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8 de novembro de 2011

Afiando os machados... de novo!


Estou estudando, nas últimas semanas, uma filosofia que tenho certeza de que hoje faz parte de mim e de muitas pessoas espalhadas pelo mundo: a filosofia do triunfo e do sucesso descrita e detalhada por Napoleon Hill durante mais de vinte anos de sua vida.

Há algum tempo atrás, quando trabalhava como representante comercial, aprendi, através de uma história, que devo parar para “afiar os machados” de tempos em tempos. Reproduzo essa história logo abaixo e depois retomo o raciocínio.


“Conta-se a história de um jovem lenhador, forte, ambicioso, ansioso para mostrar sua grande habilidade em derrubar árvores.  Certo dia desafiou o campeão da firma, um senhor bem mais velho, a um concurso para ver quem derrubava mais árvores em um dia de trabalho.

O jovem cortador começou atacando árvore após árvore com uma fúria jamais vista entre lenhadores.  O velho cortador também se aplicava à sua tarefa com toda a perícia que os anos de experiência haviam lhe concedido.  Mas o jovem deu risada quando lhe contaram que o velho lenhador parava para descansar de tempo em tempos debaixo de uma árvore na floresta.  “É vitória certa para mim” pensou o jovem lenhador.

Qual foi a surpresa quando, no final do dia, o jovem ofegante encontrou o velho lenhador tranqüilo, e com 2 vezes mais árvores cortadas que ele. Foi então que descobriu que em cada período de “descanso”, o velho e experiente lenhador estava afiando machado.

Moral da história: de tempos em tempos temos que parar e afiar nossos machados, rever como melhorar nossa vida, ver o que podemos fazer melhor e diferente das tentativas anteriores.”


Essa história basicamente mostra o que tenho feito nas últimas semanas e dias: revendo missão pessoal, o que eu desejo pra minha vida, como vou conseguir tais coisas de forma que eu me sinta mais feliz, próspero e realizado, dentre outros inúmeros aspectos.

E não posso deixar de ressaltar que, felizmente, minha missão pessoal não mudou, apenas ficou mais bem definida, muito mais clara. Vou relatar o processo que ocorreu comigo.

Comecei a me questionar sobre o que eu mais desejava na vida. Inicialmente, veio a ideia de que eu desejava ser rico. Mas o que é ser rico? Pra mim, além de ter dinheiro em abundância de modo que não seja necessário se preocupar mais com ele (ou seja, atingir a independência financeira), ser rico é ter experiências pessoais variadas tais como conhecer terras distantes e diferentes, realizar os sonhos, conhecer pessoas novas, enfim: viver e experimentar mais. Depois disso surgiu outro desejo: o de ser mais próspero. E, em seguida, uma nova pergunta: o que é prosperidade? A resposta: prosperidade é gozar de um estado de espírito de bem-estar e riqueza; é sentir-se feliz, bem-sucedido e tranquilo. Bom... diante dessa resposta comecei a desenhar o que eu preciso fazer para ser mais rico e próspero. Daí surge um raciocínio interessante: se prosperidade é a realização de experiências e essas traduzem em um estilo de vida de riqueza, bem-estar e abundância, então trabalhando naquilo que amo poderei realizar mais e ser mais feliz. E qual o meu trabalho, minha contribuição, minha missão? Sou educador financeiro e consultor em finanças pessoais e amo meu trabalho. Minha missão é EDUCAR PARA MUDAR VIDAS. Educar (do latim “educo”, desenvolver de dentro) em salas de aula, em empresas, em associações de classe, dentro dos lares: ‘simplesmente’ educar financeiramente as pessoas.

Outra pergunta que veio em minha mente foi: o que é sucesso para você? Vamos à resposta que me ocorreu: “sucesso não pode ser mensurado e sim sentido; é um estado de espírito, irmão da prosperidade”. Depois disso, escrevi algumas definições para alguns diferentes tipos de sucesso:
  • Sucesso profissional: pode ser definido através da contribuição realizada pelo trabalho na vida das pessoas; 
  • Sucesso financeiro: é quanto de resultado, de dinheiro que é gerado a partir do nível de contribuição realizada para as pessoas (tanto em quantidade como em qualidade); 
  • Sucesso social: é o quanto e o como você faz com que as pessoas de seu convívio sintam-se bem; 
  • Sucesso pessoal: trata-se daquilo que você alcança para si, seus objetivos pessoais, sonhos, metas, etc.

