Busca

24 de fevereiro de 2014

Seu primeiro obstáculo EMOCIONAL: Medo


Muitos dos nossos problemas financeiros estão relacionados a problemas emocionais. Na verdade, o que se percebe é que muito dos exageros financeiros têm raízes em questões emocionais mal resolvidas. Pensando nisso, decidi apresentar os principais obstáculos relacionados aos nossos empecilhos e dificuldades emocionais, com o viés financeiro: esses obstáculos podem, inclusive, nos atrapalhar no processo de resolução das dívidas por conta de problemas emocionais que provocam comportamentos prejudiciais ao equilíbrio e bem estar financeiro.

Para muita gente essa abordagem pode parecer muito negativa, mas na verdade não é. Nosso foco não é ficar lidando com pensamento positivo, “mundo cor-de-rosa”. A primeira coisa que precisamos fazer para resolver uma situação, seja qual for, é encará-la. Enquanto não colocamos na mesa os empecilhos e dificuldades que nos atrapalham, que nos impedem de exercer o controle emocional adequado, nós não conseguiremos lidar com nossas finanças de maneira adequada.

Os primeiros passos nessa abordagem das emoções servem para tomarmos consciência daquilo que nos atrapalha e, depois, vamos trabalhar nas soluções dessas dificuldades.


O primeiro obstáculo: Medo

O primeiro obstáculo é o medo, especificamente o medo do sucesso – a maioria das pessoas têm esse obstáculo, mas mal o reconhecem. Mas como assim “medo do sucesso”? Na verdade as pessoas não têm medo do sucesso: têm medo das mudanças que o sucesso pode provocar.

Muitas vezes a pessoa vive numa zona de conforto que, de acordo com seu julgamento, é ruim. Porém, é um ruim conhecido. Na percepção dela aquela situação não pode piorar. Parece que não pode, mas geralmente piora. Em alguns casos a situação fica tão grave, tão ruim, tão desagradável que a pessoa fica desconfortável a tal ponto de tomar uma atitude – embora algumas vezes não tomemos atitude alguma: o ruim é conhecido e isso basta.

Por outro lado, ir para a zona de fronteira ou para a zona de desafio (que é além da zona de conforto) pode nos trazer outros problemas e outras dificuldades dos quais não estamos acostumados: 

“Esse relacionamento é ruim, mas sei como lidar com ele, já sei as coisas que eu devo falar, as que eu não devo falar; não sei se vale a pena mudar”;

“Esse trabalho é ruim, paga pouco, mas já sei viver nesse orçamento apertado; de repente tentar um empreendimento não vai ser legal”.

A pessoa começa a dar desculpas para se manter ali.

Proponho a você, leitor, uma atividade para trazer à consciência seus medos. Vai precisar de um caderno e lápis ou caneta, o que preferir. Ao longo dos próximos posts vou mostrar outros obstáculos e vou apresentar uma maneira eficaz de lidar com seus medos e esses outros obstáculos (quanto suspense!). Portanto, essa atividade se trata de você descrever os seus medos. Nosso foco são as questões financeiras, mas não é necessário que você aborde medos relacionados apenas à elas, podem se medos relacionados à vida em geral: medos concretos (medo de pegar uma doença, medo de ser atropelado), medos emocionais (medo de ficar sozinho, de ser abandonado), etc.

Quanto mais você conseguir colocar esses medos para fora, quanto mais você conseguir entende-los, melhor. Eles trazem consigo um significado. A emoção do medo traz uma mensagem muito importante e, ao invés de tentarmos fugir do medo, tentar ser apenas corajosos, nós devemos sentir esse medo: senti-lo e aprender aquilo que ele tem para nos ensinar sobre quem realmente somos, sobre as coisas que queremos e não queremos em nossa vida.

