lugar, o efeito dos resultados de curto prazo sobre o controle contra ativo não é monotônico, ou seja, não tem apenas um sentido: quando os custos de curto prazo de uma atividade são muito baixos as pessoas tendem a se sentir capazes de realizar uma atividade sem exercer autocontrole; quando os custos de curto prazo são extremamente elevados, as pessoas tendem a se sentir incapazes de realizar a atividade, mesmo que elas exerçam os esforços para se autocontrolar. Somente quando os custos de curto prazo de uma atividade são moderados que os esforços de autocontrole podem determinar se a atividade deve ser realizada.

Em terceiro lugar, as pessoas exercem o controle contra ativo ANTES, mas não após a realização de uma atividade. Antes de realizar uma atividade, o controle contra ativo pode ajudar as pessoas a escolherem e realizarem uma atividade. Depois de executar a atividade, o controle contra ativo (tal como reforçar a importância da atividade) só serve para reduzir algum arrependimento. A CCT prevê, portanto, que os resultados de curto prazo de uma atividade deveriam provocar o controle contra ativo antes e não após se comprometer com alguma atividade. Por exemplo, imagine que você está definindo o patrimônio que deve ser construído para que alcance a sua independência financeira e descubra que deve mudar de hábitos e talvez até reduzir seu padrão de vida para chegar lá: só que isso implica em abrir mão de consumo agora – é um processo bastante delicado, certo? Porém, se isso realmente for importante, atingir um patamar em que você pare de precisar de jogar o jogo do dinheiro, um patamar em que se torne dono absoluto do seu tempo, um patamar que você trabalha apenas naquilo que quer e porque gosta, talvez os custos de curto prazo tendam a ser melhor tolerados. Ou seja: o valor de se realizar tais mudanças devem ser enfatizados antes (e até durante) a realização do plano para independência financeira, mas não depois (se é que vai conseguir concretizá-lo).

Existe uma vasta literatura sobre diversas estratégias de autocontrole; Trope e Fishback propuseram 5 experimentos que avaliam o seguinte: (1) o efeito de penalidades monetárias de curto prazo caso o descumprimento das atividades de curto prazo afetem os resultados de longo prazo; (2) o efeito de recompensas contingenciais ou por performance que estejam relacionadas aos objetivos de longo prazo; (3) o efeito de desempenhar determinada atividade apesar do desconforto físico; (4) qual grau de desconforto que ativa a capacidade das pessoas se autocontrolarem; (5) o efeito de se elevar a percepção dos custos de curto prazo da atividade antes dela ser executada e não depois.

Sei que toda essa pesquisa tende a ser um assunto técnico, apesar disso, ela pode nos dar alguns caminhos para desenvolvermos nossas próprias técnicas para ativarmos nosso autocontrole e caminhar em direção aos nossos objetivos de longo prazo.

Por enquanto é só.

Até!

31 de agosto de 2013

O autocontrole e os efeitos de curto e longo prazos

Artigo originalmente escrito em GestorFP.

Uma das maiores dificuldades das pessoas é ter autocontrole. Essa habilidade é fundamental para que consigamos atingir nossos objetivos na vida. Existem vários estudos no campo da psicologia que tratam desse tema, já que, se descobrirmos os mecanismos internos que nos permitam acessar essa habilidade tão cobiçada, poderemos ter maiores possibilidades de sucesso.

Conforme foi dito no artigo anterior (clique aqui para ler), o autocontrole é uma habilidade que pode e deve ser desenvolvida, ainda mais quando o foco de atenção são as finanças pessoais. Dois estudiosos sobre esse assunto, Yaacov Trope (New York University e Tel Aviv University) e Ayelet Fishback (The Academic College e Tel Aviv-Yaffo), mostram através de um estudo realizado (Counteractive Self-Control in Overcoming Temptation) cinco experiências que podem nos estimular a criar meios para desenvolvermos ou eliciarmos o autocontrole.

Geralmente as pessoas sabem o que querem, mas se sentem inseguras se aquilo que querem é realmente o que desejam. Essa incerteza reflete as dificuldades em tornarem seus desejos viáveis através da falta de oportunidades, falta de liberdade de escolha ou falta de habilidades pré-requeridas. O trabalho de Trope e Fishback tomou como base várias outras pesquisas sobre autocontrole e as estratégias/hipóteses que eles criaram procuram determinar (a) como antecipar as tentações que provocam o autocontrole bem como (b) se o autocontrole diminui a influência das tentações no comportamento.