Por fim, ficou claro (de novo) uma coisa interessante que chega á conclusão desse post: no final das contas, as pessoas desejam ter sucesso pessoal traduzido em felicidade, prosperidade, tranquilidade e realização de sonhos e experiências. E ele é construído, além do sucesso social e outras coisas mais, pelo sucesso financeiro que tem como base o sucesso profissional através da contribuição realizada pelo trabalho na vida das pessoas.

Fica a reflexão: você tem contribuído com o seu melhor para a vida dos outros?

31 de outubro de 2011

34 por cento... de quanto?‏



Esse artigo foi desenvolvido por um amigo, estudante de economia, muitíssimo inteligente e com um pensamento crítico afiadíssimo, Leonardo Falabella.

Reproduzido na íntegra.



"
Tem sido cada vez mais comum ouvirmos da imprensa reclamações sobre o peso da carga tributária brasileira, que seria alta demais. É comum ouvir alguns economistas dizerem que o Brasil tem uma carga tributária superior às de países desenvolvidos, sem que se ofereça serviços públicos à altura. É "Chega de tanto imposto" pra lá, "Impostômetro" pra lá, gente argumentando que a carga tributária brasileira seria suficiente para oferecer serviços básicos tão bons quanto os do primeiro mundo. Um tipo de dado que é frequentemente apresentado para sustentar este argumento é o seguinte:


O brasileiro paga mais impostos do que o espanhol, o australiano, o suíço, o japonês, e recebe de volta serviços muito inferiores. Pagamos mais e levamos menos: tudo culpa do Estado brasileiro, corrupto e ineficiente. Já que o Estado não é capaz de fornecer serviços de qualidade, devemos diminuir a carga tributária e deixar que o setor privado tome conta de mais setores, desonerando o "cidadão de bem".

Tudo na mais perfeita lógica... exceto por uma variável que está sendo omitida.

Pagamos 34% do nosso PIB em impostos. Os suíços, 29%. De um modo geral, separamos mais do nosso bolso para o Leão. Mas e os governos, arrecadam quanto? Em outras palavras: o governo brasileiro arrecada 34% de quê? E o suíço, 29% de quê?

Aí introduzimos uma variável nova: o PIB per capita em dólares, ajustado pela paridade do poder de compra. Com esse dado e a carga tributária em relação ao PIB, temos a seguinte informação: qual é o montante de dólares que cada país arrecada por habitante?


Bom senso é reconhecer que, de fato, o governo brasileiro tem muito menos para investir, por habitante, do que qualquer país desenvolvido. Não que o Estado brasileiro seja um primor de eficiência e isento de ladroagem, todos concordamos que isto está longe de ser verdade. Mas será mesmo que, não fosse por estes fatores nefastos da nossa classe política, teríamos condições de oferecer investimentos sociais tão bons quanto os do Japão, da Austrália ou da Suíça? Todos estes cidadãos trabalham menos para pagar impostos do que o brasileiro, mas seus governos arrecadam mais que o dobro ou até mais que o triplo em relação ao nosso.

Seja por ingenuidade ou desonestidade, alguns tentam nos vender a ideia de que o Estado brasileiro tem por obrigação proporcionar serviços de primeiro mundo, porque supostamente pagamos impostos como cidadãos de primeiro mundo. Prestar atenção aos fatos e questionar esta linha argumentativa com alguma dose de realidade é fundamental para o amadurecimento da discussão.

Quem sabe, caso o brasileiro ficasse mais atento a esse ponto, passaríamos a discutir o verdadeiro absurdo na nossa tributação: a regressividade. O Brasil é único o país da lista em que o pobre trabalha mais para pagar imposto do que o rico. Mas parece que isso não preocupa tanto aos que vivem bradando por menos impostos, não é mesmo?
"
Por Leonardo Falabella, inspirado pelo professor Ario Zimmermann (UFRGS).

21 de setembro de 2011

Não dê um tiro no próprio pé!

Nas últimas semanas, pra quem acompanha o mercado de ações brasileiro, tem-se observado uma recuperação do Ibovespa. Mas a "trancos e barrancos". Pra quem não sabe, o Ibovespa é o principal índice do mercado acionário brasileiro, reunindo as principais empresas em sua composição. Algumas ações têm peso significativo no índice, ou seja: se elas variarem de forma expressiva positiva ou negativamente tem-se como efeito a valorização ou desvalorização do índice. Mas lembre-se: a cesta de ações é que vai indicar a variação do índice.