Temos muitos medos: medo de não alcançar os objetivos financeiros almejados; medo de não alcançar o sucesso; medo de se dedicar profundamente à vida profissional e não conseguir conciliar relacionamentos sociais, íntimos e familiares; medo de não ter a capacidade de prover o núcleo familiar; medo de não conseguir realizar os sonhos e objetivos... Escreva os seus medos em um caderno e, por enquanto, guarde essa informação. Em breve você vai precisar dela para tratar seus medos.

Então faça essa atividade: relacione, pelo menos, 5 medos que você tem em sua vida: medos práticos, profissionais, financeiros, de saúde, qualquer área. Quanto mais profundo você for, mais você alcançará resultados. Nosso objetivo com essas atividades é você se autoconhecer, compreender suas emoções e conseguir controlar o comportamento posterior a elas.

Não há problema em você se sentir empolgado de forma excessiva: o problema é você extravasar essa empolgação fazendo várias compras com cartão de crédito, por exemplo; não há problema em sentir raiva de uma coisa que é injusta, que é errada: o problema é você falar o que não deve para as pessoas e depois se arrepender ou enfrentar consequências desnecessárias.

O foco é compreender as emoções, suas mensagens e não permitir que elas te tirem do controle. E só vamos começar a entender isso compreendendo nossos medos, nossos receios, as nossas fantasias negativas.

O próximo obstáculo é uma parte de sua personalidade, muito profunda, poderosa e conservadora: o Guardião da Escassez.


Até o próximo post!


Gostou? Deixe seu comentário e compartilhe esse post com seus amigos no Facebook ou no Twitter.

31 de janeiro de 2014

Quinto experimento: o conceito de Priming

Artigo originalmente postado em Gestor FP.


O quarto experimento mostrou que o efeito do desconforto, em níveis moderados, é mais do que compensado pelo autocontrole. Em níveis extremos, por outro lado, esse mesmo efeito enfraquece o autocontrole (você pode acessar o post clicando aqui).


Dar elevada importância a alternativas que possam fazer com que nos desviemos de nossos objetivos de longo prazo é um grande obstáculo que, vez ou outra, nos deparamos. E é sobre isso que trata o quinto e último experimento.

Digamos que um estudante precisa se preparar para uma prova importante. Ele quer focar em seus estudos, mas seus pensamentos o levam à situações do quão prazeroso seria estar com seus amigos – isso, de alguma forma, pode se tornar mais importante e diminuir sua motivação para estudar, concorda? Porém, o fator social que concorre com a tarefa de estudar para o teste pode se tornar um interessante aliado fazendo com que o estudante mantenha um elevado nível de motivação para se dedicar aos estudos – tendo como provável consequência uma melhor preparação. Isso só é possível se, antes do evento, o valor da preparação para a prova for reforçado já que, depois de passado o teste, estudar não seria mais uma meta importante.

Antes de continuar, quero explicar um conceito em psicologia que, na literatura americana, se chama “priming”, pois no restante do texto vou usar essa palavra para não ficar explicando um conceito grande e acabar por tornar o texto repetitivo. Priming é a ideia de certas coisas que quando somos expostos (objeto, palavras, ideias, evento, experiência, etc.) ativam certos conceitos que induzem a determinado comportamento. Por exemplo: uma pessoa que acaba de comprar um carro novo pode começar a notar com mais frequência outras pessoas dirigindo a mesma marca e modelo do carro que comprou (já aconteceu isso com você?). Esta pessoa, portanto, foi “preparada” para reconhecer mais facilmente um carro como o dela por causa da experiência que tem ao dirigir e possuir aquele veículo específico. Outro exemplo: já percebeu que quando estamos envolvidos com alguma mulher que esteja grávida (amiga, irmã, prima, esposa, etc.) tendemos a perceber uma grande quantidade de mulheres grávidas no dia-a-dia? Parece que todas as mulheres resolveram engravidar na mesma época, não é?! Pois bem, é o “efeito priming” agindo na sua mente de novo. Explicado sucintamente o conceito, retornemos à quinta experiência.

