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16 de março de 2014

Seu quarto obstáculo EMOCIONAL: Histórias Pessoais

No último post nós abordamos o terceiro obstáculo emocional que nos impede de seguir adiante que, inclusive, serve de alimento para o Guardião e para seus medos: as crenças de luta.

Nesse post vamos abordar um problema que é estruturalmente mais complexo, é razoavelmente consciente, mas a maior parte das vezes pensamos que isso é natural, que faz pouca diferença, que é um fator que não tem como mudar. Nós estamos falando sobre as nossas histórias e justificativas pessoais: as que contamos a nós mesmos e as que contamos às outras pessoas para justificar as coisas que acontecem em nossas vidas.

O sistema nervoso do ser humano foi preparado para um ambiente em que era necessário, para sobreviver a médio e longo prazo, tirar sentido das coisas: ele foi feito para extrair significado das situações. Uma situação se repete 3 ou 4 vezes e você tira uma conclusão, cria uma regra (que é o que chamamos de crenças) e começa a estabelecer significados: “Então isso causa aquilo que causou isso que causou aquilo outro...”. O sistema nervoso foi adaptado para trabalhar com histórias; com coisas que fazem sentido; com princípio, meio e fim; com causa e efeito. A parte intuitiva de nossa mente procura causalidade o tempo todo.

Nós entendemos melhor um conceito quando ele é explicado com uma história; conseguimos guardar melhor uma ideia se ela for contada como ela surgiu. Por conta disso, nós criamos para nós mesmos ou ouvimos de pessoas de referência (nossos pais, nossos avós, do ambiente do qual nós crescemos) essas histórias e as repetimos. Essas histórias justificam quem nós somos; elas servem tanto para justificar nossas qualidades quanto nossos defeitos, nossas facilidades e talentos e nossas dificuldades e desafios.

Nós não temos apenas histórias boas: também temos histórias ruins. Muitas vezes a história que contamos faz referência aos nossos pais. Às vezes uma pessoa te pergunta: “porque você é grosso, estúpido com os outros?” E logo vem a resposta: “minha mãe era assim, eu sou assim também! Eu sou autêntico eu falo sempre a verdade!”. Daí, essa pessoa que conta essa história para ela mesma, caso um dia seja delicada vai achar até estranho seu comportamento “poxa, mas eu não sou essa pessoa delicada. Sou aquela pessoa autêntica, grossa...”

Nós temos histórias de ‘coitadismo’, de coisas que nós não queremos continuar a ter em nossas vidas. Te perguntam: “por que você tem dificuldade nessa área?” “Ah... porque meu pai tinha, a minha mãe tinha...” “porque você tem facilidade naquela área?” “Ah... porque eu desde pequeno aconteceu isso e eu tive essa situação”. 

Nós temos histórias bacanas que justificam nossas qualidades e talentos, mas temos histórias que nós contamos que justificam as nossas dificuldades e, muitas vezes, essas histórias podem ser modificadas, podem ser desconstruídas, mas você só vai conseguir trabalhar em cima disso se tiver consciência. Da mesma forma como aconteceu com os medos, o Guardião, as crenças de luta, faremos a mesma coisa com as histórias pessoais.

Quais são as histórias que você conta para você mesmo e que justificam as suas dificuldades, que justificam os seus bloqueios? Você sempre foi ‘burrinho’, você sempre foi tímido, sempre foi gastador? Quais são as histórias que você conta, quais são as lembranças que você tem? Quando você comete aquele erro que mais quer consertar, aquela coisa que você quer parar de fazer e toda vez que você faz acaba contando a mesma historinha para você mesmo: que história é essa?

“Ah... mas minha mãe era assim e eu também sou...”
“Ah... eu sou assim desde pequenininho...”
“Depois que fulano me abandonou...”
“Depois que meu pai morreu aconteceu isso...”

Tem sempre uma historinha; por isso devemos trazer à tona, tomar consciência, trazer para um nível que você possa perceber.

Então, segue mais uma atividade: identifique as histórias que você conta para você mesmo e que justifica as suas dificuldades, os seus desafios e os seus bloqueios.

No próximo post falaremos sobre as metáforas pessoais, encerrando a abordagem sobre os problemas - daí partiremos para as soluções!


Até lá!


Confira os outros obstáculos:
Seu primeiro obstáculo EMOCIONAL: Medos
Seu segundo obstáculo EMOCIONAL: o Guardião da Escassez
Seu terceiro obstáculo EMOCIONAL: Crenças de Luta


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10 de março de 2014

Seu terceiro obstáculo EMOCIONAL: as Crenças de Luta

No último post nós abordamos o segundo obstáculo emocional que nos impede de seguir adiante, uma poderosa parte de nossa personalidade que tem a finalidade de nos proteger, porém, talvez, ele esteja nos protegendo de forma inadequada: o Guardião. Foi proposta uma atividade para que você pudesse tomar consciência da forma como o Guardião age em sua vida, principalmente através de sono, distrações, emoções fortes e o sentimento de desdém. No primeiro post tratamos dos medos.