Antes de falarmos sobre essas experiências que eliciaram as estratégias, vamos fazer algumas distinções entre os efeitos percebidos das atividades a curto prazo e a longo prazo. Os efeitos de curto prazo são imediatos, mas não são perenes; por outro lado, os de longo prazo são remotos, mas duradouros. Quando nos deparamos com situações em que os efeitos de curto prazo se defrontam com os de longo prazo, nos encontramos em um grande dilema. Um exame médico pode causar desconforto imediato, mas pode prevenir e promover sua saúde no longo prazo. Porém, as pessoas podem decidir não realizar o check-up caso tenham uma pré-compreensão de que o desconforto percebido é maior do que ele é de fato – em geral quando os efeitos de curto prazo entram, de fato, em conflito com os efeitos de longo prazo, as pessoas tendem a perceber os eventos de curto prazo como ameaças aos seus interesses de longo prazo. Em resposta a essa ameaça, as pessoas podem exercer o autocontrole envolvendo inúmeros processos cognitivos, emocionais e motivacionais a fim de neutralizar os incômodos do presente objetivando alcançar os resultados almejados no futuro.

Descomplicando: a compreensão da importância de realizar reservas para a conquista de seus sonhos ou de realizar a atividade de registro de TODAS as entradas e saídas em suas finanças pessoais (para muitos inicialmente incômoda) pode fazer com que você tenha uma vida financeira compensadora. De acordo com a pesquisa, esse autocontrole pode ser obtido através de autoimposições de penalidades materiais, sociais ou psicológicas. Quando o desconforto é pequeno, pouco ou nenhum autocontrole é exercido; quando o desconforto é grande demais, isso pode fazer com que você não exerça autocontrole, pois vai parecer que é impossível de realizar determinada atividade.

No próximo artigo falaremos sobre a Teoria do Controle Contra Ativo (Counteractive Control Theory ou CCT), uma das bases de compreensão desse estudo.

Até lá!

27 de agosto de 2013

O principal fator para seu sucesso financeiro

Artigo originalmente postado em Gestor FP.

São vários os fatores que podem nos conduzir ao sucesso na vida, seja esse o sucesso financeiro, pessoal, ou o profissional.

Limitando-nos ao aspecto financeiro, poderíamos dizer que os ingredientes para o sucesso incluem: uma boa administração financeira dos próprios recursos, investimento adequado de parte dos rendimentos, habilidade e capacidade para obter renda a partir de diversas fontes, boas ferramentas de apoio e acompanhamento da evolução das finanças pessoais, investimento em educação financeira (cursos, oficinas, livros) e, certamente, muito mais coisas. Porém, gostaria de enaltecer uma habilidade que todos podem desenvolver, aliás, todos devem desenvolver, para alcançar os objetivos que foram estabelecidos, em qualquer área da vida: o autocontrole.

Autocontrole, ou também autodisciplina, significa tomar posse de sua própria mente. Ninguém pode alcançar o sucesso sem se tornar mestre de si mesmo. O autocontrole começa com o domínio de seus pensamentos. Sim, você pode controlá-los, ou pelo menos direcioná-los para onde bem desejar. Se você não controlar seus pensamentos, não poderá controlar as suas ações. A primeira forma de autocontrole, portanto, é pensar primeiro e agir depois. Geralmente as pessoas tendem a fazer o inverso, o que pode gerar consequências delicadas e, às vezes, bem desagradáveis.

Livros foram escritos sobre diversos aspectos de como melhorar as nossas vidas; eventos são realizados para apresentarem ou mesmo nos educarem sobre vários tipos de informação. Mas de nada adianta sermos uma “super esponja”, absorvendo tudo que encontramos pelo caminho, se não fazemos nada com o conteúdo. É preciso transformarmos os conteúdos em algo útil e importante para nós mesmos e para os outros.

Mas como desenvolver o autocontrole para fazermos aquilo que desejamos? Essa resposta é bastante particular, e, no próximo post, vou trazer informações de uma pesquisa sobre esse assunto.

Até lá!