Foi realizado um experimento com graduandos em enfermagem para testar essa premissa. Eles teriam de fazer uma prova sobre a disciplina de introdução à psicologia. Todo conteúdo da disciplina foi disponibilizado 3 semanas antes dessa prova: todos os participantes tiveram as mesmas condições de prazo para estudar. Algumas motivações sociais foram colocadas em forma de perguntas abertas relacionadas às suas vidas sociais, provocando assim o efeito priming com relação aos assuntos sociais. Essas perguntas foram feitas tanto 1 semana antes do teste quanto 1 semana depois do teste. O experimento teve, então, quatro variáveis: Priming Social (sim v.s. não) X Tempo (antes da prova v.s. depois da prova).

Os participantes receberam um caderno que continha as instruções e um questionário. A primeira parte do caderno foi desenvolvida para a situação de priming social. Foi pedido para que os participantes sob a condição de priming social se imaginassem em uma agradável situação social e, daí, respondessem a três perguntas abertas sobre sua vida social:

a. Quão importante é para você ser sociável? Explique o porquê.
b. Tente lembrar de uma situação em que você agiu de forma sociável. Descreva o que você fez e o que aconteceu.
c. Descreva o que você pode fazer para ser sociável e o que está envolvido ao se comportar de maneira sociável.

(Percebem que as ideias sob comportamento social são exaltadas nessa condição com essas perguntas? Essa é a ideia do efeito priming em ação!)

Os participantes que não estavam sob a condição de priming não responderam a essas perguntas. Todos os participantes responderam a segunda parte do questionário que procurou avaliar a importância de se estudar para a prova numa escala de 1 (não tão importante) a 11 (muito importante), com as seguintes categorias:

  • Importância de conseguir boas notas;
  • Importância de estudar para as provas;
  • Importância de dedicar esforços para estudar para as provas;
  • Importância de estudar para as provas no tempo livre;
  • Importância de ser um bom estudante;
  • Importância de superar a falta de interesse para estudar.


Daí os resultados:



Antes da prova os participantes enxergaram de forma mais favorável o ato de estudar quando motivos sociais foram colocados em evidência do que quando não foram. Depois da prova, no entanto, o valor pessoal para estudar foi baixo em ambas condições, já que a meta não era mais importante.

Os resultados desse experimento sugerem que é necessário levarmos em conta os processos de autocontrole que predizem as consequências motivacionais e comportamentais de um motivo priming. Quando um motivo priming ameaça o alcance de um objetivo de longo prazo (no exemplo inicial desse artigo seria “estar com os amigos é mais importante/prazeroso que estudar”), podemos acessar o controle contra ativo bloqueando esses impulsos. Nesse experimento, o fator social ameaçou a habilidade dos estudantes estudarem para a prova. Porém, em resposta à essa ameaça, os participantes reforçaram a importância de se estudar e, ao invés de enfraquecer tal motivação, o priming social (a ativação de conceitos sociais importantes) fortaleceu esse aspecto prevenindo, inclusive, que o desempenho dos participantes fosse prejudicado no teste.

Depois da prova, contudo, estudar não era mais uma meta importante que necessitava ser protegida contra desejos concorrentes e o priming social não ativou o reforço da importância de se estudar.

Uma ideia muito interessante que podemos associar às nossas vidas financeiras está relacionada ao ato de investir. Pensemos no seguinte caso em que a pessoa trabalha, recebe seu salário e, apesar disso, “não consegue guardar ou investir dinheiro algum”. A primeira coisa que deve ser feita (se já não foi feita) é realizar um diagnóstico de sua situação financeira. A partir disso, estabelecer os objetivos que se quer alcançar, especialmente aqueles que exigem investimentos. Daí definir o orçamento a ser seguido, ajustando as despesas de acordo com os objetivos e condições de vida. E, por fim, realizar a poupança e os investimentos. Esse é um dos caminhos, correto?