Nesse post, vamos tratar do terceiro obstáculo, que são as crenças de luta.

Os três obstáculos costumam atuar de forma conjunta. O Guardião se utiliza das crenças de luta para justificar muitas das coisas que ele faz; os seus medos também entram dentro da sua conversa interna, aquela conversa que você tem com você mesmo.

As crenças de luta, muitas vezes, é que estão por trás de tudo isso, por trás de todos esses obstáculos abordados.

Nós temos uma tendência a dar mais valor àquelas coisas que foram mais difíceis de conseguir. Então por que geralmente não conseguimos alcançar elevados níveis de sucesso e realização, como algumas poucas pessoas parecem alcançar? Porque muitos de nós desenvolvemos, por uma questão cultural, as crenças de luta. A ideia de que uma vitória para valer a pena tem que ser suada, tem que ser na luta, tem que ser ganha com garra. “O céu é conquistado a força”, “não existe vitória sem sacrifício”, “tudo que vem fácil vai fácil”.

É verdade que no mundo teremos aflições: nós vamos passar dificuldades na vida – isso é um fato. Quando queremos obter um determinado resultado, automática e naturalmente já nos deparamos com vários obstáculos: muitas vezes é necessário desenvolver determinadas habilidades para superá-los.

Só que, por uma questão cultural, muitos de nós acabamos, para tentar valorizar e enobrecer mais a nossa vitória, criando inconscientemente outras dificuldades. Criar mais dificuldades que a própria situação já tem naturalmente para tornar aquela vitória mais valiosa. Isso é um grande perigo: muitos de nós vivemos isso e não percebemos.

Uma tipo de crença de luta muito comum é “o que vem fácil vai fácil” ou acreditar que “o filho do Eike Batista não tem valor: é um cara que não serve para nada, é só um herdeiro” ou “essa mulher é famosa só porque ela é bonita” ou “esse cara aí ganhou tudo de mão beijada” ou outras coisas do tipo. Temos a tendência de falar assim das pessoas que aparentemente têm mais facilidade na vida.  É muito importante tomar consciência disso porque quanto mais você desvaloriza as pessoas que têm facilidades na vida, mais inconscientemente você busca viver dificuldades: afinal, “você não quer que a sua vitória seja igual à da pessoa que considera que não tem valor”. Inconscientemente você fica procurando mais dificuldades; é um processo inconsciente de auto sabotagem: você não faz isso de propósito, mas se você tem crenças de luta de que as coisas só tem valor se tiverem muita luta, muita dificuldade, isso automaticamente faz com que seu inconsciente busque por mais dificuldades ao longo do caminho.

Às vezes você já teve numa situação em que foi difícil aprender determinada disciplina e para outras pessoas foi mais fácil que para você. Pode ser uma dificuldade de aprendizado, pode ser uma questão de aptidão, mas pode ser uma questão de crenças de luta. Então é necessário tomar consciência disso.

A vida tem dificuldades naturalmente, porém quando nós desenvolvemos muitas crenças de luta acabamos criando mais dificuldades que o necessário.

A terceira atividade portanto, é tomar consciência de quais são suas crenças de luta. Crenças do tipo “o que vem fácil vai fácil”; “As melhores pessoas são aquelas que superam grandes dificuldades”; ou “Paris Hilton: o que ela fez para ser tão rica? Ela não merece essa vida que ela leva” ou “Por que o Neymar ganha tanto dinheiro?

Só para esclarecer essa questão do “herdeiro”: imagina que você trabalhe muito forte e muito duro e se torne um grande milionário, talvez um bilionário. Pelo fato de você ter construído essa fortuna, a vida do seu filho não deveria ser mais fácil do que foi a sua? Não faz sentido isso? Se você se torna um bilionário, você vai querer que seu filho passe pelas mesmas dificuldades que você? É bem provável que você vá cuidar dele, educa-lo, forjar a pessoa, não dando facilidades demais para que não fique mimado, mas ele não vai passar pelo mesmo sufoco que você passou.

Quando você julga outras pessoas de acordo com esses parâmetros de certa forma vocês está impondo a si mesmo a obrigação de viver determinadas dificuldades. Tomando consciência das crenças de luta, fechamos o ciclo desses três obstáculos.

Quais são suas crenças de luta? Quais são as ideias que você tem a respeito da verdadeira vitória, das lutas que ela tem que ter e as dificuldades? Quais são as coisas que você acredita que uma pessoa tem que passar sufoco, dificuldade e que tem atuado em sua vida de uma forma profunda?

No próximo post falaremos sobre outro obstáculo, mais profundo, que tem a ver com aquilo que acreditamos: nossas histórias pessoais.


Até lá!