Mas o que temos acompanhado ultimamente? O emocional exarcebado dos investidores. É fato que existem vários tipos de investidores: aqueles que lidam com análise técnica (que, dependendo do tempo operacional, podem ser day-traders, swing-traders ou position-traders), com análise fundamentalista, com notícias, com a dica do amigo que ganhou uma bolada com esse negócio de bolsa, com o horóscopo... o ponto é: calma. Sei que é difícil agir quando se está no prejuízo potencial (sim: enquanto não se executa a venda do ativo, o prejuízo existe virtualmente, nada foi de fato realizado), quando os ativos não estão caminhando da forma como deveriam e mil e um outros argumentos. Mas o mais difícil (e muitas vezes o melhor) é não fazer nada, só esperar - não se trata de inação: trata-se de decidir não agir. Porém, quando esse medo, essa angústia e incerteza estiverem em sua atmosfera, entre você e seu telefone ou homebroker lembre-se das motivações que te levaram a entrar na bolsa.

A sua intenção era investir para o longo prazo, formar patrimônio aos poucos e agora, por ficar vendo notícias ruins da Europa, o arrastar da economia dos Estados Unidos, FED, FOMC, Grécia, Itália e bla bla bla, sente-se pressionado a agir, a salvar o que ainda resta? Como disse: calma! Sim, não dá para ignorar que ainda estamos em uma fase turbulenta, de incertezas e muitas indefinições. Na realidade está se tentando encontrar uma solução que seja boa o suficiente pra todos; mas esse desafio, se ainda não percebeu, está longe de ser resolvido. Enquanto isso, o mercado (leia-se investidores) fica estressado, muito mais volátil. Às vezes, altas expressivas porque parece que as coisas voltarão a ser um mar-de-rosas; daí vem uma única notícia ruim e... BAM: desaba tudo! O emocional da massa é poderoso, sem dúvidas. Mas, se tivermos feito o dever de casa, planejando, estruturando os investimentos, colocando prazo, objetivos, definindo estratégias (não só em renda variável, mas também em renda fixa) nós saberemos com mais clareza para onde estamos indo. Muito provavelmente aconteçam tropeços ou, talvez, consigamos saltar um pouco mais a frente do que esperávamos. Porém, lembre-se: projeções trata do futuro, é pessoal e lida com um sentimento nada fácil de se administrar: EXPECTATIVAS.

Como consultor em finanças pessoais e investidor, eu sempre procuro trabalhar com expectativas de realistas para pessimistas. Não que eu seja pessimista, longe disso. O que eu procuro ser é conservador. Conservador em minhas projeções. Se o resultado for muito melhor do que eu projetei, excelente! Vou caminhar mais rápido para a realização de meus objetivos. Se não der, tenho de avaliar meus erros e ver se o erro foi meu mesmo: lembre-se que existem riscos que não estão sobre o meu controle, que é o que chamamos de Risco Sistemático. Sozinhos  temos o controle da inflação? Não. Com isso, quando o COPOM decide aumentar (ou diminuir) a taxa de juros, temos controle? Não. E por aí vai. Só de entrarmos no mercado financeiro, seja via caderneta de poupança ou em contratos de dólar futuro, corremos risco. Resumindo: o que temos que gerenciar são nossas expectativas - as que criamos e as que nos são bombardeadas pelas notícias e aceitamos como verdade (o que muitas vezes não são).

Para os grafistas, continuem estudando, praticando análise técnica, e boa sorte - já fui grafista (e ainda sou, mas jamais usei como tomada de decisão de compra ou venda)  e sei como é emocionante e gostoso operar pelo emocional dos outros a partir do comportamento de massa. Para os fundamentalistas, revejam seus estudos, suas projeções e, muito provavelmente, vão perceber que é só um momento bem turbulento: as empresas brasileiras podem até sofrer com um período longo de recessão ou "crise", mas os fundamentos da economia e das boas companhias do nosso mercado é inquestionável. Nem é tanto o preço cotado em bolsa, mas o real valor das nossas empresas (muita atenção a esse fato!). Para os outros ("noticistas" e cia limitada), procurem estudar e saber o que estão fazendo nesse mercado, senão o prejuízo é certo.

Enfim: calma! (e avalie bem as notícias!)