Porém, mesmo fazendo isso, tem pessoas que não conseguem guardar dinheiro. Podemos usar o conceito de priming a nosso favor. De que maneira? Simples: se, por exemplo, você sabe que seu pagamento vem todo dia 10, você pode se programar para ver de novo seus sonhos, seus objetivos, ver como os investimentos realizados estão progredindo, estudar alguns dias antes do pagamento sobre novos investimentos ou sobre o desempenho do seu atual investimento, ou seja: se envolver com seus objetivos para fazer com que sua disposição a investir aumente e seus esforços de poupança se intensifiquem, diminuindo a “dor” de realizar os investimentos para alcançar seus objetivos enquanto tem um “desejo concorrente”, uma oportunidade de consumo te tentando.

*

Tenho consciência de que não é fácil trazer essas ideias para nosso dia a dia, mas é bom que tenhamos consciência de como nossas mentes funcionam, provocando nossos comportamentos (muitos deles inconscientes). Faz parte do desafio, não é!?

Espero que tenham gostado dessa série de experimentos sobre o autocontrole. Uma boa semana e bons estudos!

Até!

24 de janeiro de 2014

Suas Roupas Falam

O blog Riquezas da Vida agora terá a contribuição da Consultora de Imagem, Andrea Fraguas (acesse o blog Tips e Tricks para mais informações), que vai falar sobre assuntos de sua especialidade para refletirmos acerca do uso das roupas e acessórios de forma consciente, elegante e, principalmente, inteligente! Afinal, suas finanças pessoais e sua autoestima agradecem (e muito!)


Suas Roupas Falam


Recentemente a psicóloga clínica, Dra. Jennifer Baumgartner, escreveu o livro, You Are What You Wear: What Your Clothes Reveal About You (Você é o que você veste: O que suas roupas revelam sobre você).


Na verdade, isso não é nenhuma novidade, pois nossas atitudes em geral, inclusive a maneira como nos vestimos, está sempre revelando algo mais profundo. Uma vez que o próprio Einstein disse não existir diferença entre a nossa realidade interna e externa, uma coisa é reflexo da outra. Mas a Dra. Baumgartner escreve de uma maneira mais clara e específica.

Nós mesmos observamos que quando uma pessoa está bem, ela irradia beleza e bem estar. O mesmo não acontece quando você se sente mal. Mas muitas das vezes cometemos erros, principalmente no ambiente de trabalho, por apenas uma questão de falta de conhecimento, passamos através da nossa imagem a nos comunicar de maneira errônea, e aquela promoção que achamos ser merecedores por nossa competência nunca chega, o aumento de salário fica mais distante, seu chefe não te valoriza e te trata como um cachorro. O que pode estar acontecendo? Entre outras coisas, a sua imagem não condiz com seu trabalho.

Mas voltando ao livro da Dra. Jennifer Baumgartner: ela fez relações a determinados comportamentos em relação ao seu guarda-roupa ou seu modo de vestir que são bem interessantes. Vamos pouco a pouco discutindo no nosso blog.

E o que a psicóloga descobriu sobre aquelas pessoas que não se desfazem de maneira alguma de suas roupas, tendo o guarda-roupa cada dia mais entulhado de peças, muitas vezes já sem uso? Bem, esse indivíduo pode estar preso ao passado, e ao valor sentimental de suas roupas e acessórios. E o que ela sugere? Ela aconselha a criar o hábito de a cada 3 peças novas que você adquire, 2 outras devem ser doadas ou retiradas de seu armário. Essa é uma atitude que já incorporei na minha vida já a algum tempo, é uma forma de agradecer ao Universo o que ele me deu, então, se eu compro uma coisa nova, pelo menos uma  peça é retirada do meu guarda-roupa, geralmente eu faço uma doação.

Andrea Fraguas é graduada em Consultoria de Imagem pelo FIT/NY (Fashion Institute of Technology Nova York/EUA) e tem formação em Consultoria de Imagem pelo SENAC/Belo Horizonte. Acesse seu blog Tips e Tricks para mais informações.


Gostou desse post? Compartilhe conosco suas impressões no espaço de comentários!