Confira os outros obstáculos:
Seu primeiro obstáculo EMOCIONAL: Medos
Seu segundo obstáculo EMOCIONAL: o Guardião da Escassez


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3 de março de 2014

Seu segundo obstáculo EMOCIONAL: o Guardião da Escassez

No último post nós começamos a trabalhar um obstáculo emocional que nos impede de seguir adiante, de nos desenvolvermos em todas as áreas de nossas vidas, inclusive a financeira: o medo. Foi proposta uma atividade para que você pudesse tomar consciência de seus medos e registrá-los: quando colocamos as coisas no papel, conseguimos organizar melhor o pensamento, as coisas ficam bem mais claras.

Nesse post, vamos tratar do segundo obstáculo, chamado "O Guardião da Escassez".

O segundo obstáculo no processo de lidar com as emoções é um fator que a maioria das pessoas não tem a mínima consciência de que ele existe; um fator que atua nos processos de conhecimento e desenvolvimento pessoal de forma profunda e por isso não conseguem fazer absolutamente nada a respeito.

Existe uma parte de nós que faz qualquer tipo de coisa para evitar a mudança, para evitar a evolução, que, na visão dessa parte de sua personalidade, não entende que essa mudança é evolução. Na visão do coaching e da neurolinguística, dentre outros campos de estudo, o ser humano é composto por diferentes partes em sua personalidade e essas partes podem entrar em conflito. É muito comum, por exemplo, você escutar uma pessoa dizendo assim: “uma parte de mim quer ser saudável, outra parte de mim quer continuar fumando” ou “uma parte de mim quer ter um corpo bonito, outra parte quer comer pizza frequentemente”. Esses conflitos de parte são observados com bastante frequência e todo ser humano é mais ou menos dividido em algumas áreas. Aquelas pessoas que conseguem integrar isso melhor conseguem ficar mais focadas e acabam realizando mais porque elas vivem menos desses conflitos, já que eles tiram muita energia.

Uma dessas partes que todo ser humano tem é chamada de “Guardião da Escassez”. É uma parte que é extremamente conservadora, extremamente apegada à zona de conforto, que te mantém nessa condição, que faz de tudo para evitar a mudança.

A atuação do Guardião em nossas vidas é muito simples e rapidamente conseguimos perceber em que parte ele atua. Uma das coisas que o Guardião faz é te distrair, tirar sua atenção daquilo que está sendo falado. Às vezes você está assistindo a uma palestra e quando chega aquela parte que você mais precisa ouvir, você pega o celular para conferir suas mensagens, entra na internet, vai ao banheiro, vai pegar um copo d’água – saiba: é o Guardião que está fazendo isso. Ele faz você perder a atenção naquele ponto central. No meu caso, o Guardião atuava de forma bastante incisiva nesse aspecto: distrações com Facebook (a cada 5 minutos estava conferindo mensagens e notificações), Whatsapp, e outros - nisso eu gastava improdutivamente quase 2 horas de meu dia, o que atrasou muito dos meus processos de trabalho.

Outra coisa que o Guardião faz em sua atuação é causar uma emoção forte. Às vezes, numa conversa, numa aula, num vídeo a mensagem é direta para você e você acha graça, entende a mensagem como uma piada, uma metáfora engraçada e você acaba perdendo a lição que está naquela história porque está achando que é uma piada, que é graça.

Compreenda que o Guardião não é nada espiritual, nada de forças ocultas, nada disso. É uma parte de sua personalidade que tem pavor da mudança, que quer te manter onde você está perpetuamente. Ou cria distrações ou cria emoções fortes de riso, de graça, de raiva.

Outra forma de atuação do guardião é o sono. Às vezes você está numa palestra, numa apresentação, assistindo à um vídeo de treinamento e de repente te dá um sono sobrenatural. É a atuação do Guardião.

Porém, o pior de todas as atuações do Guardião é fazer você ter um pensamento assim: “isso aí eu já sei!”. Isso acontece muito quando determinado assunto ou conteúdo apresentado é similar ao que você já experimentou e você acha que já sabe o que vai ser dito ou explicado. Porém, o ser humano aprende por repetição: quanto mais vezes você repete a informação, mais vezes recebe o mesmo conteúdo de maneiras diferentes, contado por diferentes pessoas ou pela mesma pessoa, mas em um contexto de vida diferente, maior a chance de você assimilar aquele aprendizado de forma efetiva. Essa forma de atuação do Guardião é uma espécie de desdém, uma atuação feia dessa parte de nossa personalidade que faz com que percamos determinado conhecimento, a mudança positiva que aquela informação ou aprendizado poderia trazer em nossas vidas.

A segunda atividade, portanto, trata de analisar, enxergar, trazer à consciência formas como o Guardião da Escassez tem atuado na sua vida, impedindo que você adquira novos conhecimentos, impedindo de seguir em frente com racionalizações do tipo “isso aí eu já sei” ou com muito sono, com raiva (ou outras emoções fortes), com distraçõesQuais são as formas de atuação mais frequentes do Guardião da Escassez na sua vida?

O próximo obstáculo são as crenças de luta, combustível para muitos de seus medos, para certas formas de atuação do Guardião, dentre outras coisas. Mas vamos por partes!


Até o próximo post!


Confira o primeiro obstáculo:
Seu primeiro obstáculo EMOCIONAL: Medos


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